Born To Be Bad - 2º Versão ATUALIZADA 06/11


Marg Wine e Margo Campbell, pessoas totalmente diferentes ou a mesma pessoa? Ah quem desconheça Marg Wine mas conheça Margo Cambpell e á quem desconheça Margo Campbell e conheça Marg Wine... A verdade é que não se pode conhecer as duas faces de Marg, ou Margo. Em seu mundo não é possível demonstrar esse dois lados de sua face que são completamente diferentes para a mesma pessoa.
Marg Wine mesmo sendo um nome adquirido após cantar em bares do Brooklyn sempre foi a verdadeira identidade dela, Marg Wine tem aquela doçura oculta, tem o romantismo, tem penas em sua cabeça e uma coleção incrível de Blues e Jazz. Marg Wine emana melancolia e é totalmente incompreendida, Marg Wine tem apenas a sua voz para demonstrar como realmente se sente, Marg Wine pertence ao Brooklyn, Marg Wine tem a alma suburbana. Já Margo Campbell é a verdadeira farsa, uma outra face completamente diferente, criada apenas para se enturmar e ser aceita, assim fodendo-a a si mesmo para chegar ao topo de Nova York, Margo Campbell é só mais uma burguesa de Nova York, que se esconde por trás de sua maquiagem exagerada e seu ego. Margo Cambpbell destrói lares, e carreiras de seus professores por puro fetiche e diversão... Até ela entrar na faculdade.


BORN TO BE BAD

O vestido caia-me melhor do que eu havia esperado. Minhas curvas refletidas ao espelho me trazia o ar de satisfação, eu estava tão bonita quanto Bonnie ao meu lado. Eu estava nervosa, era o jantar mais importante do ano para o meu pai e minha mãe, mas oque eu mais esperava era a festa que rolaria meia hora depois que os mais velhos jogassem conversa fora e esfregassem na cara um do outro o quanto eram ricos, no entanto eu não deveria esperar tanto já que Ramona não estaria lá para seR juntar a mim na zombaria. Revirei os olhos com tais pensamentos e respirei fundo. Eu havia chegado alguns dias de Paris, onde tive inúmeras aventuras e prazeres inesquecíveis, mas tive de voltar e começar minha faculdade. Também porque eu estava cansada de Bastian, e precisava dar o fora nele sem ser tão cruel, é estranho, mas os franceses são extremamente sentimentais.

- Oque houve, Margo? -perguntou-me Bonnie
- Nada, só estou entediada prevendo como será esse maldito jantar tão importante.
- Se mamãe te ouvir falando desta maneira corta-lhe a língua. -Avisou.
- Eu sei, eu sei. Mas eu espero que isso não demore.
- Não vai -Ela disse firme moldando seus lábios com o batom vermelho, que caía-lhe totalmente bem levando em conta o tom cinzento de seus olhos, na verdade eu sempre achei que Bonnie fosse uma versão mais nova de mim, porem mais responsável e paciente.
- Vamos? Eu não vejo a hora de sair daquele lugar – resmunguei.
- vamos

Descendo as escadas mamãe e papai já estavam tão arrumados como de costume. Sorri para eles e recebi um beijo na testa como resposta de meu sorriso, todo ano ocorria àquela maldita festa, e todo ano papai parecia estar nervoso como se fosse a primeira vez. Eu não conseguia entender tal coisa já que são as mesmas pessoas mesquinhas e egocêntricas de sempre.
- Margo, mas oque houve com o pano das costas do seu vestido? -Papai grunhiu, e eu revirei os olhos.
- Eu não irei trocar - rebati sabendo que essa seria sua segunda fala e ele respirou fundo-
- Você não poderia usar um vestido mais descente? Não vamos a uma festa como a de seus amigos.
- Esse vestido é descente - questionei.
- Não, não é.
- Eu já disse que não irei trocar.
- Querido estamos atrasados - A voz doce de mamãe encerrou o começo de uma breve discussão que se não fosse por ela duraria a noite inteira-
-Margo não pode ir a festa com um vestido com tão pouco pano assim.
- Não exagere. O vestido só não cobre as costas, querido.
- E esse decote? Ela vai chamar atenção de todos os marmanjos e velhos babões daquele maldito jantar, ela não vai com esse vestido.
- Não podemos ficar nem mais um minuto esperando Margo por outro vestido, não se esqueça que você tem que chegar mais cedo para receber os convidados ao lado de Jhoseph. -murmurou mamãe tentando acalma-lo e eu revirei os olhos, era inacreditável como ele insistia em sempre querer mudar algo em mim.
- Tudo bem, vamos. -ele finalmente então se deu por vencido, eu soltei o ar que prendia e os segui porta a fora.
* * *
Após o termino do maldito jantar, onde eu tive que fingir estar gostando de olhar para as faces caídas daqueles idosos esnobes, e as faces moldadas ao extremo em maquiagens daquelas mulheres e homens irritantes que falavam a mesma ladainha do quanto eram ricos e saiam para desfrutar a riqueza. Eu finalmente pude por os pés naquele salão que era fechado somente aos jovens filhos dos sócios, aquela era a única festa pela qual eu não precisava fugir de casa para poder ir, papai deixava de bom grado ficar naquele salão enquanto ele ia para casa com mamãe.
Bonnie olhou-me e abriu os lábios vermelhos em um pequeno sorriso, bebi um gole do uísque em meu copo após sentar-me no banco do bar ao lado de Bonnie e fiz uma careta.
- Eu preciso dançar, e essa festa só toca esse tipo de musica -murmurei- Que diabos, você viu o Shep por ai? -perguntei.
- Oque você quer com aquele garoto? Sabe que não pode simplesmente transar com ele como costuma fazer com os outros rapazes, você sabe que ele gosta de você. -repreendeu-me e eu não contive uma risada.
- Ora, acalme-se maninha, quem disse que eu também não gosto dele?
- Você não deveria fazer isso. -falou emburrando-se, ela sempre o fazia quando o assunto era “Magoar Shepley”
- Ele é homem -sorri- Ou ele me esquece depois da transa e ter saciado-se, ou ele vai gostar o bastante pra pedir de novo.
- Eu realmente as vezes não te conheço -ela disse com sua testa franzida, e percebi Shep aproximar-se, só que estava acompanhado, eu virei o ultimo gole do uísque o pus no balcão, aquilo desceu-me rasgando garganta a baixo, mal consegui prestar atenção em Shep quando vi o homem ao seu lado, ele era alto e tinha grandes braços, que eu mal pude ver estando grudados a uma camisa branca de botões e calça jeans pendida exatamente ao seu quadril, seu corpo parecia ser esculpido por Deuses, ele parecia ser obra de Apolo, ele era incrivelmente gostoso, os cabelos cor de cobre moldados em um topete coberto de gel, os lábios rosados e extremamente convidativos, o olhar incrivelmente sexy, caramba acho que não consegui respirar por alguns segundos fitando aquele homem incrivelmente lindo . Ele parecia ser o cara mais simples daquela festa, mas a simplicidade era apenas nas vestimentas, pois o mesmo era tão bonito e com braços tão fortes que me fez sentir um formigamento entre as pernas. Mordi os lábios e desviei quando percebi que o mesmo me olhava de cima a baixo, como se fosse um predador analisando sua presa.
- Olá, Margo. -As mãos de Shepley pousaram em minhas costas desnudas, e então virei-me para ele, o homem de olhos esverdeados e braços fortes ao seu lado ainda olhava como um predador, aquele olhar que me fazia quase ter um orgasmo.
- Oi Shepley. –Balbuciei sem interesse, e senti seus lábios molhados de vinho em meu rosto. Aquilo estava se tornando um tanto desconfortável, sua mão ainda repousava em minhas costas.
- Oi Bonnie -ele acenou para ela e ela um tanto avermelhada retribuiu em um "oi" tão baixo com uma voz de ratinha, voz  que ela sempre fazia ao lado de um cara como Shep.

- Bonnie, Margo, esse é meu amigo da faculdade Sthanley. -ele disse sorrindo e eu afastei-me um pouco
- Prazer, Sthanley Cliford. -ele pegou-me a mão e beijou a mesma, e seu olhar de predador havia desaparecido agora era um olhar indecifrável que ele carregava, eu sorri, porem não deixei transparecer que havia ficado embasbacada, eu conhecia aquele tipo, seu olhar de predador sobre mim havia denunciado-o, ele era um cretino, e eu queria saber o quanto ele era cretino e predador na cama.
Ele soltou minha mão e agarrou a mão de Bonnie e vi a mesma corar pela segunda vez naquela noite ao falar com um cara.
- Então meninas, vocês estão se divertindo? -Perguntou Shep
- Não muito -Eu disse após alguns segundos de silencio, pois eu esperava que Bonnie dissesse algo. - Sabe Shep, eu estava pensando em ir pra outro lugar, bem, você sabe, uma festa de verdade, essa festa não é a mesma quando não se tem Ramona Clark para animar. -Eu disse e ele soltou uma risadinha nervosa, dei uma olhadela para Sthanley que mal se importou em afundar os olhos em meu decote, pervertido, era bom saber que aquele decote servia de algo aquela noite.
- Não sei onde podemos ir. –Shep disse, eu mordi o lábio tentando não ter contato com o predador ao meu lado.
- Porque não damos uma volta Margo? Podemos dançar, ou dizer “oi” aos seus amigos do colégio. –Propôs Bonnie quase sem voz, eu sorri balançando a cabeça.

* * *

- Caramba que sujeira. –Grunhi após meu corpo se colidir com outro tão duro e travado quando eu havia acabado de pegar meu copo de margarita, aquele predador já estava no papo. Eu só preciso esconder de Shep e depois correr para os braços daquela obra de Apolo. O cara a minha frente com cabelos arrumados de gel e olhos caramelados grunhiu algo inconformado, ele tinha a barba propositalmente por fazer e sinceramente tinha uma beleza extraordinária escondida por trás de um suéter cinza, resolvi então me redimir e peguei alguns guardanapos atrás de mim rapidamente tentando não parecer tão embasbacada com aquele homem a minha frente.
- Eu realmente sinto muito, não tive a intenção. –Falei enquanto o ajudava desastradamente com os guardanapos, seus olhos em fim fitaram os meus completamente, estava um pouco escuro acho que fora o motivo pela qual ele não dera em cima de mim, pois ele não me viu completamente.
- Esta tudo bem. –Resmungou, e deu-me as costas resmungando mais coisas que não consegui identificar oque era. Qual era o problema dele? Porque ele nem me lançou uma típica piscadela ou até mesmo não murmurou algo a mais do que apenas um “Esta tudo bem” e um olhar frio. Realmente era porque estava escuro e ele não podia me ver de todo. Dei de ombros e dei a volta tornando a pedir outra margarida. Dessa vez tomei o cuidado para não esbarrar em ninguém, apenas derramei o líquido garganta a baixo enquanto ia à procura de Shep, meu predador e minha doce irmãzinha que iria pra casa sozinha essa noite.

