Marg Wine e Margo Campbell, pessoas totalmente diferentes ou a mesma pessoa? Ah quem desconheça Marg Wine mas conheça Margo Cambpell e á quem desconheça Margo Campbell e conheça Marg Wine... A verdade é que não se pode conhecer as duas faces de Marg, ou Margo. Em seu mundo não é possível demonstrar esse dois lados de sua face que são completamente diferentes para a mesma pessoa.
Marg
Wine mesmo sendo um nome adquirido após cantar em bares do Brooklyn sempre foi
a verdadeira identidade dela, Marg Wine tem aquela doçura oculta, tem o
romantismo, tem penas em sua cabeça e uma coleção incrível de Blues e Jazz.
Marg Wine emana melancolia e é totalmente incompreendida, Marg Wine tem apenas
a sua voz para demonstrar como realmente se sente, Marg Wine pertence ao Brooklyn,
Marg Wine tem a alma suburbana. Já Margo Campbell é a verdadeira farsa, uma
outra face completamente diferente, criada apenas para se enturmar e ser
aceita, assim fodendo-a a si mesmo para chegar ao topo de Nova York, Margo
Campbell é só mais uma burguesa de Nova York, que se esconde por trás de sua
maquiagem exagerada e seu ego. Margo Cambpbell destrói lares, e carreiras de
seus professores por puro fetiche e diversão... Até ela entrar na faculdade.
BORN TO BE BAD
O vestido
caia-me melhor do que eu havia esperado. Minhas curvas refletidas ao espelho me
trazia o ar de satisfação, eu estava tão bonita quanto Bonnie ao meu lado. Eu
estava nervosa, era o jantar mais importante do ano para o meu pai e minha mãe,
mas oque eu mais esperava era a festa que rolaria meia hora depois que os mais
velhos jogassem conversa fora e esfregassem na cara um do outro o quanto eram
ricos, no entanto eu não deveria esperar tanto já que Ramona não estaria lá
para seR juntar a mim na zombaria. Revirei os olhos com tais pensamentos e
respirei fundo. Eu havia chegado alguns dias de Paris, onde tive inúmeras
aventuras e prazeres inesquecíveis, mas tive de voltar e começar minha
faculdade. Também porque eu estava cansada de Bastian, e precisava dar o fora
nele sem ser tão cruel, é estranho, mas os franceses são extremamente
sentimentais.
- Oque houve,
Margo? -perguntou-me Bonnie
- Nada, só estou
entediada prevendo como será esse maldito jantar tão importante.
- Se mamãe te
ouvir falando desta maneira corta-lhe a língua. -Avisou.
- Eu sei, eu
sei. Mas eu espero que isso não demore.
- Não vai -Ela
disse firme moldando seus lábios com o batom vermelho, que caía-lhe totalmente
bem levando em conta o tom cinzento de seus olhos, na verdade eu sempre achei
que Bonnie fosse uma versão mais nova de mim, porem mais responsável e
paciente.
- Vamos? Eu não
vejo a hora de sair daquele lugar – resmunguei.
- vamos
Descendo as
escadas mamãe e papai já estavam tão arrumados como de costume. Sorri para eles
e recebi um beijo na testa como resposta de meu sorriso, todo ano ocorria
àquela maldita festa, e todo ano papai parecia estar nervoso como se fosse a
primeira vez. Eu não conseguia entender tal coisa já que são as mesmas pessoas
mesquinhas e egocêntricas de sempre.
- Margo, mas
oque houve com o pano das costas do seu vestido? -Papai grunhiu, e eu revirei
os olhos.
- Eu não irei
trocar - rebati sabendo que essa seria sua segunda fala e ele respirou fundo-
- Você não
poderia usar um vestido mais descente? Não vamos a uma festa como a de seus amigos.
- Esse vestido é
descente - questionei.
- Não, não é.
- Eu já disse
que não irei trocar.
- Querido
estamos atrasados - A voz doce de mamãe encerrou o começo de uma breve
discussão que se não fosse por ela duraria a noite inteira-
-Margo não pode
ir a festa com um vestido com tão pouco pano assim.
- Não exagere. O
vestido só não cobre as costas, querido.
- E esse decote?
Ela vai chamar atenção de todos os marmanjos e velhos babões daquele maldito
jantar, ela não vai com esse vestido.
- Não podemos ficar
nem mais um minuto esperando Margo por outro vestido, não se esqueça que você
tem que chegar mais cedo para receber os convidados ao lado de Jhoseph.
-murmurou mamãe tentando acalma-lo e eu revirei os olhos, era inacreditável
como ele insistia em sempre querer mudar algo em mim.
- Tudo bem,
vamos. -ele finalmente então se deu por vencido, eu soltei o ar que prendia e
os segui porta a fora.
*
* *
Após o termino
do maldito jantar, onde eu tive que fingir estar gostando de olhar para as
faces caídas daqueles idosos esnobes, e as faces moldadas ao extremo em
maquiagens daquelas mulheres e homens irritantes que falavam a mesma ladainha
do quanto eram ricos e saiam para desfrutar a riqueza. Eu finalmente pude por
os pés naquele salão que era fechado somente aos jovens filhos dos sócios,
aquela era a única festa pela qual eu não precisava fugir de casa para poder
ir, papai deixava de bom grado ficar naquele salão enquanto ele ia para casa
com mamãe.
Bonnie olhou-me
e abriu os lábios vermelhos em um pequeno sorriso, bebi um gole do uísque em
meu copo após sentar-me no banco do bar ao lado de Bonnie e fiz uma careta.
- Eu preciso
dançar, e essa festa só toca esse tipo de musica -murmurei- Que diabos, você
viu o Shep por ai? -perguntei.
- Oque você quer
com aquele garoto? Sabe que não pode simplesmente transar com ele como costuma
fazer com os outros rapazes, você sabe que ele gosta de você. -repreendeu-me e
eu não contive uma risada.
- Ora, acalme-se
maninha, quem disse que eu também não gosto dele?
- Você não
deveria fazer isso. -falou emburrando-se, ela sempre o fazia quando o assunto
era “Magoar Shepley”
- Ele é homem
-sorri- Ou ele me esquece depois da transa e ter saciado-se, ou ele vai gostar
o bastante pra pedir de novo.
- Eu realmente
as vezes não te conheço -ela disse com sua testa franzida, e percebi Shep
aproximar-se, só que estava acompanhado, eu virei o ultimo gole do uísque o pus
no balcão, aquilo desceu-me rasgando garganta a baixo, mal consegui prestar
atenção em Shep quando vi o homem ao seu lado, ele era alto e tinha grandes
braços, que eu mal pude ver estando grudados a uma camisa branca de botões e
calça jeans pendida exatamente ao seu quadril, seu corpo parecia ser esculpido
por Deuses, ele parecia ser obra de Apolo, ele era incrivelmente gostoso, os
cabelos cor de cobre moldados em um topete coberto de gel, os lábios rosados e
extremamente convidativos, o olhar incrivelmente sexy, caramba acho que não
consegui respirar por alguns segundos fitando aquele homem incrivelmente lindo
. Ele parecia ser o cara mais simples daquela festa, mas a simplicidade era
apenas nas vestimentas, pois o mesmo era tão bonito e com braços tão fortes que
me fez sentir um formigamento entre as pernas. Mordi os lábios e desviei quando
percebi que o mesmo me olhava de cima a baixo, como se fosse um predador
analisando sua presa.
- Olá, Margo. -As
mãos de Shepley pousaram em minhas costas desnudas, e então virei-me para ele,
o homem de olhos esverdeados e braços fortes ao seu lado ainda olhava como um
predador, aquele olhar que me fazia quase ter um orgasmo.
- Oi Shepley.
–Balbuciei sem interesse, e senti seus lábios molhados de vinho em meu rosto.
Aquilo estava se tornando um tanto desconfortável, sua mão ainda repousava em
minhas costas.
- Oi Bonnie -ele
acenou para ela e ela um tanto avermelhada retribuiu em um "oi" tão
baixo com uma voz de ratinha, voz que ela sempre fazia ao lado de um cara
como Shep.
- Bonnie, Margo,
esse é meu amigo da faculdade Sthanley. -ele disse sorrindo e eu afastei-me um
pouco
- Prazer, Sthanley
Cliford. -ele pegou-me a mão e beijou a mesma, e seu olhar de predador havia
desaparecido agora era um olhar indecifrável que ele carregava, eu sorri, porem
não deixei transparecer que havia ficado embasbacada, eu conhecia aquele tipo,
seu olhar de predador sobre mim havia denunciado-o, ele era um cretino, e eu
queria saber o quanto ele era cretino e predador na cama.
Ele soltou minha
mão e agarrou a mão de Bonnie e vi a mesma corar pela segunda vez naquela noite
ao falar com um cara.
- Então meninas,
vocês estão se divertindo? -Perguntou Shep
- Não muito -Eu
disse após alguns segundos de silencio, pois eu esperava que Bonnie dissesse
algo. - Sabe Shep, eu estava pensando em ir pra outro lugar, bem, você sabe,
uma festa de verdade, essa festa não é a mesma quando não se tem Ramona Clark
para animar. -Eu disse e ele soltou uma risadinha nervosa, dei uma olhadela
para Sthanley que mal se importou em afundar os olhos em meu decote,
pervertido, era bom saber que aquele decote servia de algo aquela noite.
- Não sei onde
podemos ir. –Shep disse, eu mordi o lábio tentando não ter contato com o
predador ao meu lado.
- Porque não
damos uma volta Margo? Podemos dançar, ou dizer “oi” aos seus amigos do
colégio. –Propôs Bonnie quase sem voz, eu sorri balançando a cabeça.
* * *
- Caramba que
sujeira. –Grunhi após meu corpo se colidir com outro tão duro e travado quando
eu havia acabado de pegar meu copo de margarita, aquele predador já estava no
papo. Eu só preciso esconder de Shep e depois correr para os braços daquela
obra de Apolo. O cara a minha frente com cabelos arrumados de gel e olhos
caramelados grunhiu algo inconformado, ele tinha a barba propositalmente por
fazer e sinceramente tinha uma beleza extraordinária escondida por trás de um suéter
cinza, resolvi então me redimir e peguei alguns guardanapos atrás de mim
rapidamente tentando não parecer tão embasbacada com aquele homem a minha
frente.
- Eu realmente sinto
muito, não tive a intenção. –Falei enquanto o ajudava desastradamente com os
guardanapos, seus olhos em fim fitaram os meus completamente, estava um pouco
escuro acho que fora o motivo pela qual ele não dera em cima de mim, pois ele
não me viu completamente.
- Esta tudo bem.
–Resmungou, e deu-me as costas resmungando mais coisas que não consegui
identificar oque era. Qual era o problema dele? Porque ele nem me lançou uma
típica piscadela ou até mesmo não murmurou algo a mais do que apenas um “Esta
tudo bem” e um olhar frio. Realmente era porque estava escuro e ele não podia
me ver de todo. Dei de ombros e dei a volta tornando a pedir outra margarida.
Dessa vez tomei o cuidado para não esbarrar em ninguém, apenas derramei o
líquido garganta a baixo enquanto ia à procura de Shep, meu predador e minha
doce irmãzinha que iria pra casa sozinha essa noite.
P.O.V JUSTIN
- Oque aconteceu com você amor? –Lisa tinha as sombra-celhas
erguidas, eu suspirei. Aquele não era meu lugar, aquelas pessoas, aquilo não
era pra mim, aquele lugar onde as pessoas só faziam era dizer o quanto tinham
posse e oque podiam fazer, oque me indigna é que esses burgueses gastam
dinheiro com jantares como esses e não se interessam em ajudar e a fazer
jantares para aqueles que realmente precisam. Estar naquele lugar me deixava
frustrado e extremamente desconfortável, oque me conturbava era que ela nunca
percebia o quanto aquilo me incomodava e continuava a me carregar para esses
lugares.
- Uma garota esbarrou em mim com margarita. –Respondi- Eu não me
sinto a vontade aqui, Lisa. Eu vou indo, se quiser pode ficar, fica com tuas
amigas mas eu vou pra casa, tenho algumas provas pra corrigir.
- Seu trabalho vem sempre em primeiro lugar não é mesmo, Justin?
–Seus braços se cruzaram um pouco a baixo dos seios cobertos por um vestido
azul escuro, seu semblante mudara e ela já não parecia preocupada comigo.
Molhei os lábios tentando encontrar uma desculpa, se ela não percebia que
aquele lugar me incomodava eu não diria já que era tão importante pra ela.
- Eu já fiquei o bastante, Lisa. –Contestei- Você não me disse
que ficaria tanto tempo assim após o jantar.
- Como não Justin? Há, quer saber, vai, se afunde no trabalho
mesmo. Eu não me importo, não sou tão importante assim pra você não é? Seu
trabalho é a prioridade, não eu. –Ela saiu tão impertinente quanto uma
garotinha pirracenta de 10 anos, abri a boca em menção de chama-la inúmeras
vezes enquanto a via sumir dentre as pessoas daquele salão gigantesco. Abaixei
meus olhos para meu suéter encharcado por aquela moça destrambelhada e
suspirei, o mundo de Lisa nunca será meu mundo, eu não pertenço a essa classe
de pessoas, e se eu pertencesse não perderia meu tempo fazendo ou vindo a
jantares como esse. Pelo que José me comentará esse jantar era dado
reservadamente para as famílias mais ricas de toda cidade de Nova York, e Lisa
se encaixava perfeitamente naquilo, não eu. Burgueses hipócritas. Enoja-me só
em lembrar oque se era conversado a mesa.
Um suspiro intenso rasgou-me tristemente a garganta, não queria
brigar mais uma vez com Lisa, queria apenas uma noite terminar sem brigas.
Queria que ela pudesse entender o motivo do meu esforço, queria apenas que
fossemos como antes, queria terminar minhas noites com ela enquanto ela lia-me
poemas de seus escritores favoritos, ou até mesmo enquanto ela me dizia como
havia sido seu dia. Agora isso mal acontece, nossas poucas noites passadas
juntos se resumem a cada um pro seu canto. Não queria que nossa vida terminasse
dessa forma, ainda queria que ela fosse a mesma menina de dois anos atrás,
ainda queria que ela continuasse daquela maneira sonhadora e intelectual de
antes, no entanto parece que ela esta ficando como seu próprio pai.
- Professor Bieber. –Uma de minhas alunas dizia surpresa
barrando-me na saída do salão, seu vestido justo lhe dava um volume notável e
que não era notável nas aulas, seu batom a moldar-lhe os pequenos lábios
avermelhados encantavam aquelas doces bochechas de Brigeth. Ela era uma ótima
aluna, costuma sempre a debater nas aulas, seu comportamento é sempre
admirável.
- Senhorita Harris. –Meus lábios se curvaram em um sorriso quase
não visível enquanto eu balançava a cabeça em um comprimento a ela.
- Esteve aqui durante o jantar professor? Já esta de saída, mal
o vi, queria comentar sobre o livro que passou. –Ela tinha um largo sorriso nos
lábios avermelhados, eu comprimi os lábios voltando a andar e tentando sair
daquela conversa, ela era uma ótima aluna mas eu realmente não estava com a
intenção de ficar ali naquele lugar a falar sobre trabalho.
- Desculpe senhorita Harris, estou de saída, conversamos sobre o
livro na segunda. –Disse enquanto continuava andando, já em uma distancia de
dois metros ela levantou a mão acenando.
- Tudo bem professor, até segunda. –Dizia ela em um tom
extremamente alto, eu acenei e me virei para frente finalmente saindo daquele
local que me incomodava. Oque também me incomodava era que eu fedia
intensamente a margarita, oque me leva a me perguntar oque vem acontecendo com
os jovens de hoje em dia. Ao sair do grande local passei pelo saguão e me
direcionei rapidamente até a rua, meu carro estava pouco a frente do local.
Olhei para ambos os lados da rua me perguntando se aquele realmente era o meu
carro, havia um grupo de quatro jovens praticamente sentados no capô do meu Dodge
challenger. Uma moça que me lembrava a moça a quem me dera uma belo banho de
margarita se inclinava sobre um grande rapaz estranhamente tatuado, ela parecia
bêbada a ponto de quase não se aguentar de pé. Algo nela realmente me deixava
intrigado e incomodado, talvez fosse essa sua beleza estrema e ao mesmo tempo
irritante. O rapaz que eu me lembrava vagamente de ter o visto pelos corredores
da faculdade, me olhara um tanto confuso
- Professor. –Ele acenou
- Hum... Esse er... O meu carro. - Grunhi apontando para o
mesmo.
- Há, nos desculpe. Sairemos daqui, só estávamos pegando um ar,
nossa amiga não se encontra muito bem. –Explicou ele, uma risada avoada ecoava
dos lábios daquela jovem, eu tentei não me incomodar com o modo como aquele
grande rapaz tatuado a segurava, mal sabia porque havia me incomodado com
aquilo, aquela moça me dera um maldito banho de margarita, chegarei em casa com
odor de um bêbado e eu mal ponho uma bebida na boca a anos. Eles saíram indo
para o outro lado da rua ficar em frente a outro carro de outra pessoa, eu
destravei o carro e finalmente sem nem um obstáculo dei a partida podendo ir
para casa e em fim descansar após terminar de corrigir algumas provas. Dirigi
com meus pensamentos dispersos, tudo se ligava ao que estava acontecendo comigo
e Lisa. Tristemente eu sentia ela se afastando, tristemente eu percebia que ela
já não estava tão admirada comigo, tristemente eu sentia que ela havia se
cansado do modo como eu me comportava. Eu sabia que pra ela eu certamente não
era tão encantador como nos primeiros meses que estivemos juntos, provavelmente
ela já estava cansada o bastante de meu modo reservado e calado, ela parecia
não me suportar, sempre há algo que nos impeça de ter uma noite agradável,
sempre há algo que nos impeça de terminar um dia sem brigas. Eu queria mudar
isso, querida fazê-la feliz como a alguns anos atrás. Mas já que eu a incomodo
tanto não acho que seja o certo continuar tentando.
Entrei no estacionamento do meu prédio no Brooklyn, e logo
encontrei uma vaga onde estacionei o carro e diversos suspiros sai do
estacionamento indo em direção a escada. Parecia que algo faltava em mim, era
como se eu tivesse perdido algo e uma estranha tristeza me possuía
inteiramente. Não sabia se era somente porque já não podia fazer Lisa feliz ou
se era porque não me sentia o suficiente. Lisa diz que eu afasto as pessoas,
diz que meu modo extremamente reservado faz as pessoas acharem que eu me sinto
superior. Superior? Céus eu moro em um apartamento no Brooklyn, dou aula em uma
única universidade e com meu salário mal da para leva-la em um bom restaurante
no centro da cidade. Uma coisa que não me sinto é superior, é bem ao contrário,
vivo sempre com essa sensação estranha de inferioridade, vivo sempre com essa
estranha sensação de estar pedido. Tenho quase trinta anos e nunca fiz nada
realmente marcante em minha vida, mas eu não sei se posso me arriscar a fazer. Após
murmurar um “Boa noite” para o meu porteiro Acácio que estava quase a pegar no
sono dentro da cabine por trás do vidro, e ser respondido com um breve “Boa
Noite seu, Bieber” eu me direcionei até as escadas, meu elevador quase nunca
funcionava. Era uma extrema raridade ver esse elevador funcionando, moro aqui a
seis anos e só me lembro de ter entrado nesse elevador dez vezes, eu gostava de
subir as escadas, meu apartamento era no quarto andar, era sempre cansativo mas
eu gostava. Era meu tempo de pensar, pensar nas coisas que iriam acontecer no
decorrer do dia, mas hoje, há hoje me emanava tanta preguiça e tristeza que a
única coisa que me satisfaria seria esse elevador funcionando.
- Você não pode fazer isso comigo,Conrado –Gritara minha vizinha
do apartamento ao lado quando em fim estava já em meu corredor.- Conrado por
favor, eu sei que não estamos bem mas larga estas roupas aí homem. Podemos
continuar mesmo sem dinheiro, não podemos voltar pro Chile. –Continuava
Alexandra a gritar, por meses venho tendo de escutar essa gritara incansável de
lamentações e brigas de Conrado e Alexandra. Nunca vi mulher como Alexandra, se
Lisa um dia me apoiasse dessa forma eu seria o homem mais feliz do mundo. Eu
podia em fim me sentir bem por estar com ela, e não certamente um fardo de quem
ela esta obviamente cansada.
- E vamos viver do que mulher? Como vamos continuar pagando o
aluguel? Quer morar de baixo da ponte? Ou tu vai comigo ou eu não lhe espero
mais, fique aqui e morra de fome e vá parar em qualquer lugar de sem teto –Eu
bufei e tirei minhas chaves do bolso chegando a minha porta, com toda aquela
gritaria desse tal desistente de Conrado e essa sonhadora de Alexandra eu sabia
que essa noite eu não dormiria tão sedo.
P.O.V Margo Campbell
Manhattan – 10:30 A.M
Balbuciei sentando-me naquela gostosa cama e cocei os olhos
sentindo o sol inundar o quarto estranhamente grande do apartamento de
Sthanley, a porta que dava de encontro a varando estava aberta. Ao meu lado
Sthanley não estava, mas isso não me importava, já tive oque queria por mais
que tivesse custado ter de enrolar Shep por tempos. Lembro-me de poucas coisas
da noite passada, mas me lembro de ter visto aquele homem em quem derramei
margarita, ele tinha aquele olhar frio sobre mim, mas no momento eu estava
bêbada de mais para me importar. Mas não pude deixar de notar que Shep havia
chamado-o de professor, de repente meu interesse por ele havia aumentado
intensamente. Há, professores, faz seis meses que não tenho um caso com um
professor. E ele, é um dos mais bonitos que eu já havia me interessado.
Levantei-me e pus minhas peças intimas, caminhei pelo quarto observando as
coisas de Sthanley, ele tinha um enorme pote de camisinhas em cima de uma
escrivaninha perto a sua cama, tinha um típico pôster de mulher nua colado na
porta de seu quarto, mas estava arrumado. Havia alguns livros espelhados, e uma
estranha estante repleta de livros, interessada caminhei até a estante e
observei os livros. Alguns tinham nomes estranhos, era uma língua desconhecida
por mim, havia também várias revistas de mangas. Mal passava por minha cabeça
que alguém como Sthanley tinha uma prateleira só com mangas. Revirei os olhos e
me virei ao ouvir a maçaneta da porta, Sthanley adentrava no quarto com seus
braços torneados a mostra em uma camiseta, ele estava suado e eu diria que
havia saído pra correr.
-Bom dia. –Ele disse em um meio sorriso tirando a camiseta,
quase me fazendo babar com tudo aquilo, segurei meu queixo.
- Bom. –Suspirei
- Quer sair pra um café? Minha empregada não costuma vir aos
domingos, se ela viesse eu até pediria para ela lhe trazer seu café na cama.
- Não me leve a mal mas... –Molhei os lábios, há, porque ainda
havia caras que me ofereciam café da manhã? Era engraçado, mas certamente eu
gosto de fugir disso. Digamos que sou uma versão feminina de todos os cafajestes
das histórias de livros românticos. - Eu não... Costumo tomar café da manhã,
sabe, isso inclui conversa e eu no momento estou fugindo disso.
