"hoje meu café não será tão doce, meu dia amargo como o provável sabor das nuvens lá em cima. Já adociquei com creme, açúcar e abraços. Não adianta. Hoje o dia será amargo. Seco. É verão e escolheu não chover tão cedo. Não chorar, não se deixar levar. Que seja amargo" - Cantamor
Olá pessoal, quanto tempo não é? Um mês? Ou dois, em fim, não importa, o importante é que eu finalmente apareci, resolvi aparecer para não deixar o blog parado. Meus rascunhos precisam ser atualizados, e aqui estou com mais um de maeus rascunhos iniciado no final do ano de 2013 e treze e embargado no começo de 2014, infelizmente. Mas também pode ocorrer que eu volte a escrever algumas notas nesse rascunho esquecidinho na pastinha de fanfics embargadas (kkk pastinha cheia essa). Bom, mas vá lá ao que realmente interessa, desfrutem dos meus erros horrendos de gramática, e se deliciem com o docismo da minha francesinha denominada Anne, até que eu volte a atualizar a irreverente Marg Wine.
Anne folheava o livro,mas não conseguia se concentrar no capitulo, voltava um parágrafo inteiro para que pudesse entender mas sua cabeça estava longe, ela estava pra baixo, chorara o dia inteiro. já era noite e ela ainda chorava mas não era pelo livro e sim por ter de partir no dia seguinte.
Fechou
então o livro ao ver sua mãe com uma expressão preocupada entrar no quarto,
Anne soluçou. Não gostava de chorar, principalmente na frente de sua mãe já que
elas não tinham um relacionamento tão aberto.
- Você jura
que não irá esquecer-se de mandar meus livros e meus DVD's mamãe? -perguntou
Anne chorosa e sua mãe sorriu de canto, sentou em sua cama e a olhou com
lagrimas nos olhos.
- Sabe que é
caro para mandar de tão longe, mas se eu conseguir o dinheiro juro que mando
tudo daqui a duas semanas. -Respondeu ela, e Anne secou suas lagrimas.
- Porque ele
quer acabar com a minha vida assim, mamãe? Por quê?
- Querida não
diga isso, seu pai só quer o seu bem.
- Me trancando
em uma escola onde eu não conheço ninguém e não lembro a língua direito?
- Não faça
drama Anne, moramos em Londres por três anos, é claro que você sabe falar
inglês.
- Eu não quero
deixar Bastian.
- Você não
precisa, podem se falar por e-mail ou cartas.
- Não é a
mesma coisa, sabe lá quando vou vê-lo novamente mamãe.
- Desculpe
querida, por mim você nunca iria para esse lugar, mas sabe que eu não posso
fazer mais nada.
- Tudo bem
mamãe. -disse Anne.
- Você só tem essa
noite em casa, por que não sai com seus amigos e Bastien? Ande aproveite
enquanto pode, não fique ai se torturando a noite inteira, só não demore porque
seu voo saí as 10:00. -Sua mãe tentou anima-la e ela sorriu.
- Tem razão
mamãe. -beijou a face da mãe e saltou da cama com um pulo, secou as lagrimas e
com as pálpebras pesadas como chumbo ela correu para pegar o telefone da
cozinha enquanto sua mãe saía de seu quarto.
Tentou
então esquecer as coisas ruins que estava sentindo, não queria odiar seu pai já
que sempre tivera um ótimo relacionamento com ele, a verdade é que ela não
tinha espaço em seu coração para sentir ódio, se provava de tudo que não fosse
relevante, e odiar seu pai por querer algo que ele teve não era uma atitude
relevante, por mais que estivesse triste por ter de se mudar e deixar sua
pacata vida em Valence para trás. Discou o numero de Bastian, de certa forma
feliz por aquela ideia já que sua noite de despedida fora um dia antes quando
seus amigos junto a Bastian organizaram uma pequena festa de despedida, com
direito a bolo coberto por velas de aniversário, embora seu aniversário já
tivesse ocorrido a alguns meses.
- Anne? -perguntou
do outro lado da linha, Anne sorriu ao ouvir sua voz.
- Bastian,
você está ocupado?
- Estou...
Ér... Um pouco, por quê?
- Queria
passar a noite com você, já que vou embora amanhã, pela manhã. -Anne suspirou e
segurou o telefone com força.
- Onde quer ir?
- Não sei.
- Quer vir a
minha casa? Minha mãe não está. -Anne corou, mordeu o lábio e escorou-se na
parede. Namoravam a um ano oito meses e ele ainda a fazia corar violentamente,
Anne era ingênua, Anne não conhecia nada alem dos livros e filmes que vira.
- Oh, hér...
Tudo... Tudo bem.-gaguejou
- To saindo
trabalho, você quer que eu passe ai?
- Não...
Hér... Não, é claro. Eu vou te esperar
- Ok.
Ele então
desligou, Anne sorriu para si e pela primeira vez no dia se animou. Sua mãe,
que passava por sua porta parou ao ver o sorriso no canto de sua boca.
- Pelo sorriso
vejo que vai sair. -comentou ela e Anne pois o telefone de volta ao gancho.
- Vou. -disse
e voltou para o quarto .
Anne correu
para o quarto e foi se trocar . vestiu calças jeans , botas e um casaco cinza .
Olhou-se no espelho e já estava pronta , Anne era loira , tinha olhos castanhos
e nariz arrebitado . Era bonita , sua beleza era comum entre as outras
francesas de sua cidade , tinha um rosto fino . cabelos longos e lisos ,
vestia-se como achava correto , vivia como achava correto viver .
soltou
seus cabelos e ouviu a buzina do carro de Bastien , foi até o quarto de sua mãe
e apenas disse que já estava indo. saiu de sua casa e entrou no carro de
Bastien, um Opala. Ela sorriu e ele inclinou-se para frente a beijando.
Bastien era ruivo , tinha sardas por todo rosto . Tinha cabelos para cima formando
um topete e andava como um cantor de rock indie, tinha uma banda e não era
exatamente o anjo que Anne pensava que ele era.
Em menos
de 20 minutos eles já estavam na casa de Bastien. Anne não se sentia a vontade
, ele pegou em sua mão e sorriu.
- Oque acha de
assistirmos um filme ? -perguntou ele e ela sorriu .
- Le Fabuleux
destin d'Amélie Poulain? -Perguntou a menina empolgada , era seu filme
preferido , não importava quantas vezes via era como se estivesse vendo pela
primeira vez. Bastien revirou os olhos e se sentou.
- De novo Anne
?
- Faz três
semanas que não assistimos, Bastien. Por favor -pediu e fez beicinho, não
negava nada a ela quando ela o fazia , sorriu e a beijou.
- Eu vou
sentir saudade deste olhar e deste beicinho -disse ele contra os lábios de
Anne.
- Oh , nem me
diga essa palavra , estou a ponto de morrer ou matar meu pai -disse ela e se
afastou , sentou-se no pequeno sofá da sala que estava em meia luz .
- Não o culpe
tanto assim Anne . -disse enquanto colocava o DVD e sorriu , sentou-se ao lado
de Anne , e ela suspirou .
- Eu não
estava pronta nem para ficar longe de você quando fosse para faculdade que é
uma hora daqui como acha que estou sabendo que estarei a milhas de você ?
- Eu prometo
ligar todos os dias -disse e beijou-a no rosto .
- Se não me
ligar eu ligo, ou te mato mentalmente. -brincou ela e riram .
- Se minha
banda der certo e os shows que fizermos der algum dinheiro eu junto com os
trocados que ganho no boliche e passo as férias de varão com você. -Ele disse e
Anne sorriu, sorriu tanto que doía os lábios, não tivera uma noticia tão boa
desde que soube que iria se mudar a três meses .
- Faria
isso?
- Pra estar
com você,sim. - Ela o abraçou forte enquanto continuava sorrindo, ele a soltou
um pouco e a beijou nos lábios .
- Je
t'aime - sussurrou contra os lábios da menina de cabelos loiros e olhos
brilhantes e ela sorriu para ele , Não sabia exatamente se o amava de volta,
mas ele fazia ela sentir coisas estranhas , a verdade era que ela não sabia
oque realmente era o amor pois nunca disse a ninguém , por não ter namorado
muitas vezes . Anne , era uma menina que não conhecia a vida se ela não fosse
dentro dos livros e nos filmes.
Anne
então o beijou mais uma vez sem se importar com o filme, queria apenas passar
as ultimas horas ao seu lado como bem queria e bem sabia que poderia. Queria
poder beija-lo a noite inteira, queria poder sentir o cheiro dele de roupa
limpa e gel de cabelo, queria poder não ir embora e deixa-lo sozinho , queria
poder ficar com ele ali até ter a certeza de que oque sentia não era uma
simples paixão mas sim amor . Beijaram-se então no sofá velho e a meia luz da
sala de Bastien por minutos, quando ele tentou algo mais . Mas Anne não deixou
que o fizesse , sabia que para aquilo não estava pronta , tinha apenas
dezesseis anos e não tinha certeza se era aquilo que queria.
- Porque não,
Anne ? -resmungou subindo em cima de seu corpo e ela suspirou - é nossa ultima
noite juntos, eu.. Eu te amo, não é isso que basta pra fazermos amor?
- Eu não estou
pronta, Bastien -Respondeu Anne enquanto acariciava o cabelo de sua nuca.
- Você sempre
diz a mesma coisa -bufou ele e tentou sair de cima da menina mas ela o puxou-o
pela nuca , respirou com força .
- Toda vez que
ficamos sozinhos você insiste ,mesmo dizendo que irá me esperar. Não fique
bravo comigo.
- Não estou
bravo , Anne . É que hoje é nossa ultima noite juntos você entende ? Talvez só
nos veremos daqui a um Ano.-Ele disse parecendo desapontado, Anne suspirou. Ele
tinha razão, pensou ela. Talvez eles veriam-se somente no ano seguinte se ele
não conseguisse o dinheiro para passar as férias de verão ao seu lado.