P.O.V JUSTIN
- Oque aconteceu com você amor? –Lisa tinha as sombra-celhas erguidas, eu suspirei. Aquele não era meu lugar, aquelas pessoas, aquilo não era pra mim, aquele lugar onde as pessoas só faziam era dizer o quanto tinham posse e oque podiam fazer, oque me indigna é que esses burgueses gastam dinheiro com jantares como esses e não se interessam em ajudar e a fazer jantares para aqueles que realmente precisam. Estar naquele lugar me deixava frustrado e extremamente desconfortável, oque me conturbava era que ela nunca percebia o quanto aquilo me incomodava e continuava a me carregar para esses lugares.
- Uma garota esbarrou em mim com margarita. –Respondi- Eu não me sinto a vontade aqui, Lisa. Eu vou indo, se quiser pode ficar, fica com tuas amigas mas eu vou pra casa, tenho algumas provas pra corrigir.
- Seu trabalho vem sempre em primeiro lugar não é mesmo, Justin? –Seus braços se cruzaram um pouco a baixo dos seios cobertos por um vestido azul escuro, seu semblante mudara e ela já não parecia preocupada comigo. Molhei os lábios tentando encontrar uma desculpa, se ela não percebia que aquele lugar me incomodava eu não diria já que era tão importante pra ela.
- Eu já fiquei o bastante, Lisa. –Contestei- Você não me disse que ficaria tanto tempo assim após o jantar.
- Como não Justin? Há, quer saber, vai, se afunde no trabalho mesmo. Eu não me importo, não sou tão importante assim pra você não é? Seu trabalho é a prioridade, não eu. –Ela saiu tão impertinente quanto uma garotinha pirracenta de 10 anos, abri a boca em menção de chama-la inúmeras vezes enquanto a via sumir dentre as pessoas daquele salão gigantesco. Abaixei meus olhos para meu suéter encharcado por aquela moça destrambelhada e suspirei, o mundo de Lisa nunca será meu mundo, eu não pertenço a essa classe de pessoas, e se eu pertencesse não perderia meu tempo fazendo ou vindo a jantares como esse. Pelo que José me comentará esse jantar era dado reservadamente para as famílias mais ricas de toda cidade de Nova York, e Lisa se encaixava perfeitamente naquilo, não eu. Burgueses hipócritas. Enoja-me só em lembrar oque se era conversado a mesa.
Um suspiro intenso rasgou-me tristemente a garganta, não queria brigar mais uma vez com Lisa, queria apenas uma noite terminar sem brigas. Queria que ela pudesse entender o motivo do meu esforço, queria apenas que fossemos como antes, queria terminar minhas noites com ela enquanto ela lia-me poemas de seus escritores favoritos, ou até mesmo enquanto ela me dizia como havia sido seu dia. Agora isso mal acontece, nossas poucas noites passadas juntos se resumem a cada um pro seu canto. Não queria que nossa vida terminasse dessa forma, ainda queria que ela fosse a mesma menina de dois anos atrás, ainda queria que ela continuasse daquela maneira sonhadora e intelectual de antes, no entanto parece que ela esta ficando como seu próprio pai.
- Professor Bieber. –Uma de minhas alunas dizia surpresa barrando-me na saída do salão, seu vestido justo lhe dava um volume notável e que não era notável nas aulas, seu batom a moldar-lhe os pequenos lábios avermelhados encantavam aquelas doces bochechas de Brigeth. Ela era uma ótima aluna, costuma sempre a debater nas aulas, seu comportamento é sempre admirável.
- Senhorita Harris. –Meus lábios se curvaram em um sorriso quase não visível enquanto eu balançava a cabeça em um comprimento a ela.
- Esteve aqui durante o jantar professor? Já esta de saída, mal o vi, queria comentar sobre o livro que passou. –Ela tinha um largo sorriso nos lábios avermelhados, eu comprimi os lábios voltando a andar e tentando sair daquela conversa, ela era uma ótima aluna mas eu realmente não estava com a intenção de ficar ali naquele lugar a falar sobre trabalho.
- Desculpe senhorita Harris, estou de saída, conversamos sobre o livro na segunda. –Disse enquanto continuava andando, já em uma distancia de dois metros ela levantou a mão acenando.
- Tudo bem professor, até segunda. –Dizia ela em um tom extremamente alto, eu acenei e me virei para frente finalmente saindo daquele local que me incomodava. Oque também me incomodava era que eu fedia intensamente a margarita, oque me leva a me perguntar oque vem acontecendo com os jovens de hoje em dia. Ao sair do grande local passei pelo saguão e me direcionei rapidamente até a rua, meu carro estava pouco a frente do local. Olhei para ambos os lados da rua me perguntando se aquele realmente era o meu carro, havia um grupo de quatro jovens praticamente sentados no capô do meu Dodge challenger. Uma moça que me lembrava a moça a quem me dera uma belo banho de margarita se inclinava sobre um grande rapaz estranhamente tatuado, ela parecia bêbada a ponto de quase não se aguentar de pé. Algo nela realmente me deixava intrigado e incomodado, talvez fosse essa sua beleza estrema e ao mesmo tempo irritante. O rapaz que eu me lembrava vagamente de ter o visto pelos corredores da faculdade, me olhara um tanto confuso
- Professor. –Ele acenou
- Hum... Esse er... O meu carro. - Grunhi apontando para o mesmo.
- Há, nos desculpe. Sairemos daqui, só estávamos pegando um ar, nossa amiga não se encontra muito bem. –Explicou ele, uma risada avoada ecoava dos lábios daquela jovem, eu tentei não me incomodar com o modo como aquele grande rapaz tatuado a segurava, mal sabia porque havia me incomodado com aquilo, aquela moça me dera um maldito banho de margarita, chegarei em casa com odor de um bêbado e eu mal ponho uma bebida na boca a anos. Eles saíram indo para o outro lado da rua ficar em frente a outro carro de outra pessoa, eu destravei o carro e finalmente sem nem um obstáculo dei a partida podendo ir para casa e em fim descansar após terminar de corrigir algumas provas. Dirigi com meus pensamentos dispersos, tudo se ligava ao que estava acontecendo comigo e Lisa. Tristemente eu sentia ela se afastando, tristemente eu percebia que ela já não estava tão admirada comigo, tristemente eu sentia que ela havia se cansado do modo como eu me comportava. Eu sabia que pra ela eu certamente não era tão encantador como nos primeiros meses que estivemos juntos, provavelmente ela já estava cansada o bastante de meu modo reservado e calado, ela parecia não me suportar, sempre há algo que nos impeça de ter uma noite agradável, sempre há algo que nos impeça de terminar um dia sem brigas. Eu queria mudar isso, querida fazê-la feliz como a alguns anos atrás. Mas já que eu a incomodo tanto não acho que seja o certo continuar tentando.
Entrei no estacionamento do meu prédio no Brooklyn, e logo encontrei uma vaga onde estacionei o carro e diversos suspiros sai do estacionamento indo em direção a escada. Parecia que algo faltava em mim, era como se eu tivesse perdido algo e uma estranha tristeza me possuía inteiramente. Não sabia se era somente porque já não podia fazer Lisa feliz ou se era porque não me sentia o suficiente. Lisa diz que eu afasto as pessoas, diz que meu modo extremamente reservado faz as pessoas acharem que eu me sinto superior. Superior? Céus eu moro em um apartamento no Brooklyn, dou aula em uma única universidade e com meu salário mal da para leva-la em um bom restaurante no centro da cidade. Uma coisa que não me sinto é superior, é bem ao contrário, vivo sempre com essa sensação estranha de inferioridade, vivo sempre com essa estranha sensação de estar pedido. Tenho quase trinta anos e nunca fiz nada realmente marcante em minha vida, mas eu não sei se posso me arriscar a fazer. Após murmurar um “Boa noite” para o meu porteiro Acácio que estava quase a pegar no sono dentro da cabine por trás do vidro, e ser respondido com um breve “Boa Noite seu, Bieber” eu me direcionei até as escadas, meu elevador quase nunca funcionava. Era uma extrema raridade ver esse elevador funcionando, moro aqui a seis anos e só me lembro de ter entrado nesse elevador dez vezes, eu gostava de subir as escadas, meu apartamento era no quarto andar, era sempre cansativo mas eu gostava. Era meu tempo de pensar, pensar nas coisas que iriam acontecer no decorrer do dia, mas hoje, há hoje me emanava tanta preguiça e tristeza que a única coisa que me satisfaria seria esse elevador funcionando.

- Você não pode fazer isso comigo,Conrado –Gritara minha vizinha do apartamento ao lado quando em fim estava já em meu corredor.- Conrado por favor, eu sei que não estamos bem mas larga estas roupas aí homem. Podemos continuar mesmo sem dinheiro, não podemos voltar pro Chile. –Continuava Alexandra a gritar, por meses venho tendo de escutar essa gritara incansável de lamentações e brigas de Conrado e Alexandra. Nunca vi mulher como Alexandra, se Lisa um dia me apoiasse dessa forma eu seria o homem mais feliz do mundo. Eu podia em fim me sentir bem por estar com ela, e não certamente um fardo de quem ela esta obviamente cansada.
- E vamos viver do que mulher? Como vamos continuar pagando o aluguel? Quer morar de baixo da ponte? Ou tu vai comigo ou eu não lhe espero mais, fique aqui e morra de fome e vá parar em qualquer lugar de sem teto –Eu bufei e tirei minhas chaves do bolso chegando a minha porta, com toda aquela gritaria desse tal desistente de Conrado e essa sonhadora de Alexandra eu sabia que essa noite eu não dormiria tão sedo.

P.O.V Margo Campbell
Manhattan – 10:30 A.M
Balbuciei sentando-me naquela gostosa cama e cocei os olhos sentindo o sol inundar o quarto estranhamente grande do apartamento de Sthanley, a porta que dava de encontro a varando estava aberta. Ao meu lado Sthanley não estava, mas isso não me importava, já tive oque queria por mais que tivesse custado ter de enrolar Shep por tempos. Lembro-me de poucas coisas da noite passada, mas me lembro de ter visto aquele homem em quem derramei margarita, ele tinha aquele olhar frio sobre mim, mas no momento eu estava bêbada de mais para me importar. Mas não pude deixar de notar que Shep havia chamado-o de professor, de repente meu interesse por ele havia aumentado intensamente. Há, professores, faz seis meses que não tenho um caso com um professor. E ele, é um dos mais bonitos que eu já havia me interessado. Levantei-me e pus minhas peças intimas, caminhei pelo quarto observando as coisas de Sthanley, ele tinha um enorme pote de camisinhas em cima de uma escrivaninha perto a sua cama, tinha um típico pôster de mulher nua colado na porta de seu quarto, mas estava arrumado. Havia alguns livros espelhados, e uma estranha estante repleta de livros, interessada caminhei até a estante e observei os livros. Alguns tinham nomes estranhos, era uma língua desconhecida por mim, havia também várias revistas de mangas. Mal passava por minha cabeça que alguém como Sthanley tinha uma prateleira só com mangas. Revirei os olhos e me virei ao ouvir a maçaneta da porta, Sthanley adentrava no quarto com seus braços torneados a mostra em uma camiseta, ele estava suado e eu diria que havia saído pra correr.
-Bom dia. –Ele disse em um meio sorriso tirando a camiseta, quase me fazendo babar com tudo aquilo, segurei meu queixo.
- Bom. –Suspirei
- Quer sair pra um café? Minha empregada não costuma vir aos domingos, se ela viesse eu até pediria para ela lhe trazer seu café na cama.
- Não me leve a mal mas... –Molhei os lábios, há, porque ainda havia caras que me ofereciam café da manhã? Era engraçado, mas certamente eu gosto de fugir disso. Digamos que sou uma versão feminina de todos os cafajestes das histórias de livros românticos. - Eu não... Costumo tomar café da manhã, sabe, isso inclui conversa e eu no momento estou fugindo disso.
- Então não vou te ver mais? –Ele sorriu divertido, eu caminhei até a cama pegando meu vestido.
- Não costumo repetir a dose, assim não a preocupações. –Comecei a por meu vestido enquanto ele ainda olhava-me divertido.
- Você esta ciente que me usou senhorita, Campbell? Como um objeto sexual?
- Estou –Disse rápido terminando de por meu vestido- E não finja que eu não te poupei uma desculpa qualquer. Sei que sua intenção não é meu numero.
- Você não vai por o pé pra fora do meu apartamento enquanto não me deixa te levar para um café, se tu tens uma regra eu também tenho. –Ele sorriu, eu o olhei desinteressada
- Eu não vou, e mesmo que quisesse eu não iria a lugar algum com esse vestido e esses saltos.
- Podemos fazer algo na cozinha.
- Oque esta pretendendo Cliford? –Olhei-o com os olhos semicerrados, ele continuou a gargalhar.
- Primeiro eu quero que quebre mais uma regra transando comigo novamente agora no banho, você ser como eu me deixou com vontade de arrancar-lhe a roupa, segundo você toma um café comigo e esta totalmente livre.
- Por que acha que eu aceitaria isso? –Ergui uma sombra-celha.
- Sei que essa é a sua vontade.
- Há ... –Desci novamente meus olhos para sua barriga desnuda e mordi o lábio inferior dando de ombros- Que se dane eu nunca criei regra nem uma mesmo. –Me levantei indo a até aquele ser cheio de testosterona e tatuagens.

  * * *
13:00 A.M Mansão Campbell
- Você sabe o quanto deixou sua mãe preocupada, Margo? Você deixou sua irmã de dezesseis anos voltar sozinha de uma festa, e simplesmente sumiu, você tem noção do quão irresponsável foi, Margo? –Sentada tive que ficar a ouvir papai gritar para não perder meu cartão de crédito.
- Eu tenho dezenove anos e sei que posso fazer oque eu quiser, é a lei, enquanto a Bonnie, pouco me importa ela sabe se virar sozinha. –Ele parou a minha frente mais do enfezado, uma mão pausada na cintura e a outra em sua testa. Eu estava cansada daquilo, cansada de ter de dar explicações, mas ele se recusa e me pagar um apartamento, se recusa a acreditar que eu cresci e que preciso viver sozinha.
- Onde você estava?
- Não vou repetir que tenho dezenove anos.
- E eu não vou repetir que se não me disser vai voltar a morar com sua tia em Dallas. –Gritou ele, eu respirei fundo cruzando minhas pernas. Mamãe na poltrona a minha frente certamente incomodada com todo aquele nervosismo de papai atreveu-se a dizer
- Querido não é pra tanto.
- Oque? –Ele se virou bruscamente para ela- Como não é pra tanto Aurora? Esta garota não tem jeito, nunca para apenas com um rapaz, nunca esta vestida de maneira apropriada, mal sabe oque pretende fazer da vida, quer se mudar, mas mal sabe em que quer se formar. Se ela esta vivendo com o meu dinheiro ela me deve explicações
- Você não precisa ser tão severo querido, ela chegou não faz nem uma semana. –Continuou ela, eu balbuciei entediada com todo aquele drama.
- Por isso mesmo, ela mal chegou e já esta sumindo de casa como filha de família qualquer, ela não é de uma família qualquer Aurora, ela não pode agir dessa forma como se ela não tivesse um pai. Oque diriam meus sócios? Oque diriam todos a nossa volta quando souberem que mal tenho domínio sobre minha própria filha? –Ele se virou para mim.- Onde você estava?
- Com Shepley –Revirei os olhos
- O filho dos Stevs? –Ele relaxou brevemente a face, eu olhei para minhas unhas balbuciando.
- É, o filho dos Steves.
- Isso não justifica seu sumiço.
- Quer que eu justifique em todas as letras o motivo? –Levantei os olhos para ele.
- Não me provoque Margo, eu estou prestes a lhe mandar pra Dallas –Ele caminhou de um lado para o outro impaciente- Você esta proibida de sair sem me dar explicações entendeu? Mas uma dessas e eu te mando pra Dallas.
- Posso subir agora?
- Vai, Margo. Vai logo. –Ele grunhiu entre dentes, eu contentei a vontade de revirar os olhos e me levantei. Sem nem uma pressa.

* * *

07:30 A.M – Centro universitário

Enfim chegando aqueles corredores, eu percebi os mesmos alunos de sempre, havia alguns que eu não conhecia, e nem era da cidade, passar a droga do ultimo ano fora da cidade não me ajudou em nada, meus amigos estavam ali, aquele era o topo, e eu obviamente havia chegado nele.