- Então não vou te ver mais? –Ele sorriu divertido, eu caminhei
até a cama pegando meu vestido.
- Não costumo repetir a dose, assim não a preocupações. –Comecei
a por meu vestido enquanto ele ainda olhava-me divertido.
- Você esta ciente que me usou senhorita, Campbell? Como um
objeto sexual?
- Estou –Disse rápido terminando de por meu vestido- E não finja
que eu não te poupei uma desculpa qualquer. Sei que sua intenção não é meu
numero.
- Você não vai por o pé pra fora do meu apartamento enquanto não
me deixa te levar para um café, se tu tens uma regra eu também tenho. –Ele
sorriu, eu o olhei desinteressada
- Eu não vou, e mesmo que quisesse eu não iria a lugar algum com
esse vestido e esses saltos.
- Podemos fazer algo na cozinha.
- Oque esta pretendendo Cliford? –Olhei-o com os olhos semicerrados,
ele continuou a gargalhar.
- Primeiro eu quero que quebre mais uma regra transando comigo
novamente agora no banho, você ser como eu me deixou com vontade de
arrancar-lhe a roupa, segundo você toma um café comigo e esta totalmente livre.
- Por que acha que eu aceitaria isso? –Ergui uma sombra-celha.
- Sei que essa é a sua vontade.
- Há ... –Desci novamente meus olhos para sua barriga desnuda e
mordi o lábio inferior dando de ombros- Que se dane eu nunca criei regra nem
uma mesmo. –Me levantei indo a até aquele ser cheio de testosterona e
tatuagens.
* * *
13:00 A.M Mansão Campbell
- Você sabe o
quanto deixou sua mãe preocupada, Margo? Você deixou sua irmã de dezesseis anos
voltar sozinha de uma festa, e simplesmente sumiu, você tem noção do quão
irresponsável foi, Margo? –Sentada tive que ficar a ouvir papai gritar para não
perder meu cartão de crédito.
- Eu tenho dezenove
anos e sei que posso fazer oque eu quiser, é a lei, enquanto a Bonnie, pouco me
importa ela sabe se virar sozinha. –Ele parou a minha frente mais do enfezado,
uma mão pausada na cintura e a outra em sua testa. Eu estava cansada daquilo,
cansada de ter de dar explicações, mas ele se recusa e me pagar um apartamento,
se recusa a acreditar que eu cresci e que preciso viver sozinha.
- Onde você estava?
- Não vou repetir
que tenho dezenove anos.
- E eu não vou
repetir que se não me disser vai voltar a morar com sua tia em Dallas. –Gritou
ele, eu respirei fundo cruzando minhas pernas. Mamãe na poltrona a minha frente
certamente incomodada com todo aquele nervosismo de papai atreveu-se a dizer
- Querido não é pra
tanto.
- Oque? –Ele se
virou bruscamente para ela- Como não é pra tanto Aurora? Esta garota não tem
jeito, nunca para apenas com um rapaz, nunca esta vestida de maneira
apropriada, mal sabe oque pretende fazer da vida, quer se mudar, mas mal sabe
em que quer se formar. Se ela esta vivendo com o meu dinheiro ela me deve
explicações
- Você não precisa
ser tão severo querido, ela chegou não faz nem uma semana. –Continuou ela, eu
balbuciei entediada com todo aquele drama.
- Por isso mesmo,
ela mal chegou e já esta sumindo de casa como filha de família qualquer, ela
não é de uma família qualquer Aurora, ela não pode agir dessa forma como se ela
não tivesse um pai. Oque diriam meus sócios? Oque diriam todos a nossa volta quando
souberem que mal tenho domínio sobre minha própria filha? –Ele se virou para
mim.- Onde você estava?
- Com Shepley
–Revirei os olhos
- O filho dos
Stevs? –Ele relaxou brevemente a face, eu olhei para minhas unhas balbuciando.
- É, o filho dos
Steves.
- Isso não
justifica seu sumiço.
- Quer que eu
justifique em todas as letras o motivo? –Levantei os olhos para ele.
- Não me provoque
Margo, eu estou prestes a lhe mandar pra Dallas –Ele caminhou de um lado para o
outro impaciente- Você esta proibida de sair sem me dar explicações entendeu?
Mas uma dessas e eu te mando pra Dallas.
- Posso subir
agora?
- Vai, Margo. Vai
logo. –Ele grunhiu entre dentes, eu contentei a vontade de revirar os olhos e
me levantei. Sem nem uma pressa.
* * *
07:30 A.M – Centro universitário
Enfim chegando
aqueles corredores, eu percebi os mesmos alunos de sempre, havia alguns que eu
não conhecia, e nem era da cidade, passar a droga do ultimo ano fora da cidade
não me ajudou em nada, meus amigos estavam ali, aquele era o topo, e eu
obviamente havia chegado nele.
- Margo -O time
de futebol cumprimentaram-me em coro, e eu sorri parando no grupo deles, Brad,
lançou-me uma piscadela e eu revirei os olhos -
- Oi meninos.
- Quando chegou,
Margo? -Perguntou Bob que agarrava a bola embaixo do braço, oh lembro-me bem o
quão agiu esse quarterback é. Pus uma mecha de meus longos cabelos para trás da
orelha e sorri
- A alguns dias.
- Acho que não
me conhece, mas vi você no jantar ontem. -Um garoto alto e com fortes braços
disse-me saindo de trás de Brad eu não o conhecia mesmo.- Sou Kale
- Legal Kale,
mas ninguém se importa. -Aquela voz soou tão quente em meu ouvido que quase
senti minhas pernas tremerem, Virei meu rosto para olha-lo, e o mesmo
estava ao meu lado, seu rosto se levantava em um sorriso cafajeste arranca
calcinha. E todos do time que estavam encostados em seus armários com
risadinhas baixas calaram-se com a chegada de Cliford, eu não entendia o porquê,
eles olharam para ele como se estivessem com medo ou que respeitassem o mesmo.
- Preciso ir
meninos, vejo vocês outra hora –Falei sem entender porque eu estava fugindo de
Sthanley, acenei com as pontas dos para eles enquanto caminhava em paços
rápidos para o mais longe dele. Apressei os paços e logo cheguei a minha sala,
que era aula de literatura, eu ainda estava nos cursinhos normais, não consegui
me decidir oque realmente queria cursar. Essa sou eu, confusa e extremamente
perdida na vida, não sei se devo largar a faculdade e pegar todo dinheiro que
conseguir e passar um ano viajando sem rumo pelo mundo, ou se faço advocacia e
me torno uma advogada exemplar como papai quer. Eu realmente não sei oque
pretendo fazer da minha vida, são tantas escolhas quando se completa 19 anos,
eu não me importo com nem uma delas, mas eu tenho que fazê-las. Quase arregalei
os olhos ao perceber ele, ele estava ali, de postura firme, seu suéter agora
era azul, uma calça jeans escura pendida exatamente a sua cintura me fazia crer
o quanto ele parecia ser aquele tipo de professor certinho. Olhei-o
abobadamente enquanto ele falava de forma doce sobre um livro que ele dizia ter
passado na sexta, Deus eu nunca me interessei tanto por uma aula como estou
agora, tão vidrada naqueles olhos, tão embasbacada com aquele homem
extremamente inteligente e lindo.
- Psiu –Ouvi
alguém me chamar quando finalmente tirei meu material da minha Channel, me
virei
- E ai, Gina?
–Falei levantando meus lábios em um largo sorriso.
- Fiquei sabendo
que esteve no jantar –Ela disse- Mal pude ir, Enzo me levou a um concerto.
- Enzo? Enzo
Peterson? Não me diga que esta transando com um dos irmãos Peterson? –Sussurrei
interessada
- Quem falou
transando? Estou namorando. –Ela mordeu o lábio rosado.
- Com a empresa
de sapatos que os pais deles possuem até eu viraria uma freira por eles –Não
escondi um risinho
- Duvido, você
mal chegou e fiquei sabendo que dormiu com o Sthanley. –Ela sussurrou- Seria um
sacrifício ser uma freira no seu caso
- Como não me
render a Sthanley, ele tem um olhar arranca calcinha que é impossível recusar
qualquer coisa a ele –Ri baixinho
- Ele se faz de
difícil, não fica com todas. Eu queria ter a sua sorte
- Bom saber
disso. –Molhei os lábios, não estava
dando a mínima para Sthanley mas era bom saber que ele era um cafajeste
respeitado.
- Perdão minhas
queridas, mas eu espero realmente que a conversa seja tão relevante a ponto das
senhoritas ignorarem oque eu estou a explicar lá na frente -Me virei
imediatamente sentindo a voz próxima do professor, caramba ele estava bem a
minha frente, e os olhares atentos em mim e Gina, ele era tão gostoso que quase
tive uma hemorragia nasal, segurei-me para não morder os lábios enquanto o
olhava, ele agiu como se não me conhecesse e se no sábado eu não tivesse lhe
dado um banho de Margarita. Seu olhar continuava frio
- Você não é
minha aluna. –Vi sua sombra celhas se juntarem. Seus olhos castanhos fitavam-me
firme
- Eu sou oque
você quiser professor - Escorei meu cotovelo na carteira e mordi a tampa da
caneta ouvindo alguns risinhos contidos nas cadeiras da frente.
- Se não é minha
aluna eu presumo que não possa assistir à aula, ou melhor, atrapalhar
aula. –Ele disse firme, eu continuei
embasbacada.
- É meu primeiro
dia, pois. Pode checar lá, sou Margo Campbell.
- Há sim –Ele
abriu a boca como quem se lembrava de algo, porque ele agia como se eu não
fosse ninguém? Qual era o problema dele?- Se é assim, eu peço que fique alguns
minutos após a minha aula, me avisaram a poucos dias que a senhorita chegaria,
tomei a liberdade de imprimir sua apostila.
- Se você quiser
eu posso ficar até horas depois da aula –Continuei mordendo a tampa da caneta
novamente ouvindo os risinhos, vi seus lábios se comprimirem demonstrando seu
desconforto com o meu tom.
- Apenas não
atrapalhe a aula senhorita. –Ele voltou ao seu posto e eu suspirei, até seu
andar era bonito. Relaxei na cadeira deixando minha caneta de volta a mesa, e
mordi o lábio dessa vez fazendo questão de prestar atenção na aula. Esse era o
lado bom da universidade, era onde você podia desejar um aluno incrivelmente
sexy como Sthanley, e ter fantasias logo em seu primeiro dia com um professor
de literatura.
* * *
10 A.M. Nova York
Quando
finalmente vi todos se levantando, eu peguei meu gloss dentro do estojo e
passei-o nos lábios enquanto olhava-me no meu pequeno espelhinho que eu também
levava no estojo –Nunca se sabe quando iremos ficar alguns minutos depois da
aula com um professor tão lindo e inteligente-
- Quer que eu te
espere, Margo? –Gina parou ao meu lado, só então eu percebi que com aquele
vestidinho rodado e curto ela também tentava discretamente chamar a atenção do
professor.
- Quero, preciso
ir ao shopping - Limpei o canto dos meus lábios olhando-me no reflexo do
pequeno espelho.
- Ok, te espero
na saída do campus.
- Ok, agora eu
vou conhecer me querido professor direito. –Sorri enquanto enfiava as coisas no
estojo e também dentro da minha Channel. Levantei-me, concertei meu decote. Lá
em baixo, na sua mesa ele estava disperso arrumando sua mesa, distraído com
tanto trabalho que mal percebeu quando eu me escorei em sua mesa, sorri
docemente quando ele levantou os olhos para mim.
- Margo Campbell
–Ele forçou um sorriso
- Quanto repúdio
- Fiz-me amuada.
- Aqui esta sua
apostila - Ele empurrou às folhas guardadas em uma pasta rosa bebê a mesa, ele
evitava olhar em meus olhos.
- Desculpe
atrapalhar sua aula.
- Você não foi a
primeira - Ele dessa vez levantou o rosto para sorrir.
- Obrigado por
fazer isso por mim. –Peguei a pasta.
- Não fiz só
porque foi pra você, eu só não gosto de atrasar meus alunos.
- Desculpe por
derramar margarita em você –Continuei
- Não tem
problema,o suéter já esta lavado. –Ele murmurou sem olhar-me nos olhos
- Mesmo assim...
Eu queria me desculpar.
- Já disse, esta
tudo bem, senhorita Campbell –Ele grunhiu ainda sem me olhar, aquilo estava
sendo frustrante, ele mal olhou para meu maldito decote.
- Estava falando
sobre Geoffey Chaucer, certo? –Murmurei agora tendo completamente sua atenção,
o vi pegar um óculos em sua mesa e coloca-lo logo em seguida me fitou mas não
olhou para meu decote, ele só podia ser gay.
- Como sabe?
- Deve ter
ouvido falar do meu pai, nasci rodeada por esses escritores ingleses.
–Murmurei, no entanto aquilo era uma grande mentira, li Geoffey Chaucer por
vontade própria, há uma parte de mim que insiste em ser nerde e não convidativa,
há uma parte de mim que conhece cada frase de livros de Shakespeare e cada
frase de Voltaire. Mas não acho que gostar desses escritores possam me fazer
ser alguém desejável, por isso preciso esconder essa parte.
- Certamente
então tu não terás problemas em me trazer o trabalho sobre o livro Contos da
Cantúaria na quarta. –Ele pois sua bolsa típica de professor por cima do ombro
e concertou os óculos de forma extremamente encantadora.
- Claro,
professor –Molhei os lábios, pensei que ele demonstraria desconforto com meu
ato mas tudo que ele fez foi continuar me olhando. Ele era gay, sem dúvida
- Me traga uma
resenha desse livro na quarta e te garanto pontos extras, ok?
- Obrigado
professor. –Forcei um sorriso e apontei pra porta caminhando até a mesma,
frustrada por ele estar sendo tão sério e certamente como um homossexual, quem
resistiria a olhar para meu decote? Isso não tem uma explicação lógica- To
saindo.
- Até quarta.
–Ele abaixou os olhos. Concertei minha Channel no ombro e bufei saindo da sala,
frustrada, era isso que eu estava, bastante frustrada. E eu não iria para as
aulas seguintes porque droga, aquilo me deixou mais do que irritada, ele mal
olhou em meus olhos ou meu decote, oque lhe custava um olhar? Creio que não
seria muito, porque ele sorria bastante durante o período da aula dele, fazia
piadas com o conteúdo e conversava com os outros alunos. Respirei fundo, eu
precisava beijar alguém para acabar com aquela sensação de desprezo, eu me
senti rejeitada, ninguém nunca me rejeitou antes, ninguém nunca evitou olhar
para mim.
Meus cabelos
louros e brilhosos faziam inveja a qualquer universitária, minhas pernas
naturais e torneadas, meus lábios, meus olhos, meus seios, tudo em mim era
convidativo. Por que diabos ele rejeitaria uma pessoa como eu? Meu corpo
colidiu com outro duas vezes maior que o meu, fazendo-me voltar alguns paços,
fiquei um pouco desnorteada com a pancada
- Hey, vai com
calma minha flor –As mãos dele impediram-me de me estabacar no chão como uma
bigorna.- Me desculpe, esta tudo bem?
- Qual é o seu
problema? Esta me seguindo? –Grunhi impaciente para Sthanley
- Te seguindo?
–Sorriu sacana- Por que eu faria isso?
- Só saia da minha
frente.
- Qual é Margo, eu
fui tão ruim assim? –Riu divertido, eu revirei os olhos.
- Já disse que
evito qualquer contato com caras que eu tenha dormido, é uma regra que passarei
a seguir estritamente a partir de agora. –Grunhi
- Porque esta tão
irritada?
- Me recuso a
continuar falando com você, eu pensei que estava falando meu idioma, mas parece
que você não entende –Dei a volta pelo mesmo ouvindo-o gargalhar, respirei
fundo ainda frustrada. Eu precisava beijar alguém mas esse alguém não podia ser
Sthanley, ele esta querendo aproximação de mais, e a ultima vez que isso
aconteceu resultou em seis meses em um apartamento de um francês sentimental.
02:43 PM Nova York
Deixei minhas
bolsas das compras encima da cama e suspirei. Meu dia até agora estava repleto
de frustrações. Eu precisava de uma festa, precisava de uma bebida forte, e
precisava de sexo. Pus minha banheira para encher e disquei o numero de Shep,
eu precisava dele para me por pra cima, ele nunca me decepcionava, nós podíamos
deitar e assistir um filme enquanto ele falava de suas férias e me afagava os
cabelos. Pelo menos ele não me negaria sexo, e nem evitaria olhar-me nos olhos,
e também não me deixaria ter a duvida de sua sexualidade.
- Hey, Shep. Da
uma passadinha aqui em casa, meus pais não estão em casa então... –Falei ao
telefone quando ele finalmente atendera
- Claro, M.
- Vai demorar?
–Minha voz saiu em quase tom de choramingo.
- Uns vinte
minutos
- Ok não demora.
- Ok.
Ainda com os pensamentos
direcionados a aquele professor que se recusava em manter contato visual
comigo, tomei um longo banho de banheira, e em seguida vesti uma camiseta
branca e um shorts jeans e calcei meus chinelos indo até o quarto de Bonnie,
onde ela devorava mais um livro deitada a sua cama
- Não
vi você quando cheguei –Me sentei ao pé de sua cama.
- Sei que não irá me deixar terminar de ler, então –Ela fechou o
livro tirando os óculos – Vomite
- Fui rejeitada hoje. –Me joguei para trás em um tom dramático
- Margo Campbel foi rejeitada? –Ela gargalhou-
- Bem, eu ainda não desisti, eu vou conseguir oque eu quero, ele
só parece muito reservado e gay.
-
Reservado? Gay? Oque? –Sua testa se franziu
- O meu professor de literatura.
- De novo Margo? –Ela revirou os olhos- Você não cansa de acabar
com a carreira dos seus professores?
- Ele é diferente.
- Diferente?
- Ele me evitou, me evitou muito –Mordi meu lábio superior
amuada.
- Dou razão a ele.
- Mas eu vou conseguir transar com ele.
- Você não toma jeito – Ela balançou a cabeça negativamente.
- Pode até demorar um pouco, mas cá entre nós maninha, ninguém
resiste a esse rostinho lindo mostrando que pode ser mais do que apenas
aparência.
- Você não é minha irmã. –Ela deixou-se cair para trás eu ri.
- Eu poderia passar horas dessa tarde ensolarada lhe contando
oque pretendo fazer com esse loiro, os homens mais velhos sabem como dar prazer
a qualquer mulher.
- Não quero saber, para, chega, me recuso a ficar ouvindo essas
obscenidades –Ela disse pondo as mãos nas orelhas, não tive como não rir,
virgens, ninguém merece.
- Não fale como se fosse algo ruim.
- Espero que esse ruim não seja minha presença aqui –A voz
sólida de Shep fez-me desmanchar o sorriso que brincava nos lábios e pude ver
minha irmã sentar-se corretamente e sua face tornar-se rubra ao vê-lo parado na
porta. –
- É –falei coçando a garganta- Certamente seria ao contrário.
- Não te vi no campus hoje. –Ele sentou-se ao meu lado, eu pus
minhas pernas encima das suas, sei que é errado mas é impossível controlar.-
Não foi?
- Eu sai pra fazer compras com a Gina.
- Há –Ele abrira a boca e acariciou-me as pernas, recostei-me em
seu ombro. – Por que me chamou aqui?
- Quer ir pra piscina?
- Quero –Ele sorriu, seus olhos esverdeados reluziam com a luz
do sol que adentrava o quarto de Bonnie- Vamos, Bonnie?
- N-ã-ao –Ela gaguejou ainda avermelhada, me levantei junto a
Shep. – Vou terminar de ler meu livro.
- Pode ler na espreguiçadeira. –Propus
- Não, eu estou melhor aqui. –Ela forçou um sorriso.
- Mesmo? –Insistiu Shep, ela balançou a cabeça como resposta. Eu
agarrei o braço de Shep e fomos até meu quarto. Ele se deitou em minha cama em
um ato costumeiro, e eu me enfiei dentro do closet a procura de algum biquine,
implorando mentalmente para que Sthanley não tivesse comentado nada sobre o fim
de semana.
- Chamei o Sthanley. –Ouvi Shep Dizer fazendo-me sair em paços
receosos e medrosos do closet.
- Por que fez isso?
- Ele gostou de Bonnie, disse que queria conversar um pouco com
ela –Ele respondeu e tirou o celular do bolso, se esse idiota tentar algo com a
minha irmã juro que faço-o em picadinhos.
- Com Bonnie, é? –Sussurrei
- Por que?
- Nada, só fiquei um pouco surpresa. –voltei para o closet.
03:40 P.M
- Se você se aproximar da minha irmã com esse charme barato eu
lhe corto seu bem mais precioso entendeu? –Rosnei imprensando Sthanley contra
uma parede do corredor quando ele pedira para que eu o levasse ao banheiro
enquanto Bonnie e Shep ficavam na piscina, Bonnie pareceu se animar quando dois
lindos rapazes insistiram por sua presença na piscina.
- Quem disse que estou aqui por sua irmã? –Minha face caiu, eu o
olhei confusa.
- Qual é o seu problema?
- Shep não me deixaria vir se eu dissesse que era por você. –Ele
sorriu tocando minha cintura, eu suspirei.
- Sei que é difícil esquecer alguém como eu, mas Nova York é
grande, desencana. Eu não transo com o mesmo cara, sou uma versão feminina de
um cara machista e galinha como você. Alguns desiludidos e apaixonados dizem
que sou vadia, então pra que se enganar docinho? –Acariciei sua face forçando
um sorriso sínico.
- Cinco minutos no banheiro e eu nunca mais entro em seu
caminho.
- Não estou negociando. –Me afastei
- Não me faça implorar. Eu pago. –Eu o olhei erguendo uma
sombra-celha, mas não contive um riso cansado, se eu cobrasse seria tipo a
quantia do que ele pagou por seu apartamento. Babaca idiota.
- Sou uma vadia que
não precisa ser paga, e você acabou de me ofender pensando que preciso do seu
dinheiro. E se não quiser que eu ligue para meu pai e faça com que ele destrua
sua vida na cidade eu sugiro que você saia da droga da minha casa
P.o.v Justin
Brooklyn – 08:40 P.M
- Dona Alexandra.
–Murmurei ao abrir a porta de casa, dona Alexandra tinha seu semblante caído, a
face avermelhada e seus cabelos desarrumados. Não sabia o porquê de ela estar
em minha porta, ela não era moça de estar batendo em porta de vizinhos. Eu
estava um pouco cansado, mas tive um bom e estranho silencio durante esse
começo de noite para ler, e me concentrar nos planos de estudos.
- Seu Bieber, você
sabe me dizer se viu o Conrado? Ouviu algum barulho estranho? –Há, mas era
obvio, não havia barulho, nem um roído aborrecedor ou gritaria, está era em fim
a estranheza daquele dia, e a resposta era o sumiço de Conrado.
- Vi não dona
Alexandra, esta tudo bem? –Perguntei por tamanha educação não interesse.