- E então ?
-insistiu ele e ela suspirou , sorriu e o beijou , Não se sentia pronta mas
queria poder agrada-lo, agarrou-o pela nuca e o beijou com mais astúcia . Ele
sorriu entre o beijo e sussurrou mais uma vez:
- Je
t'aime .
Anne também sorriu e o beijou, o sofá tornara-se pequeno para ambos poderem
dividir a noite. Mas por minutos não se importaram, beijou a menina lentamente
no pescoço enquanto sussurrava coisas que ela amava ouvir quando estavam
juntos, ele sabia do que ela gostava sabia como trata-la, disso não havia
duvida alguma. Apertou a parte de trás de suas coxas e um gemido surgirá do
fundo de sua garganta, enfiou-se em meio as pernas da menina para que pudessem
ficar mais colados um ao outro no pequeno sofá. Voltou então a beija-la nos
lábios com desejo, seu beijo para Anne havia paixão, talvez fosse mas talvez
não .
Um giro quase
mudo na maçaneta e a luz ficando acesa assustaram os dois, junto do som de
reprovação da voz completamente Doce porem ríspida da mãe de Bastien .
- Mas oque está acontecendo aqui? -Anne empurrou Bastien de cima de seu corpo e
o mesmo quase um pulo se levantou , Bastien caiu para o lado mas se levantou.
Anne estava tão avermelhada como se seu sangue tivesse se concentrada todo
apenas em suas bochechas, mal sabia onde enfiar o rosto se não entre as mãos
para não olhar nos olhos de reprovação da mulher, Mas não o fez. Anne olhou sem
graça e amedrontada para a Bastien, que coçou a nuca e olhou para a mãe, que
estava com os braços cruzados e olhar desaprovador.
- Ande Bastien
, estou esperando -Disse ela, na verdade ela não queria constranger Anne, pois
tinha um enorme carinho pela menina que vivia indo em sua loja de vinil, Anne
quase não comprava nada , não havia dinheiro para poder compra-los então apenas
olhava-os trocava algumas palavras com ela e ia a caminho da biblioteca da
cidade, como costumava fazer todos os dias .
- Não .. Não
estávamos fazendo nada de mais , mamãe - Murmurou Bastien, e ela olhou
levantando uma de suas sombra celhas para o filho , que parecia sem jeito.
Depois olhou para Anne , que parecia constrangida e arrependida , a menina
nunca havia passado por uma situação tão constrangedora . A mulher suspirou , e
sorriu de canto para Anne.
- Nada de mais
, espero mesmo que oque estava acontecendo não fosse passar de beijos,
francamente Bastien , deveria respeitar mais, Anne. Você poderia leva-la para
seu quarto -disse ela.
- Isso não vai
mas se repetir. -disse ele , Anne não sabia onde estava sua voz , ficara tão
sem jeito que mal conseguia se mexer ou falar , por alguns segundos .
- Vocês
deveriam sair já que é a ultima noite de Anne aqui , não ficarem por ai como se
fossem dois sangues sugas.-disse e concertou sua bolça no ombro , sorriu para
Anne e se virou indo para cozinha.
ao vê-la
dobrar o corredor Anne enfim suspirou e pois as mãos no rosto.
- Eu não
acredito que fiz isso, não acredito -Anne murmurou, quase chorosa. Tinha uma
estrema timidez, e aquele momento havia sido tão constrangedor que deu-lhe
vontade de chorar, mas ela soltou apenas suspiros e respirou fundo , e tirou as
mãos do rosto .
- Isso ai
serviu pra você aprender a me escutar quando eu disser que não estou pronta
-ela disse virando-se e indo até a porta. Ele a alcançou e agarrou-a pela braço
.
- Não diga
como se eu tivesse forçando-te a fazer amor comigo .
- Não .. -ela
iria rebater mas suspirou , olhou-o nos olhos e disse - Esqueça .. vamos
esquecer isto , tenho que estar em casa as dez , que horas são ? -Ela murmurou
Bastien sorriu e soltou-a , esticou o pulso e olhou no relógio que Anne o
presenteara com um mês de namoro .
- Nove e meia
-respondeu .
- Me leve pra
casa ?
- Quer mesmo
ir? Nós podemos ir a outro lugar
- Eu tenho que
ir.
- Tudo bem,
então.
Uma banda de rock francesa gritava e rugia no toca fitas do carro de Bastien,
Anne estava a olhar para a janela entre aberta onde fazia o vento tocar-lhe os
cabelos , com os pensamentos distantes .
- Anne -Bastien a chamou em um tom baixo e ela o olhou -
- Hun?
- Ta chateada
?
- Não, eu só
estava pensando .
- Em que ?
- Eu e você,
sabe dois filhos um gato chamado salomão . -Ela riu .
-Gato? Salomão
? -ele a acompanhou na risada e pegou em sua mão gelada ainda olhando para a
estrada- Sou alérgico a gatos, amor .
- Então com
oque nossos filhos vão brincar ?
- Um cachorro
como toda criança normal gosta de brincar .
- Eu não gosto
de cachorros , eles são bagunceiros e de bagunça já basta você fazendo -ela
disse e ele gargalhou a olhou de relance
- Então
dispense os animas pros nossos filhos .
- Você acabou
de estragar minhas esperanças de ter uma família simples e feliz como
dos livros
- Como você é
exagerada, Anne. Não quer que nossos filhos more em um zoológico também?
- Ha-há , como
você é engraçado , Bastien . -ela o olhou com os olhos semi-serrados e ele
beijou o topo de sua mão antes de parar o carro , mas ainda não haviam chegado
a sua casa .
- Por que
parou aqui? -ela não a respondeu, apenas saiu do carro e deu a volta abrindo a
porta para a mesma, ela saiu e ele sorriu para ela.
- Você se
importa se eu roubar você rapidinho ?
- Rapidinho ?
-ela sorriu- Depende, esse rapidinho é pra sempre ?
- Eu li uma
vez que existe infinitos maiores que outros, nós podemos fazer o nosso pra
sempre como um pequeno infinito essa noite.
- Oque você
esta planejando?
- Vem. Eu
suponho que nunca tenha vindo a esse lugar antes -ele a puxou, e a escuridão
tomava conta do lugar, o tempo úmido e um pouco frio fazia Anne quasse bater o
queixo, ele parou de caminhar ao ver o começo do lago. Uma pequena ponte
atravessava o lago iluminado apenas pela luz da lua que brilhava como se estivesse
a favor do casal. O lago era repleto de plantas deixando o lugar cada vez mais
bonito aos olhos de Anne, eles pararam no meio da ponte e Anne sorriu abobada
para o ruivo de cabelos arrumados
- Eu não sei
se isso é romântico, mas eu só queria te trazer nesse lugar por que ele é muito
especial pra minha família.
- Mesmo? E por
que?
- Meu avô
pediu a minha avó em casamente aqui, nessa ponte , meu pai também pediu minha
mãe, e meu tio também pediu minha tia -Anne o olhou boquiaberta, ele riu leve
ao perceber o olhar de Anne- Bem espere, não se espante , eu não irei pedi-la
em casamento, não agora.
- Então por
que me trouxeste aqui ?
- Você lembra
onde foi nosso primeiro beijo ?
- Como poderia
esquecer ?
- Foi em um
lago não foi , naquela inauguração do parque Whitmoore? Então eu só queria que
revivescemos isso. -ele sorriu e pegou-a pela cintura e também em sua mão .
- Lembra que
estávamos dançando ? -ela perguntou e estava a ponto de chorar
- Lembro que
você estava me ensinando a dançar .
- Agora você já
sabe.
- Bem, eu sei,
mas você entendeu o motivo pelo qual lhe trouxe aqui ? Eu só quero que saiba
que não importa o tempo que passe eu irei a ama-la do mesmo jeito , da mesma
maneira sempre , pra sempre -ele a girou no ar e ela sorria para ele , e
como dois loucos apaixonados eles dançaram sem ao menos ter uma musica a tocar,
apenas o som dos grilos, corujas, sapos.
- Je
T'aime,Bastien
* * *
Anne chorosa deu adeus a todos que ali estavam para vê-la pela ultima vez
no aeroporto naquele ano, de imediato naquele momento não conseguiu e chegou
até questionar com sua mãe que não iria . Mas sua mãe a encorajou a ir,
despediu-se então de seu amigo Frabrice com um abraço e um beijo na testa , e
de sua amiga Harriett com um abraço longo e beijos na face , chorou como um
bebe adoentado e sem leite , mal sabia que poderia haver tanta lagrimas assim .
Beijou Bastien e ele também a abraçou com força e um beijo molhado na
testa, ela chorou e novamente pensou que sentiria falta de seu perfume e seu
cheiro de roupa limpa e gel de cabelo. E então chegou a vez de sua mãe que
estava tão chorosa quanto ela , abraçou a menina com força e disse que a amava.
E Anne percebeu que só era aquilo que importavas, tinha o amor de seus amigos e
de sua mãe onde quer que estivesse. Se afastou de todos e com olhos embaçados e
voz chorosa deu seu ultimo Adeus .
No
aeroporto já desembarcando em Sheffield, ela avistou seu pai caminhou até
ele e o mesmo a puxou para um abraço, não retribuiu de imediato mas deixou suas
malas no chão e o abraçou de volta. havia levado duas malas, não tinha muita
coisa , não tinha muito dinheiro para comprar muita coisa já que sua mãe não
aceitava o dinheiro que seu pai lhe mandava e a menina também nunca
se importou com muito luxo , gostava do pouco que tinha , amava o pouco que
tinha.