- Margo -O time de futebol cumprimentaram-me em coro, e eu sorri parando no grupo deles, Brad, lançou-me uma piscadela e eu revirei os olhos -
- Oi meninos.
- Quando chegou, Margo? -Perguntou Bob que agarrava a bola embaixo do braço, oh lembro-me bem o quão agiu esse quarterback é. Pus uma mecha de meus longos cabelos para trás da orelha e sorri
- A alguns dias.
- Acho que não me conhece, mas vi você no jantar ontem. -Um garoto alto e com fortes braços disse-me saindo de trás de Brad eu não o conhecia mesmo.- Sou Kale

- Legal Kale, mas ninguém se importa. -Aquela voz soou tão quente em meu ouvido que quase senti minhas pernas tremerem, Virei meu rosto para olha-lo, e o mesmo estava ao meu lado, seu rosto se levantava em um sorriso cafajeste arranca calcinha. E todos do time que estavam encostados em seus armários com risadinhas baixas calaram-se com a chegada de Cliford, eu não entendia o porquê, eles olharam para ele como se estivessem com medo ou que respeitassem o mesmo.
- Preciso ir meninos, vejo vocês outra hora –Falei sem entender porque eu estava fugindo de Sthanley, acenei com as pontas dos para eles enquanto caminhava em paços rápidos para o mais longe dele. Apressei os paços e logo cheguei a minha sala, que era aula de literatura, eu ainda estava nos cursinhos normais, não consegui me decidir oque realmente queria cursar. Essa sou eu, confusa e extremamente perdida na vida, não sei se devo largar a faculdade e pegar todo dinheiro que conseguir e passar um ano viajando sem rumo pelo mundo, ou se faço advocacia e me torno uma advogada exemplar como papai quer. Eu realmente não sei oque pretendo fazer da minha vida, são tantas escolhas quando se completa 19 anos, eu não me importo com nem uma delas, mas eu tenho que fazê-las. Quase arregalei os olhos ao perceber ele, ele estava ali, de postura firme, seu suéter agora era azul, uma calça jeans escura pendida exatamente a sua cintura me fazia crer o quanto ele parecia ser aquele tipo de professor certinho. Olhei-o abobadamente enquanto ele falava de forma doce sobre um livro que ele dizia ter passado na sexta, Deus eu nunca me interessei tanto por uma aula como estou agora, tão vidrada naqueles olhos, tão embasbacada com aquele homem extremamente inteligente e lindo.
- Psiu –Ouvi alguém me chamar quando finalmente tirei meu material da minha Channel, me virei
- E ai, Gina? –Falei levantando meus lábios em um largo sorriso.
- Fiquei sabendo que esteve no jantar –Ela disse- Mal pude ir, Enzo me levou a um concerto.
- Enzo? Enzo Peterson? Não me diga que esta transando com um dos irmãos Peterson? –Sussurrei interessada
- Quem falou transando? Estou namorando. –Ela mordeu o lábio rosado.
- Com a empresa de sapatos que os pais deles possuem até eu viraria uma freira por eles –Não escondi um risinho
- Duvido, você mal chegou e fiquei sabendo que dormiu com o Sthanley. –Ela sussurrou- Seria um sacrifício ser uma freira no seu caso
- Como não me render a Sthanley, ele tem um olhar arranca calcinha que é impossível recusar qualquer coisa a ele –Ri baixinho
- Ele se faz de difícil, não fica com todas. Eu queria ter a sua sorte
- Bom saber disso.  –Molhei os lábios, não estava dando a mínima para Sthanley mas era bom saber que ele era um cafajeste respeitado.
- Perdão minhas queridas, mas eu espero realmente que a conversa seja tão relevante a ponto das senhoritas ignorarem oque eu estou a explicar lá na frente -Me virei imediatamente sentindo a voz próxima do professor, caramba ele estava bem a minha frente, e os olhares atentos em mim e Gina, ele era tão gostoso que quase tive uma hemorragia nasal, segurei-me para não morder os lábios enquanto o olhava, ele agiu como se não me conhecesse e se no sábado eu não tivesse lhe dado um banho de Margarita. Seu olhar continuava frio
- Você não é minha aluna. –Vi sua sombra celhas se juntarem. Seus olhos castanhos fitavam-me firme
- Eu sou oque você quiser professor - Escorei meu cotovelo na carteira e mordi a tampa da caneta ouvindo alguns risinhos contidos nas cadeiras da frente.
- Se não é minha aluna eu presumo que não possa assistir à aula, ou melhor, atrapalhar aula.  –Ele disse firme, eu continuei embasbacada.
- É meu primeiro dia, pois. Pode checar lá, sou Margo Campbell.
- Há sim –Ele abriu a boca como quem se lembrava de algo, porque ele agia como se eu não fosse ninguém? Qual era o problema dele?- Se é assim, eu peço que fique alguns minutos após a minha aula, me avisaram a poucos dias que a senhorita chegaria, tomei a liberdade de imprimir sua apostila.
- Se você quiser eu posso ficar até horas depois da aula –Continuei mordendo a tampa da caneta novamente ouvindo os risinhos, vi seus lábios se comprimirem demonstrando seu desconforto com o meu tom.
- Apenas não atrapalhe a aula senhorita. –Ele voltou ao seu posto e eu suspirei, até seu andar era bonito. Relaxei na cadeira deixando minha caneta de volta a mesa, e mordi o lábio dessa vez fazendo questão de prestar atenção na aula. Esse era o lado bom da universidade, era onde você podia desejar um aluno incrivelmente sexy como Sthanley, e ter fantasias logo em seu primeiro dia com um professor de literatura.

* * *
10 A.M. Nova York

Quando finalmente vi todos se levantando, eu peguei meu gloss dentro do estojo e passei-o nos lábios enquanto olhava-me no meu pequeno espelhinho que eu também levava no estojo –Nunca se sabe quando iremos ficar alguns minutos depois da aula com um professor tão lindo e inteligente-
- Quer que eu te espere, Margo? –Gina parou ao meu lado, só então eu percebi que com aquele vestidinho rodado e curto ela também tentava discretamente chamar a atenção do professor.
- Quero, preciso ir ao shopping - Limpei o canto dos meus lábios olhando-me no reflexo do pequeno espelho.
- Ok, te espero na saída do campus.
- Ok, agora eu vou conhecer me querido professor direito. –Sorri enquanto enfiava as coisas no estojo e também dentro da minha Channel. Levantei-me, concertei meu decote. Lá em baixo, na sua mesa ele estava disperso arrumando sua mesa, distraído com tanto trabalho que mal percebeu quando eu me escorei em sua mesa, sorri docemente quando ele levantou os olhos para mim.
- Margo Campbell –Ele forçou um sorriso
- Quanto repúdio - Fiz-me amuada.
- Aqui esta sua apostila - Ele empurrou às folhas guardadas em uma pasta rosa bebê a mesa, ele evitava olhar em meus olhos.
- Desculpe atrapalhar sua aula.
- Você não foi a primeira - Ele dessa vez levantou o rosto para sorrir.
- Obrigado por fazer isso por mim. –Peguei a pasta.
- Não fiz só porque foi pra você, eu só não gosto de atrasar meus alunos.
- Desculpe por derramar margarita em você –Continuei
- Não tem problema,o suéter já esta lavado. –Ele murmurou sem olhar-me nos olhos
- Mesmo assim... Eu queria me desculpar.
- Já disse, esta tudo bem, senhorita Campbell –Ele grunhiu ainda sem me olhar, aquilo estava sendo frustrante, ele mal olhou para meu maldito decote.
- Estava falando sobre Geoffey Chaucer, certo? –Murmurei agora tendo completamente sua atenção, o vi pegar um óculos em sua mesa e coloca-lo logo em seguida me fitou mas não olhou para meu decote, ele só podia ser gay.
- Como sabe?
- Deve ter ouvido falar do meu pai, nasci rodeada por esses escritores ingleses. –Murmurei, no entanto aquilo era uma grande mentira, li Geoffey Chaucer por vontade própria, há uma parte de mim que insiste em ser nerde e não convidativa, há uma parte de mim que conhece cada frase de livros de Shakespeare e cada frase de Voltaire. Mas não acho que gostar desses escritores possam me fazer ser alguém desejável, por isso preciso esconder essa parte.
- Certamente então tu não terás problemas em me trazer o trabalho sobre o livro Contos da Cantúaria na quarta. –Ele pois sua bolsa típica de professor por cima do ombro e concertou os óculos de forma extremamente encantadora.
- Claro, professor –Molhei os lábios, pensei que ele demonstraria desconforto com meu ato mas tudo que ele fez foi continuar me olhando. Ele era gay, sem dúvida
- Me traga uma resenha desse livro na quarta e te garanto pontos extras, ok?  
- Obrigado professor. –Forcei um sorriso e apontei pra porta caminhando até a mesma, frustrada por ele estar sendo tão sério e certamente como um homossexual, quem resistiria a olhar para meu decote? Isso não tem uma explicação lógica- To saindo.
- Até quarta. –Ele abaixou os olhos. Concertei minha Channel no ombro e bufei saindo da sala, frustrada, era isso que eu estava, bastante frustrada. E eu não iria para as aulas seguintes porque droga, aquilo me deixou mais do que irritada, ele mal olhou em meus olhos ou meu decote, oque lhe custava um olhar? Creio que não seria muito, porque ele sorria bastante durante o período da aula dele, fazia piadas com o conteúdo e conversava com os outros alunos. Respirei fundo, eu precisava beijar alguém para acabar com aquela sensação de desprezo, eu me senti rejeitada, ninguém nunca me rejeitou antes, ninguém nunca evitou olhar para mim.
Meus cabelos louros e brilhosos faziam inveja a qualquer universitária, minhas pernas naturais e torneadas, meus lábios, meus olhos, meus seios, tudo em mim era convidativo. Por que diabos ele rejeitaria uma pessoa como eu? Meu corpo colidiu com outro duas vezes maior que o meu, fazendo-me voltar alguns paços, fiquei um pouco desnorteada com a pancada
- Hey, vai com calma minha flor –As mãos dele impediram-me de me estabacar no chão como uma bigorna.- Me desculpe, esta tudo bem?
- Qual é o seu problema? Esta me seguindo? –Grunhi impaciente para Sthanley
- Te seguindo? –Sorriu sacana- Por que eu faria isso?
- Só saia da minha frente.
- Qual é Margo, eu fui tão ruim assim? –Riu divertido, eu revirei os olhos.
- Já disse que evito qualquer contato com caras que eu tenha dormido, é uma regra que passarei a seguir estritamente a partir de agora. –Grunhi
- Porque esta tão irritada?
- Me recuso a continuar falando com você, eu pensei que estava falando meu idioma, mas parece que você não entende –Dei a volta pelo mesmo ouvindo-o gargalhar, respirei fundo ainda frustrada. Eu precisava beijar alguém mas esse alguém não podia ser Sthanley, ele esta querendo aproximação de mais, e a ultima vez que isso aconteceu resultou em seis meses em um apartamento de um francês sentimental.

02:43 PM Nova York

Deixei minhas bolsas das compras encima da cama e suspirei. Meu dia até agora estava repleto de frustrações. Eu precisava de uma festa, precisava de uma bebida forte, e precisava de sexo. Pus minha banheira para encher e disquei o numero de Shep, eu precisava dele para me por pra cima, ele nunca me decepcionava, nós podíamos deitar e assistir um filme enquanto ele falava de suas férias e me afagava os cabelos. Pelo menos ele não me negaria sexo, e nem evitaria olhar-me nos olhos, e também não me deixaria ter a duvida de sua sexualidade.
- Hey, Shep. Da uma passadinha aqui em casa, meus pais não estão em casa então... –Falei ao telefone quando ele finalmente atendera
- Claro, M.
- Vai demorar? –Minha voz saiu em quase tom de choramingo.
- Uns vinte minutos
- Ok não demora.
- Ok.
Ainda com os pensamentos direcionados a aquele professor que se recusava em manter contato visual comigo, tomei um longo banho de banheira, e em seguida vesti uma camiseta branca e um shorts jeans e calcei meus chinelos indo até o quarto de Bonnie, onde ela devorava mais um livro deitada a sua cama
- Não vi você quando cheguei –Me sentei ao pé de sua cama.
- Sei que não irá me deixar terminar de ler, então –Ela fechou o livro tirando os óculos – Vomite
- Fui rejeitada hoje. –Me joguei para trás em um tom dramático
- Margo Campbel foi rejeitada? –Ela gargalhou-
- Bem, eu ainda não desisti, eu vou conseguir oque eu quero, ele só parece muito reservado e gay.
- Reservado? Gay? Oque? –Sua testa se franziu                                                             
- O meu professor de literatura.
- De novo Margo? –Ela revirou os olhos- Você não cansa de acabar com a carreira dos seus professores?
- Ele é diferente.
- Diferente?
- Ele me evitou, me evitou muito –Mordi meu lábio superior amuada.
- Dou razão a ele.
- Mas eu vou conseguir transar com ele.
- Você não toma jeito – Ela balançou a cabeça negativamente.
- Pode até demorar um pouco, mas cá entre nós maninha, ninguém resiste a esse rostinho lindo mostrando que pode ser mais do que apenas aparência.
- Você não é minha irmã. –Ela deixou-se cair para trás eu ri.
- Eu poderia passar horas dessa tarde ensolarada lhe contando oque pretendo fazer com esse loiro, os homens mais velhos sabem como dar prazer a qualquer mulher.
- Não quero saber, para, chega, me recuso a ficar ouvindo essas obscenidades –Ela disse pondo as mãos nas orelhas, não tive como não rir, virgens, ninguém merece.
- Não fale como se fosse algo ruim.
- Espero que esse ruim não seja minha presença aqui –A voz sólida de Shep fez-me desmanchar o sorriso que brincava nos lábios e pude ver minha irmã sentar-se corretamente e sua face tornar-se rubra ao vê-lo parado na porta. –
- É –falei coçando a garganta- Certamente seria ao contrário.
- Não te vi no campus hoje. –Ele sentou-se ao meu lado, eu pus minhas pernas encima das suas, sei que é errado mas é impossível controlar.- Não foi?
- Eu sai pra fazer compras com a Gina.
- Há –Ele abrira a boca e acariciou-me as pernas, recostei-me em seu ombro. – Por que me chamou aqui?
- Quer ir pra piscina?
- Quero –Ele sorriu, seus olhos esverdeados reluziam com a luz do sol que adentrava o quarto de Bonnie- Vamos, Bonnie?
- N-ã-ao –Ela gaguejou ainda avermelhada, me levantei junto a Shep. – Vou terminar de ler meu livro.
- Pode ler na espreguiçadeira. –Propus
- Não, eu estou melhor aqui. –Ela forçou um sorriso.
- Mesmo? –Insistiu Shep, ela balançou a cabeça como resposta. Eu agarrei o braço de Shep e fomos até meu quarto. Ele se deitou em minha cama em um ato costumeiro, e eu me enfiei dentro do closet a procura de algum biquine, implorando mentalmente para que Sthanley não tivesse comentado nada sobre o fim de semana.
- Chamei o Sthanley. –Ouvi Shep Dizer fazendo-me sair em paços receosos e medrosos do closet.
- Por que fez isso?
- Ele gostou de Bonnie, disse que queria conversar um pouco com ela –Ele respondeu e tirou o celular do bolso, se esse idiota tentar algo com a minha irmã juro que faço-o em picadinhos.
- Com Bonnie, é? –Sussurrei
- Por que?
- Nada, só fiquei um pouco surpresa. –voltei para o closet.