- Conrado me
deixou, foi-se pra não sei onde, acho que voltou pro Chile sem mim, seu Bieber
–Ela desatou-se a chorar bem ali em minha porta, eu mal sabia oque fazer. Se vê
cada coisa nesse meu prédio, meus últimos vizinhos faziam parte da seita Ku
Klux Klan. E eu por má sorte de só ter dinheiro pra pagar um apartamento com
paredes extremamente finas tive de passar minhas noites em claro com as
reuniões patéticas que esses malditos racistas costumavam fazer. Agora, vem
esse casal desorientado de Chilenos, que de tanto gritarem já consegui até
falar um bocadinho de sua língua. - Levou tudo dele seu, Justin. Sem deixar nem
um bilhete
- Sinto muito
–Murmurei sem alternativas.
- Obrigado seu
Bieber, mas também já iríamos ser despejados mesmo, era a única saída voltar
pro Chille, mas eu queria ficar, gosto dessa cidade.
- Ainda esta
desempregada?
- É difícil
encontrar um bom emprego.
- Posso tentar lhe
arranjar um emprego na minha universidade, sabe? Atender telefonemas, essas
coisas.
- Faria isso por
mim senhor Bieber? –Seu sotaque misturado com seus soluços quase deixou sua
fala incompreendível, eu assenti desconfortável, era melhor uma dona Alexandra
sozinha que não tinha gritaria do que mais um clube de Ku Klux Klan.
- Vou ver se
consigo esta bem? Não é certo, mas tentarei.
- Obrigado seu
Bieber, muito Obrigado –Seus braços inconsequentemente agarram então minha
cintura, e eu assustado não consegui fazer nada além de esperar que aquele
súbito de loucura de Alexandra passasse, mal toquei-a. Era estranho eu trocar
mais de meia dúzias de palavras com ela, quanto mais contato corporal.
- Oque é isso?
–Pude ouvir a voz aguda de Lisa fazendo dona Alexandra soltar-me bruscamente.
Cocei minha barba ao olhar para as vestimentas de Lisa, ela estava tão bonita
parecia que ia a algum lugar.
- Desculpe, só estava
agradecendo. –Alexandra secou as lagrimas agora sorrindo, enfiei as mãos nos
bolsos sem me alarmar com a expressão enciumada de Lisa.
- Agradecendo?
- Seu Justin irá me
ajudar a arranjar um emprego - Ela sorriu doce, eu comprimi os lábios.
- Vai Justin? –Lisa
ergueu uma sombra celha para mim
- Vou tentar,lá na
universidade
- Que bom, fico
incandescentemente feliz por isso. –Ela forçou um sorriso, e eu me perguntava o
porque daquilo, ela parecia ter repulsa por todos os meus vizinhos, que eram
pouco diferentes de mim. Oque me leva a perguntar se ela sente esse tipo de
repúdio também por mim, também por meu apartamento.
- Eu vou indo,
obrigado mais uma vez. –Ela acenou acanhada e deu-nos as costas, Lisa me fitou
ainda enciumada enquanto entrava. Eu suspirei a olhando
- Oque foi?
–Perguntei
- Desde quando fica
de intimidades com tua vizinha? –Começou- E porque tu é que tens de arranjar um
emprego pra ela? Ela não é deficiente mental, é?
- Não comece. O
marido a deixou e ela esta prestes a ser despejada. Eu só ofereci ajuda
- Ah, o marido a
deixou e tu quer o papel dele não é? Quer ajudar com trabalho, depois oque virá
em seguida? Irá substituir o marido dela trepando com ela? Só pra ajuda-la com
problema de abstinência? Há, porque se ajuda com problemas financeiros tem que
ajudar em outros.
- Qual é o seu
problema?
- Você é o meu
problema. –Gritara ela, eu engoli em seco e comprimi os lábios.
- Estava demorando
a admitir que sou uma pedra em seu sapato –Sussurrei caminhando até a poltrona,
sentindo uma imensa tristeza a invadir meu ser. Consequentemente o fim estava
próximo a muito tempo, ela só estava remediando. Eu sempre me senti um inútil
por não poder fazer nada a respeito
- Não se faça de
santo, Justin. Porque de santo tu não tem nada, você tem sempre que estragar o
meu humor tem sempre que me irritar com tuas atitudes idiotas. Você estraga
tudo
- Olha, Lisa. Você
é que já não suporta estar comigo e tudo se torna uma merda, eu sei disso, só
não entendo porque ainda esta aqui. Pode ir, eu não queria que fosse mas se eu
te prendo e te forço tanto a essa coisa que já não se é mais como um relacionamento
eu não acho que isso deva continuar. Você age como se tivesse raiva de mim,
como se estivesse aqui por pura obrigação, sei que talvez não queira me magoar
mas me tratando dessa forma me deixa pior do que me deixando de vez. –Meu tom
saiu baixo, não gostava de gritar, de discutir, aquilo não era de mim.
- Não é isso,
Justin –Nervosamente ela passou os dedos finos entre seus cabelos castanhos,
seus olhos cinzentos fitavam-me alarmados, outrora eu não sabia porque daquilo,
eu já havia aceitado aquele termino a muito tempo, só estava esperando que ela
pusesse as cartas na mesa para que em fim eu pudesse deixar de vez essa
tristeza e esse vácuo que me consome a cada dia.
- Se eu não posso
lhe fazer feliz com o pouco que tenho, sugiro que procure alguém do seu nível e
que possa lhe dar tudo, por que sei que você não é feliz só de amor, a sua
felicidade nunca vem do interior - Murmurei deixando um suspiro escapar, as
mãos de Lisa passavam por seus cabelos, ela mordia o lábio em menção de
nervosismo e talvez para contentar aquele seu choro de menina. Queria não
fazê-la chorar, mas era somente isso que eu passei a causar naquela mulher a
muitos meses.
- Oque você quer
dizer com isso?
- Acho que acabamos
aqui.
- P-o-orque? Sei
que temos discutido bastante mas, estamos juntos a sete anos, Justin.
- Eu não quero te
prender a isso –Desviei meu olhar para minha estante de livros do outro lado da
pequena sala, Lisa mordeu o lábios inferior e secou as lagrimas em seguida
respirou fundo.
- Quer saber você
esta certo, enquanto eu penso em casamento você não pensa em nada que possa
fazer para nos dar um futuro.
- Esta vendo, você
sempre pensa no dinheiro.
- Já que você nunca
aceita merda nem uma minha, é o certo eu pensar no que você poderia fazer para
nos mantermos se déssemos o próximo passo.
- Não tem próximo
passo Lisa, acabou.
- Vá se ferrar,
você seu emprego sua vizinha e essa merda de apartamento. –Ela gritou
furiosamente saindo pisando firme novamente.
Dois dias depois
- Senhorita
Campbell –Engoli em seco, ela estava de pé a minha mesa, debruçada sob os
braços finos. Seu exagerado decote estava quase a mostrar completamente seus
seios redondos. Nunca vi moça pra me deixar tão desconcertado como essa
senhorita Campbell. Minha vida tem sido um imenso vazio após a saída definida
de Lisa, nada tem acontecido, nada tem ocorrido de interessante, apenas claro,
a insistência dessa moça que tem um imenso histórico de carreiras destruídas ao
longo de seus anos escolares, e eu agora me vejo sendo mais um de seus alvos. Certamente
não sou um homem que se deixa levar por seus decotes extremos e seus balançar
de cabelo, pelo contrário esse seu modo de se vestir me deixa um bocado
irritado. Esses burgueses acham que podem simplesmente ter o domínio sobre as
pessoas.
- Queria tirar uma
duvida. –Ela se debruçou mais, eu pus meus óculos para olha-la.
- A aula acabou
senhorita, por que não espera até a próxima aula?
- É rapidinho
professor –Sussurrou ela insistente na tentativa de me seduzir.
- Diga Campbell.
- Por que me evita
tanto?
- Não evito você
–Quase gaguejei.
- Sinto que não
gosta de mim professor.
- Eu não preciso
gostar de você, daqui a algumas semanas já não será mais minha aluna.
- Quem disse?
- Eu sei que não
ficara em minha aula.
- Por que me trata
assim? –Sua face caiu ela ficou corretamente tirando seu decote de minha
frente, quase me fazendo suspirar de alivio. Já houvera alunas antes tentando
me seduzir mas nem uma como Margo, ela era de uma beleza indiscutível, e era
incrível o modo como a mesma participava das aulas, ela tinha sempre uma
opinião formada a discutir e a opinar sempre que podia, eu não sabia se era só
para me impressionar mas ela realmente era muito inteligente.
- Eu a trato da
forma como trato todas senhorita.
- Quando pronuncia
meu nome tens sempre essa repulsa em seu tom, como se não gostasse de mim, eu
não sou tão ruim –Dessa vez ela disse amuada, eu cocei a garganta tentando não
lhe demonstrar nem uma atitude idiota, precisava ficar longe daquela moça.
- Senhorita, eu
realmente não estou entendendo aonde quer chegar com essa conversa. –Grunhi
concertando meus óculos no nariz, ela sorriu de uma forma que eu não podia
entender como ela o fazia. Debruçou-se novamente sobre a mesa, só que dessa vez
ela estava frente a frente a mim, me afastei um pouco para trás.
- Porque foge de
mim professor? Tem medo? Não gosta de mulher? –A cada som que saía de sua boca
moldada em um batom rosado eu não sabia mais oque fazer. Seu perfume adocicado
Impregnou-se em meu olfato de uma forma atordoante quase me fazendo desmaiar,
minhas mãos suaram frio e tudo que consegui fazer foi me levantar bruscamente.
- Senhorita
Campbell, eu não vou deixar que aja dessa forma comigo, eu sou seu professor
não um de seus colegas, eu não sei oque esses seus antigos professores
bastardos costumavam fazer mas eu levo o meu trabalho muito a sério, e eu não
vou perder meu emprego por conta de suas vontades de menina rica. Agora saia da
minha sala antes que eu comunique a direção do compus – Tentei o máximo não
parecer incomodado com aquela situação, mas aquela moça não desistiu
facilmente, sua primeira reação foi seu breve susto com meu tom, sua segunda
reação fora seu sorriso e seu morder de lábios mal intencionadas que eu mal
sabia o porquê daquilo. Ela assentiu e com as pontas dos dedos com unhas
avermelhadas saíra acenando, tombei em minha cadeira desconfortável e exausto
com aquilo.
P.O.V Marg Wine
10:30 P.M – Bar “Cannes”-
Brooklyn
Agarrei o
microfone e comecei a cantar mais uma canção, tinha noites que eu subia naquele
palco antes de ir para Paris e mesmo sem precisar de grana eu cantava por
alguns trocados, eu não costumava cobrar mas o dono do bar sempre dizia que se
eu cantava e deixava as pessoas do bar melancólicas eu devia receber por isso.
Eu cantava, deixando de lado toda aquela burguesia que eu vivia. Algumas noites
eu queria me sentir real, eu queria sair da mesquinharia da minha vida e me
tornava uma verdadeira garota do Brooklyn, era resplandecedor cantar naquele
pequeno palco para meados trinta pessoas... Minha alma queimava completamente
quando eu subia no palco. Eu cantava em uma parte da cidade em que ninguém me
conhecia ou sabia que eu era extraordinariamente rica. Eu sempre preferi viver
dessa forma durante a noite, cantando em bares para que as pessoas pudessem
saber oque é realmente música boa. Eu até tinha um nome artístico ali, não era
nada sofisticado, mas eu tinha e gostava de ser chamada daquela forma era Marg
Wine. Não sei porque as pessoas gostavam de me chamar daquela forma, talvez
seja por conta da minha personalidade, sou doce, ardente e saborosa como um bom
e velho vinho talvez. Pode se dizer que fora por isso que me chamavam dessa
forma nos bares que costumo cantar. Não me envergonho nada de cantar em bares e
ter um nome artístico não sofisticado, não me envergonho por cantar por menos
de 200 dólares... Só não conto a ninguém pois não é preciso que as pessoas
conheçam esse meu lado. Acabaria por completo com a minha fama de patricinha
egocêntrica e mesquinha da alta sociedade
I hear the birds on the summer breeze, I
drive fast
I am alone in midnight
I am alone in midnight
Ouço os pássaros na brisa de verão, dirijo rápido
Estou sozinha à meia noite
Estou sozinha à meia noite
Cantei, fechei
os olhos e deixei-me levar por aquela canção que me acalmava... Eu tinha uma
tristeza dentro de mim que só era resolvida quando eu cantava, só era resolvida
quando eu botava pra fora tudo que eu sentia daquela mediocridade que eu vivia.
Um dia eu quero sair de casa, viver no perigo e fugir dessa vida fatídica, eu
posso até ter esse semblante de garota de cidade grande, mas sinto que meu
lugar é no refúgio da noite, com as pessoas sem destino ou sem dinheiro. Talvez
eu possa até ter esse lado degradante de garota fácil e rica, mas sei que o
lado que me domina é esse lado tristonho, uma parte de mim é tão fadonha quanto
domingo chuvoso, outra parte é quente quanto um sábado de verão. E essas partes
juntas não combinam, e nunca irão combinar. Porque uma parte é a água, e a
outra é fogo, de um lado eu esfrio e do outro eu queimo, de um lado sou lua e
do outro sol. E então esses lados nunca iriam se dar bem juntos.
Drink all day, and we talk ‘till dark
That’s the way the road dogs do it, light ‘till dark
That’s the way the road dogs do it, light ‘till dark
Bebemos o dia inteiro, e conversamos até escurecer
É assim que os Road Dogs fazem, dirigem até escurecer
É assim que os Road Dogs fazem, dirigem até escurecer
Cantar
musicas da Lizzy Grant de certa forma me acalmavam, eu me identificava com as
musicas dela. As vezes me faziam sentir-me triste, as vezes eu sentia nostalgia
do que ainda não tinha vivido... De certa forma ela era pra mim um verdadeiro
ícone da música. Eu a admirava também em segredo, eu tentava mostrar ao mundo o
possível meu lado fútil, onde eu demonstrava que meus únicos interesses eram
músicas eletrônicas e POP. De qualquer forma, fazer essa imagem de garota fútil
me fez ser mais cobiçada e popular tanto entre homens quanto entre mulheres...
De certo construir essa imagem fútil me levou até o topo
I’m tired of feeling like I’m fucking
crazy
I’m tired of driving ‘till I see stars in my eyes
It's all I've got to keep myself sane, baby
I’m tired of driving ‘till I see stars in my eyes
It's all I've got to keep myself sane, baby
Estou cansada de me sentir como se eu fosse louca
Estou cansada de dirigir até ver estrelas em meus olhos
É tudo que eu tenho para me manter sã, querido
Estou cansada de dirigir até ver estrelas em meus olhos
É tudo que eu tenho para me manter sã, querido
Fechei
meus olhos e continuei, meu corpo balançando com leveza enquanto eu me deixava
levar pelo ritmo da música. Minha mente flutuando para além daquele bar ou
cidade. Cheguei a pensar na possibilidade de deixar transparecer esse lado para
o professor –Que me dei conta de que mal sei o nome- No entanto não acho que
possa valer a pena, Por mais que ele possa ser um homem que demonstre ser e
querer alem do exterior, a dois dias nada que tenho feito funciona. Hoje pude
ter a certeza de que ele não era exatamente gay e que eu podia deixa-lo
irritado, e convenhamos deixa-lo irritado é extremamente excitante.
Quando
finalmente terminei minha terceira canção aquela noite eu recebi algumas palmas
das pessoas que estavam ali, a maioria eram velhos desempregados, escritores
sem sucesso, bêbados falidos, universitários de faculdadesinhas publicas e
pessoas sem fé alguma na vida que terminavam o dia reclamando do quanto eram
infelizes.
-
Obrigado, eu fico feliz por estar de volta. –Murmurei pondo uma mecha de meu
cabelo para trás da orelha. Deixei o microfone no lugar e desci do palco pra
uma pausa, ainda ouvindo alguns aplausos. Puxei uma cadeira no bar e me sentei
acendendo um cigarro, minhas roupas estavam o oposto do que eu costumava usar
no meu dia a dia, eu estava o mais simples possível, com um vestido preto com
mangas, ele era um pouco justo acima do joelho. Meus cabelos estavam soltos e
um pouco secos, nada em mim demonstrava que eu vinha da alta sociedade.
- Sua voz se tornou
mais grave ou é só porque faz tempo que não a ouço cantar? –Bill perguntou-me
atrás do balcão, sorri sem animo soltando a densa fumaça do meu Camel.
- Faz um ano Bill.
–Comentei em um risinho enquanto concertava a pena em meus cabelos ressecados.
- Sem sua cantoria
perdi muitos clientes. –Comentou
- Ora pois, agora
ganhará em dobro, juro vir sempre que puder.
- Achei que nunca
mais voltaria, Marg –Disse ele, eu sorri. Soltei a fumaça do cigarro
- Esse é meu lar, eu nunca ficaria pra sempre.
- Seja bem vinda
–Disse ele enquanto me servia voluntariamente um copo recheado de uísque
barato, eu certamente amava pois me fazia sentir em casa. Eu acenei com a
cabeça para ele peguei o copo dando um gole no uísque sentindo minha garganta
arder instintivamente.
* * *
P.O.V Justin
- Tchau, Marg. Te
vejo semana que vem –Uma moça despedia-se de Margo que estava a vinte paços a
minha frente, franzi a testa ao perceber como ela estava se vestindo, não havia
decote, não havia saltos, não havia exatamente nada que eu pudesse dizer que
era Margo, a aluna a quem vem me assediando diariamente. Havia penas em seu
cabelo e ela de alguma forma enquanto andava brincava com seu vestido preto
incrivelmente simples, não-curto e vulga. Algo nela parecia estar errado,
parecia ser até outra pessoa. De relance eu pude ver sua face, clara e sem nem
um rastro de maquiagem, era apenas uma moça bonita e natural a minha frente
fazendo-me quase tontear com tamanha beleza e simplicidade. Repreendi-me por
ter ficado tão encantado com a moça que agora eu já havia perdido de vista, ela
havia sumido do meu campo de visão tão rápido como havia entrado. Respirei
fundo e tentei não pensar no que eu havia acabado de ver e sentir ao perceber
que ela podia me surpreender mais. Cocei a garganta e então voltei a caminhar a
caminho do meu apartamento, essa noite tive a vontade de dar uma volta pelo
quarteirão, oque me faz perguntar o porque de minha repentina vontade de querer
sair nesse detestável frio. Mas a algumas horas atrás algo parecia me incomodar
em meu apartamento, algo parecia estar errado, e eu resolvi ter a brilhante e
estupenda ideia de congelar minhas mãos nesse frio imenso.
P.O.V Margo Campbell
-
Margo? –A voz de Bonnie fez-me voltar alguns paços quando passei na porta de
seu quarto, fechei os olhos praguejando-me, ela não podia me ver assim. Tirei
as penas de minha cabeça jogando-as em qualquer canto do corredor.
-
Oque é, Bonnie? –Parei em sua porta, ela estava deitada devorando seu livro
gigantesco.
-
Onde estava vestida assim?
-
Assim como?
-
Tão simples? Você parece uma pobretona do subúrbio.
-
Há, isso? –Falei referindo ao meu estado- Perdi uma aposta.
-
Hum. –Ela abriu a boca em menção de entender oque eu havia dito.
-
Como foi com o Jessie?
-
Ele me elogiou a cada cinco segundos. –Ela sorriu- Obrigado.
-
Com a roupa certa qualquer um se torna esplendido.
-
O Sthan também estava no mesmo restaurante, estava jantando com uma moça. Muito
bonita por sinal.
-
Bem –revirei os olhos- Não me importo, já tive oque queria, não quero mais
saber dele.
-
Por que? Você mal começou.
-
Porque meu grande foco agora é o professor.
-
Oque te fez mudar de ideia?
-
Por que Shep ficaria no meu pé, e também porque o Sthan anda me perseguindo,
ele é maluquinho –Falei em um suspiro- Bem, agora tenho que tirar esse trapo,
preciso por fogo nesse vestido, –Resmunguei, no entanto aquele era meu vestido
preferido.
-
Boa noite –Ela resmungou eu acenei e caminhei em paços vagarosos para o quarto.
07:30 A.M Mansão Campbell
“Eu e sua mãe tivemos de fazer uma viagem as
pressas para Eslováquia, iremos passar uma semana lá. Cuide da sua irmã e não
faça nada que possa me envergonhar.” – Papai
Era
oque dizia no bilhete colado na geladeira, eu gritei dando pulinhos entusiasmados
assustando Tereza, nossa empregada.
-
Meu deus, dona Margo –Ela pois a mão direita no peito- Quase me matou do
coração.
-
Tereza contrate mais oito de suas empregadas, sabe oque vamos ter hoje?
-
Oque senhorita?
-
FESTA –gritei pude ver a mesma juntar as sombra celhas, ignorei sua reação e
corri animada até o quarto de Bonnie. Onde ela terminava de se arrumar pondo
seus óculos
-
O papai e a mamãe viajaram - Falei.
-
Como vou pra escola agora?
-
Quem se importa com isso? –Perguntei entediada-
-
Eu –Ela disse como se fosse óbvio.
-
Isso não é oque importa agora.
-
Não, porque você vai me levar.
-
Ok, eu levo. Mas deixe-me dizer oque é importante agora?
-
Oque?
-
Festa maninha, eu vou dar a melhor festa de todos os tempos.
-
O papai vai te matar, Margo.
-
Ele esta na Eslováquia maninha, ele nunca irá descobrir.
-
Eu não vou compactuar com isso. –Ela balançou a cabeça em negação.
-
É claro que vai.
-
Não, eu me recuso a compactuar com isso, me recuso.
-
Bem, você esta completamente livre pra convidar seus amigos e o Jessie.
12:00
P.M – Universidade de Nova York
- Festa da cerveja na mansão
Campbell, toda cerveja que puder beber. - Ramona dizia ao meu lado entregando
os panfletos rosa que havíamos mandado fazer a algumas horas, as pessoas
pegavam o panfleto já com um sorriso radiante, a minha chegada nessa faculdade
animaria tudo.
- Festa da cerveja na minha
casa não deixe de ir - Falei entregando os panfletos para o grupo dos jogadores
de futebol.
- Mal chegou e já dando uma
de suas festas? –Brad riu.
- Alguém precisa animar isso
aqui né? –Dei-os as costas e voltei a caminhar com Ravena ao meu lado.
- Festa na casa da Campbell,
não deixem de ir –Ela continuava dizendo enquanto lhe entregava os panfletos.
No final do corredor avistei Sthanley, estupendamente lindo, me fazendo ter
ânsia de vomito, ele me irritava completamente, com aqueles fortes braços
tatuados, e seu corpo que se definia em uma camiseta branca. Ele falava algo
com Shep enquanto vinha em nossa direção, ele gesticulava bastante enquanto
falava, ele socava o ar e tinha um sorriso quase não visível a moldar seus
lábios convidativos. Tudo que eu queria era que parasse de ser estúpido e de me
seguir dando uma de psicopata, eu mal queria que ele estivesse em minha festa.
Mas obviamente não aconteceria, pois logo que nos encontramos Ravena
empurrou-lhes panfletos e sorriu largo.
- Vocês não podem perder a
festa da Campbell essa noite.
- Seus pais deixaram Margo?
–Shep perguntou-me
- Eles estão longe o
suficiente. –Ofereci-lhe um sorriso.
- Você vai não vai, Cliford?
–Ravena parecia embasbaca, eu não esbocei nem uma reação para ele que tinha seu
olhar sobre mim.
- Claro.