- Oh, querida
como eu senti sua falta, veja só como você esta enorme, deixou o cabelo crescer.
-Disse enquanto a segurava pelos braços alegremente e a examinava com um brilho
nos olhos.
- E o senhor está ótimo -disse ela se afastando, seu pai sorrindo novamente e
agarrou as malas da menina.
- Vamos embora?
Espero que esteja empolgada para seu primeiro dia amanhã. -disse enquanto
caminhava para fora do aeroporto sendo seguido pela menina, que respirou fundo.
- Já é amanhã?
-Sim-disse
animado.
- Espero que
goste de lá.
- Eu gosto
mesmo é da minha antiga escola , dos meus antigos amigos e meu namorado
-resmungou ela e seu pai a olhou por cima do ombro , não sabia oque diria a ela
primeiro , se aquilo que estava fazendo era com boa intenção ou se perguntava
quem era seu namorado . Decidiu após alguns segundos perguntar sobre Bastien .
- Sua mãe e nem você me falaram nada sobre esse "namorado" -disse
voltando o olhar para frente ao chegar a seu carro . Anne revirou os olhos e deu
a volta entrando no carro enquanto seu pai jogava suas malas no porta malas .
Ele voltou e entrou no carro .
- Nunca
perguntou-me nada .
- Não achei
que com sua mania por livros e paixonites por personagens de filmes e de livros
fosse arranjar um namorado -disse enquanto ligava o carro e Anne o olhou não
sabia se sorria ou se se sentia ofendida , levando em conta que seu pai sempre
tivera um ótimo senso de humor costumava fazer piadas sobre sua obsessão
por livros e filmes .
- Esta dizendo
que pensou que eu nunca arranjaria um namorado por causa de minhas manias
?
- Pensei que
nunca encontraria , já que sempre sonhara em ter um alguém como eles
, e já deveria saber que alguém como eles não existe, pessoas não são como
personagens , pessoas são complicadas , pessoas são crués e pessoas iludem
.
- Bastien não
me ilude -rebateu ela e seu pai a olhou por um segundo sorrindo .
- Então esse é nome do rapaz que irei ter uma conversa ?
- Conversar ?
Quando voltara a Valance ?
- Junto com
você, daqui a um ano. E se diz que ele não a ilude talvez esteja com ele até
lá.
- Mas eu vou
estar, ele .. Ele disse que me amava, ele diz isso todas as noites!
- Espero que
seja verdade.
- Porque é
tão difícil de acreditar que alguém realmente me ama ?
- Não é isso filha,
é que os garotos costumam dizer mas não sentir. E você vai aprender isso, só
espero que não com esse garoto ai!
- Diz como se
eu fosse a pessoa mais ingenua do mundo .
A noite seu pai a levou para a escola, era afastado na cidade e
tinha um tom um tanto medieval como as demais escolas internas inglesas,
chamava-se Sheffield School, era o único internato da cidade e
seu pai que já era melhor de vida que sua mãe teve como pagar os
primeiros meses. Anne deixou as malas no chão e suspirou , havia uma cama
ao lado da sua, o quarto tinha cor morta , e as camas eram simples cobertas por
um cobertor cinza , em cima da cama ao lado da sua havia uma mala preta,
somente uma. então já teria alguém se instalado no quarto. Havia uma escrivania
ao lado de cada cama, e por fim um armário , não havia luxo algum em seu quarto
alem de ser bem pequeno, porem Anne não ligou . Sentou-se na beira da cama e
suspirou, olhou para a janela e quis chorar, o céu como de costume cinzento
parecia refletir os seus sentimentos . Queria poder ligar para sua mãe e para
Bastien, mas seu pai disse que só poderia falar com eles aos fins de semana, já
que não era permitido aparelhos celulares no colégio. O barulho da maçaneta e o
rangente baixo da porta se abrindo fez Anne despertar de sua melancolia, uma
menina de cabelos negros , roupas despojadas e pírcingue no nariz ,
entrava pela porta com um belo sorriso.
- Oh, você
chegou -Disse a menina sorridente para Anne , ela não tinha sotaque inglês.
Falava como uma americana despreocupada . Anne a olhou por alguns segundos
quieta - Eu sou Sam , você deve ser a Anne não é ? -disse ela estendendo
sua mão para Anne que se levantou a cumprimentando, demorou um pouco
mas compreendeu oque a menina de cabelos despojados e curtos dizia, como sua
mãe havia dito ela não se esquecera o inglês.
- oui
-disse com um sorriso sem jeito.
- Oh , então
você é mesmo Francesa ? -Perguntou e Anne mal percebeu que havia respondido-a
em francês, corou. E respirou fundo .
- Como sabe
tanto sobre mim? -perguntou pausadamente tentando falar o indioma
- Procuro
saber sobre minhas companheiras de quarto, e acho que vai ter problemas para se
enturmar.
- Oh, isso não
é problema pra mim. Nunca fui de me enturmar.
- Não é isso,
é que essa droga de escola tem pessoas mesquinhas que excluem pessoas que não
são inglesas.
- Você não é
inglesa é? bom, não parece.
- Eu sou
inglesa, eu nasci aqui. Meu pai é de Londres e minha mãe é americana -disse Sam
se deitando em sua cama.
- Você não tem
sotaque inglês. -Disse Anne olhando para a janela novamente e suspirou. Sam
sorriu.
- Eu nasci
aqui, mas depois de meses meus pais foram morar em Atlanta, eu morei lá até vir
pra cá.
- Hun.
-suspirou Anne, queria tanto chorar.
- Deixou
alguém importante lá ? -perguntou Sam ao perceber Anne suspirar pela segunda
vez enquanto olhava para a janela.
- Pardon?
-Anne a olhou- Não.. entendi.
- Você suspira
demais.
- Oh, Hér .. O
Bastien, foi difícil deixa-lo lá.
- Terminaram?
- Não -Anne
sorriu ao lembrar que o veria daqui a alguns meses -
- Por isso
está suspirando tanto . Você não irá descer para a festa de boas vindas daqui a
pouco? -perguntou Sam.
- Não gosto de
festas, ainda mais na escola. -rebateu Anne.
- Oh , você
deveria ir . É melhor do que se torturar aqui sozinha.
- Eu prefiro ler
.
Conversaram
por alguns minutos , Anne não queria ir . Queria poder ligar para Bastien e
para sua mãe, queria poder dizer o quanto já sentia a falta deles , sabia que
aquele não era seu lugar . Não pertencia a aquele mundo.
Após
minutos e mais minutos gastos pedindo a Anne para que ela fosse, Sam desistiu .
Sam não era popular , nem conhecida , não tinha muitos amigos mesmo sendo uma
boa pessoa que consegue assunto com qualquer pessoa .
Sam
disse que a festa seria após o jantar , mas Anne mal quis descer para o jantar
também . Queria ficar sozinha , queria poder deitar na cama virar para o
lado e finalmente chorar contra o travesseiro . Mesmo sabendo que Sam pareia
uma boa pessoa e que talvez a fizesse companhia no horário de almoço ,
ela estava odiando tudo aquilo .
Sam
não insistiu , arrumou-se e desceu para o jantar . Anne se deitou e então
após um suspiro quase chorou , mas antes que pudesse a porta um pouco rangente
se abriu .
- Sam você
esta atra...-O garoto que entrara pela porta sem ao menos bater , parou ao ver
Anne . Que assustada se levantou .
- Pardon ?
-gaguejou ela . Ele era loiro e seu cabelo era desgrenhado , tinha olhos cor de
mel e a pela esbranquiçada , vestia botas até o calcanhar calças e um casaco
cinza como um tipico e encantador inglês .
- Oh , ér ..
Francesa ? Não fala nossa linguá ?-perguntou ele fechando a porta sabendo que
algum inspetor pudesse velo perambulando pela ala feminina . Anne engoliu em
seco , ele era bonito ela pensou . Anne examinou-o por alguns segundos quase
boquiaberta .
- Você não
pode ficar aqui ... É proibido -disse ela encontrando sua voz e ele a
olhou com um sorriso de canto , também a examinou por alguns segundos
. Achou-a uma bela moça . diferente das inglesas , ele nunca conhecera uma francesa
.
- Então você
fala nossa linguá . Será que posso saber seu nome ? -Anne corou e um nó se
formou em sua garganta , era difícil dela falar com garotos que não fossem
Fabrice e Bastien , seu problema com a timidez era grande .
- Anne .. Anne
Fisher -gaguejou ela -
- Justin .
-sorriu e estendeu a mão para cumprimenta-la , ela relutante estendeu sua
mão para ele .
- Você não
pode ficar aqui -disse ela novamente .
- Eu já estava
de saída , só vim buscar Sam -rebateu .
- Ela desceu
para o jantar .
- E você não
vai descer ?
- Não .
- Por que
?
- Eu ainda
acho que você não deveria estar aqui -respondeu ela e ele sorriu , fez que sim
com a cabeça e abriu a porta lançou uma olhadela para ambos os lados tendo a
certeza que não havia ninguém e voltou a olha-la
- Até mais
Anne .. Anne Fisher -acenou com a cabeça e com um sorriso nos lábios ele partiu
encantado com a beleza e o jeito da moça de falar e de agir .