03:40 P.M

- Se você se aproximar da minha irmã com esse charme barato eu lhe corto seu bem mais precioso entendeu? –Rosnei imprensando Sthanley contra uma parede do corredor quando ele pedira para que eu o levasse ao banheiro enquanto Bonnie e Shep ficavam na piscina, Bonnie pareceu se animar quando dois lindos rapazes insistiram por sua presença na piscina.
- Quem disse que estou aqui por sua irmã? –Minha face caiu, eu o olhei confusa.
- Qual é o seu problema?
- Shep não me deixaria vir se eu dissesse que era por você. –Ele sorriu tocando minha cintura, eu suspirei.
- Sei que é difícil esquecer alguém como eu, mas Nova York é grande, desencana. Eu não transo com o mesmo cara, sou uma versão feminina de um cara machista e galinha como você. Alguns desiludidos e apaixonados dizem que sou vadia, então pra que se enganar docinho? –Acariciei sua face forçando um sorriso sínico.
- Cinco minutos no banheiro e eu nunca mais entro em seu caminho.
- Não estou negociando. –Me afastei
- Não me faça implorar. Eu pago. –Eu o olhei erguendo uma sombra-celha, mas não contive um riso cansado, se eu cobrasse seria tipo a quantia do que ele pagou por seu apartamento. Babaca idiota.
- Sou uma vadia que não precisa ser paga, e você acabou de me ofender pensando que preciso do seu dinheiro. E se não quiser que eu ligue para meu pai e faça com que ele destrua sua vida na cidade eu sugiro que você saia da droga da minha casa

P.o.v Justin
Brooklyn – 08:40 P.M

- Dona Alexandra. –Murmurei ao abrir a porta de casa, dona Alexandra tinha seu semblante caído, a face avermelhada e seus cabelos desarrumados. Não sabia o porquê de ela estar em minha porta, ela não era moça de estar batendo em porta de vizinhos. Eu estava um pouco cansado, mas tive um bom e estranho silencio durante esse começo de noite para ler, e me concentrar nos planos de estudos.
- Seu Bieber, você sabe me dizer se viu o Conrado? Ouviu algum barulho estranho? –Há, mas era obvio, não havia barulho, nem um roído aborrecedor ou gritaria, está era em fim a estranheza daquele dia, e a resposta era o sumiço de Conrado.
- Vi não dona Alexandra, esta tudo bem? –Perguntei por tamanha educação não interesse.
- Conrado me deixou, foi-se pra não sei onde, acho que voltou pro Chile sem mim, seu Bieber –Ela desatou-se a chorar bem ali em minha porta, eu mal sabia oque fazer. Se vê cada coisa nesse meu prédio, meus últimos vizinhos faziam parte da seita Ku Klux Klan. E eu por má sorte de só ter dinheiro pra pagar um apartamento com paredes extremamente finas tive de passar minhas noites em claro com as reuniões patéticas que esses malditos racistas costumavam fazer. Agora, vem esse casal desorientado de Chilenos, que de tanto gritarem já consegui até falar um bocadinho de sua língua. - Levou tudo dele seu, Justin. Sem deixar nem um bilhete
- Sinto muito –Murmurei sem alternativas.
- Obrigado seu Bieber, mas também já iríamos ser despejados mesmo, era a única saída voltar pro Chille, mas eu queria ficar, gosto dessa cidade.
- Ainda esta desempregada?
- É difícil encontrar um bom emprego.
- Posso tentar lhe arranjar um emprego na minha universidade, sabe? Atender telefonemas, essas coisas.
- Faria isso por mim senhor Bieber? –Seu sotaque misturado com seus soluços quase deixou sua fala incompreendível, eu assenti desconfortável, era melhor uma dona Alexandra sozinha que não tinha gritaria do que mais um clube de Ku Klux Klan.
- Vou ver se consigo esta bem? Não é certo, mas tentarei.
- Obrigado seu Bieber, muito Obrigado –Seus braços inconsequentemente agarram então minha cintura, e eu assustado não consegui fazer nada além de esperar que aquele súbito de loucura de Alexandra passasse, mal toquei-a. Era estranho eu trocar mais de meia dúzias de palavras com ela, quanto mais contato corporal.
- Oque é isso? –Pude ouvir a voz aguda de Lisa fazendo dona Alexandra soltar-me bruscamente. Cocei minha barba ao olhar para as vestimentas de Lisa, ela estava tão bonita parecia que ia a algum lugar.
- Desculpe, só estava agradecendo. –Alexandra secou as lagrimas agora sorrindo, enfiei as mãos nos bolsos sem me alarmar com a expressão enciumada de Lisa.
- Agradecendo?
- Seu Justin irá me ajudar a arranjar um emprego - Ela sorriu doce, eu comprimi os lábios.
- Vai Justin? –Lisa ergueu uma sombra celha para mim
- Vou tentar,lá na universidade
- Que bom, fico incandescentemente feliz por isso. –Ela forçou um sorriso, e eu me perguntava o porque daquilo, ela parecia ter repulsa por todos os meus vizinhos, que eram pouco diferentes de mim. Oque me leva a perguntar se ela sente esse tipo de repúdio também por mim, também por meu apartamento.
- Eu vou indo, obrigado mais uma vez. –Ela acenou acanhada e deu-nos as costas, Lisa me fitou ainda enciumada enquanto entrava. Eu suspirei a olhando
- Oque foi? –Perguntei
- Desde quando fica de intimidades com tua vizinha? –Começou- E porque tu é que tens de arranjar um emprego pra ela? Ela não é deficiente mental, é?
- Não comece. O marido a deixou e ela esta prestes a ser despejada. Eu só ofereci ajuda
- Ah, o marido a deixou e tu quer o papel dele não é? Quer ajudar com trabalho, depois oque virá em seguida? Irá substituir o marido dela trepando com ela? Só pra ajuda-la com problema de abstinência? Há, porque se ajuda com problemas financeiros tem que ajudar em outros.
- Qual é o seu problema?
- Você é o meu problema. –Gritara ela, eu engoli em seco e comprimi os lábios.
- Estava demorando a admitir que sou uma pedra em seu sapato –Sussurrei caminhando até a poltrona, sentindo uma imensa tristeza a invadir meu ser. Consequentemente o fim estava próximo a muito tempo, ela só estava remediando. Eu sempre me senti um inútil por não poder fazer nada a respeito
- Não se faça de santo, Justin. Porque de santo tu não tem nada, você tem sempre que estragar o meu humor tem sempre que me irritar com tuas atitudes idiotas. Você estraga tudo
- Olha, Lisa. Você é que já não suporta estar comigo e tudo se torna uma merda, eu sei disso, só não entendo porque ainda esta aqui. Pode ir, eu não queria que fosse mas se eu te prendo e te forço tanto a essa coisa que já não se é mais como um relacionamento eu não acho que isso deva continuar. Você age como se tivesse raiva de mim, como se estivesse aqui por pura obrigação, sei que talvez não queira me magoar mas me tratando dessa forma me deixa pior do que me deixando de vez. –Meu tom saiu baixo, não gostava de gritar, de discutir, aquilo não era de mim.
- Não é isso, Justin –Nervosamente ela passou os dedos finos entre seus cabelos castanhos, seus olhos cinzentos fitavam-me alarmados, outrora eu não sabia porque daquilo, eu já havia aceitado aquele termino a muito tempo, só estava esperando que ela pusesse as cartas na mesa para que em fim eu pudesse deixar de vez essa tristeza e esse vácuo que me consome a cada dia.
- Se eu não posso lhe fazer feliz com o pouco que tenho, sugiro que procure alguém do seu nível e que possa lhe dar tudo, por que sei que você não é feliz só de amor, a sua felicidade nunca vem do interior - Murmurei deixando um suspiro escapar, as mãos de Lisa passavam por seus cabelos, ela mordia o lábio em menção de nervosismo e talvez para contentar aquele seu choro de menina. Queria não fazê-la chorar, mas era somente isso que eu passei a causar naquela mulher a muitos meses.
- Oque você quer dizer com isso?
- Acho que acabamos aqui.
- P-o-orque? Sei que temos discutido bastante mas, estamos juntos a sete anos, Justin.
- Eu não quero te prender a isso –Desviei meu olhar para minha estante de livros do outro lado da pequena sala, Lisa mordeu o lábios inferior e secou as lagrimas em seguida respirou fundo.
- Quer saber você esta certo, enquanto eu penso em casamento você não pensa em nada que possa fazer para nos dar um futuro.
- Esta vendo, você sempre pensa no dinheiro.
- Já que você nunca aceita merda nem uma minha, é o certo eu pensar no que você poderia fazer para nos mantermos se déssemos o próximo passo.
- Não tem próximo passo Lisa, acabou.
- Vá se ferrar, você seu emprego sua vizinha e essa merda de apartamento. –Ela gritou furiosamente saindo pisando firme novamente.

Dois dias depois


- Senhorita Campbell –Engoli em seco, ela estava de pé a minha mesa, debruçada sob os braços finos. Seu exagerado decote estava quase a mostrar completamente seus seios redondos. Nunca vi moça pra me deixar tão desconcertado como essa senhorita Campbell. Minha vida tem sido um imenso vazio após a saída definida de Lisa, nada tem acontecido, nada tem ocorrido de interessante, apenas claro, a insistência dessa moça que tem um imenso histórico de carreiras destruídas ao longo de seus anos escolares, e eu agora me vejo sendo mais um de seus alvos. Certamente não sou um homem que se deixa levar por seus decotes extremos e seus balançar de cabelo, pelo contrário esse seu modo de se vestir me deixa um bocado irritado. Esses burgueses acham que podem simplesmente ter o domínio sobre as pessoas.
- Queria tirar uma duvida. –Ela se debruçou mais, eu pus meus óculos para olha-la.
- A aula acabou senhorita, por que não espera até a próxima aula?
- É rapidinho professor –Sussurrou ela insistente na tentativa de me seduzir.
- Diga Campbell.
- Por que me evita tanto?
- Não evito você –Quase gaguejei.
- Sinto que não gosta de mim professor.
- Eu não preciso gostar de você, daqui a algumas semanas já não será mais minha aluna.
- Quem disse?
- Eu sei que não ficara em minha aula.
- Por que me trata assim? –Sua face caiu ela ficou corretamente tirando seu decote de minha frente, quase me fazendo suspirar de alivio. Já houvera alunas antes tentando me seduzir mas nem uma como Margo, ela era de uma beleza indiscutível, e era incrível o modo como a mesma participava das aulas, ela tinha sempre uma opinião formada a discutir e a opinar sempre que podia, eu não sabia se era só para me impressionar mas ela realmente era muito inteligente.
- Eu a trato da forma como trato todas senhorita.
- Quando pronuncia meu nome tens sempre essa repulsa em seu tom, como se não gostasse de mim, eu não sou tão ruim –Dessa vez ela disse amuada, eu cocei a garganta tentando não lhe demonstrar nem uma atitude idiota, precisava ficar longe daquela moça.
- Senhorita, eu realmente não estou entendendo aonde quer chegar com essa conversa. –Grunhi concertando meus óculos no nariz, ela sorriu de uma forma que eu não podia entender como ela o fazia. Debruçou-se novamente sobre a mesa, só que dessa vez ela estava frente a frente a mim, me afastei um pouco para trás.
- Porque foge de mim professor? Tem medo? Não gosta de mulher? –A cada som que saía de sua boca moldada em um batom rosado eu não sabia mais oque fazer. Seu perfume adocicado Impregnou-se em meu olfato de uma forma atordoante quase me fazendo desmaiar, minhas mãos suaram frio e tudo que consegui fazer foi me levantar bruscamente.
- Senhorita Campbell, eu não vou deixar que aja dessa forma comigo, eu sou seu professor não um de seus colegas, eu não sei oque esses seus antigos professores bastardos costumavam fazer mas eu levo o meu trabalho muito a sério, e eu não vou perder meu emprego por conta de suas vontades de menina rica. Agora saia da minha sala antes que eu comunique a direção do compus – Tentei o máximo não parecer incomodado com aquela situação, mas aquela moça não desistiu facilmente, sua primeira reação foi seu breve susto com meu tom, sua segunda reação fora seu sorriso e seu morder de lábios mal intencionadas que eu mal sabia o porquê daquilo. Ela assentiu e com as pontas dos dedos com unhas avermelhadas saíra acenando, tombei em minha cadeira desconfortável e exausto com aquilo.

P.O.V Marg Wine
10:30 P.M – Bar “Cannes”- Brooklyn

Agarrei o microfone e comecei a cantar mais uma canção, tinha noites que eu subia naquele palco antes de ir para Paris e mesmo sem precisar de grana eu cantava por alguns trocados, eu não costumava cobrar mas o dono do bar sempre dizia que se eu cantava e deixava as pessoas do bar melancólicas eu devia receber por isso. Eu cantava, deixando de lado toda aquela burguesia que eu vivia. Algumas noites eu queria me sentir real, eu queria sair da mesquinharia da minha vida e me tornava uma verdadeira garota do Brooklyn, era resplandecedor cantar naquele pequeno palco para meados trinta pessoas... Minha alma queimava completamente quando eu subia no palco. Eu cantava em uma parte da cidade em que ninguém me conhecia ou sabia que eu era extraordinariamente rica. Eu sempre preferi viver dessa forma durante a noite, cantando em bares para que as pessoas pudessem saber oque é realmente música boa. Eu até tinha um nome artístico ali, não era nada sofisticado, mas eu tinha e gostava de ser chamada daquela forma era Marg Wine. Não sei porque as pessoas gostavam de me chamar daquela forma, talvez seja por conta da minha personalidade, sou doce, ardente e saborosa como um bom e velho vinho talvez. Pode se dizer que fora por isso que me chamavam dessa forma nos bares que costumo cantar. Não me envergonho nada de cantar em bares e ter um nome artístico não sofisticado, não me envergonho por cantar por menos de 200 dólares... Só não conto a ninguém pois não é preciso que as pessoas conheçam esse meu lado. Acabaria por completo com a minha fama de patricinha egocêntrica e mesquinha da alta sociedade

I hear the birds on the summer breeze, I drive fast
I am alone in midnight
Ouço os pássaros na brisa de verão, dirijo rápido
Estou sozinha à meia noite

Cantei, fechei os olhos e deixei-me levar por aquela canção que me acalmava... Eu tinha uma tristeza dentro de mim que só era resolvida quando eu cantava, só era resolvida quando eu botava pra fora tudo que eu sentia daquela mediocridade que eu vivia. Um dia eu quero sair de casa, viver no perigo e fugir dessa vida fatídica, eu posso até ter esse semblante de garota de cidade grande, mas sinto que meu lugar é no refúgio da noite, com as pessoas sem destino ou sem dinheiro. Talvez eu possa até ter esse lado degradante de garota fácil e rica, mas sei que o lado que me domina é esse lado tristonho, uma parte de mim é tão fadonha quanto domingo chuvoso, outra parte é quente quanto um sábado de verão. E essas partes juntas não combinam, e nunca irão combinar. Porque uma parte é a água, e a outra é fogo, de um lado eu esfrio e do outro eu queimo, de um lado sou lua e do outro sol. E então esses lados nunca iriam se dar bem juntos.