- Temos que ir agora, nos
vemos depois, Shep. –Grunhi agarrando o braço de Ravena e puxando-a dali dando
a volta em ambos. Logo após em nosso caminho eu vi o professor, ele não era de
todo um cara velho, ele parecia ter pra meados 26 anos. Usava um suéter
bastante peculiar e estava sempre a carregar uma bolsa marrom sob os ombros
largos, eu olhei para Ravena pensando em como chegar até ele.
- Por que você não vai pela
esquerda e eu continuo por aqui? –Perguntei-a
- Por quê?
- Preciso falar uma coisa
com o professor de literatura.
- Ele não vai com a sua cara,
Margo. –Ela riu.
- Ele só não me conhece o
suficiente - Revirei os olhos, e dei uma leve corridinha deixando-a para trás,
concertei minha saia e toquei o ombro dele quando finalmente o alcancei. Ele
virou-se um pouco assustado, seus olhos intensamente caramelados encontraram os
meus tirando-me o fôlego por alguns segundos.
- Há, senhorita Campbell, é
você. - Ele resmungou voltando a andar, eu comprimi os lábios acompanhando-o ao
seu lado.
- Por que tenho a impressão
que toda vez que pronuncia meu nome tem essa pitada de repulsa?
- Eu preservo bastante minha
imagem nessa universidade, e seu histórico com professores não é nada
convidativo, senhorita Campbell - Ele respondeu-me sem olhar-me parecendo
apressar os paços.
- Que imagem ruim o senhor
tens de mim professor. –Fiz-me de ofendida- Só estava tentando ser gentil.
- Você não precisa ser
gentil comigo, eu sou seu professor, tudo que tens de fazer é me ouvir falar na
sala de aula.
- Sou tão ruim a ponto de
nem ter o direito de saber teu nome?
- Justin... Bieber. –Ele
grunhiu.
- Seria bastante
inapropriada sua ida a minha casa essa noite –Lhe entreguei o panfleto- mas não
custa tentar.
- Não vou a festa de alunos,
senhorita - Ele devolveu-me o panfleto enquanto saíamos do campus. Indo ao
estacionamento.
- Por favor. –Parei a sua
frente, tendo a noção de quão alto ele era, não era de todo forte, não tinha
braços torneados nem corpo de quem passa horas em academia. No entanto não era
magricela, tinha um corpo normal e bastante desejável por trás de seu suéter.
Eu levantei os olhos olhando-o aflita- Eu não quero acabar com sua carreira,
longe de mim professor, eu não sei oque costumam dizer de mim, mas eu não sou
esse monstro.
- A senhorita é encrenca.
–Ele disse.- É capaz de nos verem aqui e pensarem o insano, comunicarem a
direção, e logo seu pai saberá e ele acabará com minha carreira nessa cidade.
- Quantos anos pensa que
tenho, professor?
- Não importa Campbell. Eu
continuo sendo seu professor.
- E se não fosse? Ainda
seria tão cruel comigo?
- Cruel –Ele riu sem humor-
Não sou cruel contigo senhorita. Eu sou canadense, talvez pode parecer que sou
arrogante contigo, mas é apenas meu jeito de ser.
- Podemos fazer um acordo,
Justin?
- Você não vai desistir?
–Pude ver sua face relaxar e um pequeno sorriso brincar-lhe no canto dos
lábios-
- Não é do meu feitio.
- Tudo bem –Ele suspirou
dando-se por vencido- qual seria esse acordo?
- Que irá me deixar mostrar
que sou o oposto do que ouviu dizer sobre mim por aí, se não mudar sua opinião
sobre mim até o fim do mês eu desisto e continuamos nossa relação de professor
e aluna.
- Como posso lhe explicar de
forma clara... –Ele molhou os lábios- Não importa oque penso sobre a senhorita,
não iremos ter outra relação alem de professor e aluna, Campbell.
- Eu não vou desistir
professor, pode escrever nas suas anotações. Você irá perceber a pessoa
encantadora que posso ser.
- A senhorita é extremamente
encantadora com esse jeito impertinente, e insistente - Ele permitiu-se sorrir
dessa vez, eu sentia que seria mais fácil do que pensei me aproximar dele – Mas
realmente não podemos ter outra relação além da que temos, tente se relacionar
com garotos de sua idade, que não possa causar problemas em suas carreiras..
- Me de sua mão. –Agarrei-a
e peguei uma caneca em minha bolsa, ele olhou-me juntando a sombra celhas.
Anotei o nome de um bar que eu tocaria no sábado no Brooklyn. “Soul Blues”,
estava disposta a ser completamente verdadeira com ele. Ele era o homem a quem
eu queria ter uma verdadeira aventura, ele era um desafio que não podia ser
perdido, eu ganharia nem que precisasse mostrar-lhe meu lado melancólico e
maduro para isso.
- Oque é isso? –Ele murmurou
quando terminei de escrever
- Vá ver a Marg Wine cantar
no sábado.
- Quem é Marg Wine?
- Ela costuma cantar em
bares no Brooklyn.
- Oque isso tem a ver com
que estávamos conversando, senhorita?
- Ela não é sua aluna.
–Forcei-lhe um sorriso e finalmente pude sair de seu caminho, deixando-o
completamente inerme, sem nem uma palavra. Saí do estacionamento voltando ao
campus a procura de Ravena e Gina, no entanto quando estava a passar em frente
a uma sala uma barreira humana que saía de lá e meu corpo se colidiram,
fazendo-me voltar alguns paços, senti-me desnorteada com a pancada mas consegui
ver quem era, Sthanley segurou-me impedindo-me novamente de cair.
- Olá, flor. –Ele sorriu.
- Olá. –Grunhi sem animo
- Ainda esta chateada
comigo?
- Você é irrelevante
para mim.
- Desculpe, eu não
queria ser leviano contigo. Desculpe dizer aquilo, eu sinto muito.
- Vou ter que
repetir que você é irrelevante pra mim, Cliford? –Balbuciei.
- Por que faz isso?
Porque tem me evitado tanto?
- Olha Cliford, eu
não odeio você, eu nem muito menos gosto de você. Por que você não segue em
frente? Por que não vai procurar outras moças que possam lhe corresponder? Que
possam ser oque você quer?
- Você é oque eu
quero.
- Você precisa
tomar seus remedinhos ok? Tanta testosterona tem lhe deixado meio psicótico.
–Sorri sínica e lhe dei as costas impaciente voltando a entregar os panfletos
da minha grande festa, que eu rezava mentalmente que esse maluco não fosse.
11:00 P.M Mansão Campbell
Fazia meia hora que a festa
havia começado, havia mais pessoas do que eu pensei que poderiam vir, o som
estava alto, tremendo os vidros da casa. Havia uma mancha de uísque no carpete
que eu sabia que daria bastante trabalho a Tereza para limpar. Ao meu lado
Bonnie olhava as pessoas extremamente assustada, empurrei um copo de uísque a
ela
- Beba. –Falei
- Não tenho idade pra beber,
Margo –Ela grunhiu quase tão baixo a ponto que saísse como um sopro.
- Quem se importa, maninha?
- Mas...
- Sem mais, Bonnie. –Falei
impaciente, ela deu-se por vencida e pegou o copo bebendo um gole engasgando-se
com liquido, tossiu inúmeras vezes.
- Isso é horrível. –Grunhiu
- Com o tempo melhora
–Sorri- Vou dar uma volta, preciso de um corpo no meu.
- Não me deixe aqui sozinha
–Ela agarrou-me pelo braço- Por favor.
- Onde esta o Jessie? Fique
com Jessie, ora.
- Não sei se ele irá vir.
- Que belo namorado você
tem.
- Ele não é meu namorado.
- Ok, se enturme, conheça
pessoas... Eu não vou ficar aqui parada com você. –Resmunguei puxando meu braço
e logo entrei no meio das pessoas. Caminhei até a cozinha e peguei uma garrafa
de uísque dispensando totalmente os copos. Derramei-o garganta a baixo podendo
ouvir um pigarrear atrás de mim, me virei quase me engasgando.
- Bastian –Tossi, a pergunta
era oque ele estava fazendo em Nova York, Bastian tinha as mãos enfiadas no
bolso e o semblante um tanto imprevisível.
- Pensei que você havia
voltado para Nova York por que seu pai estava doente. –Ele murmurou.
- Eu não disse isso. –Tossi
mais uma vez- Disse?
- Por que é que os
americanos tende a serem tão cruéis e mentirosos?
- Eu não diria de todo os
americanos. – Comprimi os lábios - Só eu.
- Então é isso? Você brincou
de casinha comigo e depois quando se cansou se mandou como se nada tivesse
acontecido?
- Como eu posso dizer isso,
Bastian... –Dei outro gole para inventar algo a ele, afinal ele viera de Paris
a minha procura, e realmente eu não valho a pena ser procurada de tão longe- Eu
tinha um prazo pra voltar pra Nova York, eu queria ficar com você, ter uma vida
com você lá, mas não é assim que funciona.
- Vai realmente continuar
mentindo pra mim, Margo?
- Mas a única verdade é
essa, foi ótimo nosso amor de verão, foi lindo, foi mágico mas é de verão Bastian,
não dura pra sempre.
- Você é cruel, Margo –Ele
balançou a cabeça em negação, comprimindo os lábios.- Como pode? Você disse que
voltaria.
- Veio aqui a minha procura?
–Minhas sombra celhas se ergueram.
- Gastei todos os meus
trocados pra ouvir tu me dizer que nosso amor não era recíproco.
- Eu sinto muito.
- Americanos imbecis –Ele
resmungou- Fazem de tudo uma grande piada.
- Bastian eu... –Suspirei
realmente me sentindo mal por ele, não achei que ele fosse tolo o bastante para
vir me procurar. Isso é loucura- Não me odeie, eu não pensei que iria tão
longe, eu estava de férias, e queria me divertir fora da burguesia e viver um
pouco na parte divertida da cidade, e você foi um ótimo acompanhante nessa
aventura.
- Apenas um acompanhante?
–Seu semblante era tristonho, nunca o vi daquela forma. Agradeci por não haver
ninguém na cozinha
- Não me entenda mal,
Bastian. Mas nós não teríamos futuro algum juntos.
- Você é uma vadia egoísta,
Margo. –Ele rosnou, nada que eu não tivesse ouvido antes, na verdade já ouvi
coisas bem piores, pensando bem, esses franceses são tão sentimentais. Que
diabos, por que ele não podia ser um cara normal e me esquecer ao invés de
gastar seu pouco dinheiro pra vir até aqui? Isso é completamente insano e sem
propósito algum. Mas, no entanto ter ele mais uma vez não seria completamente
ruim.
- Ótimo, você me acha uma
vadia –Cheguei mais perto do mesmo- Mas você veio até aqui, por que não
aproveita a festa? Por que não aproveita que esta aqui? Pra podermos ter nossa
despedida
- Vai continuar me fazendo
de seu acompanhante? –Ele perguntou indignado-
- Não, Bastian.
- Quer saber? Vai se ferrar
Margo, eu não sou um brinquedo. –Ele deu-me as costas, lá se vai minha chance
de transar com alguém hoje, dei um gole do uísque só então percebendo que
Cliford e Shep estavam na porta da cozinha escutando tudo sem nem uma
cerimônia. Shep encarou Bastian impedindo-o de passar
- Oque você disse, amigo?
Acho bom você rever o modo como fala com ela.
- Se eu fosse você não
defenderia alguém como ela –Ele grunhiu em um tom condescendente e saiu
esbarrando no mesmo, eu bufei pondo a mão nos olhos. Pronto agora Shep me
bombardearia de perguntas, suspirei tirando as mãos dos olhos e olhei para
ambos os idiotas a olharem-me seriamente.
- Quem era esse cara? –Ambos
perguntaram e com o susto os dois se entreolharam, eu dei um gole no uísque.
- Alguém que não é da conta
de vocês.
- Ele te chamou de vadia
egoísta, é claro que isso é da nossa conta. –Shep contestou
- Ele era Frances? –Cliford
perguntou-me antes mesmo que eu pudesse responder Shep.
- Oque eu posso dizer? –Ri
dando um gole no uísque- Os Franceses são bastante dramáticos e sentimentais.
- Oque ele estava fazendo
aqui? –Perguntou Shep.
- Ele veio até aqui por
você? –Sthan também perguntou, aquilo era bastante estressante, não queria
responder nem uma pergunta.
- Nós tivemos um “romance”
–fiz aspas com os dedos- De verão, até chegamos a passar uns meses no
apartamento dele, foi bom, foi legal mas caramba acho que ele pensou que eu
iria largar tudo pra ficar com ele, morar em um apartamento minúsculo e cursar
uma faculdade medíocre no subúrbio de Paris com ele. Então eu tive que voltar e
disse que meu pai estava doente. –Falei sem interesse- Quase morrendo
- Você não gostava dele?
–Shep quase gaguejou, eu revirei os olhos.
- Há mas é claro, mas vocês
devem saber porque se chama amor de verão, dura apenas alguns meses. Não tenho
do que reclamar, foi o melhor verão de todos, mas eu não esperava que ele
viesse aqui –Tornei a dar um gole no uísque. – Os franceses levam as coisas
muito a sério.
- É você que não leva porra
nem uma a sério, Margo. –Shep grunhiu parecendo irritado e saiu da cozinha, eu
revirei os olhos.
- Por que o Shep é
tão ranzinza? –Perguntei em um risinho, dando outro gole em meu uísque- E você
idiota? Oque esta me olhando? Não achou que eu só era uma vadia com você achou?
Não se surpreenda
* * *
Quando incrivelmente dei por
mim, eu estava dançando em cima da mesa de centro da sala. As pessoas ao redor
da mesa a tentar relar-me a mão pelas coxas, uma garrafa de uísque estava em
minhas mãos e eu mal sabia como ela havia parado ali se Shep havia tomado-a de
mim mais cedo, eu mal tinha noção do som que estava tocando a estrondar meus
ouvidos, mas, no entanto simplesmente deixava-me levar sem saber oque dançava,
meu corpo fazia movimentos sexys e ao mesmo tempo –eu imagino- deploráveis de
quem mal se aguenta em pé, eu só senti minhas pernas fraquejarem e uma gritaria
estrema ao meu redor. Meu nome era gritado com clamor, tudo estava meio turvo.
As pessoas pareceram se tornar apenas um borrão a baixo de mim, e segundos
depois uma mão agarrava-me fortemente para baixo, meu corpo enfraquecido caiu
junto com a puxada que me deram para baixo, dei-me conta que meu corpo não se
colidiu com o chão quando braços magricelas me acolhiam e me agarravam em um
ato protetor, eu ri sem motivo para fazê-lo e levei a garrafa de uísque até os
lábios, antes que eu pudesse sentir o líquido descer-me a garganta ela foi
arrancada com rispidez de minhas mãos. Com aquele odor doce de um perfume
extremamente sofisticado eu tive a certeza de quem era que estava a me carregar
com uma bêbada impossibilitada. Por motivos inexistentes tudo que saía de minha
boca eram gargalhadas em intervalos de soluços exagerados. Fazia tempos que eu
não tomava um porre desses, quase me dera ânsia de vômito. Meus pés se firmaram
ao chão e eu finalmente tive a certeza de que estava de pé, cocei os olhos e
pude ver um magricela e um lutador de braços tatuados a minha frente, minha
visão estava turva, minhas pernas não conseguiam se firmar e meu corpo
cambaleava por si próprio.
- No que você estava
pensando? –A voz de Shep era áspera e irritada.
- Vocês são patéticos
–Resmunguei tentando sair de onde eu mal sabia onde era, mas que provavelmente
era meu quarto mas ambos impediram que eu o fizesse.
- A festa acabou
pra você. –Shep continuou, minha boca ficou seca, sua voz contribuiu para que
eu continuasse com as ânsias de vomito nervosas, pus a mão na barriga sentindo-a
contrair em uma cólica absurda e tudo que eu havia feito em seguida foi vomitar
intensamente nos sapatos de Shep a minha frente, sem forças eu cambaleei
limpando os lábios e senti-me cair para trás, tendo o conforto agradável do
colchão. Depois daquilo, não consegui mais abrir os olhos.
10:30
A.M Mansão Campbell
Recostei minha cabeça na
mesa e suspirei, plena sexta feira e eu estava destruída de mais para ir a
faculdade. Quem diabos da uma festa em dia de semana? Obvio, eu. E aqui estou a
perder mais um dia letivo, minha cabeça estava dolorida, meus olhos inchados,
tirando por completo minha beleza. Marcavam duas e meia da tarde no relógio e
por eficiência das empregadas a casa já estava incrivelmente limpa,imagens da
noite passada me vinha a mente. Shep puto,o meu doce Frances irritado e
desiludido com a imagem doce que tinhas de mim, a minha dança, eu sem terminar
com ninguém no fim da noite. Não consigo dizer se eu havia gostado de todos
aqueles acontecimentos ou se eu havia ficado atordoada. Dei um gole no café e
suspirei. Meus pensamentos foram interrompidos quando a vi entrar na cozinha,
ela direcionou-se até a geladeira olhando a mesma a procura de algo
provavelmente saudável
- Sabe quem me deu uma
carona pra voltar da escola hoje? –Ouvi-a murmurar, eu não respondi- O Sthan,
ele estava lá conversando com uma garota, e disse que viria pra esse lado da
cidade.
- De que isso me importa?
–Ergui uma sombra-celha contentando meus ciúmes inapropriados, que vadio esse
Sthan. Era oque me faltava ele cair matando em cima de minha pobre irmã, oque
ele não podia fazer era ser psicótico com ela também.
- Nada eu só estou
comentando –Ela sentou-se a minha frente com uma maçã nas mãos, olhei-a sem
interesse.
- Gostaria que não
comentasse sobre esse idiota, hoje –Resmunguei
- Oque você tem?
- Nada, Bonnie, nada.
- Porque você liga se eu vim
com ele ou não?
- Eu não ligo, eu já disse
que meu foco é o Justin. –Grunhi
- Quem é Justin?
- O meu professor.
- O Sthan parece estar mesmo
afim de você, hoje ele falou de você o caminho inteiro, ficou lhe chamando de
flor, beija flo. Que estranho isso não? –Ela disse após dar uma mordida em sua
maçã, eu revirei os olhos, me meto em cada encrenca com esses homens, viu.
- Ele me chama assim? Porque
alguém chamaria outra pessoa dessa forma? Isso é estranho.
- Também achei –Ela dera de
ombros, suspirei entediada. Me lembrei então que amanhã, Justin me veria
cantar, talvez eu esteja sendo muito otimista em esperar que ele apareça lá de
fininho com aqueles olhos claros a olhar-me atentamente, como se quisesse me
desvendar. Mas oque me restava era esperar que ele fosse, oque me restava era
esperar, esperar e esperar até amanhã. O dia então pareceu demorar a passar, eu
não queria sai de casa durante o dia, só queria dormir o dia todo. O fora isso
que eu fiz, só pra que tudo passasse voando para que eu pudesse encontrar meu
doce e reservado professor no dia seguinte
08:30 P.M Cafee lemis - Brooklyn
P.O.V Justin
- Você deveria ir. –Dizia
José quando lhe contei sobre Margo, eu dei um gole em meu café e sem animo o
respondi:
- Não quero problemas pra
mim.
- Ela é de maior, Bieber.
Não tem problema você só encontra-la amanhã.
- Você não entende, essa
moça literalmente destrói a carreira de todos os professores com quem se
relaciona, e não há um que possa ter voltado a trabalhar por aqui depois dela.
- Você quer encontra-la não
quer? Oque lhe custa?
- Minha carreira –Murmurei
como se fosse obvio, olhei para a janela enorme de vidro a minha frente e
novamente ela passava por mim, com penas em seu cabelo, um vestido simples desta
vez azul tão bonito, era longo, ela andava docemente e lentamente como uma
menina ingênua a cada paço que dava ao lado de fora da cafeteria. Seus longos
cabelos dançavam com o vento que batia contra o mesmo, oque me levava a
perguntar oque ele estava fazendo novamente no Brooklyn.
- É ela –Apontei sem conter
minha expressão embasbaca, José virou sua face para ela escorando-se nos
cotovelos a mesa. E então ela passou, me trazendo uma certa tranquilidade.
- Aquela garota? Aquela
garota esta te assediando? Aquela garota é filha do advogado mais famoso de
todo estado?Acha mesmo que essa garota estaria andando assim como uma pobretona
por aqui? Esta maluco, Justin?
- E-e-eu –Gaguejei também
não entendendo o porque dela estar vestindo-se daquela forma e andando de uma
maneira tão doce e ingênua- Eu juro, é ela, ela não vai assim pra faculdade,
ela não anda com penas no cabelo nem muito menos sem roupas vulgares. Eu não
entendo porque desde a ultima vez que a encontrei ela tem se vestido dessa
forma.
- Você deve esta
confundindo, aquela moça que passou aqui parecia ter comprado o vestido no
exercito da salvação –Ele riu.
- Não há como confundir alguém
com, Margo –Sussurrei.- Há alguma coisa errada
- Oque há de errado é sua
falta de óculos, deveria usa-lo mais vezes.
- Pense oque quiser mas eu
tenho certeza que aquela era Margo.
- Ela parece com uma moça
que cantava a um ano no bar Coner of hell, era uma moça que tinha uma voz doce
e grave, enchia o bar todo domingo, eu gostava de ouvi-la, e se as flores
falassem seria tão suave quanto o tom de sua voz, mas ela sumiu, parou de
cantar não me lembro do que disseram quando ela sumiu.
- Nunca ouvi falar.
- Ela era alem de tudo
linda, como essa moça que passou aqui.
- Como Margo?
- Aquela realmente não era a
mesma moça a quem vem te assediando, isso é loucura.
P.O.V Marg Wine
Havia acabado de chegar de
ultima hora no bar “house of Jazz”, Will me ligara de ultima hora quando ficara
sabendo que na semana passada eu havia voltado a cantar e de certa forma havia
voltada pra Nova York. Eu estava tão distante aquela noite, minha mente só
sabia programar como seria a noite seguinte. Me perguntava se ele realmente
viria ou se ele viesse se gostaria das minhas músicas ou até mesmo do que
tentaria lhe transmitir com as minhas canções. Não entendia o porque desse meu
nervosismo e ansiedade com o dia seguinte, não entendia porque aquele precoce
frio na barriga só em pensar na reação dele, de um lado eu queria que ele fosse
meu, que ele descobrisse Marg Wine, de outro eu estava confusa com tudo aquilo
e receosa com tais sentimentos estranhos que floresciam a cada segundo de meus
dias. Após falar com o Will, eu delicadamente subi ao pequeno palco e peguei o
microfone fazendo um roído aborrecedor a inundar os tímpanos de todos,
fazendo-os olharem para mim, aquela plateia era diferente da de um ano atrás.
Haviam meados vinte pessoas ali, bebendo e conversando, ou até mesmo sozinhos
bebendo.
- Alguém aí se lembra de
mim? –Murmurei timidamente, pude ver um rapaz gritar lá do fundo do bar.
- Eu te amo, Wine –Aquilo
instantaneamente arrancara risos baixos das poucas pessoas sentadas nas mesas e
no balcão.
- É, não é a mesma plateia
do ano passado mas, fico feliz que ainda tenha sobrado um –Ri- Sou Marg Wine, e
podem ficar ciente que irão me ver muito por aqui pra deprimir suas noites.