Voltou a deitar-se na cama , mas desta vez para não ser interrompida de
sua profunda dor e melancolia Anne tomou o pequeno cuidado de trancar a
porta . A menina encolheu-se na pequena cama e finalmente chorou , chorou um
oceano de lagrimas com o intuito da dor que sentia no peito passar , chorou por
minutos e mais minutos que para ela pareciam mais anos seculos ou até mesmo
milênios . agarrou o travesseiro que tinha cheiro de novo e soluçou . Anne
nunca havia chorado tanto , na verdade ela nunca soube oque era chorar de
verdade , pois não via motivos em sua vida para chorar , tinha tudo que
precisava lá . Com Bastien sua vida sempre fora completa , seus poucos amigos a
faziam sorrir , e sua mãe era a melhor pessoa do mundo para ela . Em sua curta
vida de adolescente nunca havia chorado tanto , e a dor não passava , sofria
antecipadamente pois sabia que depois daquele momento ficaria pior , a saudade
aumentaria e ela não se encaixaria . Já sentia saudade de sua mãe , já não via
a hora de ligar para Bastien , ouvir a voz dele pareceu a unica saída naquele
momento . Talvez a distancia fizesse com que percebesse que realmente oque
sentia não era uma simples paixão mas sim o amava , amava cada detalhe e cada
parte dele . Resolveu então arrumar suas coisas , levantou-se e jogou suas
malas em cima da cama , tentou não chorar enquanto colocava sua roupa no
pequeno guarda roupa que era para si destinada , viu então um retrato de
Bastien que com si levara para por na cabeceira de sua cama , assim olharia
para o seu sorriso antes de dormir a assim que acordar . O pois então na
cabeceira de sua cama , sorriu ao se lembrar do dia em que tirara a foto e um
nó se formou em sua garganta , não queria chorar mais do que havia chorado ,
então respirou fundo e jurou para si mesma que tentaria aguentar . Mal sabia
que aquela era a primeira de muitas noites choradas sozinha da li em diante
.
Anne
tomou banho e voltou a se deitar mas novamente alguém a interrompia , a porta
emitia um barulho era alguém do outro lado impaciente esperando que ela fosse
aberta .
- Já vai , já
vai , mas que merda -resmungou ela. Anne não costumava xingar , mas odiava que
a apresassem. Abriu a porta e Sam entrou .
- Você tem que
ir na festa , Anne -disse Sam animada , Anne bufou e voltou a se deitar
afundando a cabeça em seu travesseiro que cheirava a novo - Vai
estar incrível
- Realmente eu
não acho que sera uma boa ideia sair desse quarto . Quero trancar-me aqui e
sair daqui alguns meses -resmungou ela , e Sam riu . olhou para a cabaceira da
cama reparando no retrato de Bastien, ele sorria na foto .
- Esse é
Bastien ? -Perguntou-lhe olhando para a foto , Anne havia tirado quando ainda
se interessava por fotos , tirara quando estavam prestes a assistir em seu
quarto o Le Fabuleux destin d'Amélie Poulain pela décima vez juntos
.
Anne
levantou a cabeça e olhou na direção em que Sam olhava , e então sorriu .
- Sim .
- É bonito ,
vocês formam um belo casal .
- Acha mesmo ?
- Acho, e
também acho que ele não gostaria que você ficasse aqui a noite inteira trancada
se torturando .
- Fala como se
já me conhecesse a anos , e me conhece a menos de um dia . -Rebateu Anne .
- Só estou
tentando te ajudar mas se preferes sofrer , tudo bem então . -Sam grunhiu
arisca .
No dia seguinte Anne acordou primeiro que Sam e se arrumou , esperou ela
acordar e então as duas já uniformizadas desceram enquanto Anne ouvia Sam
reclamar e dizer o quanto odiava o uniforme sem vida daquela escola . Anne não
dizia nada , apenas ouvia a menina reclamar sem parar , pensara em um jeito de
poder falar com Bastien pela semana .
No
refeitório pegaram suas bandejas , e serviram-se . Anne não sentiu fome então
pegou apenas uma fruta e pão . ao contrário de Sam que encheu sua bandeja .
Sentaram-se então em uma mesa no meio de todos ali , Sam não tinha muitos
amigos , e eles ainda não haviam chegado então apenas as duas ocupavam-lhe a
mesa .
- Você já pegou seus orários? -perguntou Sam enquanto comia um pedaço de pão.
- Já ,
entregaram-me na noite passada quando cheguei -respondeu Anne.
- E onde está?
- Acho que
devo ter deixado no quarto.
- Que aula tem
agora?
- Química , eu
acho -rebateu e Sam sorriu jogando mais um pedaço de pão em sua boca .
- Sorte sua ,
não ira passar a primeira aula sozinha hoje .
- Porque ?
Você também tem aula de química agora ?
- Sim -
respondeu , e Anne olhou para o lado de sam , percebeu que na fila o garoto que
entrara sem permissão alguma em seu quarto e que mexera totalmente com sua
definição do que achara bonito um dia pegara uma bandeja , ele sorria enquanto
conversava com uma garota de cabelos lisos e brilhosos , e ela sorria
timidamente para ele enquanto colocava uma mecha de seu cabelo brilhoso para
trás da orelha . Anne percebeu que a menina sorria pare ele como ela sorria
para Bastien quando ele dizia o quanto gostava de seus olhos castanhos .
- Ei Anne , em
que planeta você esta ? -perguntou Sam tentando chamar a atenção da menina e
olhou na direção em que ela olhava , e então Sam sorriu , sabia que seu amigo
poderia fazer isso com qualquer garota , que tivesse ou não namorado .
- Perdon ? eu
.. eu me distrai -respondeu Anne voltando a olhar para Sam que ainda sorria .
- O nome dele
é Justin -disse Sam .
- Eu sei ,
Justin o mal educado -rebateu Anne - Sinceramente eu acho que ele não sabe que
é proibido garotos na ala feminina , acho que ele é novo ou não sabe ler. Esse
Connard -resmungou , e engoliu um gole de seu suco de laranja .
- Onde o
conheceu ?
- Ele foi ao
nosso quarto te procurar , acho que seria bastante agradável se ele te
esperasse no andar de baixo , eu não sei aqui mas no meu país é uma grande
falta de educação entrar sem bater -continuou Anne resmungando , e sem ao menos
perceber o garoto a quem ela xingava chamando de connard se sentara junto as
duas a mesa . Anne corou .
- Bonne
journée , Anne ... Anne Fisher -disse ele sorrindo para Anne .
- Bonne
journée -rebateu ela .
- Anne estava
comentando sobre você -disse Sam risonha e Anne corou .
- Estava é
?
- Disse que
você é um Connard mal educado -ela gargalhou ao tentar pronunciar a palavra
"Connard" que pelo que entendeu era um xingamento . Justin arqueou o
cenho .
- Mesmo ?
-perguntou , mas não obteve resposta pois Dominic interrompera se juntando a
eles a mesa . Dominic era mais um amigo de Sam , na verdade eram apenas eles
três.
- Oh , ér ..
Olá -disse Dominic a Anne que sorriu para ele , que tinha cabelos negros e
desgrenhados , tapavam-lhe um poucos os olhos de modo que ele jogasse um pouco
para o lado para ter a visão de tudo .
- Olá .
-rebate Anne .
- Essa é Anne
, a minha colega de quarto que lhe falei na noite passada -Disse Sam e Dominic
jogou seu cabelo meio encaracolado para o lado .
- Como eu
poderia me esquecer se você falou sobre ela o tempo inteiro -respondeu e Ambos
riram .
- Porque não
se juntou a nós na festa de boas vindas ontem Anne .. Anne Fisher ? -Perguntou
Justin e lançou um pequeno sorriso e uma piscadela para uma menina que passava
perto de sua mesa e a mesma sorriu . Anne acompanhou seu ato . Ela
exatamente não sabia oque pensar sobre ele , pois a alguns minutos ele estava
ao lado de uma garota tão perto a ponto de quase beija-la e a menina o olhava
como a própria Anne olhava para Bastien , e minutos depois estava a flertar com
olhares com outra rapariga . Ela estava confusa sobre oque pensar .
- Eu estava
sem animo . -respondeu baixo e mordeu um pedaço de sua maçã .
- Ela é do
tipo que não curte festas . -comentou Sam .
- É , é isso
-confirmou Anne .
- Mas Sam ,
veja pelo lado bom , eu também não curtia e veja oque sou hoje . Isso é apenas
o começo -falou Dominic .
- Oque você é
hoje ? -perguntou Anne
- Sou o
organizador das melhores festas de toda escola -disse modesto e Anne
encolheu-se . - Não acho que isso algum dia possa acontecer comigo .
- Talvez
-Justin balbuciou- Talvez você se encontre aqui ou talvez você seja
aparentemente chata como demonstra ser .
- Eu não sou
chata -revidou-
- Ela não é
chata Justin , ela só é culta , isso culta -Sam brincou e Anne riu junto de
Dominic .
- Por isso não
me dou bem com connard mal educados -murmurou .
- Bem , bem
mas oque é isso gente ? -Sam bateu leves palmas entusiasmada - Vocês vão mesmo
se xingar agora ? Saibam que ainda restam-lhes um ano inteiro juntos , na mesma
escola e na mesma turma e química pelo resto dos dias letivos
- Oque ?
-ambos perguntaram e Dominic ria da situação , sabia que aquele seria o inicio
de uma grande amizade .
- É isso ,
vejam que maravilha , todos nós vamos ter aula de química juntos ,
isso significa que as segundas feiras serão tediosas , mas ficaremos
no tédio da manhã de segunda juntos -Ela sorriu e Anne pois uma mecha
de seus cabelos para trás da orelha .
- Isso é
fantástico -Dominic fingiu animação e Sam revidou mostrando-lhe o dedo e
desfazendo seu sorriso alegre .
- Eu estava
tentando melhor o clima idiota , não me atrapalhe seu connard otário .
- Não sei oque
"Connard" significa então foda-se -eles riram e Anne não deixou de os
acompanhar na risada , ela precisava daquilo , precisava esquecer a dor da
saudade de casa .
- Significa
Justin em Frances -Ironizou Anne .
- Seu senso de
humor me fascina, Anne . -ele revidou com um sorriso torto e ironia em seu
tom e piscou para mesma que desviou o olhar .