Drink all day, and we talk ‘till dark
That’s the way the road dogs do it, light ‘till dark
Bebemos o dia inteiro, e conversamos até escurecer
É assim que os Road Dogs fazem, dirigem até escurecer

Cantar musicas da Lizzy Grant de certa forma me acalmavam, eu me identificava com as musicas dela. As vezes me faziam sentir-me triste, as vezes eu sentia nostalgia do que ainda não tinha vivido... De certa forma ela era pra mim um verdadeiro ícone da música. Eu a admirava também em segredo, eu tentava mostrar ao mundo o possível meu lado fútil, onde eu demonstrava que meus únicos interesses eram músicas eletrônicas e POP. De qualquer forma, fazer essa imagem de garota fútil me fez ser mais cobiçada e popular tanto entre homens quanto entre mulheres... De certo construir essa imagem fútil me levou até o topo

I’m tired of feeling like I’m fucking crazy
I’m tired of driving ‘till I see stars in my eyes
It's all I've got to keep myself sane, baby
Estou cansada de me sentir como se eu fosse louca
Estou cansada de dirigir até ver estrelas em meus olhos
É tudo que eu tenho para me manter sã, querido

Fechei meus olhos e continuei, meu corpo balançando com leveza enquanto eu me deixava levar pelo ritmo da música. Minha mente flutuando para além daquele bar ou cidade. Cheguei a pensar na possibilidade de deixar transparecer esse lado para o professor –Que me dei conta de que mal sei o nome- No entanto não acho que possa valer a pena, Por mais que ele possa ser um homem que demonstre ser e querer alem do exterior, a dois dias nada que tenho feito funciona. Hoje pude ter a certeza de que ele não era exatamente gay e que eu podia deixa-lo irritado, e convenhamos deixa-lo irritado é extremamente excitante.
Quando finalmente terminei minha terceira canção aquela noite eu recebi algumas palmas das pessoas que estavam ali, a maioria eram velhos desempregados, escritores sem sucesso, bêbados falidos, universitários de faculdadesinhas publicas e pessoas sem fé alguma na vida que terminavam o dia reclamando do quanto eram infelizes.
- Obrigado, eu fico feliz por estar de volta. –Murmurei pondo uma mecha de meu cabelo para trás da orelha. Deixei o microfone no lugar e desci do palco pra uma pausa, ainda ouvindo alguns aplausos. Puxei uma cadeira no bar e me sentei acendendo um cigarro, minhas roupas estavam o oposto do que eu costumava usar no meu dia a dia, eu estava o mais simples possível, com um vestido preto com mangas, ele era um pouco justo acima do joelho. Meus cabelos estavam soltos e um pouco secos, nada em mim demonstrava que eu vinha da alta sociedade.
- Sua voz se tornou mais grave ou é só porque faz tempo que não a ouço cantar? –Bill perguntou-me atrás do balcão, sorri sem animo soltando a densa fumaça do meu Camel.
- Faz um ano Bill. –Comentei em um risinho enquanto concertava a pena em meus cabelos ressecados.
- Sem sua cantoria perdi muitos clientes. –Comentou
- Ora pois, agora ganhará em dobro, juro vir sempre que puder.
- Achei que nunca mais voltaria, Marg –Disse ele, eu sorri. Soltei a fumaça do cigarro
- Esse é meu lar, eu nunca ficaria pra sempre.
- Seja bem vinda –Disse ele enquanto me servia voluntariamente um copo recheado de uísque barato, eu certamente amava pois me fazia sentir em casa. Eu acenei com a cabeça para ele peguei o copo dando um gole no uísque sentindo minha garganta arder instintivamente.

* * *

P.O.V Justin

- Tchau, Marg. Te vejo semana que vem –Uma moça despedia-se de Margo que estava a vinte paços a minha frente, franzi a testa ao perceber como ela estava se vestindo, não havia decote, não havia saltos, não havia exatamente nada que eu pudesse dizer que era Margo, a aluna a quem vem me assediando diariamente. Havia penas em seu cabelo e ela de alguma forma enquanto andava brincava com seu vestido preto incrivelmente simples, não-curto e vulga. Algo nela parecia estar errado, parecia ser até outra pessoa. De relance eu pude ver sua face, clara e sem nem um rastro de maquiagem, era apenas uma moça bonita e natural a minha frente fazendo-me quase tontear com tamanha beleza e simplicidade. Repreendi-me por ter ficado tão encantado com a moça que agora eu já havia perdido de vista, ela havia sumido do meu campo de visão tão rápido como havia entrado. Respirei fundo e tentei não pensar no que eu havia acabado de ver e sentir ao perceber que ela podia me surpreender mais. Cocei a garganta e então voltei a caminhar a caminho do meu apartamento, essa noite tive a vontade de dar uma volta pelo quarteirão, oque me faz perguntar o porque de minha repentina vontade de querer sair nesse detestável frio. Mas a algumas horas atrás algo parecia me incomodar em meu apartamento, algo parecia estar errado, e eu resolvi ter a brilhante e estupenda ideia de congelar minhas mãos nesse frio imenso.

P.O.V Margo Campbell

- Margo? –A voz de Bonnie fez-me voltar alguns paços quando passei na porta de seu quarto, fechei os olhos praguejando-me, ela não podia me ver assim. Tirei as penas de minha cabeça jogando-as em qualquer canto do corredor.
- Oque é, Bonnie? –Parei em sua porta, ela estava deitada devorando seu livro gigantesco.
- Onde estava vestida assim?
- Assim como?
- Tão simples? Você parece uma pobretona do subúrbio.
- Há, isso? –Falei referindo ao meu estado- Perdi uma aposta.
- Hum. –Ela abriu a boca em menção de entender oque eu havia dito.
- Como foi com o Jessie?
- Ele me elogiou a cada cinco segundos. –Ela sorriu- Obrigado.
- Com a roupa certa qualquer um se torna esplendido.
- O Sthan também estava no mesmo restaurante, estava jantando com uma moça. Muito bonita por sinal.
- Bem –revirei os olhos- Não me importo, já tive oque queria, não quero mais saber dele.
- Por que? Você mal começou.
- Porque meu grande foco agora é o professor.
- Oque te fez mudar de ideia?
- Por que Shep ficaria no meu pé, e também porque o Sthan anda me perseguindo, ele é maluquinho –Falei em um suspiro- Bem, agora tenho que tirar esse trapo, preciso por fogo nesse vestido, –Resmunguei, no entanto aquele era meu vestido preferido.
- Boa noite –Ela resmungou eu acenei e caminhei em paços vagarosos para o quarto.

07:30 A.M Mansão Campbell

Eu e sua mãe tivemos de fazer uma viagem as pressas para Eslováquia, iremos passar uma semana lá. Cuide da sua irmã e não faça nada que possa me envergonhar.” – Papai

Era oque dizia no bilhete colado na geladeira, eu gritei dando pulinhos entusiasmados assustando Tereza, nossa empregada.

- Meu deus, dona Margo –Ela pois a mão direita no peito- Quase me matou do coração.
- Tereza contrate mais oito de suas empregadas, sabe oque vamos ter hoje?
- Oque senhorita?
- FESTA –gritei pude ver a mesma juntar as sombra celhas, ignorei sua reação e corri animada até o quarto de Bonnie. Onde ela terminava de se arrumar pondo seus óculos
- O papai e a mamãe viajaram - Falei.
- Como vou pra escola agora?
- Quem se importa com isso? –Perguntei entediada-
- Eu –Ela disse como se fosse óbvio.
- Isso não é oque importa agora.
- Não, porque você vai me levar.
- Ok, eu levo. Mas deixe-me dizer oque é importante agora?
- Oque?
- Festa maninha, eu vou dar a melhor festa de todos os tempos.
- O papai vai te matar, Margo.
- Ele esta na Eslováquia maninha, ele nunca irá descobrir.
- Eu não vou compactuar com isso. –Ela balançou a cabeça em negação.
- É claro que vai.
- Não, eu me recuso a compactuar com isso, me recuso.
- Bem, você esta completamente livre pra convidar seus amigos e o Jessie.

 12:00 P.M – Universidade de Nova York

- Festa da cerveja na mansão Campbell, toda cerveja que puder beber. - Ramona dizia ao meu lado entregando os panfletos rosa que havíamos mandado fazer a algumas horas, as pessoas pegavam o panfleto já com um sorriso radiante, a minha chegada nessa faculdade animaria tudo.
- Festa da cerveja na minha casa não deixe de ir - Falei entregando os panfletos para o grupo dos jogadores de futebol.
- Mal chegou e já dando uma de suas festas? –Brad riu.
- Alguém precisa animar isso aqui né? –Dei-os as costas e voltei a caminhar com Ravena ao meu lado.
- Festa na casa da Campbell, não deixem de ir –Ela continuava dizendo enquanto lhe entregava os panfletos. No final do corredor avistei Sthanley, estupendamente lindo, me fazendo ter ânsia de vomito, ele me irritava completamente, com aqueles fortes braços tatuados, e seu corpo que se definia em uma camiseta branca. Ele falava algo com Shep enquanto vinha em nossa direção, ele gesticulava bastante enquanto falava, ele socava o ar e tinha um sorriso quase não visível a moldar seus lábios convidativos. Tudo que eu queria era que parasse de ser estúpido e de me seguir dando uma de psicopata, eu mal queria que ele estivesse em minha festa. Mas obviamente não aconteceria, pois logo que nos encontramos Ravena empurrou-lhes panfletos e sorriu largo.
- Vocês não podem perder a festa da Campbell essa noite.
- Seus pais deixaram Margo? –Shep perguntou-me
- Eles estão longe o suficiente. –Ofereci-lhe um sorriso.
- Você vai não vai, Cliford? –Ravena parecia embasbaca, eu não esbocei nem uma reação para ele que tinha seu olhar sobre mim.
- Claro.
- Temos que ir agora, nos vemos depois, Shep. –Grunhi agarrando o braço de Ravena e puxando-a dali dando a volta em ambos. Logo após em nosso caminho eu vi o professor, ele não era de todo um cara velho, ele parecia ter pra meados 26 anos. Usava um suéter bastante peculiar e estava sempre a carregar uma bolsa marrom sob os ombros largos, eu olhei para Ravena pensando em como chegar até ele.
- Por que você não vai pela esquerda e eu continuo por aqui? –Perguntei-a
- Por quê?
- Preciso falar uma coisa com o professor de literatura.
- Ele não vai com a sua cara, Margo. –Ela riu.
- Ele só não me conhece o suficiente - Revirei os olhos, e dei uma leve corridinha deixando-a para trás, concertei minha saia e toquei o ombro dele quando finalmente o alcancei. Ele virou-se um pouco assustado, seus olhos intensamente caramelados encontraram os meus tirando-me o fôlego por alguns segundos.
- Há, senhorita Campbell, é você. - Ele resmungou voltando a andar, eu comprimi os lábios acompanhando-o ao seu lado.
- Por que tenho a impressão que toda vez que pronuncia meu nome tem essa pitada de repulsa?
- Eu preservo bastante minha imagem nessa universidade, e seu histórico com professores não é nada convidativo, senhorita Campbell - Ele respondeu-me sem olhar-me parecendo apressar os paços.
- Que imagem ruim o senhor tens de mim professor. –Fiz-me de ofendida- Só estava tentando ser gentil.
- Você não precisa ser gentil comigo, eu sou seu professor, tudo que tens de fazer é me ouvir falar na sala de aula.
- Sou tão ruim a ponto de nem ter o direito de saber teu nome?
- Justin... Bieber. –Ele grunhiu.
- Seria bastante inapropriada sua ida a minha casa essa noite –Lhe entreguei o panfleto- mas não custa tentar.
- Não vou a festa de alunos, senhorita - Ele devolveu-me o panfleto enquanto saíamos do campus. Indo ao estacionamento.
- Por favor. –Parei a sua frente, tendo a noção de quão alto ele era, não era de todo forte, não tinha braços torneados nem corpo de quem passa horas em academia. No entanto não era magricela, tinha um corpo normal e bastante desejável por trás de seu suéter. Eu levantei os olhos olhando-o aflita- Eu não quero acabar com sua carreira, longe de mim professor, eu não sei oque costumam dizer de mim, mas eu não sou esse monstro.
- A senhorita é encrenca. –Ele disse.- É capaz de nos verem aqui e pensarem o insano, comunicarem a direção, e logo seu pai saberá e ele acabará com minha carreira nessa cidade.
- Quantos anos pensa que tenho, professor?
- Não importa Campbell. Eu continuo sendo seu professor.
- E se não fosse? Ainda seria tão cruel comigo?
- Cruel –Ele riu sem humor- Não sou cruel contigo senhorita. Eu sou canadense, talvez pode parecer que sou arrogante contigo, mas é apenas meu jeito de ser.
- Podemos fazer um acordo, Justin?
- Você não vai desistir? –Pude ver sua face relaxar e um pequeno sorriso brincar-lhe no canto dos lábios-
- Não é do meu feitio.
- Tudo bem –Ele suspirou dando-se por vencido- qual seria esse acordo?
- Que irá me deixar mostrar que sou o oposto do que ouviu dizer sobre mim por aí, se não mudar sua opinião sobre mim até o fim do mês eu desisto e continuamos nossa relação de professor e aluna.
- Como posso lhe explicar de forma clara... –Ele molhou os lábios- Não importa oque penso sobre a senhorita, não iremos ter outra relação alem de professor e aluna, Campbell.
- Eu não vou desistir professor, pode escrever nas suas anotações. Você irá perceber a pessoa encantadora que posso ser.
- A senhorita é extremamente encantadora com esse jeito impertinente, e insistente - Ele permitiu-se sorrir dessa vez, eu sentia que seria mais fácil do que pensei me aproximar dele – Mas realmente não podemos ter outra relação além da que temos, tente se relacionar com garotos de sua idade, que não possa causar problemas em suas carreiras..
- Me de sua mão. –Agarrei-a e peguei uma caneca em minha bolsa, ele olhou-me juntando a sombra celhas. Anotei o nome de um bar que eu tocaria no sábado no Brooklyn. “Soul Blues”, estava disposta a ser completamente verdadeira com ele. Ele era o homem a quem eu queria ter uma verdadeira aventura, ele era um desafio que não podia ser perdido, eu ganharia nem que precisasse mostrar-lhe meu lado melancólico e maduro para isso.
- Oque é isso? –Ele murmurou quando terminei de escrever
- Vá ver a Marg Wine cantar no sábado.
- Quem é Marg Wine?
- Ela costuma cantar em bares no Brooklyn.
- Oque isso tem a ver com que estávamos conversando, senhorita?
- Ela não é sua aluna. –Forcei-lhe um sorriso e finalmente pude sair de seu caminho, deixando-o completamente inerme, sem nem uma palavra. Saí do estacionamento voltando ao campus a procura de Ravena e Gina, no entanto quando estava a passar em frente a uma sala uma barreira humana que saía de lá e meu corpo se colidiram, fazendo-me voltar alguns paços, senti-me desnorteada com a pancada mas consegui ver quem era, Sthanley segurou-me impedindo-me novamente de cair.
- Olá, flor. –Ele sorriu.
- Olá. –Grunhi sem animo
- Ainda esta chateada comigo?
- Você é irrelevante para mim.
- Desculpe, eu não queria ser leviano contigo. Desculpe dizer aquilo, eu sinto muito.
- Vou ter que repetir que você é irrelevante pra mim, Cliford? –Balbuciei.
- Por que faz isso? Porque tem me evitado tanto?
- Olha Cliford, eu não odeio você, eu nem muito menos gosto de você. Por que você não segue em frente? Por que não vai procurar outras moças que possam lhe corresponder? Que possam ser oque você quer?
- Você é oque eu quero.
- Você precisa tomar seus remedinhos ok? Tanta testosterona tem lhe deixado meio psicótico. –Sorri sínica e lhe dei as costas impaciente voltando a entregar os panfletos da minha grande festa, que eu rezava mentalmente que esse maluco não fosse.