–Sorri sem animo e pude ouvir os instrumentos começarem, fechei os olhos e logo
era minha deixa para começar.
She wore Blue Velvet
Bluer than velvet was the night
Softer than satin was the light
From the stars
Bluer than velvet was the night
Softer than satin was the light
From the stars
Ela
usava Veludo Azul
Mais azul que o veludo era a noite
Mais macio que seda era a luz
Das estrelas
Mais azul que o veludo era a noite
Mais macio que seda era a luz
Das estrelas
Comecei vendo que as pessoas pareciam realmente abismadas com a
minha voz, eu sorri e regressei a fechar os olhos, por algum motivo tolo
imaginando o professor a minha frente, me ouvindo cantar com aqueles olhos que
sempre desvencilhavam, há aquele modo escorregadio me dominava. E eu odiava que
ele tivesse tanto poder assim sobre mim a ponto de eu querer mostrar-lhe meu
pior lado, meu lado fraco, melancólico, tristonho e um tanto depressivo. Há que
ponto aqueles grandes olhos me levaram? A isso? A esse abismo coberto de
perguntas sem resposta? A essa louca vontade de mostrar como sou de verdade?
She wore blue velvet
Bluer than velvet were her eyes
Warmer than May her tender sighs
Love was ours
Bluer than velvet were her eyes
Warmer than May her tender sighs
Love was ours
Ela usava Veludo Azul
Mais azul que o veludo era os seus olhos
Mais caloroso que maio, seus suspiros suaves
O amor era nosso
Mais azul que o veludo era os seus olhos
Mais caloroso que maio, seus suspiros suaves
O amor era nosso
Quando abri os olhos novamente, tomei o leve susto de ver
Bastian a poucas mesas do palco, ele tinha o semblante nada agradável, seus
braços estavam cruzados, e seu olhar sobre mim era frio, seus olhos procuravam
intensamente pelos meus e eu sem nem uma alternativa desviei o olhar para
qualquer canto que não fosse exatamente o centro do bar. E assim eu fiquei
durante mais quatro deprimentes canções, quando finalmente desisti de esperar a
Partida daquele Frances sentimental, agradeci aos exagerados aplausos que me
incendiavam a alma e desci os poucos degraus, ouvindo os homens atrás de mim
voltarem a tocar um Jazz dançante. Caminhei lentamente enquanto concertava as
penas em meu cabelo até o balcão, onde logo Will vinha para me parabenizar.
- Já disse Will, hoje é por minha conta. Não precisa me pagar
–Sorri para ele.
- Eu insisto, Wine.
- Me pague com uísque que tal? –Sorri, ele balançou a cabeça.
- Sei que gosta do que faz mas eu gosto de ajuda-la.
- Só de me deixar tocar aqui já esta me ajudando bastante Will.
- Tudo bem –Ele deu-se por vencido emanando felicidade com a
minha volta, sairia por alguns segundos e voltara enchendo um copo de uísque
para mim. Eu agradeci podendo ouvir o esperado ranger do banco ao meu lado,
fechei os olhos com força. Não estava disposta a agir de forma fria com Bastian
essa noite, meu lado Campbell, gostava de ser cruel mas o Wine, o Wine estava
cansado de fingir, de se esconder atrás da crueldade do meu sobrenome.
- Mal te reconheci. –Ouvi-o dizer por fim, suspirei sem
alternativas me virando para ele.
- Pensei que havia voltado pra Paris.
- Até pensei voltar, mas não consegui. De alguma forma me
encantei com essa cidade
- Já arranjou um lugar pra ficar? –Concertei outra voz minhas
penas.
- Já, na verdade eu estava indo pra lá quando ouvi-a cantar. Não
sabia que cantava
- Eu não canto –Grunhi dando um gole no uísque- Só gosto de
fingir que canto.
- Sabe que não é verdade.
- Pensei que estava me odiando, que eu bem me lembre a menos de
48 horas você esta me chamando de vadia americana egoísta. –Sorri novamente
tornando a beber aquele liquido que pra mim era mais como um tranquilizante.
Ele cumprimiu os lábios e concertou-se no bando
- Só estava irritado.
- Eu causo muito isso nas pessoas –Ri.
- Eu senti sua falta.
- Minha falta? –Ri sem animo agora.- Acredite, esta melhor sem
mim.
- Ninguém fica melhor sem você.
- Você vai encontrar outra americana que possa fazer você perceber
que nós não somos lá tão ruins, que seja melhor, mais sincera, mais doce e mais
verdadeira do que eu, pois sinceramente eu fui um tanto leviana contigo, me
desculpe mas não quis que aquilo fosse tão longe –E lá estava meu lado Wine
tomando a frente naquela noite gélida, lá estava meu lado deprimente falando
mais alto que minha razão.
- Je t’aime
- Não seja tolo, não quero lhe magoar mais –Suspirei, inclinei
um pouco em sua direção, acariciei com as pontas dos dedos sua face sorri sem
nem uma vontade de faze-lo e beijei seu rosto. Seus olhos entristecidos e decepcionados
buscavam pelos meus de tal forma que até me entristecia por não poder
corresponde-lo- Você merece alguém melhor do que eu Bastian.
- M-as-as eu quero você. Não me importo com o quão ruim você
seja, eu só quero voltar a dormir ao seu lado, voltar a pintar retratos seus,
voltar a acordar contigo todos as manhãs, só isso.
- Eu sinto muito. –Abaixei os olhos enraivecida por estar sendo
tão calma com tudo aquilo, odiava quando Wine me dominava. Odiava quando sentia
que não tinha controle das minhas emoções e atitudes.
- Só fique comigo.
- Eu não quero continuar brincando contigo, Bastian.
- Tudo bem.
- Vai continuar aqui?
- Vou –Ele sorriu, e inesperadamente inclinou-se para cima de
mim tomando-me os lábios, de certa forma meu lado inconsequente Campbell havia
gostado de voltar a beija-lo levianamente, outrora meu lado Wine que me
dominava intensamente aquela noite fez-me empurra-lo levemente, e com a face
rubra sem motivos coerentes me afastei de seu banco desviando o olhar para o
copo de uísque a minha frente.
- Desculpe, você estava tão perto –Ele murmurou, eu o olhei
encontrando seus olhos cinzentos procura dos meus, um sorriso bem pequeno
moldava-lhe os lábios.
- Você vai encontrar alguém melhor –Me levantei dando um ultimo
gole naquele uísque. Abaixei um pouco e lhe dei um breve beijo em sua bochecha
gélida, tocando seu ombro.- Que te dê tanto amor quanto possa receber.
* * *
Ao acordar mais uma noite
sem ninguém ao meu lado –coisa que estava acontecendo muito-, suspirei e segui
meu percurso até o banheiro. Tomei um longo, e demorado banho, no banho eu
havia notado que algo em mim estava mais vazio do que o comum, senti que algo
em mim estava errado. Estava me sentindo estranhamente mal aquela manhã, como
se eu tivesse perdido algo, como se a minha parte Margo estivesse meio que se
deprimindo no caminho da Wine. Isso não podia acontecer, não mesmo.
Saí do banho, escovei os
dentes, coloquei um vestido e me maquiei. Não ficaria triste hoje, hoje não era
dia de me sentir só, hoje não era dia da Wine querer dar as caras, eu não
preciso dela, talvez eu precise dela, mas eu preciso mais da fútil Cambpell do
que da cantorazinha depressiva Wine. Calcei meus saltos e me perfumei, olhei-me
no espelho me agradando com o meu trabalho. Soltei meus cabelos, deixando-o com
leves ondas e desci as escadas. Bonnie ao sofá assistia algo na TV, ao me ver
passar ela olhou-me com o canto dos olhos tirando um pouco a atenção da TV.
- Vai pra onde?
- Não sei –Murmurei- Quer
ir?
- Eu não. Jessie vai vir
aqui hoje
- Use camisinha. –Acenei com
as pontas dos dedos para ela não resistindo uma risadinha com sua expressão.
16:30 P.M Nova York
Estava caminhando ao sair de
uma loja de discos pela qual tive o dever de comprar inúmeros discos dos
melhores cantores da década de 20, que meu lado Wine mais amava com tamanha
intensidade, já que com isso eu já podia ensaiar qual músicas cantar essa
noite, quero cantar algo da Annette Hanshaw, ou até mesmo Ethel Waters,
certamente eu ainda estava em dúvida, e sem dúvidas esses novos álbuns que
comprei me ajudaram a escolher a música perfeita. Quando pude perceber o
professor em uma cafeteria pouco movimentada, respirei fundo, era a minha
chance. Ele não estava na escola, talvez ele não seria de todo tão grosseiro.
Molhei os lábios e respirei fundo mais uma vez, olhando para dentro da
cafeteria onde ele parecia aprofundado em um livro, seu café quente a sair uma
leve fumaça demonstrando que ele provavelmente havia chegado a pouco tempo. Seu
cabelo estava arrumado como de costume, seus olhos vidrados e sem expressão
para o livro, ele estava novamente com um de seus suéteres que ao meu ver eram
realmente encantadores. Dessa vez o suéter era cinza, sua barba por fazer
parecia estar maior, e tudo nele me fazia ficar inerme na frente da cafeteria,
era como se eu estivesse de alguma forma nervosa por ter uma chance como essa.
Decidida, ergui minha cabeça e em passos sorrateiros me dirigi até a sua mesa,
onde logo pude reconhecer a capa de seu livro, era Hamlet, papai tinha sua
coleção de primeiras edições de Shakespeare, e eu obviamente sempre dava uma
olhada nos livros dele, e Hamlet sem dúvida era um dos melhores, li e reli tal
livro três vezes. Respirei fundo contendo por alguns segundos a respiração e
mordi os lábios ao citar um pequeno trecho de que me lembrava
- O pensamento assim nos acovarda, e assim é que se cobre a tez normal da decisão com o tom pálido e enfermo da melancolia; E desde que nos prendam tais cogitações, empresas de alto escopo e que bem alto planam desviam-se de rumo e cessam até mesmo de se chamar ação. –Seus de uma abundante beleza
caramelada como mel, que eu me afogaria de bom grado levantaram-se para mim,
sérios, em um ato de tal costume ele não esboçou nem uma reação- Bom livro
–Sussurrei coçando a garganta.
- Esta me perseguindo senhorita Cambpell? –Sua
testa se franziu junto com seu ato de fechar seu livro gasto e de folhas
amareladas. Eu sorri-
- Só passei pra dizer um “oi”, e que espero sua
visita.
- Minha visita?
- Não se esqueceu do nosso trato esqueceu?
- Perdoe-me, mas não me lembro de ter aceitado.
–Desconversou ele dando um gole em seu café.
- Não estamos no campus Justin –Murmurei- E você
não é nem um pouco cavalheiro.
- Sente-se, Margo. –Ele gesticulou para a cadeira
a sua frente dando-se por vencido, entendo o motivo pelo qual questionei-o, com
um meio sorriso me sentei pondo minhas bolsas ao meu lado. Seus longos dedos se
entrelaçaram em cima da mesa e seus olhos enigmáticos fitavam intensamente.-
Não sei oque esta tentando comigo, senhorita. Mas eu não sou um homem que pensa
apenas no desejo carnal, levo muito a sério minha vida profissional, e como eu
já havia vos dito antes seu histórico com professores não é nada convidativo.
- Fala como se eu fosse uma vadia –Minha maldita
voz demonstrou mais decepção do que eu queria.
- Deus do céu, longe disso, senhorita. –Ele
murmurou- É só que..
- Tudo bem, você leva sua vida profissional a
sério. –Suspirei- Mas eu sei que posso ser mais do que isso.
- E você é –Ele murmurou- Vejo quando fala na
sala, não sei se é só pra me impressionar mas você é realmente melhor do que se
faz ser, Margo.
- Então porque é tão mal comigo? –Meu tom
novamente demonstrou mais do que deveria, e em seguida um suspiro rasgou-me
intensamente a garganta seca. Que merda eu estava fazendo?
- Eu já disse, sou canadense não “mal” –Um
pequeno e quase não visível sorriso brotava finalmente no canto de seus lábios-
Se você parar de tentar essas coisas até podemos conversar tudo bem? Podemos
nos conhecer, mas só se você não me ver mais como um professor a quem quer
levar pra cama.
- Não te vejo assim, Justin. –Olhei para meus
dedos, ele me deprimia tanto. Fez-me sentir mais cruel do que eu realmente
queria que pensassem que eu fosse.
- Não minta pra mim.
- No começo. –Voltei a olha-lo, podendo vê-lo
molhar os lábios e olhar-me atentamente- Eu realmente queria isso, mas você é
tão diferente sinto que posso ser eu mesma sem ter que fingir nada, sinto que
não preciso criar uma imagem.
- Quando percebeu isso?
- A alguns dias.
- Você é um grande problema senhorita, e juro que
preciso ficar longe de problemas como a senhorita.
- Me deixa te levar a um lugar essa noite?
–Sussurrei em um tom quase doce, tive vontade de me dar uns tapas por estar
deixando o lado Wine aparecer de forma bruta e dominante.- Juro que não
tentarei nada.
- Não posso –Ele desviou seu olhar. Eu mordi o
lábio inferior sem saber oque fazer
- Não me faça implorar.
- Vai me levar a um lugar cheio de alunos não
vai?
- Não –Sorri simples- Juro que irá gostar
- Sem segundas intenções?
- Só eu de verdade.
- E a senhorita de verdade seria a minha aluna
extremamente intelectual das aulas?
- Sem duvidas.
- Tudo bem, esta feito.
- Sabe onde fica o “Soul Blues”, esteja lá as
onze.
- Oque você faria em um bar como aquele? –Em seus
lábios tinha um sorriso bem pequeno, tão gostoso de se ver que eu poderia ficar
ali olhando-o por dias ou até anos.
- Parte de mim não se importa com o dinheiro que
tenho.
- É mesmo? –Senti a pontada grotesca de ironia.
- Esta zombando de mim senhor, Bieber? –Ri pondo
meus cotovelos a mesa, ele acompanhou-me em um riso baixo.
- Só estou um pouco surpreso.
- Bom, acostume-se. –Aquela era a minha deixa, ou
eu ficaria ali falando abobrinha e estragaria completamente aquela sorte
incrível. Peguei minhas bolsas e me levantei ainda sorrindo por ter conseguido
tal coisa
- Pra onde vai senhorita? –Sua testa se franzira
instantaneamente com meu movimento.
- Preciso ir agora, boa leitura. –Acenei ainda
sorrindo e dei-o as costas com meu pobre coração nas mãos quase pulando de
alegria. Tudo aconteceu de maneira tão instantânea, não sabia que sendo Wine um
dia eu conseguiria algo, e agora de certa forma estou começando a achar que
isso só funciona com ele, só ele poderia se interessar por alguém tão
desinteressante e mal resolvida quanto a contorazinha de bares medíocres no
Brooklyn. Durante o resto do dia era de longe impossível deixar de sorrir,
deixar de programar aquela noite, eu não queria dormir com ele, não tinha
segundas intenções apenas queria cantar-lhe uma canção, e aquela canção tinha
de ser perfeita. Já pela noite quando eu estava tão angustiada a ponto de quase
arrancar-me os cabelos, eu enfiei-me dentro do closet a procura de um vestido,
um vestido simples e não vulgar, sei que ele parece preferir isso do que meus
decotes. Após um banho de aparentemente uma eternidade eu me vesti, pus um
vestido rosa claro, bem claro quase dando a impressão de não ser rosa, meio
rodado e um pouco solto, no entanto ele era bem apertado como um espartilho a
moldar-lhe por baixo e largo na parte de baixo. Não me maquiei, apenas passei
um simples batom avermelhado que encontrei na cômoda, eu queria impressioná-lo,
mas também não devia exagerar, pois afinal para as pessoas eu sou uma pobretona
do Brooklyn. Quando finalmente recebi a ligação de Lewis perguntando se eu
realmente poderia cantar essa noite eu suspire e entusiasmada sai do quarto,
sentindo um nervosismo fora do comum. Em passos sorrateiros
eu passei o mais rápido que pude pelo quarto de Bonnie, desci as escadas
rapidamente em cima de meus doseis sapatinhos brancos, caminhei até a cozinha
lhe deixando um bilhete comunicando que não precisaria esperar-me acordada. Eu
não chegaria cedo, pois mesmo se meu admirável e reservado professor não fosse
eu iria ficar no bar para aproveitar com alguns conhecidos de quem eu
secretamente sentia uma imensa saudade.
*
* *
Já
passava das onze quando dei um gole em meu segundo copo de uísque para conter o
irritante nervosismo, de um lado eu queria me dar uns tabefes por toda essa
bobagem que estou sentindo, de outro eu queria não pensar no que poderia ter
acontecido. Lewis caminhou até mim, com uma pequena Margarida branca nas mãos, sorriu
enquanto a colocava levemente atrás da minha orelha.
-
Pra lhe dar sorte. –Ele disse.
-
Obrigado.
-
Hoje quando souberam que nossa Wine havia voltado nossa freguesia aumentara
tanto quanto no ano passado.
-
Que bobagem, ninguém nem me conhece. –Sussurrei
-
Aos poucos você encantou muitos dos meus fregueses, Wine. –Ele acariciou-me a
face, pra mim Lewis era o pai que eu nunca pude ter, era incrível como ele era
compreensível e me apoiava. Tanto que a dois anos quando eu pensei em cantar
ele fora o primeiro a me oferecer seu pequeno palco como ajuda, e por conta
disso hoje eu canto em meados 5 bares. São poucos mas é sempre bom trazer
música boa de volta ao mundo, já não se ouvia Jazz como antes, Nova York já não
era a cidade do Jazz. Que ia sendo esquecido a cada ano
-
Suba, vá mostrar que esta viva –Sorriu ele concertando agora a margarida em
minha orelha, eu respirei fundo e dei um longo gole no uísque sentindo-o
rasgar-me a garganta. Sai de trás do palco e em paços vagarosos subi os poucos
degraus até o pequeno palco, onde inesperadamente recebi palmas. Havia essa
noite mais de cinquenta pessoas, era como se as poucas pessoas que apareciam
aqui em dias aleatórios no ano passado resolvessem aparecer todas essa noite.
Aquilo me dera uma das melhores sensações que já tive, talvez aquilo fosse meu
verdadeiro topo, talvez esse seja meu verdadeiro show, e não estando no topo de
Nova York em si. La no fundo meu lado Wine sempre soube disso, mas meu lado
Margo de certa forma se recusa a se rendar a isso, posso me dominar hipócrita
nesse momento.
-
Estou um pouco nervosa, eu bebi de mais e estou vendo tudo em dobro ou esse
lugar hoje esta realmente cheio? –Sorri ao pegar o microfone, novamente algumas
pessoas que eu certamente conhecia de rosto gritaram. - Bom, oque posso dizer?
eu voltei pra casa, vocês são a minha casa. E eu realmente espero não lhes
decepcionar, obrigado por estarem aqui essa noite. –Mordi o lábio inferior
passando os olhos por todo aquele pequeno bar procurando-o dentre aquelas
inúmeras pessoas, os instrumentos começaram a tocar quando a gritaria havia
cessado. Logo eu dei inicio as minhas músicas que havia escolhido, e assim a
noite fora se passando, eu cantei Nancy Sinatra, Ethel Waters, Muddy Waters e
nada dele aparecer. Eu já havia desistido de esperar, desistido de ficar
nervosa e não havia mais o tal frio na barriga. Tudo que eu havia planejado
havia descido por água a baixo, e tudo pareceu ficar nebuloso quando vi em meu
relógio que marcavam quase uma e meia da manhã. Não havia porque esperar, ele
havia dado no cano, mesmo tendo dado sua palavra, oque me levava a crer que
toda vez que tento mostrar meu lado Wine acontece alguma merda ridícula, e isso
certamente pode ser um aviso que eu talvez esteja fazendo a escolha errado
deixado a Wine aparecer assim. Desci do palco para uma pausa rápida e acendi um
cigarro e tornei a pegar um copo cheio de uísque para que me fizesse superar
tal frustração, esse homem só sabe me frustrar, me deprimir, e eu não sei
porque dessa minha obsessão estúpida. Retornei ao palco, dei um gole no uísque
e traguei meu cigarro regressando a cantar logo em seguida, era em fim minha
ultima música, a música que eu escolhi cantar pra ele e que agora ela me
libertaria daquela imensa frustração...
I'm just a woman, a
lonely woman
waiting on the
weary shore
I'm just a woman
who's only human
one you should feel
sorry for
Eu
sou apenas uma mulher, uma mulher solitária
esperando
na costa cansada
Eu
sou apenas uma mulher que é apenas humana
que
você deve sentir pena
Fechei
os olhos cantando aquele trecho que eu escutava desde pequena de Annette
Hanshaw, Am I blue. Aquela musica não estava no disco que eu havia comprado,
mas me lembrei dela, lembrei-me que eu sempre a escutava vindo do quarto de
mamãe, lembrei-me pois era a única coisa que eu de certa forma pude dividir com
mamãe, era é de longe uma grande fã de Annette Hanshaw, mas vejo que já não é
como antes, talvez ela escute em seu quarto enquanto se dopa com remédios para
dormir para não ficar para esperar papai chegar para ouvi-lo reclamar de tudo e
todos. Ou talvez ela tenha perdido até a vontade de ouvir as músicas de sua
grande inspiradora do Jazz.
There was a time I was his only one
but now I'm the sad and lonely one
Houve um tempo em que eu era única
Agora sou triste e solitária
Balancei no ritmo daquele doce Jazz e me traguei
meu cigarro, abri os olhos e sorri observando a plateia. Algumas pessoas
estavam dispersas, prestando atenção na canção vez ou outra, já outra pessoas
apenas me olhavam, com aquela doce admiração que ninguém olharia para Campbell,
eu não sabia se aquelas pessoas eram suburbanos ou se eram burgueses que assim
como eu fugiam da mesquinharia pra poder entrar um pouco na realidade da vida,
mas mesmo assim eu sentia que podia ser eu mesma. Continuei a canção com meu
cigarro e meu copo de uísque a me esquentarem o corpo frustrado e deprimido.
Quando finalmente terminei a canção eu abri os olhos e corri esperançosamente
os olhos por todos aqueles rostos novamente.
- Por hoje é isso pessoal, espero vocês semana que
vem no mesmo horário. –Levantei o copo com a gritaria das pessoas, e com um
meio sorriso deixei a o microfone no pedestal. Suspirei concertando a margarida
na minha orelha e desci daquele palco que me deprimia e me deixava feliz ao mesmo
tempo. Deixei o copo meio vazio de uísque em cima do balcão e joguei a ponta de
meu cigarro que ainda queimava no cinzeiro. Sentei-me no banco ainda frustrada
e um pouco perdida, e novamente não durou muito tempo meu momento sozinha pois
Lewis viera a me parabenizar e a dizer-me o quanto estava orgulhoso e sentia
falta da minha voz. Novamente tive que recusar qualquer pagamento e tudo que
aceitei para que ele me deixasse ir sem ficar com seu lucro que eu não
precisava fora apenas vinho, disse que enquanto eu tivesse seu velho vinho ele
não precisaria me pagar. As vezes até parece que sou uma alcoólatra que canta
em troca de bebida, outrora pra mim é mais fácil do que aceitar sou pouco
dinheiro de moço trabalhador do Brooklyn. Depois que ele me deu as costas,
algumas pessoas vieram falar comigo, diziam o quanto estavam felizes com a
minha volta e que minha voz agradou a noite. Tudo que consegui fazer com a
minha mente deprimida, frustrada e distante era apenas sorrir e lhes agradecer
por terem vindo, depois finalmente tudo terminou, os elogios, os abraços, os
beijos, tudo, só ficara eu meu vinho e meu cigarro no balcão, eu estava tão
perdida que recusei até o convite que eu horas antes estava decidida a aceitar
para sair com alguns conhecidos dali. Mas não tinha a menor ideia que sua falta
de palavra me afetaria tanto, não tinha ideia que esse bolo afetaria meu lado
Margo e Meu lado Wine. Margo estava frustrada e Wine estava deprimida e
frustrada mais que o normal. E o pior é que ambos os lados não compreendiam
como ele conseguira afetar tanto em tão pouco tempo.