O sinal então tocou antes que os novos colegas de Anne pudessem contar-lhe como
tudo na escola funcionava . Anne sentou-se Ao lado de Sam , e Justin a duas
carteiras a sua frente ao lado de Dominic , ela percebeu que a cada rapariga
que ali passava para tomar seu lugar ele lançava uma piscadela e um sorriso
quase não visível, ali ela lembrou do que seu pai havia lhe dito sobre os
garotos e Justin era o tipo de garoto que ela jurava que iludia a todas que por
ali passavam e lhe lançava uma piscada .
Parou
então de pensar nas noites não dormidas de cada garota que ele lançou uma
piscada por se sentirem tão facilmente iludidas por ele ao ver o professor
entrar , ele tinha a aparência tão envelhecida que Anne jurara que
ele não deveria estar dando aulas pois até seus paços eram cansados demais
, tudo no professor era demais , gordura demais , barba demais , pele demais
tudo em sua aparência era de mais .
- Bem vindos alunos -Ele disse baixo mais alto o bastante para que todos
pudessem ouvir .- Digo-vos que não aturarei as coisas que tive de aturar no ano
anterior , e que em minha aula não terá tanta moleza , eu escolherei as duplas
para que possam sentar juntos o ano inteiro em minha aula , pois no Ano
anterior deixei que vocês escolhessem e a minha aula tornou-se um inferno todos
os dias , e esse ano não serei tão tolerante -ele disse seguida de uma tosse
amarga .
- Bem vocês
-ele apontou para Justin e para Dominic - Vocês já sabem que não vão ficar juntos
, quero Justin aqui e Dominic do outro lado da sala -disse firme apontando para
o fundo da sala e Anne acompanhou seu dedo quando ele apontou para um
garoto de cabelos arrumados loiros e olhos negros. - Sente-se com Edward
-murmurou e Anne voltou a olhar para Dominic que havia levantado-se e pegava
seus livros e seu caderno de esboços olhou para Anne e Sam e sem voz disse um
"Eu estou fodido" fazendo com que Sam quasse risse alto suficiente
para que o professor ouvisse-a .
- Do que estas
a rir Sam ? -perguntou-a virando-se para ela e Anne pode ouvir uma risada sendo
presa na garganta de Dominic que caminhava para o outro lado da turma . - Você
também não ficará com sua colega de quarto , Vá sente-se com Elizabeth
-ele disse apontado para frente logo de frente para o quadro Anne olhou para
uma garota com as costas curvada e relaxada sobre a carteira, ela tinha cabelos
avermelhados e pele clara mas Anne não conseguia ver seu rosto.
- Ora mas eu
mal falo com Anne , porque tenho de trocar de lugar ? -questionou ela e ele a
olhou seriamente .
- Estas a me
questionar ?
- Só não acho
que isto seja justo.
- Sabe oque
será justo ? Outra anotação mandada para seus pais se tu não fores sentar ao
lado de Elizabeth, agora. -grunhiu e para um velho ele era mais rabugento que o
normal , pensou Anne ao ver Sam ceder e levantar-se juntando seus livros
e caminhando até a mesa ao lado de Elizabeth. E então ele continuou a separar
os lugares severamente assustando Anne cada vez mais, fazendo com ela se
perguntasse se só aquele professor era tão severo ou se todos daquela odiosa
escola se igualavam a ele nesse quesito. E então após juntar alguns bagunceiros
com alunos novos e nerds, ele chamou o nome de Justin que estava quase feliz
por naquela altura ele não ter chamado seu nome e talvez ficaria sozinho, mas
sua felicidade durou pouco.
- Bem, Justin,
você ficará com Anne -disse seguido novamente de uma tosse nervosa e Anne
afundou-se na carteira tapando seus olhos, tudo que ela podia pensar era que
aquele seria um longo ano.
No fim de seu
primeiro dia ela sentou-se no gramado ao lado de Sam e Dominic , o tempo estava
nublado e frio mas isso não os impediu de ir a procura de ar fresco . Anne
suspirou e Dominic sorriu para ela abrindo seu caderno de esboços .
- A menina suspira como uma velha nostálgica -comentou ele e ela o olhou.
- Bem, não sou
de tantos suspiros , mas estou com saudades só isso.
- Dê um
desconto para ela Bastien -disse Sam dando-lhe um tapinha no ombro.- É seu
primeiro dia .
- Parece que
deixou alguém importante lá . -ele disse rabiscando algo em seu caderno e Anne
reparou em seus dedos sujos do lápis em sua mão.
- Deixei
muitas pessoas importantes.
- Tipo o
namorado gato dela -Sam riu e Anne sentiu suas faces ficarem rubras.
- Mas também
tem meus filmes e livros, eu não gosto de deixa-los por muito tempo e não sei
se minha mãe irá manda-los para mim essa semana.
- Você
coleciona livros e filmes ? -perguntou Dominic a olhando
- Livros são
minha segunda paixão e filmes a terceira. -respondeu-lhe orgulhosa
- E a primeira
? -perguntou Sam
- Deixe-me
adivinhar -sorriu Dominic sacana- Sua primeira paixão é o cara que lhe
tira tantos suspiros, certo?
- Claro mas
como eu não pensei nisso -Sam concordou Eles riram e Anne sentiu-se
envergonhada-
- O nome dele
é Bastien .
- E ele é bem,
assim como você?
- Assim como
eu ?
- É como posso
dizer -Dominic olhou para seu caderno de esboços tentando encontrar as palavras
.
-
Aparentemente chata? -apressou-se ela
- Você não é
chata -ele voltou a olha-la e Sam afirmou com a cabeça concordando com o mesmo-
Não dê ouvidos a Justin , ele é sempre assim quando o conhecem.
- Pode não
parecer mas ele gostou de você, não é todo dia que ele não da encima de uma
garota e ele não deu encima de você, leve isso em conta , mostra que ele quer
ser seu amigo -Disse Sam deitando-se na grama e respirou fundo fitando o sol
coberto por nuvens nebulosas acima de suas cabeças, era uma pena quase nunca
poder ver o azul daquele céu.
- Ele não é o
tipo de pessoa por quem eu iria querer criar algum tipo de amizade. -ela cruzou
as pernas uma encima da outra como se estivesse praticando ioga e Dominic riu
junto de Sam mais uma vez .
- É
vocês serão bons amigos -afirmou Dominic
* * *
Após o toque
de recolher Anne vestiu seu pijama de porquinhos rosas e com Azas e sentou na
escrivaninha , respirou fundo e começou a rabiscar suas palavras de saudades
para Bastien em uma carta enquanto Sam não chegava pois tinha ido para o andar
superior abandonado com Justin e Dominic fumar cigarros, oque Anne não fazia e
nem pretendia fazer , então após negar o convite que Sam lhe fizera ela voltou
sozinha para o quarto e na carta ela dizia
"20 de
fevereiro
Oi meu amor ,
Só queria dizer que cheguei bem ,e que sinto sua falta . Não tive como te ligar
o dia inteiro pois neste maldito lugar não se pode ter aparelhos celulares nem
ao menos computador , e esse foi o único jeito que arranjei para poder contigo
me comunicar durante a semana. Bem eu queria poder manter de pé a promessa que
lhe fiz de falar contigo todos os dias , pois bem eu estou tentando , mas veja,
o universo parece estar conspirando contra mim , pois como pode ver não irei
poder cumprir minha promessa peço-lhe desculpas . Mas poço lhe contar como foi
meu primeiro dia de aula ? Pois bem , essa escola não é uma escola que um dia
eu colocaria um de nossos futuros filhos , os professores são cruéis , o tempo
aqui é horrível e o fato de ser tudo muto controlado é aborrecedor . Esse dia
poderia ter sido o pior da minha vida , mas pra falar a verdade não foi , eu
conheci três pessoas , A minha colega de quarto é o tipo de amiga que eu nunca
teria se um dia ela morasse em Valence , e para falar a verdade ela tornou meu
primeiro dia um pouco melhor , e me apresentou os amigos dela . Enfim resumindo
eu acho estou achando essa escola a pior escola que já estudei na minha vida ,
espero que melhore com o passar do tempo .
Mas eu não quero falar mais sobre essa porcaria toda , só quero dizer que estou
com muita saudade , eu senti sua falta no almoço e veja , você não estava lá no
refeitória brincando com as fritas como costumava fazer , eu queria que
estivesse e aquilo doeu , parece que falta uma parte de mim , parece que não
funciono sem você , acha que eu devo estar ficando louca ? Isso parece meio insano
eu não consigo mais me ver sem você , e saber que terei de aguentar tanto tempo
sem estar perto de ti dói-me o peito. Eu só queria poder te abraçar agora , eu
só precisava do seu cafuné antes de dormir, era tudo que precisava . Desculpe
por estar sendo tão melosa, desculpa mas eu não sei se irei aguentar, parece
loucura, hoje é o primeiro dia de mais de duzentos dias e estou aqui com um nó
preso a garganta tentando não permitir minhas lagrimas.
Esta
ficando tarde minha colega de quarto já deve estar voltando, acho que irei
dormir um pouco talvez a dor passe. Mande um beijo para mamãe, diga a ela que
estou a morrer de saudade e para que ela não se esqueça das minhas paixões,
mande um beijo também para Freya e Fabrice, diga que os amo muito, ha quase ia
me esquecendo , Boa sorte no show de Sábado, não se esqueça de
me escrever dizendo como foi.
P.s
: Je t'aime "
Anne suspirou
e com lagrimas molhando seus olhos ela fechou a carta e respirou fundo, nem o
ranger da porta se abrindo fez com que ela levantasse a cabeça. Ela apenas
enxugou as lagrimas
- Hei Anne, á
algo de errado ? - Sam perguntou deitando-se em sua cama e Anne enfim levantou
a cabeça e a olhou.