11:00 P.M Mansão Campbell

Fazia meia hora que a festa havia começado, havia mais pessoas do que eu pensei que poderiam vir, o som estava alto, tremendo os vidros da casa. Havia uma mancha de uísque no carpete que eu sabia que daria bastante trabalho a Tereza para limpar. Ao meu lado Bonnie olhava as pessoas extremamente assustada, empurrei um copo de uísque a ela
- Beba. –Falei
- Não tenho idade pra beber, Margo –Ela grunhiu quase tão baixo a ponto que saísse como um sopro.
- Quem se importa, maninha?
- Mas...
- Sem mais, Bonnie. –Falei impaciente, ela deu-se por vencida e pegou o copo bebendo um gole engasgando-se com liquido, tossiu inúmeras vezes.
- Isso é horrível. –Grunhiu
- Com o tempo melhora –Sorri- Vou dar uma volta, preciso de um corpo no meu.
- Não me deixe aqui sozinha –Ela agarrou-me pelo braço- Por favor.
- Onde esta o Jessie? Fique com Jessie, ora.
- Não sei se ele irá vir.
- Que belo namorado você tem.
- Ele não é meu namorado.
- Ok, se enturme, conheça pessoas... Eu não vou ficar aqui parada com você. –Resmunguei puxando meu braço e logo entrei no meio das pessoas. Caminhei até a cozinha e peguei uma garrafa de uísque dispensando totalmente os copos. Derramei-o garganta a baixo podendo ouvir um pigarrear atrás de mim, me virei quase me engasgando.
- Bastian –Tossi, a pergunta era oque ele estava fazendo em Nova York, Bastian tinha as mãos enfiadas no bolso e o semblante um tanto imprevisível.
- Pensei que você havia voltado para Nova York por que seu pai estava doente. –Ele murmurou.
- Eu não disse isso. –Tossi mais uma vez- Disse?
- Por que é que os americanos tende a serem tão cruéis e mentirosos?
- Eu não diria de todo os americanos. – Comprimi os lábios - Só eu.
- Então é isso? Você brincou de casinha comigo e depois quando se cansou se mandou como se nada tivesse acontecido?
- Como eu posso dizer isso, Bastian... –Dei outro gole para inventar algo a ele, afinal ele viera de Paris a minha procura, e realmente eu não valho a pena ser procurada de tão longe- Eu tinha um prazo pra voltar pra Nova York, eu queria ficar com você, ter uma vida com você lá, mas não é assim que funciona.
- Vai realmente continuar mentindo pra mim, Margo?
- Mas a única verdade é essa, foi ótimo nosso amor de verão, foi lindo, foi mágico mas é de verão Bastian, não dura pra sempre.
- Você é cruel, Margo –Ele balançou a cabeça em negação, comprimindo os lábios.- Como pode? Você disse que voltaria.
- Veio aqui a minha procura? –Minhas sombra celhas se ergueram.
- Gastei todos os meus trocados pra ouvir tu me dizer que nosso amor não era recíproco.
- Eu sinto muito.
- Americanos imbecis –Ele resmungou- Fazem de tudo uma grande piada.
- Bastian eu... –Suspirei realmente me sentindo mal por ele, não achei que ele fosse tolo o bastante para vir me procurar. Isso é loucura- Não me odeie, eu não pensei que iria tão longe, eu estava de férias, e queria me divertir fora da burguesia e viver um pouco na parte divertida da cidade, e você foi um ótimo acompanhante nessa aventura.
- Apenas um acompanhante? –Seu semblante era tristonho, nunca o vi daquela forma. Agradeci por não haver ninguém na cozinha
- Não me entenda mal, Bastian. Mas nós não teríamos futuro algum juntos.
- Você é uma vadia egoísta, Margo. –Ele rosnou, nada que eu não tivesse ouvido antes, na verdade já ouvi coisas bem piores, pensando bem, esses franceses são tão sentimentais. Que diabos, por que ele não podia ser um cara normal e me esquecer ao invés de gastar seu pouco dinheiro pra vir até aqui? Isso é completamente insano e sem propósito algum. Mas, no entanto ter ele mais uma vez não seria completamente ruim.
- Ótimo, você me acha uma vadia –Cheguei mais perto do mesmo- Mas você veio até aqui, por que não aproveita a festa? Por que não aproveita que esta aqui? Pra podermos ter nossa despedida
- Vai continuar me fazendo de seu acompanhante? –Ele perguntou indignado-
- Não, Bastian.
- Quer saber? Vai se ferrar Margo, eu não sou um brinquedo. –Ele deu-me as costas, lá se vai minha chance de transar com alguém hoje, dei um gole do uísque só então percebendo que Cliford e Shep estavam na porta da cozinha escutando tudo sem nem uma cerimônia. Shep encarou Bastian impedindo-o de passar
- Oque você disse, amigo? Acho bom você rever o modo como fala com ela.
- Se eu fosse você não defenderia alguém como ela –Ele grunhiu em um tom condescendente e saiu esbarrando no mesmo, eu bufei pondo a mão nos olhos. Pronto agora Shep me bombardearia de perguntas, suspirei tirando as mãos dos olhos e olhei para ambos os idiotas a olharem-me seriamente.
- Quem era esse cara? –Ambos perguntaram e com o susto os dois se entreolharam, eu dei um gole no uísque.
- Alguém que não é da conta de vocês.
- Ele te chamou de vadia egoísta, é claro que isso é da nossa conta. –Shep contestou
- Ele era Frances? –Cliford perguntou-me antes mesmo que eu pudesse responder Shep.
- Oque eu posso dizer? –Ri dando um gole no uísque- Os Franceses são bastante dramáticos e sentimentais.
- Oque ele estava fazendo aqui? –Perguntou Shep.
- Ele veio até aqui por você? –Sthan também perguntou, aquilo era bastante estressante, não queria responder nem uma pergunta.
- Nós tivemos um “romance” –fiz aspas com os dedos- De verão, até chegamos a passar uns meses no apartamento dele, foi bom, foi legal mas caramba acho que ele pensou que eu iria largar tudo pra ficar com ele, morar em um apartamento minúsculo e cursar uma faculdade medíocre no subúrbio de Paris com ele. Então eu tive que voltar e disse que meu pai estava doente. –Falei sem interesse- Quase morrendo
- Você não gostava dele? –Shep quase gaguejou, eu revirei os olhos.
- Há mas é claro, mas vocês devem saber porque se chama amor de verão, dura apenas alguns meses. Não tenho do que reclamar, foi o melhor verão de todos, mas eu não esperava que ele viesse aqui –Tornei a dar um gole no uísque. – Os franceses levam as coisas muito a sério.
- É você que não leva porra nem uma a sério, Margo. –Shep grunhiu parecendo irritado e saiu da cozinha, eu revirei os olhos.
- Por que o Shep é tão ranzinza? –Perguntei em um risinho, dando outro gole em meu uísque- E você idiota? Oque esta me olhando? Não achou que eu só era uma vadia com você achou? Não se surpreenda

* * *

Quando incrivelmente dei por mim, eu estava dançando em cima da mesa de centro da sala. As pessoas ao redor da mesa a tentar relar-me a mão pelas coxas, uma garrafa de uísque estava em minhas mãos e eu mal sabia como ela havia parado ali se Shep havia tomado-a de mim mais cedo, eu mal tinha noção do som que estava tocando a estrondar meus ouvidos, mas, no entanto simplesmente deixava-me levar sem saber oque dançava, meu corpo fazia movimentos sexys e ao mesmo tempo –eu imagino- deploráveis de quem mal se aguenta em pé, eu só senti minhas pernas fraquejarem e uma gritaria estrema ao meu redor. Meu nome era gritado com clamor, tudo estava meio turvo. As pessoas pareceram se tornar apenas um borrão a baixo de mim, e segundos depois uma mão agarrava-me fortemente para baixo, meu corpo enfraquecido caiu junto com a puxada que me deram para baixo, dei-me conta que meu corpo não se colidiu com o chão quando braços magricelas me acolhiam e me agarravam em um ato protetor, eu ri sem motivo para fazê-lo e levei a garrafa de uísque até os lábios, antes que eu pudesse sentir o líquido descer-me a garganta ela foi arrancada com rispidez de minhas mãos. Com aquele odor doce de um perfume extremamente sofisticado eu tive a certeza de quem era que estava a me carregar com uma bêbada impossibilitada. Por motivos inexistentes tudo que saía de minha boca eram gargalhadas em intervalos de soluços exagerados. Fazia tempos que eu não tomava um porre desses, quase me dera ânsia de vômito. Meus pés se firmaram ao chão e eu finalmente tive a certeza de que estava de pé, cocei os olhos e pude ver um magricela e um lutador de braços tatuados a minha frente, minha visão estava turva, minhas pernas não conseguiam se firmar e meu corpo cambaleava por si próprio.
- No que você estava pensando? –A voz de Shep era áspera e irritada.
- Vocês são patéticos –Resmunguei tentando sair de onde eu mal sabia onde era, mas que provavelmente era meu quarto mas ambos impediram que eu o fizesse.
- A festa acabou pra você. –Shep continuou, minha boca ficou seca, sua voz contribuiu para que eu continuasse com as ânsias de vomito nervosas, pus a mão na barriga sentindo-a contrair em uma cólica absurda e tudo que eu havia feito em seguida foi vomitar intensamente nos sapatos de Shep a minha frente, sem forças eu cambaleei limpando os lábios e senti-me cair para trás, tendo o conforto agradável do colchão. Depois daquilo, não consegui mais abrir os olhos.

10:30 A.M Mansão Campbell
Recostei minha cabeça na mesa e suspirei, plena sexta feira e eu estava destruída de mais para ir a faculdade. Quem diabos da uma festa em dia de semana? Obvio, eu. E aqui estou a perder mais um dia letivo, minha cabeça estava dolorida, meus olhos inchados, tirando por completo minha beleza. Marcavam duas e meia da tarde no relógio e por eficiência das empregadas a casa já estava incrivelmente limpa,imagens da noite passada me vinha a mente. Shep puto,o meu doce Frances irritado e desiludido com a imagem doce que tinhas de mim, a minha dança, eu sem terminar com ninguém no fim da noite. Não consigo dizer se eu havia gostado de todos aqueles acontecimentos ou se eu havia ficado atordoada. Dei um gole no café e suspirei. Meus pensamentos foram interrompidos quando a vi entrar na cozinha, ela direcionou-se até a geladeira olhando a mesma a procura de algo provavelmente saudável
- Sabe quem me deu uma carona pra voltar da escola hoje? –Ouvi-a murmurar, eu não respondi- O Sthan, ele estava lá conversando com uma garota, e disse que viria pra esse lado da cidade.
- De que isso me importa? –Ergui uma sombra-celha contentando meus ciúmes inapropriados, que vadio esse Sthan. Era oque me faltava ele cair matando em cima de minha pobre irmã, oque ele não podia fazer era ser psicótico com ela também.
- Nada eu só estou comentando –Ela sentou-se a minha frente com uma maçã nas mãos, olhei-a sem interesse.
- Gostaria que não comentasse sobre esse idiota, hoje –Resmunguei
- Oque você tem?
- Nada, Bonnie, nada.
- Porque você liga se eu vim com ele ou não?
- Eu não ligo, eu já disse que meu foco é o Justin. –Grunhi
- Quem é Justin?
- O meu professor.
- O Sthan parece estar mesmo afim de você, hoje ele falou de você o caminho inteiro, ficou lhe chamando de flor, beija flo. Que estranho isso não? –Ela disse após dar uma mordida em sua maçã, eu revirei os olhos, me meto em cada encrenca com esses homens, viu.
- Ele me chama assim? Porque alguém chamaria outra pessoa dessa forma? Isso é estranho.
- Também achei –Ela dera de ombros, suspirei entediada. Me lembrei então que amanhã, Justin me veria cantar, talvez eu esteja sendo muito otimista em esperar que ele apareça lá de fininho com aqueles olhos claros a olhar-me atentamente, como se quisesse me desvendar. Mas oque me restava era esperar que ele fosse, oque me restava era esperar, esperar e esperar até amanhã. O dia então pareceu demorar a passar, eu não queria sai de casa durante o dia, só queria dormir o dia todo. O fora isso que eu fiz, só pra que tudo passasse voando para que eu pudesse encontrar meu doce e reservado professor no dia seguinte