- Então você é a famosa, Wine? A cantora dos
desempregados? A cantora dos falidos e dos pobretões do Brooklyn? –Sua voz
fizera com que eu levantasse instintivamente a cabeça, fazendo-me engasgar com
a fumaça em minha boca. Tossi ao vê-lo puxar um banco e sentar-se ao meu lado,
ele estava aqui o tempo todo? Como?
- Esta aqui a quanto tempo? –Sussurrei contendo a tosse,
ele olhou para frente, escorando seus braços no balcão.
- A muito tempo –Respondeu por fim.
- Pensei que não tivesse vindo, não o vi.
- Estava em uma mesa afastada com um amigo. –Virou
sua face para mim.- Porque esta aqui?
- Porque eu sou a Wine –Sussurrei apagando meu
Camel.
- Oque faz com que eu me pergunte porque você é a
Wine? Esta brincando de ser pobre? Fingindo ser suburbana?
- Só gosto de cantar. –Cocei a garganta, de certa
forma ele também fazia com que eu me sentisse horrível.
- As pessoas sabem quem é você de verdade ou você
finge ser uma de nós?
- Eu gosto de me sentir viva, gosto de pensar que
sou como todas essas pessoas daqui, gosto de estar na realidade.
- Esta brincando de ser pobre.
- E-e-eu –Céus porque ele estava fazendo isso? Qual
era o problema daquele maldito idiota. Tudo que eu queria era que ele sentisse
quem sou e tudo que ele sabe fazer é julgar de forma cruel. Olhei para o copo
de vinho a minha frente no balcão e engoli em seco- Você nunca vai parar de
pensar o ruim sobre mim?
- Você é uma burguesa mimada. –Resmungou- Não sabe
nada sobre a vida.
- Parece até que você julga as pessoas pelo quanto
ela tem no bolso –Atrevi-me a revidar- Qual é o seu problema? Acha que só
porque tenho dinheiro não posso querer sair daquele inferno? acha que só porque
tenho dinheiro tudo pra mim é fácil? Acha mesmo? Acha que só porque tenho
dinheiro eu sou feliz? Porra –Me levantei- Você é um babaca hipócrita mesmo, e
eu aqui pensando que se eu fosse pouquinho eu de verdade com você nós pudéssemos
até mesmo ser amigos. Mas na verdade não é isso que importa pra você não é? Pra
um professor de literatura você é um grande imbecil.
P.O.V Justin
Ela saiu pisando tão firme que eu podia ouvir o
barulho intenso de seus sapatos no chão. Desde que entrei no bar aquela parecia
ser outra pessoa, o modo como ela falava, agia, conversava com o publico e
cantava não parecia nada com a moça que me assediava na faculdade. Era algo
impossível não se encantar com sua voz e aquela margarida em seu cabelo, que
substituía suas penas que eu havia visto nos dias anteriores. Talvez eu
estivesse errado enquanto a ela, talvez ela quisesse que eu percebesse que
Margo era apenas uma grande fachada, e talvez eu tenha de primeira entendido
errado. E depois daquela enxurrada de palavras que ela despejava sobre mim eu
tive a certeza que aquela era uma moça diferente, Margo era tão fácil que nada
a abalava, mas aquela moça com margarida no cabelo não era ela. Aquela moça sim
parecia ter sentimentos além do que desejo, e secretamente eu admirei mesmo
sabendo que era errado. Errado mais ainda fora meu tal desconforto ao vê-la aos
beijos com um rapaz na segunda, não consegui me concentrar no que Alexandra
dizia enquanto caminhávamos até a direção. De relace ela lançou-me uma
olhadela, mas em um gesto não Margo ela ignorou-me voltando a falar próxima de
mais a aquele rapaz. Talvez ela tivesse até desistido de mim, e por um lado eu
estava mais aliviado, por outro eu não entendia aquela sensação que eu sentia
com a possibilidade de haver uma outra pessoa por trás dessa moça
desinteressada.
- Seu Justin será que você podia me dar uma carona
quando saísse? –Perguntou-me Alexandra, fazendo-me perceber que já estávamos na
sala de professores.
- Claro Alexandra.
- Obrigado de novo, nem sei como agradecer isso.
- Não se preocupe. –Sussurrei disperso
* * *
P.O.V Margo
- Você de novo seu maluco? –Resmunguei a Sthan,
Jesus ele estava realmente me perseguindo.
- Oque aquele francesinho tem que eu não tenho?
Porque você morou com ele por meses e não pode nem aceitar um jantar comigo?
–Sua mão agarrava firmemente meu cotovelo tentei puxar para não deixa-lo
avermelhado porem ele segurou com mais força, tentei não perder a paciência.
- Primeiro, se você continuar apertando meu braço
eu te ponho na cadeia pra você ser feito de mocinha, segundo ele é Frances já é
uma vantagem enorme, segundo você é louco, terceiro você é louco, quarto eu já
disse que você é louco? –Sorri sínica e seu ato no entanto fora imprensar-me
contra a parede, além de louco é burro.
- Você me deixa assim.
- Já disse pra você me soltar, Sthan. Que merda
–Grunhi em uma falha tentativa de empurra-lo. Porem era um ato muito burro pois
o cara era músculo puro e eu feita de carne e osso como uma pessoa normal que
não frequenta academia, suas mãos impediram-me que eu me movesse, e eu me
arrependi de ter lhe dado o gostinho de me ter por uma noite, sei que sou uma
espécie estranha de moça viciante mas ele parece até que é um usuário de crack,
ele parece me querer tanto a ponto de perder completamente a noção do que é e
oque não é aceitável.
- Um jantar, Margo. Só um –Ele sussurrou chegando
perto de meu rosto, eu olhei-o nos olhos sentindo pena.
- Me solta –Rosnei
- Sai comigo, Margo. Por favor –Ele insistiu
deploravelmente mas eu não daria o braço a torcer, ele precisava de tratamento.
Tentei me soltar de seus braços outra vez e ele apertou-me com mais força
- Me solta, Sthan, merda cara. Eu sou uma vadia
entendeu? E vadias não querem compromisso.
- Mas eu sei que posso te fazer mudar de ideia.
–Sussurrou
- Se você não me soltar eu vou gritar. –Em fim
minhas mãos conseguiram sair de seus alcance mas logo ele tornou a agarra-las
contra o seu peito prendendo-me mais contra a parede, não me deixando
alternativas a não ser gritar; - SOCORRO, UM LOUCO, PSICOPTA ESTA TENTANDO ME
ESTUPRAR –gritei me debatendo logo ouvi a resposta, mas essa resposta viera de
alguém que nunca pensei que viria.
- A algum problema aqui? –Virei-me para sua voz que
soava como jazz em meus ouvidos.
- Não, nem um, ela só esta brincando. –Sthan me
soltou, por dentro eu estava rindo com o tolo pensamento dele de que eu o
ajudaria a se safar dessa, quero-o na cadeia e se possível bem longe de mim.
- E-e-le me machucou, veja –Caminhei até Justin
mostrando-lhe meus braços avermelhados- Eu disse que não queria, disse que era
pra ele parar mas ele não parou, ele não parou. –Novamente ele não esboçou
reação, eu também não estava a me importar, a noite passada foi a gota d’água,
por mais que ele cause sensações estranhas em mim eu não vou ficar praticamente
implorando para que ele perceba que eu não sou um poço de defeitos, tenho
muitos mas não sou tão ruim.
- Oque aconteceu, Sthanley? –Ele se virou para
Sthanley tirando os olhos dos meus pulsos. Eu o olhei perplexa, era só oque faltava
ele não acreditar em mim, qual era o problema daquele imbecil?
- Quer saber? Eu não me importo com oque você
pensa, não me importo se você acredita, não me importo se você acha que sou
vadia de mais pra isso acontecer, não me importo –Me virei para Sthan- E você?
Aguarde uma intimação em breve, quero você a mais de um milhão de quilômetros
de mim seu doente.
* * *
Dia seguinte – Mansão Campbell 00:00
A.M
Agarrei a mão de Henry e pulei na piscina um tanto
bêbada, ao subir a superfície ele ria enquanto agarrava-me a cintura. Eu não
costumava me interessar por caras mais novos, mas essa noite eu estava tão
deprimida, estava tão distante sentindo que os meus ambos os lados estavam
tristes com oque vem acontecendo, a insistência de Justin em nunca acreditar em
mim, e agora ele sempre esta acompanhado por uma moça que esta sempre na
recepção, ela tem traços estrangeiros, fala diferente e tem longos cabelos
negros, não é bonita mas mesmo assim me sinto enciumada quando a vejo chegar
com ele. Desde ontem ele tem chegado com ela, eu podia pedir para alguém
perguntar quem é ela mas me recuso a saber qualquer coisa sobre ele. Eu não
quero que ele sinta que é tão importante.
- Sua irmã nunca me disse que você era esse sonho.
–Sussurou Henry tirando os cabelos molhados da face, eu me abaixei um pouco na
água até o meu queixo e sorri.
- Ela não gosta de falar sobre mim. –Sussurrei, por
cima de Henry eu pude ver Jessie e Bonnie na beira da piscina. Bonnie olhou-me
assustada
- Vocês estão nus? Droga, Margo. Ele só tem
dezessete anos. –Ela resmungou.
- Ninguém se importa. –Mergulhei, nadar bêbada e
nua nunca fora tão bom. Subi a superfície já na beirada da piscina e me escorei
na borda olhando para cima pude ver Bonnie olhar-me enraivecida.
- Podemos entrar amor? –Jessie a olhou tirando os
olhos toscos e embasbacados de mim, eu ri.
- Não, Jessie, é claro que não. Você nunca vai
entrar em uma piscina com a minha irmã nua dentro, agora vem –Ela bufou e
pisando firme o puxou para dentro, fazendo-o olhar-me por cima do ombro
enquanto entrava
- Tchau, Jessie. –Acenei com as pontas dos dedos.
- Eu nunca transei em uma piscina antes. –Ouvi a
voz de Henry atrás de mim, tirando-me uma leve risada. Com dezessete anos eu já
havia feito muito mais do que transar em uma piscina, entrelacei minhas pernas
em sua cintura e senti minhas costas contra a borda gelada.
- Pode deixar que eu vou fazer essa sua primeira
vez ser inesquecível.
- Você é real?
- Shii –Toquei por fim seus lábios o calando, ficar
com os colegiais era ótimo porque eles realmente me colocavam em um pedestal,
era como se eu fosse uma Deusa. Henry só não sabia disso porque havia chegado a
uma semana da Rússia.
P.O.V Justin
Fechei o livro sem entender o porque da minha
dificuldade em me concentrar, as cenas de ontem realmente me afetaram. E oque
tem me irritado é que eu realmente estou me deixando levar por essa moça, estou
me deixando levar por seu charme e seu modo tão inconsequente e indecifrável,
uma hora ela esta andando pelo Brooklyn com flores em seus cabelos e em outra
ela esta agindo como uma burguesa mimada. Ontem quando ela havia gritado comigo
eu sabia que ela não se referia apenas a aquela situação ela se referia a tudo,
a todas as situações que viemos passando. Ela se referia a minha atitude
impulsiva, ela se referia ao dia anterior. Hoje não era o dia de sua aula então
eu apenas pude vê-la pelos corredores, ela estava entre os jogadores do time, era
impossível não reparar o modo como todos ali a olhavam. Oque me deixou de certa
forma incomodado com tudo aquilo, oque ela queria provar? Se ela queria que eu
acreditasse que ela não era daquela forma porque ela se comportava daquela
forma. Tais perguntas invadiram minha mente durante o dia inteiro, e agora me
perturbam a ponto de não conseguir me concentrar no livro. Levantei-me da
poltrona e caminhei até minha pasta pegando os trabalhos para corrigir, talvez
eu consiga me concentrar no trabalho e não nessas duvidas que me confundem, nos
olhos, na voz, nos cabelos, nas atitudes incoerentes, nos atos levianos.
Minutos depois, ouço leves batidas em minha porta, desconfiado caminho
preguiçosamente até a porta abrindo-a logo em seguida, Alexandra segurava uma
garrafa de vinho e tinha um pequeno sorriso em jeito a moldar-lhe os lábios
chilenos
- Desculpe vir a essa hora, é que eu comprei um
vinho pra comemorar e novamente agradecer.
- Ah, dona Alexandra não...
- Alexandra –Ela me cortou ainda sorrindo- Me chame
de Alexandra
- Então Alexandra, eu realmente já estou satisfeito
com seus exagerados agradecimentos do dia anterior, não precisava... –Molhei os
lábios tentando não ser de todo grosseiro.
- Por favor, só uma taça. Não quero beber sozinha
- Sabe oque é Alexandra? Eu estava corrigindo uns
trabalhos agora entende.
- Bebemos uma taça e não lhe aborreço mais
–Insistiu arrancando-me um suspiro, como fazemos para deixar claro que não
queremos companhia sem deixar a pessoa constrangida? Um dia quero que alguém me
responda tal pergunta.
- Tudo bem, entre –Abri mais a porta dando-lhe
espaço, ela alargou o sorriso caminhando até o sofá, onde afastou um pouco os
livros que estavam ali para se sentar.
- Uau, quantos livros. –Ele sussurrou olhando em
volta, caminhei até a cozinha pegando duas taças e entreguei uma a ela enquanto
voltava e me sentar na minha velha poltrona.- Gosta mesmo de ler né?
- Gosto –Respondi, vendo-a abrir o vinho e enchendo
sua taça. Ela se inclinou em minha direção deixando seu pouco decote a mostra
os seios pequenos. Desviei o olhar para a taça, ela sorriu simples voltando a
se sentar, e então pusera a garrafa na mesinha de centro.
- Não tenho visto a dona Lisa.
- Terminamos. –Dei um gole no vinho.
- T-e-e-ermiram? E foi por minha causa? Há, Justin
se foi me desculpe eu posso falar com ela.
- Não, esta tudo em, não foi por sua causa dona
Alexandra... Digo Alexandra.
- Ah, que alivio. –Ela pois a mão livro contra o
peito quase soltando um suspiro, eu a olhei desinteressado. Só queria terminar
meus trabalhos, só queria ficar sozinho sem nem uma mulher a me dizer coisas.
Sem Margo, Sem Lisa, Sem Alexandra sem ninguém, só eu e meus deveres.- Tem sido
tempos difíceis, os nossos amores resolveram nos deixar.
- É.
- Mas vocês faziam um casal tão bonito, Dona Lisa
toda bonita com aquelas roupas, combinava com você.
07:30 A.M Mansão Campbell
P.O.V Margo
- Foi a melhor noite que eu já tive. –Dizia Henry
quando lhe dei espaço para passar na porta.- Pode me dar seu número?
- Desculpe Henry você é um amor, mas sem segundas
vezes por aqui –Sorri fechando a porta sem ao menos esperar por sua resposta,
suspirei caminhando até a cozinha. Em fim eu estava voltando com a minha vida,
estava voltando a dormir com caras diferentes para me acolherem durante a
noite, e assim eu continuaria sem me importar com aquele idiota, se ele pensa
que sou tão ruim, eu serei, e serei mais vadia do que nunca fui antes. A mesa
da cozinha Tereza já havia feito seu trabalho servindo, Bonnie mudara
completamente sua expressão quando viu que eu entrava.
- Porque você tem sempre que roubar as pessoas de
mim? –Ela disparou quando me sentei.
- Não me lembro de ter roubado ninguém. –Resmunguei
- Primeiro foi o Lee, depois o Joe, e agora o
Henry. Eles são meus amigos Margo, e eles são mais novos que você, você pode
ter todo cara que quiser e resolve brincar com os meus amigos? Que sempre se apaixonam
por você.
- Joe era virgem –Ri ao me lembrar- Meu primeiro
virgem.
- Por que você é tão vadia?
- Não sei pergunta pra mamãe, ela que fez
–Resmunguei.
- Ela não tem culpa de ter criado uma víbora.
- Agradeço ao elogio. –Revirei os olhos.
- Depois Jessie me pergunta porque não o trago
aqui.
- Querida se eu quisesse transar com seu
namoradinho eu já teria transado a muito tempo, e você sabe que se continuar
com essa palhaçada sem motivo basta um telefonema pra ele aparecer aqui e estar
na palma da minha mão. –Sorri sínica enquanto enchia meu copo de suco de
laranja, ela não estragaria meu humor hoje, não mesmo.- Você viu como ele olhou
para mim na água, foi tão descarado o modo como ele pediu pra entrar, só pra
ficar mais pertinho, você não acha que ele seja virgem como você acha? Acha que
ele suportaria esperar essa sua bobeira por muito tempo? Eu acho que não.
- Você é uma megera, Margo e das piores. –O som de
seu bater dramático na mesa ecoou, revirei os olhos venda-o se levar e eu
estava bem humorada de mais para revidar, sabia de tudo aquilo, e me pergunto
se era só essas palavras sujas que ela teria pra tentar me ofender, bem, ela
não é nem um pouco criativa com ofensas. Na mesa fiquei por um longo tempo, não
gostava de brigar com ela, de certa forma ela era minha única amiga, mas as
vezes é difícil suportar seus dramas e seus sermões. Quando terminei tudo que
tinha que fazer em casa peguei as chaves do meu porche e saí de casa. Sobre o
Sthan eu ainda não falei com meu pai pois certamente ele voaria o mais rápido
possível de volta pra casa, e eu não estou nem um pouco animada para sua volta,
posso esperar, e sei muito bem que Sthan não irá mais se aproximar de mim,
aquele maldito psicótico. Na escola eu estacionei em minha vaga preferencial de
cadeirante pois eu tinha colado o adesivo a alguns dias, e caminhei entre as
pessoas que se esforçavam para falar comigo ou até mesmo chamar minha atenção,
não falei com todos pois nem todos são bons para que eu fale com eles, como
sempre no corredor do segundo andar os jogadores do time estavam em uma fila
encostados nos seus armários. Eu acenei para eles
- Margo –Todos disseram em coro.
- E aí meninos. –Não fiquei para ouvir qualquer
resposta que fosse deles, apenas caminhei na direção da sala de Justin, de um
lado eu me sentia nervosa e animada para olha-lo durante essas horinhas sem
parecer uma louca, mas de outro lado eu estava mas era irritada, estava até
pensando em enfim me resolver em que curso me inscrever só para não ter de
vê-lo mais.
- Olha quem voltou de paris, a víbora mais gostosa
de todos os tempos. –Aquela voz fez-me virar bruscamente, seu tom era gostoso
de se ouvir, eu mal conseguia assimilar tal coisa. Em uma animação repentina a
emanar de mim sorri largo quase pulando em seus braços. Ela em fim tinha
voltado para alegrar meus dias deprimentes, ela em fim tinha voltado para que
eu não deixasse a Wine aparecer tanto, com ela eu não tinha tempo pra nada, só
festas.
- Ravena –A soltei- Quando voltou? Por que não me
avisou que viria?
- Queria fazer uma surpresa. –Ela sorriu, seus
cabelos ruivos pareciam maiores, sua face sem maquiagem deixava suas leves
sardas aparentes.- E aí? Conseguiu fracassar a carreira de algum professor?
- Não.
- Hoje é seu dia de sorte pois fiquei sabendo que o
professor de engenharia mecânica é um gato.
- Sério? Eu não sabia eu ainda não escolhi um
curso.
- Faça engenharia mecânica –Ela riu, eu mordi o
lábio em um suspiro, não iria contar sobre Justin.
- Mas, me conte, como foi com seus avós?
- Um saco –Ela revirou os olhos- Mas o nosso
jardineiro era uma delicia, e nosso vizinho, e nosso outro vizinho e o pai do
nosso vizinho.
- Resumindo você transou com todos da vizinhança de
seus avós –Dei um risinho me escorando na parede.
- Que nada –Ela murmurou aparentemente frustrada-
Eu só tive um caso com o meu vizinho, ele era casado e eu também transei com o
filho dele.
- Você é uma vadia –Ri
- Obrigado, agora me conte quantos virgens? Quantos
mauricinhos? Drogados?
- Eu venho ficado muito em casa –Suspirei- Mas
foram um mauricinho psicopata que esta me seguindo, um virgem, e eu acho que
só.
- Que deprimente –Ela disse pondo a mão no peito
como se tivesse com dor- Por que? Oque aconteceu com você?
- Não sei –Suspirei- Não sei mesmo.
- E o seu francês?
- Acredita que ele esta aqui em Nova York? Veio
aqui me procurar, depois de me xingar horrores, voltou dizendo que queria
continuar mesmo sabendo como eu era.
- Bom, seus dias de vadia não vadia acabaram por
que eu voltei e nós vamos voltar a sermos as megeras do topo de Nova York.
10:20 A.M
Universidade de Nova York
- E assim –Justin estava dizendo-, hoje estamos
analisando o poema “Terra desolada”, de Eliot, que envolveu o século XX em toda
sua alienação e vacuidade, um dos maiores poemas de todos os tempos –Eu escorei
meu queixo na mão direita e olhei-o enquanto gesticulava elegantemente e
caminhava no seu púlpito, eu estava olhando-o a quase duas horas no entanto
pareciam minutos, eu mal prestei atenção no que ele dizia pois consequentemente
eu me perdia no infinito de seus olhos caramelados e no doce de sua voz rugente
e elegante ao mesmo tempo, ele tinha a voz exata para um professor, aquela voz
que te hipnotiza a prestar atenção em qualquer coisa que ele diga.
- Vamos dar uma olhada na alusão feita por Eliot e...
–Antes mesmo que ele pudesse terminar ele era interrompido pelo som do sinal,
ele olhou em seu relógio de pulso. Correu seus olhos logo após por toda sala e
sorriu- Bom acho que teremos de continuar na próxima aula, não se esqueçam de
que é importante a leitura desse poema. –Antes mesmo que ele terminasse todos
já saiam apressadamente em direção a porta, sem me importar enfiei meu material
e o livro de que ele falava dentro da bolsa, estava animada a encontrar Ravena
ao meio dia pois ela era tão imprevisível que essa tarde poderíamos parar até
em Coney Island, aproveitando esse sol naquela tranquilidade de praia.
- Margo –Em um súbito susto eu ouvi-o me chamar
quando passava dispersa por sua mesa em direção a porta.
- Oque? Comportei-me mal novamente? Estou devendo
trabalho? –Perguntei-o, eu literalmente fiz-me esquecida das ultimas semanas.