- Quero enviar
uma carta, quanto tempo acha que uma carta demora a chegar na França? -perguntou
- Talvez dois
dias, você tende levar a carta na direção e eles enviam.
- Pois bem,
levarei lá -Anne levantou-se.
- A direção
esta fechada, leve amanhã.
- Essa
porcaria de escola deveria ter pelo menos vinte quatro horas de funcionamento
da direção. -Resmungou e Sam riu .
- Bem, acho
justo.
E no dia
seguinte Anne acordou bem cedo arrumou-se e correu até a direção, uma mulher de
baixa estatura e gordinha estava atrás do balcão olhando-a de cima a baixo,
Anne chegou a pensar que havia esquecido de colocar os sapatos pelo modo como a
mulher a olhou, mas dispensou tais pensamentos e entregou-lhe a carta.
- Quanto tempo
a de demorar essa carta para Valance? -perguntou
- Valence?
frança menina? Oh , acho que dois a três dias.
- Mesmo?
- Sim.
- Oh,
obrigado. -murmurou.
Caminhou pelos
corredores e olhou em seu relógio de pulso , havia acordado meia hora antes do
que no dia anterior, os corredores quase vazios, ninguém estava a perambular
tão cedo ali. Caminhou para o quarto e conforme chegava mais perto da Ala dos
dormitórios, mais via os alunos a caminhar para o banheiro para tomar banho, a
fila do banheiro feminino já era formada por três garotas de pijamas, sentiu
seu corpo esbarrar em algo e então parou, levantou seus olhos e encontrou os de
Justin , ele estava com o a toalha jogada sobre o ombro, calças moletom cinza e
um casaco.
- Oh, desculpe, parece que ainda não acordei -Ele disse coçando os olhos.
- Tudo bem.
- Você acorda
cedo, já esta arrumada.
- É que eu fui
na direção entregar uma carta .
- Carta ? -ele
riu- Você é mesmo uma pessoa culta, por que você não fala por e-mail sei la?
Como alguém normal?
- Eu não
trouce meu notebook, esta nas regras que não se pode ter celulares nem nada
disso.
- Regras? Você
realmente aceita essas regras ? -novamente ele riu e Anne não via graça no
motivo de sua risada- Eles Não revistam nossas malas então é só você usar seu
notebook no quarto, e ninguém vai saber.
- Não gosto de
quebrar regras , pois bem se elas estão aqui são para ser seguidas.
- E você prefere
falar com a pessoa a quem mandou a carta assim? esperar dias para ser
respondida ?
- Não, bem...
-ela pensou por um instante sem saber oque responder-
- Se quiser eu
te empresto o meu .
- Eu não sei
se devo aceitar nada de alguém que vive me insultando -ela murmurou.
- A palavra
chata não é necessariamente um insulto , você deveria tomar como um elogio
gatinha.
- Você é um
babaca -respondeu-o entre dentes e saiu esbarrando propositalmente no ombro do
mesmo, ele riu e voltou a caminhar para o banheiro masculino.
Anne
abriu a porta e Sam ainda dormia, faltavam dez minutos para que o relógio da
mesma despertasse.
A semana então
se passou, Anne não atreveu-se a pedir o Notebook de Justin e perguntou a
Dominic e Sam durante a semana se algum deles possuía um, Sam não levava para
escola pois não gostava de se comunicar com seus pais, pois geralmente a cada
segundo que se falavam eles a questionavam por algo. Dominic não tinha
pois se recusa a se render ao socialismo e ser escravo das máquinas, ele não
possuía nem ao menos um celular.
Anne não
deu o braço a torcer e não pediu a Justin, que a cada dia que passava eles
ficavam mais próximos, mesmo Anne não querendo ele sempre estava por perto a
fazer piadas tolas e sem graça. Era sexta a noite e todos estavam a
arrumar as malas para irem para casa no dia seguinte , menos Sam que nunca ia
para casa pois se recusava a passar o fim de semana com seus pais . Anne enfiou
a ultima peça de roupa que faltava dentro da mochila e criou coragem para
perguntar a Sam se ela queria ir para casa com ela
- Sam -Chamou-a
- Hum -Sam
virou-se para ela
- Quer passar
o fim de semana comigo? Eu me dou bem com meu pai mas... Sabe, queria conhecer
a cidade.
- Eu não sei
se -Sam começara já fazendo Anne envergonhar-se avidamente por ter lhe
convidado tão repentinamente, mas um suspiro inesperado mudou a expressão da
face de Anne- Tudo bem.
* * *
- Oque foi Anne ? -perguntou Sam virando seu corpo para o sol.
- Nada. Só
estou com sono, e com vontade de ler.
- Que tipo de
livro você lê?
- Poesias, Romances, dramas.
- Você não trouxe nem um livro consigo?
- Os livros
que tenho já li e já reli inúmeras vezes.
- O bom nisso
tudo é que eu já sei oque lhe dar no seu aniversário. -Sam riu.
- Acho
justo.
- Pois bem,
daqui a pouco vamos a livraria.
- Tudo
bem.
- Espera só os
meninos chegarem aqui.
- Oque? Não,
não eu não posso demorar eu disse a meu pai que ligaria essa tarde para casa
ele avisou minha mãe quando ela ligou mais cedo antes de chegarmos da escola,
eu não posso ficar muito tempo na rua.
- hei, hei
calma minha cara, eles estão pra chegar eles estavam por aqui perto e eu
comentei com Dominic que estaria por aqui, ele disse que nos encontraria daqui
a pouco.
- Por
que?
- Anne, oque á
com você ? Parece até que não quer velos -Anne deitou-se na grama e suspirou
tapando os olhos dos raios de sol que lhe iluminavam a face.
- Não é que eu
não queira, é só que eles vão querer ir pra outro lugar e você também ai eu
irei ter de ir junto e chegarei em casa tarde para ligar para Bastien.
- Olhe, eles
estão ali -disse Sam ignorando a justificativa de Anne e sorriu acenando para
os mesmos que as viram e sorriram, era encantadoramente o modo como eles se
vestiam mesmo em um dia comum de sábado, Anne levantou a cabeça para olha-los e
logo após voltou a tapar os olhos ainda deitada na grama recém-cortada.
- Nós não
vamos a lugar nem um que você não queira Anne, vamos na livraria e depois vamos
voltar pra sua casa.
- Pois bem.
Vamos fazer isso -ela resmungou e tirou as mãos da face vendo Justin sentar-se
ao seu lado e Dominic a sua frente, ele sorriu para ela e jogou seu cabelo
quase encaracolado para o lado.
- Devil's
Throat hoje? -Justin perguntou olhando-a.
- Não é um
lugar que eu frequente mas vou porque Sam disse que vamos no cinema
antes.
- Bobagem
-balbuciou ele- Cinema você pode ir todos os dias.
- Não, não
posso.
- Por que não
ora?
- Porque só
podemos sair aos fins de semana meu caro -respondeu-o e Dominic prendeu um riso
na garganta enquanto abria seu caderno de esboços e Anne o olhou reparando seus
dedos sujos do lápis de carvão que carregava por todo lado.
- Você
acredita mesmo que só podemos sair nos fins de semana? -perguntou Justin com um
sorriso torto.
- Orá pois,
esta na lista de regras.
- Dê um desconto
para ela , Justin -murmurou Sam- Já disse, ela ainda não sabe da metade das
coisas que se pode fazer.
- Mas ela já
deveria saber pelo menos isso -ele riu para Sam-
- Justin quer
que Anne vire uma rebelde -Disse Dominic - Será difícil, veja a cara dela para
você meu caro, Anne não é o tipo de que um dia se tornara rebelde.
- Má
influencia não funciona comigo.
- Ora eu não
quero torna-la uma rebelde -disse ele e deitou-se ao lado de Anne- Só quero que
ela saiba como funciona tudo por lá.
- Como funciona
oque? -Anne perguntou a Justin e ele sorriu para ela.
- Tipo como
funciona a entrada de bebidas, cigarros e essas coisas, ou como funciona as
festas privadas que acontecem no dormitório masculino na maioria das vezes, e
quando tem trotes -ele iria continuar mas Anne o interrompeu -
- E oque eu iria fazer em uma festa privada no dormitório masculino? -perguntou
virando seu rosto para o mesmo, por um momento ela pode sentir o calor que
vinha dele sem ao menos toca-lo, sua face estava perto de mais, embriagando-a
de tal forma que a fizera recuar espantada com a sensação estranha que lhe
causara naqueles segundos.
- É que é o
Dominic que dá a maioria das festas.
- Ok, mas por que eu iria? É no dormitório masculino, é proibida a entrada de
meninas.
- É proibida,
mas quando você quiser meu Notebook pra falar com seu bode ruivo, irá ter que
quebrar essa regra. -ele disse sacana e riu junto de Dominic e Sam
- Meu bode ?
-o olhou com os olhos semi-serrados.
- Admita
aquela barba dele é engraçada.
- Pelo menos
ele tem pelos suficiente no rosto para ter uma barba. -rebateu e as risadas
tornaram-se mais altas.
- Oque quer
dizer com isso ? -Justin perguntou
- Meu caro, eu
falo mas não me responsabilizo pelo que você entende.
- pois bem, se
é assim tu vai ver minha barba crescer.
- Eu não
acredito -disse Sam entre uma gargalhada e outra-
- Assim quem
vai parecer um bode é você, da ultima vez que deixou sua barba crescer,oque se
crescia mais era os fiapos do seu bigode -Dominic zombou e Anne gargalhou
- Vocês ainda
querem zombar do meu namorado.
- Quem começou
com isso foi Justin. -defendeu-se Sam risonha.
- Foi o Dominc
que disse, naquele dia que fomos te chamar pro café e a Anne já tinha ido, ele
olhou para o porta retrato com a foto e disse aquele ali deve ser o namorado da
Anne, veja a barba dele, parece a o bode que minha avó tem, a diferença é
que ele é ruivo -Justin explicou-lhes e Anne revirou os olhos, Sam não
conseguia segurar a risada.