08:30 P.M Cafee lemis - Brooklyn
P.O.V Justin

- Você deveria ir. –Dizia José quando lhe contei sobre Margo, eu dei um gole em meu café e sem animo o respondi:
- Não quero problemas pra mim.
- Ela é de maior, Bieber. Não tem problema você só encontra-la amanhã.
- Você não entende, essa moça literalmente destrói a carreira de todos os professores com quem se relaciona, e não há um que possa ter voltado a trabalhar por aqui depois dela.
- Você quer encontra-la não quer? Oque lhe custa?
- Minha carreira –Murmurei como se fosse obvio, olhei para a janela enorme de vidro a minha frente e novamente ela passava por mim, com penas em seu cabelo, um vestido simples desta vez azul tão bonito, era longo, ela andava docemente e lentamente como uma menina ingênua a cada paço que dava ao lado de fora da cafeteria. Seus longos cabelos dançavam com o vento que batia contra o mesmo, oque me levava a perguntar oque ele estava fazendo novamente no Brooklyn.
- É ela –Apontei sem conter minha expressão embasbaca, José virou sua face para ela escorando-se nos cotovelos a mesa. E então ela passou, me trazendo uma certa tranquilidade.
- Aquela garota? Aquela garota esta te assediando? Aquela garota é filha do advogado mais famoso de todo estado?Acha mesmo que essa garota estaria andando assim como uma pobretona por aqui?  Esta maluco, Justin?
- E-e-eu –Gaguejei também não entendendo o porque dela estar vestindo-se daquela forma e andando de uma maneira tão doce e ingênua- Eu juro, é ela, ela não vai assim pra faculdade, ela não anda com penas no cabelo nem muito menos sem roupas vulgares. Eu não entendo porque desde a ultima vez que a encontrei ela tem se vestido dessa forma.
- Você deve esta confundindo, aquela moça que passou aqui parecia ter comprado o vestido no exercito da salvação –Ele riu.
- Não há como confundir alguém com, Margo –Sussurrei.- Há alguma coisa errada
- Oque há de errado é sua falta de óculos, deveria usa-lo mais vezes.
- Pense oque quiser mas eu tenho certeza que aquela era Margo.
- Ela parece com uma moça que cantava a um ano no bar Coner of hell, era uma moça que tinha uma voz doce e grave, enchia o bar todo domingo, eu gostava de ouvi-la, e se as flores falassem seria tão suave quanto o tom de sua voz, mas ela sumiu, parou de cantar não me lembro do que disseram quando ela sumiu.
- Nunca ouvi falar.
- Ela era alem de tudo linda, como essa moça que passou aqui.
- Como Margo?
- Aquela realmente não era a mesma moça a quem vem te assediando, isso é loucura.

P.O.V Marg Wine

Havia acabado de chegar de ultima hora no bar “house of Jazz”, Will me ligara de ultima hora quando ficara sabendo que na semana passada eu havia voltado a cantar e de certa forma havia voltada pra Nova York. Eu estava tão distante aquela noite, minha mente só sabia programar como seria a noite seguinte. Me perguntava se ele realmente viria ou se ele viesse se gostaria das minhas músicas ou até mesmo do que tentaria lhe transmitir com as minhas canções. Não entendia o porque desse meu nervosismo e ansiedade com o dia seguinte, não entendia porque aquele precoce frio na barriga só em pensar na reação dele, de um lado eu queria que ele fosse meu, que ele descobrisse Marg Wine, de outro eu estava confusa com tudo aquilo e receosa com tais sentimentos estranhos que floresciam a cada segundo de meus dias. Após falar com o Will, eu delicadamente subi ao pequeno palco e peguei o microfone fazendo um roído aborrecedor a inundar os tímpanos de todos, fazendo-os olharem para mim, aquela plateia era diferente da de um ano atrás. Haviam meados vinte pessoas ali, bebendo e conversando, ou até mesmo sozinhos bebendo.
- Alguém aí se lembra de mim? –Murmurei timidamente, pude ver um rapaz gritar lá do fundo do bar.
- Eu te amo, Wine –Aquilo instantaneamente arrancara risos baixos das poucas pessoas sentadas nas mesas e no balcão.
- É, não é a mesma plateia do ano passado mas, fico feliz que ainda tenha sobrado um –Ri- Sou Marg Wine, e podem ficar ciente que irão me ver muito por aqui pra deprimir suas noites. –Sorri sem animo e pude ouvir os instrumentos começarem, fechei os olhos e logo era minha deixa para começar.
She wore Blue Velvet
Bluer than velvet was the night
Softer than satin was the light
From the stars
Ela usava Veludo Azul
Mais azul que o veludo era a noite
Mais macio que seda era a luz
Das estrelas

Comecei vendo que as pessoas pareciam realmente abismadas com a minha voz, eu sorri e regressei a fechar os olhos, por algum motivo tolo imaginando o professor a minha frente, me ouvindo cantar com aqueles olhos que sempre desvencilhavam, há aquele modo escorregadio me dominava. E eu odiava que ele tivesse tanto poder assim sobre mim a ponto de eu querer mostrar-lhe meu pior lado, meu lado fraco, melancólico, tristonho e um tanto depressivo. Há que ponto aqueles grandes olhos me levaram? A isso? A esse abismo coberto de perguntas sem resposta? A essa louca vontade de mostrar como sou de verdade?
She wore blue velvet
Bluer than velvet were her eyes
Warmer than May her tender sighs
Love was ours
Ela usava Veludo Azul
Mais azul que o veludo era os seus olhos
Mais caloroso que maio, seus suspiros suaves
O amor era nosso
Quando abri os olhos novamente, tomei o leve susto de ver Bastian a poucas mesas do palco, ele tinha o semblante nada agradável, seus braços estavam cruzados, e seu olhar sobre mim era frio, seus olhos procuravam intensamente pelos meus e eu sem nem uma alternativa desviei o olhar para qualquer canto que não fosse exatamente o centro do bar. E assim eu fiquei durante mais quatro deprimentes canções, quando finalmente desisti de esperar a Partida daquele Frances sentimental, agradeci aos exagerados aplausos que me incendiavam a alma e desci os poucos degraus, ouvindo os homens atrás de mim voltarem a tocar um Jazz dançante. Caminhei lentamente enquanto concertava as penas em meu cabelo até o balcão, onde logo Will vinha para me parabenizar.
- Já disse Will, hoje é por minha conta. Não precisa me pagar –Sorri para ele.
- Eu insisto, Wine.
- Me pague com uísque que tal? –Sorri, ele balançou a cabeça.
- Sei que gosta do que faz mas eu gosto de ajuda-la.
- Só de me deixar tocar aqui já esta me ajudando bastante Will.
- Tudo bem –Ele deu-se por vencido emanando felicidade com a minha volta, sairia por alguns segundos e voltara enchendo um copo de uísque para mim. Eu agradeci podendo ouvir o esperado ranger do banco ao meu lado, fechei os olhos com força. Não estava disposta a agir de forma fria com Bastian essa noite, meu lado Campbell, gostava de ser cruel mas o Wine, o Wine estava cansado de fingir, de se esconder atrás da crueldade do meu sobrenome.
- Mal te reconheci. –Ouvi-o dizer por fim, suspirei sem alternativas me virando para ele.
- Pensei que havia voltado pra Paris.
- Até pensei voltar, mas não consegui. De alguma forma me encantei com essa cidade
- Já arranjou um lugar pra ficar? –Concertei outra voz minhas penas.
- Já, na verdade eu estava indo pra lá quando ouvi-a cantar. Não sabia que cantava
- Eu não canto –Grunhi dando um gole no uísque- Só gosto de fingir que canto.
- Sabe que não é verdade.
- Pensei que estava me odiando, que eu bem me lembre a menos de 48 horas você esta me chamando de vadia americana egoísta. –Sorri novamente tornando a beber aquele liquido que pra mim era mais como um tranquilizante. Ele cumprimiu os lábios e concertou-se no bando
- Só estava irritado.
- Eu causo muito isso nas pessoas –Ri.
- Eu senti sua falta.
- Minha falta? –Ri sem animo agora.- Acredite, esta melhor sem mim.
- Ninguém fica melhor sem você.
- Você vai encontrar outra americana que possa fazer você perceber que nós não somos lá tão ruins, que seja melhor, mais sincera, mais doce e mais verdadeira do que eu, pois sinceramente eu fui um tanto leviana contigo, me desculpe mas não quis que aquilo fosse tão longe –E lá estava meu lado Wine tomando a frente naquela noite gélida, lá estava meu lado deprimente falando mais alto que minha razão.
- Je t’aime
- Não seja tolo, não quero lhe magoar mais –Suspirei, inclinei um pouco em sua direção, acariciei com as pontas dos dedos sua face sorri sem nem uma vontade de faze-lo e beijei seu rosto. Seus olhos entristecidos e decepcionados buscavam pelos meus de tal forma que até me entristecia por não poder corresponde-lo- Você merece alguém melhor do que eu Bastian.
- M-as-as eu quero você. Não me importo com o quão ruim você seja, eu só quero voltar a dormir ao seu lado, voltar a pintar retratos seus, voltar a acordar contigo todos as manhãs, só isso.
- Eu sinto muito. –Abaixei os olhos enraivecida por estar sendo tão calma com tudo aquilo, odiava quando Wine me dominava. Odiava quando sentia que não tinha controle das minhas emoções e atitudes.
- Só fique comigo.
- Eu não quero continuar brincando contigo, Bastian.
- Tudo bem.
- Vai continuar aqui?
- Vou –Ele sorriu, e inesperadamente inclinou-se para cima de mim tomando-me os lábios, de certa forma meu lado inconsequente Campbell havia gostado de voltar a beija-lo levianamente, outrora meu lado Wine que me dominava intensamente aquela noite fez-me empurra-lo levemente, e com a face rubra sem motivos coerentes me afastei de seu banco desviando o olhar para o copo de uísque a minha frente.
- Desculpe, você estava tão perto –Ele murmurou, eu o olhei encontrando seus olhos cinzentos procura dos meus, um sorriso bem pequeno moldava-lhe os lábios.
- Você vai encontrar alguém melhor –Me levantei dando um ultimo gole naquele uísque. Abaixei um pouco e lhe dei um breve beijo em sua bochecha gélida, tocando seu ombro.- Que te dê tanto amor quanto possa receber.  

* * *
Ao acordar mais uma noite sem ninguém ao meu lado –coisa que estava acontecendo muito-, suspirei e segui meu percurso até o banheiro. Tomei um longo, e demorado banho, no banho eu havia notado que algo em mim estava mais vazio do que o comum, senti que algo em mim estava errado. Estava me sentindo estranhamente mal aquela manhã, como se eu tivesse perdido algo, como se a minha parte Margo estivesse meio que se deprimindo no caminho da Wine. Isso não podia acontecer, não mesmo.
Saí do banho, escovei os dentes, coloquei um vestido e me maquiei. Não ficaria triste hoje, hoje não era dia de me sentir só, hoje não era dia da Wine querer dar as caras, eu não preciso dela, talvez eu precise dela, mas eu preciso mais da fútil Cambpell do que da cantorazinha depressiva Wine. Calcei meus saltos e me perfumei, olhei-me no espelho me agradando com o meu trabalho. Soltei meus cabelos, deixando-o com leves ondas e desci as escadas. Bonnie ao sofá assistia algo na TV, ao me ver passar ela olhou-me com o canto dos olhos tirando um pouco a atenção da TV.
- Vai pra onde?
- Não sei –Murmurei- Quer ir?
- Eu não. Jessie vai vir aqui hoje
- Use camisinha. –Acenei com as pontas dos dedos para ela não resistindo uma risadinha com sua expressão.