- Eu –Ele esperou um momento esperando os três
últimos saírem da sala- Queria me desculpar.
- Oque?
- Por Sthanley, por sábado. –Ele murmurou tirando
seus óculos, eu caminhei até sua mesa.
- Não quero que pensem que me chamou aqui pra
transar com você, afinal é pra isso que os professores chamam-me depois da aula
não é mesmo? Bom, sabe onde me encontrar fora da escola pra se desculpar, fora
isso eu gostaria que não conversássemos na escola, eu posso parecer ruim pra
você mas eu não sou, sei que precisa desse emprego.
- Marg eu...
- Tchau, professor –O interrompi, que diabos, por
que ele me chamou de Marg? Qual era o problema dele? Respirei fundo saindo de
sua sala, tendo o desprazer de logo em seguida esbarrar naquela mulher a quem
ele sempre esta acompanhado esses últimos dias.
- Olha por onde anda –Grunhi- Qual é o seu
problema?
- Você não pode falar assim comigo. –Revidou
denunciando seu sotaque chileno.
- É mesmo, e você sabe quem eu sou? Cuidado
imigrante, posso te deportar em um piscar de olhos.
- Eu não estou ilegal nesse país. –Ela revidou
novamente.
- Oque? Eu não te ouvi, parece que estão te
chamando pra servir os cafezinhos imigrante. –Revirei os olhos dando a volta
pela mesma
P.o.v Justin
- Deus a tantas moças mal educadas nessa
universidade –Dizia Alexandra entrando em minha sala me tirando do abismo de
questões que fiquei com a atitude estranha de Margo, mas estranha era a minha
em pensar na hipótese de encontra-la em outro lugar para me desculpar.
- Oque aconteceu? –Perguntei sem interesse.
- Uma moça loira, disse que me deportaria de volta
porque eu esbarrei com ela. –Questionou- Que coisa. Acho que era sua aluna
- Minha? –Margo, era obvio que era ela.
- Sim ela estava saindo daqui quando esbarrei nela.
- Deve ser a Campbell –Comentei
- Ela é da família Campbell? –Seus olhos negros
instantaneamente se arregalaram- Meu Deus, e-e-eu não devia ter revidado.
- Ela é uma moça mimada, com problemas
psicológicos. Não ligue para oque ela diz, você não será deportada.
- Mas nem é bom arriscar, Justin. O pai dela
consegue tudo.
- Não se desculpe com ela, só esqueça isso. Como
disse ela tem problemas.
- Ela da muitos problemas na aula?
- Não –Murmurei pondo minha bolsa em cima do ombro,
afinal eu tinha vinte minutos de descanso antes da minha próxima aula.-
- Justin eu queria dizer que estou gostando de ter
alguém como você –Ela dizia enquanto saíamos- Digo, um amigo. Desde que cheguei
nunca tive amigos
- Q-u-u-e bom que se sinta assim dona Alexandra
–Gaguejei sem jeito, ela se sentia bem e eu sempre incomodado com sua presença,
eu nunca gostei de companhia, sempre achei que a solidão era a melhor companhia
que eu poderia ter e com Alexandra sempre ali desde que lhe ofereci ajuda era
exaustivo e irritante. Agora mais irritante era o fato de que Margo ou Marg não
saía de minha cabeça, parecia até alucinação, não conseguia nem conter mais a
vontade de olha-la durante a aula, essa manhã fora impossível não olha-la, não
citar partes do poema sem olha-la por alguns segundos a mais do que costumo
olhar para o resto da turma, aquilo estava me deixando irritado. Isso era algo
que não podia acontecer, ela mesmo se afastando me fazia querer ficar perto,
por alguns segundos de loucura quando estou sentado no final de minha aula eu
tenho aquela imensa vontade de vê-la debruçada sob a minha mesa a me perguntar
coisas estranhas. Mas eu não posso fazer isso, não posso pensar essas coisas,
não é certo, eu preciso do meu emprego.
Nos corredores em direção a sala de professores eu
pude vê-la encostada a parede junto a uma moça de cabelos vermelhos, elas riam
enquanto pareciam comentar sobre os rapazes que passavam por elas, eu quase
parei quando vi um rapaz com violetas a entregar um buquê repleto de flores
para ela, com isso algumas pessoas pararam a minha frente impedindo-me de
passar e fazendo-me presenciar e ouvir toda aquela baboseira que parecia me
deixar furioso.
- É aquela ali. –Disse Alexandra apontando.
- É a Margo.
- Eu sei que você disse que era só uma noite, e que
eu não devia te procurar mas por favor, vá ao baile de primavera comigo.
–Aquilo me fazia crer que aquele rapaz ainda estava no colegial.
- Oque estão olhando? Perderam algo aqui? Isso não
é um filme de comédia romântica, ela não vai beijar ele, circulando, circulando
–Gritara a ruiva fazendo a pequena multidão de pessoas que se aglomeravam a
minha frente se desfazer, porem ao invés do do meu corpo se mover como o resto
das pessoas eu parecia preso ao chão olhando aquela cena que me deixava puto
sem um motivo coerente, já sem ninguém em meu caminho Margo sorriu para o rapaz
a sua frente e pegou as flores, ela tinha um sorriso pequeno nos lábios como se
estivesse zombando do rapaz. Seu olhar logo descansou em mim, mas ela pareceu
não se importar com a minha presença pois voltou a olhar para o rapaz como se
eu não existisse, em menos de dois dias eu parecia ser o centro da cidade pra
ela e agora parece que sou tão insignificante como Brooklyn.
- Vamos, Justin? –Alexandra tocou meu braço por
fim.
- Há, er... Vamos –Cocei a garganta tendo o
controle de minhas pernas regressando ao meu caminho até a sala dos
professores.
P.O.V Margo
- Henry, meu bem, oque eu disse? Era só uma noite,
não vou a bailes, não sou apita pra isso. –Sorri acompanhando Justin com o
olhar enquanto ele passava por novamente com aquela mulher.
- Por favor, eu só quero ir ao Baile com você.
- Porque não convida alguém da sua escola, Henry?
Você é bonito, vai encontrar alguém.
- Mas Margo, eu...
- Sem “mas” Henry, eu não vou a bailes, não vou a
jantares e não transo duas vezes com o mesmo cara, e sem contar que você não é
virgem –Entreguei-o as flores- Colegiais, pra mim, só virgens –Caminhei junto a
Ravena deixando-o lá, Bati em sua mão ouvindo sua divertida risada.
- Você é uma vadia má, Margo.
- Nós somos.
- Oque você acha de irmos ao clube hoje? Tem uma
festa lá depois do almoço. Você pode tirar esse atraso, parece até uma moça
decente
- Margo? Moça decente? Eu ouvi bem? –Gina aparecia
ao meu lado rindo.
- Ela só transou com dois caras desde que chegou,
isso pra mim é ser descente.
- Hu, no caso da Margo eu devo concordar.
- Hey, eu só estava com saudades da Ravena ta?
–Desconversei
- Agora eu voltei pra animar as coisas.
11:43 P.M - Bar House of Jazz.
Brooklyn
Ao
palco, em meados onze da noite eu me arriscava a cantar Ethel Waters, que pra
mim era um grande ícone do Jazz, concertei minha margarida na orelha que Simon
havia me dado e que desde que Lewis havia me dado uma, todos os donos dos
outros bares passaram a também me presentear com uma toda vez antes do show, eu
guardava todas, mesmo sabendo que murchariam. Em fim eu pude tirar umas horas
pra mim para poder aceitar ao pedido de Simon, para cantar essa noite em seu
bar, e assim eu cantei no meu ultimo e terceiro bar que costumava cantar antes
de minha partida para Paris. Durante o dia eu quase não tive tempo para pensar,
Margo tomou conta literalmente de meus pensamentos eu estava tão animada que
meu lado tristonho pareceu se perder ou até mesmo se animar com a volta de
Ravena. Depois da festa no clube, fomos convidadas pelos próprios Lencasters
para uma de suas festinhas na mansão afastada da cidade, não posso deixar de me
lembrar que os cinco disputavam estritamente por minha atenção e eu por um
motivo tolo não me rendi a nem um deles. Aquilo me deixou fula da vida comigo
mesma pois eu parecia não ter controle dos meus atos, era como se eu estivesse
levando muito a sério essa coisa de ser uma boa pessoa. E o motivo da minha
mudança repentina de comportamento adentrava o bar, um casaco cinza não suéter
lhe cobria, estava simples como das outras vezes, murmurava algo para um rapaz
que eu jurava já ter visto por esses bares pobretões. Minha voz nervosa e
estranhamente acanhada parecia ter sumido, minhas pernas que se moviam
juntamente a canção que eu cantava parecia ter parado, um roído agudo e
aborrecedor ecoou do microfone. Seus olhos ao se sentar repousaram sobre os
meus, ele tinha uma estranha expressão que eu nunca havia visto antes, não
havia repulsa, não havia medo, não havia nada que eu já estivesse visto em sua
face antes, meu silencio repentino fez com que as 23 pessoas que ali estavam
cessassem o falatório entre si.
- Desculpem –Cocei a garganta- Desculpem, a noite ainda não acabou
–Tornei a sorrir conseguindo desvencilhar de suas garras que me calavam e me
deixavam de certa forma inerme. Tornei a cantar a canção, e tentei não buscar
tanto por seu olhar já que toda vez que eu lhe lançava uma olhadela ele estava
lá sentada olhando-me com aquela expressão imprescindível, minhas pernas nunca
ficaram tão bambas, eu nunca havia ficado tão nervosa ao cantar antes, era como
se ele fosse o jurado e estivesse julgando toda aquela minha atuação sem dó e
claro eu não podia dar um paço em falso. De certa forma ele era assim comigo a
todo instante, um paço em falso e lá estava ele me apedrejando como se fosse
completamente perfeito e não errático. As vezes me pergunto se ele realmente a
de ser um ser humano. Continuei a cantar as melhores músicas de Ethel,
dispensando totalmente o olhar de Justin sobre mim. Então logo após cantar mais
cinco músicas eu agradeci recebendo palmas, de relance enquanto acenava para as
poucas pessoas que aplaudiam eu pude vê-lo aplaudir fracamente, mas com tudo
ele estava aplaudindo. Desci os poucos degraus e caminhei até Simon que estava
atrás do balcão, seus olhos animados olharam-me por longos minutos antes de
dizer algo
- Você estava perfeita, Wine.
- Obrigado.
- Ainda acho que deve aceitar o pagamento, sei que desde que
voltou de Paris melhorou de vida mas aceite, por favor.
- Que tal você não me cobrar as bebidas? É uma ótima forma de
pagamento e você não saí no prejuízo.
- Marg...
- Você precisa economizar lembra? –O interrompi em um meio
sorriso.
- Lembro, mas aceite.
- Só me sirva um uísque duplo toda vez que eu estiver aqui, oque
acha?
- Tudo bem –Suspirou- Esta feito –Ele saiu voltando em segundos
com um copo com gelo e uma garrafa de Jack Deniels. Sorri enquanto ele enchia o
copo
- Eu é que deveria lhe pagar pra cantar em seu bar. –Arrastei o
copo recolhendo-o em minha direção.
- Sua voz chama freguesia, é um ótimo investimento. –Ele fechou
a garrafa em um largo sorriso me convencendo daquilo. Suspirei vendo-o ir para
o lado esquerdo do balcão, lá para outra ponta mais visível. Tomei um longo
gole no uísque cansada, e nervosa só em pensar no motivo pelo qual Justin
estaria aqui.
- Você que escolhe as músicas que canta? –Ouvi sua voz inundar
meus tímpanos como o melhor Jazz de todos respondendo minhas perguntas
internas. Vir-me-ei um pouco para ele, que arrastava um banco para sentar-se ao
meu lado.
- Não que isso possa ser da sua conta, mas sim, sou eu. –Dei
outro gole no uísque.
- São ótimas escolhas.
- Eu sei.
- Eu não devia ter lhe julgado tão mal, se puder me desculpar
podemos recomeçar nossa amizade.
- Amizade? –Ri sem humor.- Eu não quero nada que venha de um
modelo de perfeição, eu acho que não sou o suficiente boa pra você. Eu ficaria
surpresa se alguém fosse. –Pensei que ouviria-o dizer algo mas tudo que pude
ouvir ali fora o silencio, o silencio inundava todo aquele pequeno espaço
escuro do bar em que estávamos. Ao tirar os olhos do copo o olhei em busca de
uma resposta, ele olhava para mim novamente com toda aquela expressão.
- Gosto quando deixa seu lado superficial de lado. –Ele disse
quase em um sussurro inaudível-, Faz com que eu perceba que a sempre algo a
mais para esperar de você.
- Muitas pessoas já lhe disseram que é um grande estúpido? –Dei
um gole no uísque ouvindo o trincar das pedras de gelo nele.
- Algumas das minhas ex namoradas.
- Nunca se perguntou porque elas são ex? Tipo nada pra você é o
suficiente, você não quer uma namorada você quer algo perfeito, que nunca faça
nada de errado. Eu queria transar com você, meu lado superficial implora
loucamente por isso, por sua aparência intelectual, sua inteligência e
elegância nas aulas mas agora, eu não tenho um mínimo de interesse em alguém
como você.
- Então não foi só porque eu sou seu professor? –Murmurou
parecendo não se incomodar com oque eu havia dito, me pergunto quantas pessoas
já lhe disseram isso.
- Também.
- Então eu sempre estive certo enquanto a você, só não sabia que
tinha esse lado.
- Que lado?
- Esse lado, mas conhecido como Wine. Eu gosto dele, talvez não
mudaria nada. –Ele se inclinou um pouco para frente deixando-me completamente
inerme, como se não tivesse controle de mim. Ele se inclinou tão perto que
cheguei a pensar que seus lábios tocariam os meus, eu podia sentir sua
respiração se confundir com a minha que pareceu ter sumido. Sua mão se ergueu
em minha direção em menção de que ele pretendia tocar-me a face, toda via eu
estava totalmente errada pois tudo que ele fez foi concertar a margarida em
minha orelha
- Estava caindo. –Murmurou
- Pensei que iria me beijar. –Disparei corajosamente.
- Eu não posso.
- Somos grandinhos.
- Você não.
- Tenho 19 anos, sou bem gradinha. –Me afastei virando-me
totalmente para o balcão, olhei para o copo agarrando-o rapidamente e tomando
um gole do uísque que estava prestes a acabar.
- Continua sendo minha aluna. Sabe o quanto me preparei pra você?
Desde que soube que seria transferida, bom ouvi falar a dois anos da senhorita
e estive aliviado por todo esse tempo em que estava no ensino médio, e não tive
como não ficar atordoado quando fosse seu professor. E todo meu esforço pra me
afastar parece estar sendo inútil, eu não quero ir contra meus conceitos, não
quero que pensem que sou hipócrita por criticar os professores que foram pra
cama contigo e fazer o mesmo, eu não posso fazer isso.
- E se não dormir comigo? –Vir-me-ei para ele recebendo seu
erguer de sombra celhas.
- Oque?
- E se não dormir comigo? Digo eu só transei com os outros
professores, e depois contei porque tinha certo prazer em fracassar suas
carreiras... Mas eu não quero que isso aconteça contigo, então?
- Oque a senhorita realmente quer? Esse não foi seu plano desde
que tornou-se minha aluna? Transar comigo, fracassar minha carreira?
- Oque você quer de mim? –Suspirei- Eu sei que sou horrível, sei
que não presto e sou tudo que vai contra oque você aceita mas eu já disse que
não quero lhe causar problemas.
- Então oque quer? –Sua voz soou tão baixa e calma que quase não
parecia ele, fitei seus lábios carnudos e desenhados por longos segundos antes
de lhe responder qualquer coisa... Oque eu queria? Por que eu queria? Não fazia
ideia do que queria, outrora tinha certeza que queria provar daqueles lábios,
tinha certeza que queria que ele não me olhasse com aquele semblante repulsivo.
- Eu não sei, eu só não quero que pense que quero lhe causar
problemas.
- Só isso? –Indagou fazendo-me olhar dessa vez em seus olhos.
- Oque quer que eu diga?
- A verdade.
- Estou a dizer ora. Não quero lhe causar problemas, se quiser
pode até me ignorar no campus, finja que não existo nas aulas mas fora dela
deixe-me te mostrar que posso ser mais do que demonstro ser.
- Assim como faz sendo Wine aqui no Brooklyn?
- Um pouco.
- Você sabe como convencer alguém de algo. –Dessa vez um doce
sorriso moldava-lhe os lábios- Todas as minhas escolhas para me afastar
falharam.
- Então nosso trato esta feito?
- Vou me arrepender do nosso final?
- Porque teria um final?
- Não finja que não irá se cansar de brincar de ter um
relacionamento.
- Não pense tanto no futuro. –Inclinei-me um pouco em sua
direção, assustando-o completamente. Fitei seus olhos caramelados e extasiantes
por longos segundos, toquei levemente minha mão em seus pescoço passando as
unhas com certa cautela fazendo-o olhar para o movimento delas, e um ato digno
de Marg Wine tracei meu destino até tocar sua bochecha gélida, ali depositando
um beijo um tanto tardio.- Temos tanto tempo –Sussurrei em seu ouvido e me
levantei sentindo-o agarrar-me o braço
- Pra onde vai?
- Pra casa.
- Assim? Mas, nós dois... E... –Ele gaguejou também se
levantando
- Quer me levar em casa? Eu deixo. Só não irá poder entrar, não
sei se iria conseguir não cumprir o trato de não ter sexo.
- É muito longe?
- Oque acha? –Perguntei-o como se tal pergunta fosse tola, nunca
moraria perto ao Brooklyn.
- Vamos até meu apartamento, é bem aqui em frente pego as chaves
do meu carro e a levo em casa. Você não deveria andar assim por aí sem um
carro, qualquer dia pode ser assaltada ou até pior –Ele dizia enquanto
caminhávamos em meio as cadeiras e mesas amadeiradas.
- E isso importa pra você? –Sorri concertando minha margarida na
orelha.
- Só acho que seja perigoso pra você.
- Então você se importa.
- Não disse isso só disse que... –Ele cessou as explicações
quando ouvi-me rir, olhou-me em uma expressão fixa enquanto abria a porta do
bar para que eu pudesse passar, acompanhando-me em seguida.
- Então, quem é aquela moça que sempre esta ao seu lado? A
chilena servidora de café. –Perguntei abraçando um pouco os braços descobertos
sentindo o vento daquela noite se chocar contra meu corpo aquecido.
- É uma forma ofensiva de se referir as pessoas. –Ele revidou
- Desculpe, mas é que não vou lá muito com a pessoa dela.
- Por que? –Indagou enfiando as mãos no bolso de sua calça jeans
escura- Porque ela é de outro país?
- Eu te fiz uma pergunta primeiro. –Revidei
- Eu so dou carona a ela, é minha vizinha.
- E ela tem namorado? –Disparei arrependendo-me de estar
deixando tão visível que estava enciumada com toda aquela aproximação, não
havia motivo para tal coisa minha, não tínhamos exatamente nada para que
justificasse meus ciúmes.
- Tinha um marido, mas ele a deixou, logo em seguida minha
namorada. A poucas semanas
- Não sabia que tinha namorada.
- Tu só me deu um banho de margarida porque ela me induziu a ir
a aquele jantar. –E agora sim estava explicado porque ele estava naquele
jantar, ele sempre deixou bem claro suas origens, sempre tinha tal orgulho de
dizer que não era da alta sociedade. Agora entendo o porque de sua ida.
- Posso saber o porque do termino? –Novamente o vento vinha
contra minha direção, trazendo-me um certo desconforto para um momento tão
único. Atravessamos a rua de somente um poste a iluminar, eu podia ter certa
certeza de nosso destino, um prédio um pouco a frente e nada que um dia eu
pudesse morar se estendia até o décimo quinto ou sexto andar.
- Eu. –Respondeu simples
- Você? –Indaguei erguendo uma sombra celha
- Eu não me lembro o dia em que o termino de meus poucos namoros
não tenha sido eu, eu deixo-as enjoadas, não sou um homem que as moças digam,
“Quero estar contigo até o ultimo minuto”, elas costumam se cansar do meu jeito,
dizem que sou desligado de mais, dizem que nunca dou o suficiente para ter algo
duradouro. E a minha ultima namorada disse que eu preferia o trabalho.
- Esta dizendo isso para que eu desista? –Sorri enquanto ele
dava-me a certeza de que aquele era seu prédio, ao entrar no mesmo. Não havia
nada muito convidativo, era bem simples, como ele próprio... Em uma cabine de
vidro um homem nos olhou acordando de sua soneca, seu olhar parecia bastante
surpreso oque me levava a crer que ele não era de entrar com mulheres em seu
apartamento.
- Senhor Bieber. –Acenou ele com a cabeça.
- Boa noite Acásio. –Respondera no mesmo gesto. Parei em frente
a porta do elevador, e o mesmo olhou-me em uma expressão divertida
- Oque foi? –Perguntei-o
- Esta interditado, a dois anos.
- Não me diga que terei de subir escadas? Quantos lances?
- Dois.
- Há, bom. Assim eu acho que posso subir. –Suspirei em um
cansaço repentino a me dominar completamente, tornei a andar ao seu lado
subindo as escadas... Por alguns segundos ouvi um silencio extremo, fazendo-me
suspirar algumas vezes. Me pergunto oque estou fazendo, porque estou fazendo
isso deixando-me levar por todo esse seu charme mais do que deveria. Me
pergunto quando é que me senti tão atraído por ele, quando é que tudo passou a
mudar em relação a ele, quando fui deixando meu orgulho e Margo Campbell de
lado só para ter uma chance com ele, tudo tornou-se de ponto a cabeça dentro de
mim por ele e esse modo que muitas julgariam entediantes, na verdade as vezes
acho-o tão interessante e seu intelecto me fascina. E o silencio continuou
presente até o segundo lance de escada, quando em fim chegamos ao seu corredor.
Ele tirou as chaves de seu bolso traseiro e abriu a porta olhando-me em seguida
- Espera aqui?
- Oque acha que farei Justin? Acha que vou abusar de você?
- É que...
- Não mordo –Sorri simples-
- Tudo bem senhorita, Wine. Entre –Deu-me então espaço para que
eu passasse em seguida entrou encostando a porta atrás do mesmo. Livros e mais
livros se aglomeravam em seu apartamento pequeno, era tanto em estantes quanto
em cômodas, sofás, mesas era tanto livro que recompensaria uma biblioteca
publica. Os livros pareciam antigos, dando um aroma delicioso como se eu
estivesse em uma biblioteca em paris, dos melhores livros antigos. Parada fiquei
por longos minutos abismada enquanto esperava-o a procura de suas chaves, em um
tolo momento de tamanha ilusão amorosa tive vontade de passar o resto dos meus
dias naquele pequeno apartamento coberto até o talo de livros antigos. Era algo
diferente de tudo que eu já tinha vivido. Comprimi os lábios e caminhei até o
sofá, recolhendo um livro para mim para que pudesse me sentar. O livro era o
mesmo livro que ele estivera analisando na sala de aula essa manhã, um poema de
incontáveis estrofes. Qualquer um que pensasse que seria moleza analisar tal
poema estaria bastante encrencado, passei algumas madrugadas lendo-o e
relendo-o para compreendê-lo e ainda acho que nada sei sobre ele.