- Isso não é
engraçado -murmurou Anne.
- É -concordou
Justin- Não é engraçado.
- Mas eu
comentei com Justin e ele que ficou fazendo piada depois -defendeu-se Dominic.
- Mas pelo
menos o bode dela é bonito -disse Sam.
- Não mais que
eu. -Disse Justin convencido arrancando risada de todos
- Ele não é um
bode -Anne murmurou
- Desculpe
Anne, mas você tem que concordar que ele parece um bode de cabelos vermelhos
-Disse Sam entre uma risada e outra
- Não parece
não, eu gosto da barda dele.
- Eu vou
deixar a minha crescer, e quero ver se você vai dizer de novo que não tenho
pelos o suficiente para ter uma barba -Exclamou Justin e Anne o olhou com o
canto dos olhos
- Você parece
mais um frango com essa cara pelada, não deixe essa maldita barba crescer que
com certeza ficara pior -Ela murmurou baixo e divertida tirando mais risadas de
Sam.
- É Justin,
ela tem razão -concordou Dominic risonho
- Eu só não
gosto de barba, isso não quer dizer que eu não fique bem com elas -ele
defendeu-se das zombarias- Afinal eu fico bem de qualquer jeito
- Nossa
Justin, é assim que tu conquistas as garotas da qui? Dizendo o quanto é bonito
e charmoso? -Anne perguntou e ele riu
- Na maioria
das vezes eu só digo "Oi, eu me chamo Justin" -ele diz e não contem
outra risada vitoriosa e modesta- E elas simplesmente não resistem, pode ser o
meu sorriso ou o modo como digo a elas, ou sei la, mas elas nunca resistem,
sempre acabam no sofá velho la do meu quarto -Anne se sentou corretamente e o
olhou com os olhos semi-serrados, estava indignada com tal coisa, como ele
podia fazer aquilo com aquelas garotas ? Como elas podiam se render a ele , só
com um simples comprimento, oque ele tinha? Qual era o conteúdo dele para elas
renderem-se tão facilmente?
- Oque
acontece com as garotas inglesas? -Anne perguntou-os e os três riram, seu
irritamento era visível
- Não me inclua
nisso -Sam pigarreou- Eu nunca fui para aquele sofá, a não ser pra jogar
vídeo-game -ela fez uma pausa e pensou por alguns segundos, e pensou o quanto
aquilo era estranho- Eca Justin porque você não me falou que levava as garotas
pro seu sofá, isso é nojento eu já dormi lá sabia ?
* * *
- Como foi o passeio - Perguntara o pai de Anne enquanto sentava-se em sua
poltrona de couro e procurava o canal de esportes , era 17:00 da tarde e as
mesmas haviam acabado de chegar . Anne estava a folhear o livro que comprara ao
lado do telefone e Sam estava sentada no sofá também olhando a TV
- Foi legal
-falou Anne- Papai alguém ligou desde que sai?
- Sua mãe
ligou. -ele disse
- Mesmo?
Quando?
- Vinte
minutos depois que saiu, ela disse que tentaria ligar amanhã
- E Bastien?
- Quem é
Bastien?
- Meu
namorado, papai, eu já falei sobre ele e o senhor também já falou com ele. -ela
revirou os olhos tirando a atenção do livro
- Ha, ele não
ligou. Talvez ligue agora. -Dito e feito quando o mesmo acabou de falar o
telefone tocou ao lado de Anne, que quase se assustou, porém no segundo toque
ela atendeu, sorrindo como uma criança despreocupada, agarrando o telefone com
tamanha força a ponto de quase despedaça-lo de nervosismo e ansiedade de ouvir
sua voz após uma semana.
- Oui. -ela
murmurou
- Anne? -ele
perguntara do outro lado da linha e ela sorriu mais ainda
- Bastien?
- Oh, que
alivio -ela ouviu mesmo suspirar- Não queria passar pelo momento
constrangedor de falar com seu pai de novo. Céus ainda bem que foi você quem
atendeu hoje, recebi sua carta meu bem, sei que tudo vai dar certo
Do outro lado da cidade Justin paquerava uma garota na cafeteria, era algo que
ele não conseguia controlar, ver um sorriso de uma moça bonita o deixava em
êxtase. E ele aproveitava já que morava sozinho na cidade, e tinha um
apartamento só para ele no centro. Onde por conta da escola ele só usava aos
fins de semana. Em menos de dez minutos de conversa ele conseguira levar a menina
para cama, e isso era como ele disse a Anne, ele apenas dizia quem era ou
jogava uma conversa a fora e qualquer garota o queria, isso não acontecera com
Anne, muito menos com Sam, e ele gostava disso, gostava das duas pelo simples
fato delas dizerem não a ele, e ele precisava daquilo da sinceridade das
pessoas para com ele. Mas o sentimento que ele aos poucos criava pela francesa
de sotaque abundantemente sexy, era certamente diferente do que oque ele nutria
por Sam. Algo em Anne o deixava completamente desnorteado, sensações estranhas
o dominavam na presença dela, as trocas de ofensas civilizadas era mais do que
isso pra ele.
* * *
- Oque vocês
acham de assistir o massacre de nova Orleans? –Justin propôs enquanto os quatro
novos amigos estavam parados em frente a bilheteria. O frio era presente, Anne
que usava luvas quase não suportava aquilo, a voz dele a inundar seus ouvidos
parecia irrita-la a cada segundo que passava.
- Se você
estivesse no filme eu assistiria de bom grado –Grunhiu ela, arrancando um leve
riso do mesmo.
- Sabe que eu
não morreria de verdade, pois se morresse não teria ninguém para tornar seus
dias interessantes –Ele abaixou-se para sussurrar em seu ouvido, fazendo a
mesma se afastar
- Eu opto por
assistir o Hobbit –Dominic levantou a mão jogando os cabelos encaracolados para
o lado.
- Há, cala a
boca Dominic. Ninguém aqui é fissurado como você nessas coisas, não sei que
graça você vê nisso, e eu nunca entendo o porque dessa obsessão por um simples
anel.
- O Hobbit
explica quando o Bilbo encontrou o anel, e é antes de toda essa obsessão e
explica uma história de antes do senhor dos anéis e eu não tenho culpa se não
sabe apreciar boas histórias. –Resmungou ele novamente jogando o cabelo
encaracolado para lado, fazendo todos o olharem calados por um tempo.
- Você parece
um nerd virgem falando assim –Justin zombou
- Ninguém liga
pra essa merda, Dominic. Vamos assistir o massacre de Nova Orleans.
- Mas eu não
gosto de filmes de terror. –Anne quase choramingou.
- Vou comprar
as entradas. –Justin ignorou-a caminhando até moça por trás do vidro da cabine
da bilheteria.
- Eu posso
assistir o Hobbit com o Dominic? –Ela murmurou para Sam em um tom baixo e
receoso.
- Há que
bobagem, preferes mesmo isso do que um bom filme de terror?
- Eu não
gosto. –Explicou
- Eu também
não quero assistir isso. –Disse Dominic recebendo o olhar de Sam
- Você cale a
boca, e espera Justin voltar com as entradas porque você não tem querer.
- Esse é um
dos motivos que justifica a sua falta de namorado. –Resmungou ele como resposta
e recebeu um bufar irritado e costumeiro da mesma.
- Vá se danar
seu idiota, estúpido –Grunhiu
- Vamos?
–Justin aparecera já com as entradas, lançou uma rápida olhadela de canto para
Anne, ela suspirou, queria ir ao cinema, mas obviamente não com ele, e também
não estava em seus planos assistir algo que ele quisesse e não ela. Entraram
ainda com as breves discussões entre os quatro, e novamente ouve discussão
entre eles sobre onde se sentariam e ao lado de quem se sentaria. Justin
sentou-se ao lado de Anne, e riu-se divertido quando ela desvencilhou indo se
sentar do outro lado, ao lado de Dominic que a aquela altura parecia ser o
único rapaz aceitável daquela cidade. Mas ele logo levantou-se sentando-se ao
seu lado, perto a escada, em um péssimo lugar onde as pessoas passavam vez ou
outra esbarrando com o saco de pipocas em sua cabeça.
- Não fique
com medo, eu protejo você –Ele sussurrou risonho, fazendo-a revirar os olhos e
se enclinar para o lado de Dominic chegando sua boca perto o suficiente de seu
ouvido.
- Troque de
lugar comigo por favor?
- Há, Anne...
O filme já vai começar, não é tão ruim sentar ao lado dele –Respondeu-a
- Mas ele é um
saco.
- Aguente –Ele
riu baixo fazendo-a sentar-se corretamente e entediada.
- Desculpe, eu
juro que estou tentando ser legal. –Disse Justin.
- Só cale a
boca e me deixe em paz. –Grunhiu
- Não fale
assim, se não eu me apaixono –Riu baixo.
- Connard.
–Continuar a grunhir olhando para a grande tela a sua frente, ignorando a
risadinha sacana que ele dava. Ela nunca havia alguém com tamanho sarcasmo no
tom a todo momento
* * *
- Não, obrigado eu não bebo. -Anne disse recusando a margarita que Justin a
oferecera, Sam estava perto ao palco observando a banda de perto junto com
Dominic. Já Anne preferiu sair do calor humano que ali fazia e ficou afastada
sentada em um banco no bar, Justin fora contra sua vontade acompanha-la, por um
pedido de Sam, que não achara uma boa ideia deixa-la sozinha.
- Você nunca
quebra regras? -Perguntou-a, um risinho nervoso e acanhado ecoou dos lábios de
Anne.
- Eu não acho
que possa valer a pena. Eu quero que minha vida aqui passe rápido -Ela mordeu o
lábio inferior, sua expressão era vazia, parecia não querer estar ali, sua
vontade era de correr para casa só para ligar para Bastian para poder passar a
noite inteira pendurada ao telefone. Ela olhou para os lados podendo ouvir a
euforia das pessoas quando a banda que Justin conhecia havia começado outra
música, e por fim disse: - Quero que tudo termine logo, e o melhor a fazer é
não me render a nem uma dessas coisas banais que possam me impedir de ter um
rápido ano letivo.
- Se divertir
vai fazer o ano passar rápido. –Ele deu um gole em sua margarita.
- Como se você
se importasse com isso.
- Não me
importo. –Riu com certo divertimento- Só que você se trancando por baixo de
toda essa proteção não vai fazer isso passar rápido.
- Não é
proteção –Retorquiu ela- Quer saber? Pense oque quiser, não me importo.
- Por que
vocês franceses são tão arrogantes? –Indagou ainda divertido, pra ele, nada era
mais agradável que uma discussão com aquela francesa irresistível e embora por
trás de sua arrogância tinha seu lado extremamente doce.
- O problema
não somos nós “franceses”, são rapazes ingleses idiotas como você que pensam
que todas temos que ser iguais.
- Há, assim
você me ofende Anne.
- Idiota. –Ela
revirou os olhos, arrancando-lhe uma risadinha divertida.- Oque te diverte
tanto, Justin?
- Você.
- Tenho cara
de palhaça? –Virou-se um pouco o corpo para olha-lo, seu semblante cafajeste
era presente como de costume, seu pequeno sorriso sínico no canto da boca nunca
desaparecia por completo.
- Você não me
ouviu afirmar isto, ouviu?
- Sua tentativa
de flerte costuma se sempre estúpida assim?
P.o.v Anne
Era impossível
uma conversa adequada com aquele idiota, ele tornava tudo em um grande jogo,
cheio de sarcasmo, ironias e piadas medíocres que não eram nada engraçadas.
Estar na presença de alguém nunca foi tão irritante, a todo segundo eu queria
lhe encher de socos. Mas não o fazia, era um sentimento que eu nunca havia
sentido antes, aquela irritação simplesmente por ter ar correndo em seus
pulmões e sangue pulsando em suas veias era assustadora. Nunca senti tal
sentimento antes
- Bom, eu não
estou flertando com você. –Ele sorriu
- Há não?
–Ergui uma sombra-celha para ele
- Se eu
estivesse flertando já estaria rendida a mim a muito tempo.
- Não trocaria
meu namorado por você nem que me ameaçasse. –Grunhi
- E oque ele
tem de tão perfeito?
- Ele não é
você –Sorri, ele gargalhou divertido.
- Talvez ele
seja até pior.
- Tenho
certeza que não há ninguém pior que você. –O olhei semicerrando os olhos- Não
há ninguém tão impertinente como você.
Segunda 07;00 A.M
Recolhi meus
livros de Filosofia e os de física quântica apressada, abracei-os contra o
peito e bufei por estar tão atrasada a ponto de ser deixada para trás por Sam,
que saíra mais cedo quando minerva, a inspetora de corredores denominada
Cerberus, tão cruel quanto o próprio cão guardião dos portões do inferno a
chamou dizendo que seus pais deixaram uma mensagem com a diretora. Corri os
olhos pelos corredores aliviada por estar cheio e ainda ter pessoas a
perambular por eles na ala feminina, abaixei os olhos evitando totalmente os
olhares repulsivos que eram lançados contra mim. Por algum motivo parecia que
todas as garotas de certa forma criaram um certo ódio por mim, talvez fosse
essa aproximidade que tenho com Justin, mas realmente daria toda essa
aproximidade que ele insiste em demonstrar que temos por um minuto ao lado de
mamãe e Bastien.
- Bom dia flor do
dia. –Sua grotesca voz próxima ao meu ouvido cantarolava fazendo-me abraçar os
livros com mais força com o susto.
- Por que esta
aqui? Sabe que se a Minerva te encontrar por aqui pode te arrancar o fígado.
–Grunhi levantando os olhos para ele que sorria de canto.-
- Cerberus esta
bem longe daqui.
- Ela esteve a
pouco no nosso quarto. –Respondi enquanto descia as escadas, avistei no começo
da escada Ruby, a alguns dias soube que ela era a moça mais desejada e popular
de todo campus. Com aqueles cabelos avermelhados naturalmente e seus olhos
azuis safira era realmente impossível dizer o contrário, mas como o resto do
campus ela tinha certo ‘ódio’ de mim. Realmente aquilo não me importava,
receber o ódio ou amor das pessoas não iriam fazer o ano passar mais depressa.
- Disse certo
–Ele murmurou despertando minha atenção- “esteve a pouco”, oque me deu a chance
de esperar o suficiente até ela sair.
- Nem irei
perguntar oque estava fazendo por aqui.
- Vim te buscar
pro café. –Sorriu, sabia que em seu tom tinha tamanha pitada sarcasmo
fazendo-me revirar os olhos.- Ruby –Ele acenou com um sorriso para ela, que
retribui com um aceno com a ponta dos dedos.
- Não se esquece
de passar lá hoje Bieber. –Ele não a respondeu, apenas assentiu com a cabeça.
Esse era mais um dos motivos pelo meu intenso ódio por Bieber. Me irritava e me
indignava o modo como ele brincava com os sentimentos das moças, me sentia tão
traída quanto elas, queria sair dizendo a todas elas o quanto aquela carinha
bonita não valia o chão que pisava, só em ver os olhares abobados e suspiros
que ele causa a passar deixa-me nervosa, porque nada posso fazer pra abrir os
olhos delas.
- Por que esta
correndo? –Ele perguntou
- Estamos
atrasados.
- Ainda nem bateu
o sinal.
- Eu não gosto de
entrar na aula de filosofia depois do sinal –Grunhi- Ele me da medo.
- A pergunta minha doce Anne, é quem não lhe
dá medo –Ele sorriu
- Cale a boca
–Resmunguei entrando no refeitório, por incrível que pudesse parecer, em nossa
mesa Sam estava a dar gargalhadas enquanto Dominic dizia algo, oque nunca
aconteceu desde que pus os pés dentro desta escola. Sam parecia rir de muitas
coisas, mas nunca das bobas piadas de Dominic. Peguei uma bandeja sentindo
Justin ainda estar ao meu lado, pegando uma bandeja logo em seguida para ele.
- Ainda estou
esperando sua visita. –Ele murmurou fazendo com que eu o olhasse entrando na
fila
- Oque?
- Sua visita ao
meu quarto.
- Por que eu iria
ao seu quarto.
- Meu notebook.
- Nunca entrarei
naquele quarto profano –Resmunguei- Sabe-se lá quantas coisas já se ouve lá
dentro? Me tira a fome só em pensar –Resmunguei pegando uma caixinha de suco e
alguns biscoitos. Ele não pegou exatamente nada além de uma maçã, oque me fez
revirar os olhos por ele só estar na fila para me torrar a paciência.
- Fala como uma virgem –Ele riu-se, senti
instantaneamente minhas bochechas esquentarem tirando-me qualquer resposta que
sempre estava pronta na ponta da língua desde que o conheci.Como resposta pude
ouvir sua risadinha- Há, como não percebi antes. Você fala como uma virgem
porque é uma virgem
- Isso não é algo
ruim. –Sussurrei saindo da fila, sentindo os olhares em cima dele e obviamente
as fuziladas essessivas das moças em cima de mim fazendo-me quase deixar os
livros e bandeja caírem de nervosismo. Ser observada pelas pessoas sempre me pareceu
algo extremamente constrangedor, sempre parecia que elas estavam rindo de mim.
- Não é –Ele
concordou.
- Prefiro ser
virgem do que me esconder por trás de uma fachada ridícula de “pegador”.
- Eu amo sua
sinceridade –Comentou em uma risadinha- E seu falso ódio por mim.
- Não é falso –O
olhei- É o sentimento mais puro que já senti antes.
- Tudo em você é
puro minha doce Anne. –Ele riu, eu revirei os olhos enquanto desastradamente eu
colocava os livros e a bandeja em cima da mesa.
- Bom dia bela adormecida
–Dominic tinha um vasto sorriso a levantar sua face, eu me sentei vendo Justin
sentar-se ao meu lado.
- Bom dia Nick
–sussurrei
- Nick? Já esta
nesse estádio de amizade e nem me contaram? –Sam riu, eu revirei os olhos abrindo
minha caixinha de suco sem respondê-la.
- Só a mãe do
Dominic o chama assim –Justin murmurou ao meu lado-, e quando o chama ele pede
pra ela parar.
- Ao contrário de
você Dominic não é um cretino Justin –Expliquei-os em um meio sorriso- E eu
chamo-o como quiser, e se ele permite que eu chame assim irei chama-lo.
- Cretino aqui,
só você Bieber. –Sam riu.
- Obrigado, vocês
não precisam me elogiar assim tão cedo.
* * *
- Anne... Anne acorda! –Me acordava uma voz
rugente fazendo-me abrir os olhos por mais pesadas que minhas pálpebras
estivessem.
- Que é? –Grunhi
- Temos que ir a um lugar.
- Oque? Por que Sam? Que lugar? –Sentei-me
- Vem, você vai ver. –Ela agarrou-me pela mão sem
ao menos esperar que eu respondesse. Tudo estava escuro, o sol mal havia
surgido ainda no céu, e eu que havia passado a noite escrevendo uma carta pra
Bastien pareceu que eu havia tirado apenas um cochilo. Ela só me deu tempo de
simplesmente por minhas sandálias e arrastou-me para fora do quarto.


- Ansiosa como sempre pra ler mais <3 <3 <3 <3
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