- Achei –Ouvi-o dizer fazendo-me levantar a cabeça-, Vamos?
- Ainda esta com medo de ficar sozinho comigo? –Ri sem humor
- Não é medo, eu já disse.
- Então sente aqui, vamos tomar uma taça de vinho. Você me leva
quando quiser pra casa
- Seus pais não vão se chatear por demorar tanto?
- Meus pais estão bem na Eslováquia. Não irão se importar com a
hora que estarei em casa –Respondi-o em um meio sorriso, vendo-o como resposta
se sentar ao meu lado.
- Não tem vinho.
- Não tem problema.
- Ok, então vamos? –Ele disse depressa arrancando-me dessa vez
uma risada.
- Você esta com medo de mim ou de você mesmo?
- Talvez de ambos.
- Mas eu estou bem quieta, não disse nada com segundas
intenções. Você é quem parece não estar conseguindo se controlar –Toquei sua
perna após deixar o livro de lado. Seus olhos buscaram por meu movimento, não
tinha como aquilo ser mais divertido, ele estava completamente ao meu dispor,
um movimento e estaríamos na cama. Mas me contentei em não dar nem um paço em
falso
- Senhorita, não faça isso.
- Desculpe não queria deixa-lo desconfortável. –Recolhi minha
mão, ouvindo-o coçar a garganta, percebi ao olhar para frente que ele não tinha
TV. Pergunto-me qual pessoa do mundo não tem uma TV, a resposta seria essa
imensidão de livros espelhados em todo canto da casa.
- Você não tem TV? –Indaguei
- Quem precisa de TV quando tem livros? –Sorriu- A nossa mente
compensa qualquer efeito cenográfico.
- Já leu todos esses livros?
- Já, venho colecionando desde o colegial, nunca tive dinheiro
pra comprar mas sempre que via qualquer venda de garagem que fosse eu comprava,
quando tive meu primeiro trabalho aos dezessete anos tirava sempre um pouco
para os livros, eles me ajudaram a não entrar na vida fácil que o subúrbio
oferecia. –Murmurou sem deixar de olhar-me nos olhos por nem um segundo,
novamente ele se inclinou assustando-me com sua atitude repentina. Outrora nada
ele fazia, apenas concertou novamente a flor em meus cabelos.
- Estava quase caindo. –Justificou
- Quando fizer isso de novo, que seja para me beijar. É a
segunda vez que espero que o faça –Sussurrei
- Ainda não sei se posso fazê-lo.
- Ninguém esta vendo –Era quase uma suplica. Agora era minha vez
de inclinar-me em sua direção, fora tão rápido que ele desvencilhou encostando-se
ao braço do sofá, suspirei tocando sua face eu quase deitava sob seu corpo suas
mãos defensivas e medrosas seguravam levemente meus cotovelos. - Pensei que
nosso trato incluía beijos.
- Ainda não decidimos muito nosso trato. –Coçou a garganta
- Se não pode beijo seria um trato horrível –Sorri pausando
minhas mãos em seu peito- Já é horrível por não haver sexo.
- Sente-se corretamente, se ficar dessa forma quando beija-la
não sei se conseguiria parar. –Gaguejou
- E se eu não quiser que pare?
- Não é uma questão de querer –Ele sentou-se corretamente
fazendo-me assim me sentar também ainda a agarrar meus cotovelos com cautela. –
É o nosso trato
- Tudo bem. –Suspirei
- Bom,assim podemos começar muito bem. –Suas mãos subiram até o
encontro de minha face, tocou-a levemente enquanto puxava-me com certa cautela
contra seus lábios. Era tão inebriante como meu primeiro beijo, o céu parecia
estar em festa, ou no meu caso o inferno. Seus dedos afundaram em meus finos
cabelos puxando-me mais contra ele, e um beijo simples tornou-se quente
inesperadamente,era tão bom que eu pensei que nada estava em nossa volta, e que
seu beijo era tão bom como o primeiro dia de inverno. De certa forma queria que
durasse pra sempre
- Acho que pra um primeiro beijo esta bom –Ofeguei afastando-me
relutante
- Desculpe.
- Você que esta tornando isso prolongado.
- Não iremos tão longe ok? Não enquanto eu não souber oque
realmente pretende com isso.
- Oque tenho que fazer pra que confie em mim?
- Não seja tão apressada senhorita. Teremos tempo
Mansão Campbell – 02;45 A.M
- Boa noite senhorita. –Sussurrou pela terceira vez em um meio
sorriso, meu lado Wine estava tão abobada aquela noite, era como se não
houvesse nem um rastro de tristeza ou melancolia, era como cultivar uma flor em
meio a segunda guerra.
- Nunca pensei que ouvir alguém ler pudesse ser tão bom.
–Respondi-o
- Seus antigos professores não liam pra você?
- Esqueça que tive antigos professores, saiba que agora só sua
leitura me importa –Sussurrei inclinando-me para lhe dar um beijo rápido. Sorri
e por fim saí do carro, e entrei ouvindo o ranger de seu motor. Caminhei quase
dando pulinhos ao entrar em casa, era tanta felicidade que eu podia doar para
outras pessoas, nada nunca me chamou tanto a atenção como ele, nada nunca me
pareceu tão inebriante e interessante como ele, mesmo que certas vezes ele me
entristecesse e me deixasse para baixo, eu sentia que algo em mim implorava por
seus sentimentos.
- Hey Jessie. –Acenei para ele que se esparramava ao sofá.- Onde
esta Bonnie?
- Lá em cima procurando o celular, por que a felicidade?
–Indagou
- Tive um bom dia.
- Ouvi dizer que sua amiga voltou.
- Descobriu o motivo da minha felicidade então.
Uma semana depois – 10:20 A.M
- Margo, psiu –Ouvi um sussurrou e um cutucar de lápis a me
tirar toda atenção de Justin a começar uma nova observação sobre o livro em que
ele havia passado ontem. E que ele durante a noite leu algumas páginas para
mim, quase peguei no sono enquanto ele lia, sua voz era tão doce que de tanto
ouvi-la ficaria diabética.
- Oque você quer, Kale? –Grunhi ao me virar.
- Quer sair comigo? Tem um jantar dos fundadores do clube do seu
pai essa semana, e eu pensei que poderíamos ir juntos. –Sussurrou, eu revirei
os olhos.- Sei que já saímos uma vez mas...
- Oque te faz pensar que eu estou interessada nesse jantar? –O
interrompi
- Você sempre vai.
- Se eu for já tenho acompanhante. –Revidei
- A é? Quem?
- Com certeza não é da sua conta Kale.
- Kale e Margo, vocês discordam do que estou dizendo? –Fechei os
olhos virando-me para frente, forcei-lhe um sorriso enquanto percebia receber
os olhares.- Querem dividir conosco a opinião de vocês sobre o trecho
refletido?
- Como se o assunto deles fosse sobre o livro –Riu Brigeth ao
meu lado, olhei-a sem nem um rastro de interesse.
- Por que você não vai se ferrar, Brigeth? –Grunhi- Se bem que
se ferrar no seu caso é só sozinha mesmo, mis dedinho. –Pude ouvir um longo
“hu” do resto da sala, incentivando a resposta de Brigeth que como o esperado
não dissera nada, apenas encolheu-se em sua cadeira ao meu lado.
- Tudo bem, tudo bem. Sem brigas, vamos voltar ao ponto. Margo e
Kale se esse curso não vos interessa sugiro que se resolvam em suas matérias e
não atrapalhem minha aula –Murmurou como sempre com aquele semblante sério,
elegante e frio. Fazendo-me ficar aliviada por ele estar levando a sério aquilo
de me ignorar nas aulas, realmente era de longe algo que nunca tive, sempre que
estive com um professor ele agia de modo que deixava a desconfiar, eu sempre
era vista como sua “favorita”. E assim terminou dez minutos depois sua aula,
não fiquei nem um minuto a mais em sua sala. Após recolher meus livros
direcionei-me até a aula seguinte, podendo ver Ravena a me esperar em frente a
sala, com as chaves de seu porche nos dedos a girar indicando que dessa vez
mataríamos aula.
- Quer ir a long Bitch? –Indagou.
- E você ainda pergunta?
- Vamos lá garota –Ela sorriu largo jogando seus cabelos para
trás dos ombros, ultimamente tudo que tem me importado é assistir a aula de
Justin. Ainda não decide oque cursar e não precisava assistir as outras aulas
se não quisesse, e com tanto que eu não chegasse antes do tempo em casa meus
pais que chegaram a três dias nunca se importavam em perguntar onde eu poderia
estar. Ao voltar a passar em frente a sala de Justin pude vê-lo saindo
novamente acompanhado daquela moça, sua vizinha, ela sorria enquanto dizia algo
e ele apenas assentia aparentemente sem interesse. Quando passei pelo mesmo
pude senti-lo me acompanhar com o olhar, suportei não olha-lo tanto na presença
de Ravena, não contaria nem a ela sobre ele, era um tanto arriscado levando em
conta que da ultima vez que confiei nela em algo importante, ela fez tudo
errado. Não que ela fosse ruim, só não é de todo de guardar segredos.
- Aquele professor olhou muito pra você. –Pude ouvi-la dizer-
Ele é seu professor de literatura inglesa não?
- É, mas acho que ele seja gay. Acredita que passei duas semanas
tentando algo com ele, e ele fingia que eu não existia?
- Com certeza é gay –Ela riu, quase fazendo-me suspirar
aliviada.- Tão bonito, é uma pena.
- Também acho.
- Algum idiota já lhe convidou pro jantar de fundadores?
- O Kale. –Revirei os olhos.
- Vocês já saíram. –Observou
- Sei disso.
- E oque disse?
- Que não, claro.
- O Enzo me convidou, ele estava te procurando –Ela sorriu
enquanto saíamos do campos- Disse que os irmãos dele querem você.
- Eles deixaram isso claro durante toda a semana. –Acompanhei-a
no sorriso
- Mas ele disse que querem ao mesmo tempo.
- Os cinco? –Era uma proposta que Margo nunca recusaria, outrora
já não me chamava tanto atenção. Wine tem tomado todo meu modo de agir e
pensar, mas eu estou no topo tenho que continuar deixando-a oculta, não posso
ser tão fraca e me deixar cair assim- É uma proposta tentadora –Comentei
ATUALIZADA
- Quando foi a ultima vez que fez isso? –Ela riu
- Bom eu só fiz uma vez no primeiro ano. –Comentei
tentando me lembrar- Mas acho que irei dispensar.
- Qual é Margo? Você tem que saber com pelo menos
um, empresa de sapatos baby. Desfiles em paris, as melhores festas em Veneza.
Você não pode recusar isso –Ela insistiu e eu precisava fazer algo, não podia
contar a ela sobre Justin como não podia simplesmente recusar um dos Lancaster,
sempre quisemos estar nós duas com um dos Lancaster, assim poderíamos dividir
tudo aquilo juntas mas agora nada daquilo era importante, não podia sair com um
dos Lancaster. Eu estava levando a sério ser uma pessoa melhor, não podia
simplesmente voltar a ser o que era antes.
- Eu sei mas...
- Você anda estranha Margo. –Ela olhou-me na
tentativa de arrancar-me algo com aquela expressão.- Não sai mais, não da bola
pra mais ninguém, oque esta acontecendo?
- Não é nada, eu só ando um pouco confusa. Sabe?
Eu não sei se é isso que quero.
- Eu saio por alguns meses e você se esquece o que
é diversão? –Ela riu enquanto saíamos do campus-
- Quer saber? Eu tenho é que aproveitar enquanto
meu pai não se irrita com a minha demora aqui nessa universidade e me manda pra
Harvard.
- Então qual Lencaster você quer? O Enzo mal
terminou com a Gina e já esta no meu pé. –Ela deu uma risadinha
- Augustus chegou de Princeton? –A olhei enquanto
ela destrava o carro em um meio sorriso.
- Qual é? O Augustus? Sério? Você sabe que aquele
idiota ainda não superou você ter tirado a virgindade dele e depois não ter
ligado pra aceitar sair com ele. –Ela riu entrando no carro, eu a acompanhei na
risada, com Augustus eu não corria o risco de ser assediada, era o mais
respeitoso dos irmãos, e eu rezava que ele tivesse se esquecido daquilo, nós
tínhamos apenas 15 anos, e eu estava começando a perceber que os sentimentos
não levavam a nada, e então eu não podia sair com ele, eu não podia me deixar
levar por sua doçura. Afinal dois meses antes um idiota havia feito o mesmo comigo.
- Eu queria me redimir ué. –Gargalhei vendo-a
ligar o carro.
- Ele deve te odiar ou te amar em segredo.
- Ele chegou? –Perguntei outra vez
- Chegou esse fim de semana, Enzo disse que ele só
veio passar uns dias e que volta ainda esse mês.
Dia seguinte - 06:34 p.m –
Cafeteria Spring- Brooklyn
- Essa semana tem um jantar. –Em
fim tive coragem de tocar no assunto, estávamos em um silencio agradável
enquanto tomávamos um café uma cafeteria próxima ao seu apartamento, oque me
deixou um bocadinho assustada, nessa ultima semana ele demonstrou não gostar de
sair, oque lhe deixava bem era o seu apartamento, era o silencio que ele fazia,
era a calmaria que ele transmitia, e só de vê-lo tão sereno e calmo me
satisfazia, então eu não o chamava para sair, sabia que a solidão de seu
apartamento parecia lhe agradar, mas essa noite ele decidiu caminhar, decidiu
conversar em meio a esse frio constante das ruas do Brooklyn.
-
Jantar? –Ele indagou erguendo uma sombra-celha.
-
É, um jantar dos fundadores de um clube idiota que meu avô criou a anos –Rolei
os olhos sem interesse em meu tom- Você pode ir comigo, eu queria que fosse.
-
Eu sei, mas não seria agradável. –Ele disse
-
Você se importaria se eu fosse com um amigo?
-
Por que tem que ir acompanhada? –Seu tom agora era de desconfiança, eu suspirei
-
A minha amiga tem desconfiado da minha mudança de comportamento, sabe eu tenho
passado a semana toda com você, e tenho deixado de lado tudo que antes eu fazia
questão de estar incluída. –Murmurei tirando uma mecha que caía sob minha face.
-
Vai acompanhada por ela então Margo.
-
Eu vou com um amigo. –Disparei baixo já esperando por seu olhar reprovador como
se eu fosse uma menina de dez anos e ele o pai desapontado. Ele olhou-me quieto
por um longo tempo, comprimiu os lábios e balançou a cabeça.- Mas você poderia
parar de tentar deixar o que temos no escuro, eu posso convencer meu pai de que
dessa vez não é assédio.
-
É a terceira vez que conversamos sobre isso essa semana Margo. –Ele diz por
fim, seguro sua mão que repousava em cima da mesa e mordo o lábio inferior.
-
Eu sei mas eu não vou conseguir esconder isso por tanto tempo Justin, Ravena e
Gina vão suspeitar por eu não estar sendo mais como antes.
-
Não podemos arriscar Margo. –Ele grunhiu eu soltei sua mão em um suspiro.
-
Tudo bem eu vou com o Augustus.
-
Você que sabe. –Ele regressou a grunhir, e eu a suspirar. Ele parecia um
adolescente idiota.
-
Quer saber? Eu preciso ir. –Me levantei, aquilo estava me cansando, estava me
cansando ter essa vida dupla, estava me cansando ter que fugir de tudo, estava
me cansando, estava me cansando ter que fingir que um lado meu não existia, eu
era além de tudo uma grande vadia ambiciosa, e ele não poderia mudar isso,
aquela vadia me deixava no topo, e ele simplesmente queria esconder de todos
para não sentir-se hipócrita, mas na verdade mesmo que todos não saibam ele é
um grande hipócrita.
-
Margo espera. –Ele levantou-se também eu o olhei sem interesse- Você quem
propôs segredo e agora simplesmente não quer levar nosso acordo a sério? Pelo
menos provisoriamente?
-
Isso não tem nada a ver com seu emprego mais Justin, isso tem a ver com você e
com a assembleia não é? Não quer que pensem que você é só mais um professor que
se rendeu a mim não é? Não quer que pensem que você é como todos os outros, não
quer que pensem que você é só mais um. –Despejei aquilo sem me importar,
demorei para perceber que aquilo estava indo longe de mais.
-
Não é isso Margo... é só que...
-
É claro que é Justin, isso tem a ver com você, só você e essa sua imagem de
perfeito que quer manter, ta aí o motivo pelo qual todas deixam você, porque
você só quer que tenha você mesmo na relação, você só pensa em si próprio
Justin, eu fiquei por quase dois meses tentando te convencer de que tinha
mudado de que queria só estar com você e você não consegue ver isso porque
continua preso ao que vão dizer quando tudo isso cair a tona. –Eu não aumentei
o tom, na verdade parecia que eu estava a sussurrar um segredo para ele, mas
que na verdade as palavras brotavam tão grosseiramente de minha boca que eu
sentia que estava berrando como nunca antes.
-
Justin? –Aquele sotaque novamente inundava meus tímpanos, trinquei o maxilar e
vir-me-ei para ela molhando os lábios.
-
Há, oi Alexandra. –Ele murmurou a ela em um quase gaguejar, ele soltou meu
braço levemente. Era óbvio que aquilo não tratava-se apenas de seu trabalho.
-
Senhorita Campbell. –Ela olhou para mim seu olhar transbordava duvida e
desconfiança.
-
E aí imigrante? Como vai? –Forcei um sorriso
-
Margo, por favor. –Ele murmurou em um quase sussurrar
-
Tudo bem eu não tenho mais nada a dizer, então pode ficar aí com a imigrante.
–Grunhi e respirei fundo esbarrando na mesma. Eu não esperava que ele viesse
atrás de mim afinal ele não queria que ninguém soubesse que nós tínhamos algo,
eu podia ver sua expressão ao ver a imigrante. Estava claro que ele tentaria
explicar a ela porque de estar comigo fora da aula, e não estava se importando
em vir atrás de mim e tentar me convencer de que na verdade não era aquilo que
eu estava pensando mas eu já sabia que ele não viria, e foi oque aconteceu, ele
simplesmente preferiu ficar e justificar a ela o porque de estarmos ali e não
para vir aqui. Abracei meu casaco e respirei fundo tentando não deixar que meu
lado Wine me fizesse chorar bem ali.
10:45 p.m – Mansão Campbell
- Augustus? –Indaguei ao vê-lo
sentado no sofá ao lado de Bonnie e Jessie. Engoli em seco, o que ele poderia
estar fazendo aqui?
-
Margo. –Ele levantou-se rapidamente, eu fechei a porta atrás de mim vendo-o
caminhar em minha direção.
-
Como vai Margo? –Ele sorriu
-
Há... Hér... Oi Augustus. –Murmurei um tanto confusa com aquela situação.
-
Eu achei que nós precisávamos conversar. –Ele disse
-
Há, claro Augustus. Podemos subir pro meu quarto e conversamos lá.
-
Hu-hun sei, conversar. –Ouvi Jessie zombar, rolei os olhos mostrando-lhe o dedo
-
Vai se ferrar Barbie.
-
Ok, vamos Bonnie? –Ele riu para ela lhe deixando avermelhada, e ela ainda
estava evitando minha presença, pouco me importava ela irritava-me
completamente, e minha cabeça já estava cheia de mais para ela ainda vir com
seus dramas.
-
Ignore ele Augustus. –Sorri para Augustus, ele retribui-me o sorriso
demonstrando ter esquecido o que aconteceu a alguns anos. Eu não esperava sua
visita, pois aquela noite meus lados resolveram entrar totalmente em guerra,
minha mente estava em guerra, os dois lados queriam vir a tona, explosões
incoerentes de emoções brotaram como nunca antes, eu estava com raiva, dor,
ódio, magoa estava sentindo exatamente tudo naquela noite, pois na verdade eu
me importava mais que ele, eu estava dando de mais e não estava recebendo nada.
Eu só queria não ter me aprofundado nisso, eu só queria ter simplesmente
escolhido engenharia mecânica e ter ficado por algumas semanas com o professor
que a poucos dias descobri que era um alemão chamado Neuer. E que era um típico professor que ama deixar nas entrelinhas
que prefere moças mais jovens. E é
isso que vou fazer, realmente hoje me fez perceber que o lado Wine só faz com
que eu regrida com que eu perca meu trono, e com que eu me machuque, e
novamente eu fiz a escolha errada, Wine nunca mais irá aparecer.
-
Você esta linda. –Ouvi-o dizer quando entrou no quarto, eu forcei um sorriso,
repetindo a mim mesma que eu mudaria, e que Campbell seria mais forte que o
lado Wine, e que minhas atitudes cruéis e fúteis, continuariam as mesmas
sempre. Ele não poderia mais mudar isso.
-
Você não veio aqui só pra dizer o obvio. –Disse um tom divertido, guiando-o até
minha cama. Augustus sem dúvidas era o melhor e mais bonitos dos irmãos, por
mais que se escondesse por baixo de seus óculos, e suas montanhas de livros
durante todo colegial. Ele voltou mais bonito, com mais brilho, parecia um novo
rapaz com mais vida do que aquele a quem deixei aos prantos a quatro anos e
meio atrás. – Veio?
-
Eu sei que meus irmãos estão disputando para ver quem consegue dormir com você
primeiro, e que você já deve estar ciente disso, mas eu não sou um deles, eu
voltei a cidade esse fim de semana, e voltarei daqui a alguns dias, então
queria te convidar para o jantar de fundadores antes deles com suas apostas
desprezíveis.
-
Você continua doce Augustus. –Sussurrei tocando sua face, ele levemente
repousou sua mão em cima da minha por nonos segundos antes de inesperadamente
tira-la de sua face. Era a minha hora de voltar a ser como antes e novamente
brincar com as paixões desses dóceis cavalheiros. – Me desculpe pelo que
aconteceu, eu estava um pouco confusa.
-
Eu ainda gosto de você Margo. –Ele sussurrou, eu sorri.
-
Obrigado por vir me convidar primeiro.
-
Então isso é um sim?
-
Que horas você passa aqui?
-
As sete, pode ser?
-
Claro. –Assenti, ele inclinou-se levemente beijando-me a testa.
-
Você continua linda.
-
Você não esta gaguejando. –Sussurrei em um riso, ele que ainda agarrava minha
mão apertou-a levemente enquanto acaricia-me as costas da mesma com o polegar.
-
Treinei muito. –Respondeu
EM ANDAMENTO

Essa versão tá muito mais interessante que a outra .. <3
ResponderExcluirNão preciso nem dizer que eu to amandoney <3
Sempre que der continue :3
Hey hey hey
ExcluirTo comentando aqui pra falar que eu nao to conseguindo entrar no seu outro blog o "Fanfics bizzle". Ta dizendo que o blog ta so aberto pra convidados e que eu nao fui convidada...quando voltar e ver o meu cmnt me da um help
Xoxo •-•
É que eu estava editando algumas coisas lá, mas ja coloquei publico, já pode entrar á aninha <3 kkk, posso te chamar assim né?
ExcluirKkkkkk ata rsrs
ExcluirClaro que pode haha é meu apelido kkkks tbm pode me chamar de Liiv, tbm é meu apelido ^^
Perfeitooooooo <3 <3 <3 <3
ResponderExcluir