16:30 P.M Nova York

Estava caminhando ao sair de uma loja de discos pela qual tive o dever de comprar inúmeros discos dos melhores cantores da década de 20, que meu lado Wine mais amava com tamanha intensidade, já que com isso eu já podia ensaiar qual músicas cantar essa noite, quero cantar algo da Annette Hanshaw, ou até mesmo Ethel Waters, certamente eu ainda estava em dúvida, e sem dúvidas esses novos álbuns que comprei me ajudaram a escolher a música perfeita. Quando pude perceber o professor em uma cafeteria pouco movimentada, respirei fundo, era a minha chance. Ele não estava na escola, talvez ele não seria de todo tão grosseiro. Molhei os lábios e respirei fundo mais uma vez, olhando para dentro da cafeteria onde ele parecia aprofundado em um livro, seu café quente a sair uma leve fumaça demonstrando que ele provavelmente havia chegado a pouco tempo. Seu cabelo estava arrumado como de costume, seus olhos vidrados e sem expressão para o livro, ele estava novamente com um de seus suéteres que ao meu ver eram realmente encantadores. Dessa vez o suéter era cinza, sua barba por fazer parecia estar maior, e tudo nele me fazia ficar inerme na frente da cafeteria, era como se eu estivesse de alguma forma nervosa por ter uma chance como essa. Decidida, ergui minha cabeça e em passos sorrateiros me dirigi até a sua mesa, onde logo pude reconhecer a capa de seu livro, era Hamlet, papai tinha sua coleção de primeiras edições de Shakespeare, e eu obviamente sempre dava uma olhada nos livros dele, e Hamlet sem dúvida era um dos melhores, li e reli tal livro três vezes. Respirei fundo contendo por alguns segundos a respiração e mordi os lábios ao citar um pequeno trecho de que me lembrava
- O pensamento assim nos acovarda, e assim é que se cobre a tez normal da decisão com o tom pálido e enfermo da melancolia; E desde que nos prendam tais cogitações, empresas de alto escopo e que bem alto planam desviam-se de rumo e cessam até mesmo de se chamar ação. –Seus de uma abundante beleza caramelada como mel, que eu me afogaria de bom grado levantaram-se para mim, sérios, em um ato de tal costume ele não esboçou nem uma reação- Bom livro –Sussurrei coçando a garganta.
- Esta me perseguindo senhorita Cambpell? –Sua testa se franziu junto com seu ato de fechar seu livro gasto e de folhas amareladas. Eu sorri-
- Só passei pra dizer um “oi”, e que espero sua visita.
- Minha visita?
- Não se esqueceu do nosso trato esqueceu?
- Perdoe-me, mas não me lembro de ter aceitado. –Desconversou ele dando um gole em seu café.
- Não estamos no campus Justin –Murmurei- E você não é nem um pouco cavalheiro.
- Sente-se, Margo. –Ele gesticulou para a cadeira a sua frente dando-se por vencido, entendo o motivo pelo qual questionei-o, com um meio sorriso me sentei pondo minhas bolsas ao meu lado. Seus longos dedos se entrelaçaram em cima da mesa e seus olhos enigmáticos fitavam intensamente.- Não sei oque esta tentando comigo, senhorita. Mas eu não sou um homem que pensa apenas no desejo carnal, levo muito a sério minha vida profissional, e como eu já havia vos dito antes seu histórico com professores não é nada convidativo.
- Fala como se eu fosse uma vadia –Minha maldita voz demonstrou mais decepção do que eu queria.
- Deus do céu, longe disso, senhorita. –Ele murmurou- É só que..
- Tudo bem, você leva sua vida profissional a sério. –Suspirei- Mas eu sei que posso ser mais do que isso.
- E você é –Ele murmurou- Vejo quando fala na sala, não sei se é só pra me impressionar mas você é realmente melhor do que se faz ser, Margo.
- Então porque é tão mal comigo? –Meu tom novamente demonstrou mais do que deveria, e em seguida um suspiro rasgou-me intensamente a garganta seca. Que merda eu estava fazendo?
- Eu já disse, sou canadense não “mal” –Um pequeno e quase não visível sorriso brotava finalmente no canto de seus lábios- Se você parar de tentar essas coisas até podemos conversar tudo bem? Podemos nos conhecer, mas só se você não me ver mais como um professor a quem quer levar pra cama.
- Não te vejo assim, Justin. –Olhei para meus dedos, ele me deprimia tanto. Fez-me sentir mais cruel do que eu realmente queria que pensassem que eu fosse.
- Não minta pra mim.
- No começo. –Voltei a olha-lo, podendo vê-lo molhar os lábios e olhar-me atentamente- Eu realmente queria isso, mas você é tão diferente sinto que posso ser eu mesma sem ter que fingir nada, sinto que não preciso criar uma imagem.
- Quando percebeu isso?
- A alguns dias.
- Você é um grande problema senhorita, e juro que preciso ficar longe de problemas como a senhorita.
- Me deixa te levar a um lugar essa noite? –Sussurrei em um tom quase doce, tive vontade de me dar uns tapas por estar deixando o lado Wine aparecer de forma bruta e dominante.- Juro que não tentarei nada.
- Não posso –Ele desviou seu olhar. Eu mordi o lábio inferior sem saber oque fazer
- Não me faça implorar.
- Vai me levar a um lugar cheio de alunos não vai?  
- Não –Sorri simples- Juro que irá gostar
- Sem segundas intenções?
- Só eu de verdade.
- E a senhorita de verdade seria a minha aluna extremamente intelectual das aulas?
- Sem duvidas.
- Tudo bem, esta feito.
- Sabe onde fica o “Soul Blues”, esteja lá as onze.
- Oque você faria em um bar como aquele? –Em seus lábios tinha um sorriso bem pequeno, tão gostoso de se ver que eu poderia ficar ali olhando-o por dias ou até anos.
- Parte de mim não se importa com o dinheiro que tenho.
- É mesmo? –Senti a pontada grotesca de ironia.
- Esta zombando de mim senhor, Bieber? –Ri pondo meus cotovelos a mesa, ele acompanhou-me em um riso baixo.
- Só estou um pouco surpreso.
- Bom, acostume-se. –Aquela era a minha deixa, ou eu ficaria ali falando abobrinha e estragaria completamente aquela sorte incrível. Peguei minhas bolsas e me levantei ainda sorrindo por ter conseguido tal coisa
- Pra onde vai senhorita? –Sua testa se franzira instantaneamente com meu movimento.
- Preciso ir agora, boa leitura. –Acenei ainda sorrindo e dei-o as costas com meu pobre coração nas mãos quase pulando de alegria. Tudo aconteceu de maneira tão instantânea, não sabia que sendo Wine um dia eu conseguiria algo, e agora de certa forma estou começando a achar que isso só funciona com ele, só ele poderia se interessar por alguém tão desinteressante e mal resolvida quanto a contorazinha de bares medíocres no Brooklyn. Durante o resto do dia era de longe impossível deixar de sorrir, deixar de programar aquela noite, eu não queria dormir com ele, não tinha segundas intenções apenas queria cantar-lhe uma canção, e aquela canção tinha de ser perfeita. Já pela noite quando eu estava tão angustiada a ponto de quase arrancar-me os cabelos, eu enfiei-me dentro do closet a procura de um vestido, um vestido simples e não vulgar, sei que ele parece preferir isso do que meus decotes. Após um banho de aparentemente uma eternidade eu me vesti, pus um vestido rosa claro, bem claro quase dando a impressão de não ser rosa, meio rodado e um pouco solto, no entanto ele era bem apertado como um espartilho a moldar-lhe por baixo e largo na parte de baixo. Não me maquiei, apenas passei um simples batom avermelhado que encontrei na cômoda, eu queria impressioná-lo, mas também não devia exagerar, pois afinal para as pessoas eu sou uma pobretona do Brooklyn. Quando finalmente recebi a ligação de Lewis perguntando se eu realmente poderia cantar essa noite eu suspire e entusiasmada sai do quarto, sentindo um nervosismo fora do comum. Em passos sorrateiros eu passei o mais rápido que pude pelo quarto de Bonnie, desci as escadas rapidamente em cima de meus doseis sapatinhos brancos, caminhei até a cozinha lhe deixando um bilhete comunicando que não precisaria esperar-me acordada. Eu não chegaria cedo, pois mesmo se meu admirável e reservado professor não fosse eu iria ficar no bar para aproveitar com alguns conhecidos de quem eu secretamente sentia uma imensa saudade.

* * *

Já passava das onze quando dei um gole em meu segundo copo de uísque para conter o irritante nervosismo, de um lado eu queria me dar uns tabefes por toda essa bobagem que estou sentindo, de outro eu queria não pensar no que poderia ter acontecido. Lewis caminhou até mim, com uma pequena Margarida branca nas mãos, sorriu enquanto a colocava levemente atrás da minha orelha.
- Pra lhe dar sorte. –Ele disse.
- Obrigado.
- Hoje quando souberam que nossa Wine havia voltado nossa freguesia aumentara tanto quanto no ano passado.
- Que bobagem, ninguém nem me conhece. –Sussurrei
- Aos poucos você encantou muitos dos meus fregueses, Wine. –Ele acariciou-me a face, pra mim Lewis era o pai que eu nunca pude ter, era incrível como ele era compreensível e me apoiava. Tanto que a dois anos quando eu pensei em cantar ele fora o primeiro a me oferecer seu pequeno palco como ajuda, e por conta disso hoje eu canto em meados 5 bares. São poucos mas é sempre bom trazer música boa de volta ao mundo, já não se ouvia Jazz como antes, Nova York já não era a cidade do Jazz. Que ia sendo esquecido a cada ano
- Suba, vá mostrar que esta viva –Sorriu ele concertando agora a margarida em minha orelha, eu respirei fundo e dei um longo gole no uísque sentindo-o rasgar-me a garganta. Sai de trás do palco e em paços vagarosos subi os poucos degraus até o pequeno palco, onde inesperadamente recebi palmas. Havia essa noite mais de cinquenta pessoas, era como se as poucas pessoas que apareciam aqui em dias aleatórios no ano passado resolvessem aparecer todas essa noite. Aquilo me dera uma das melhores sensações que já tive, talvez aquilo fosse meu verdadeiro topo, talvez esse seja meu verdadeiro show, e não estando no topo de Nova York em si. La no fundo meu lado Wine sempre soube disso, mas meu lado Margo de certa forma se recusa a se rendar a isso, posso me dominar hipócrita nesse momento.
- Estou um pouco nervosa, eu bebi de mais e estou vendo tudo em dobro ou esse lugar hoje esta realmente cheio? –Sorri ao pegar o microfone, novamente algumas pessoas que eu certamente conhecia de rosto gritaram. - Bom, oque posso dizer? eu voltei pra casa, vocês são a minha casa. E eu realmente espero não lhes decepcionar, obrigado por estarem aqui essa noite. –Mordi o lábio inferior passando os olhos por todo aquele pequeno bar procurando-o dentre aquelas inúmeras pessoas, os instrumentos começaram a tocar quando a gritaria havia cessado. Logo eu dei inicio as minhas músicas que havia escolhido, e assim a noite fora se passando, eu cantei Nancy Sinatra, Ethel Waters, Muddy Waters e nada dele aparecer. Eu já havia desistido de esperar, desistido de ficar nervosa e não havia mais o tal frio na barriga. Tudo que eu havia planejado havia descido por água a baixo, e tudo pareceu ficar nebuloso quando vi em meu relógio que marcavam quase uma e meia da manhã. Não havia porque esperar, ele havia dado no cano, mesmo tendo dado sua palavra, oque me levava a crer que toda vez que tento mostrar meu lado Wine acontece alguma merda ridícula, e isso certamente pode ser um aviso que eu talvez esteja fazendo a escolha errado deixado a Wine aparecer assim. Desci do palco para uma pausa rápida e acendi um cigarro e tornei a pegar um copo cheio de uísque para que me fizesse superar tal frustração, esse homem só sabe me frustrar, me deprimir, e eu não sei porque dessa minha obsessão estúpida. Retornei ao palco, dei um gole no uísque e traguei meu cigarro regressando a cantar logo em seguida, era em fim minha ultima música, a música que eu escolhi cantar pra ele e que agora ela me libertaria daquela imensa frustração...

I'm just a woman, a lonely woman
waiting on the weary shore
I'm just a woman who's only human
one you should feel sorry for

Eu sou apenas uma mulher, uma mulher solitária
esperando na costa cansada
Eu sou apenas uma mulher que é apenas humana
que você deve sentir pena
Fechei os olhos cantando aquele trecho que eu escutava desde pequena de Annette Hanshaw, Am I blue. Aquela musica não estava no disco que eu havia comprado, mas me lembrei dela, lembrei-me que eu sempre a escutava vindo do quarto de mamãe, lembrei-me pois era a única coisa que eu de certa forma pude dividir com mamãe, era é de longe uma grande fã de Annette Hanshaw, mas vejo que já não é como antes, talvez ela escute em seu quarto enquanto se dopa com remédios para dormir para não ficar para esperar papai chegar para ouvi-lo reclamar de tudo e todos. Ou talvez ela tenha perdido até a vontade de ouvir as músicas de sua grande inspiradora do Jazz.

There was a time I was his only one
but now I'm the sad and lonely one

Houve um tempo em que eu era única
Agora sou triste e solitária

Balancei no ritmo daquele doce Jazz e me traguei meu cigarro, abri os olhos e sorri observando a plateia. Algumas pessoas estavam dispersas, prestando atenção na canção vez ou outra, já outra pessoas apenas me olhavam, com aquela doce admiração que ninguém olharia para Campbell, eu não sabia se aquelas pessoas eram suburbanos ou se eram burgueses que assim como eu fugiam da mesquinharia pra poder entrar um pouco na realidade da vida, mas mesmo assim eu sentia que podia ser eu mesma. Continuei a canção com meu cigarro e meu copo de uísque a me esquentarem o corpo frustrado e deprimido. Quando finalmente terminei a canção eu abri os olhos e corri esperançosamente os olhos por todos aqueles rostos novamente.

- Por hoje é isso pessoal, espero vocês semana que vem no mesmo horário. –Levantei o copo com a gritaria das pessoas, e com um meio sorriso deixei a o microfone no pedestal. Suspirei concertando a margarida na minha orelha e desci daquele palco que me deprimia e me deixava feliz ao mesmo tempo. Deixei o copo meio vazio de uísque em cima do balcão e joguei a ponta de meu cigarro que ainda queimava no cinzeiro. Sentei-me no banco ainda frustrada e um pouco perdida, e novamente não durou muito tempo meu momento sozinha pois Lewis viera a me parabenizar e a dizer-me o quanto estava orgulhoso e sentia falta da minha voz. Novamente tive que recusar qualquer pagamento e tudo que aceitei para que ele me deixasse ir sem ficar com seu lucro que eu não precisava fora apenas vinho, disse que enquanto eu tivesse seu velho vinho ele não precisaria me pagar. As vezes até parece que sou uma alcoólatra que canta em troca de bebida, outrora pra mim é mais fácil do que aceitar sou pouco dinheiro de moço trabalhador do Brooklyn. Depois que ele me deu as costas, algumas pessoas vieram falar comigo, diziam o quanto estavam felizes com a minha volta e que minha voz agradou a noite. Tudo que consegui fazer com a minha mente deprimida, frustrada e distante era apenas sorrir e lhes agradecer por terem vindo, depois finalmente tudo terminou, os elogios, os abraços, os beijos, tudo, só ficara eu meu vinho e meu cigarro no balcão, eu estava tão perdida que recusei até o convite que eu horas antes estava decidida a aceitar para sair com alguns conhecidos dali. Mas não tinha a menor ideia que sua falta de palavra me afetaria tanto, não tinha ideia que esse bolo afetaria meu lado Margo e Meu lado Wine. Margo estava frustrada e Wine estava deprimida e frustrada mais que o normal. E o pior é que ambos os lados não compreendiam como ele conseguira afetar tanto em tão pouco tempo.

- Então você é a famosa, Wine? A cantora dos desempregados? A cantora dos falidos e dos pobretões do Brooklyn? –Sua voz fizera com que eu levantasse instintivamente a cabeça, fazendo-me engasgar com a fumaça em minha boca. Tossi ao vê-lo puxar um banco e sentar-se ao meu lado, ele estava aqui o tempo todo? Como?
- Esta aqui a quanto tempo? –Sussurrei contendo a tosse, ele olhou para frente, escorando seus braços no balcão.
- A muito tempo –Respondeu por fim.
- Pensei que não tivesse vindo, não o vi.
- Estava em uma mesa afastada com um amigo. –Virou sua face para mim.- Porque esta aqui?
- Porque eu sou a Wine –Sussurrei apagando meu Camel.
- Oque faz com que eu me pergunte porque você é a Wine? Esta brincando de ser pobre? Fingindo ser suburbana?
- Só gosto de cantar. –Cocei a garganta, de certa forma ele também fazia com que eu me sentisse horrível.
- As pessoas sabem quem é você de verdade ou você finge ser uma de nós?
- Eu gosto de me sentir viva, gosto de pensar que sou como todas essas pessoas daqui, gosto de estar na realidade.
- Esta brincando de ser pobre.
- E-e-eu –Céus porque ele estava fazendo isso? Qual era o problema daquele maldito idiota. Tudo que eu queria era que ele sentisse quem sou e tudo que ele sabe fazer é julgar de forma cruel. Olhei para o copo de vinho a minha frente no balcão e engoli em seco- Você nunca vai parar de pensar o ruim sobre mim?
- Você é uma burguesa mimada. –Resmungou- Não sabe nada sobre a vida.
- Parece até que você julga as pessoas pelo quanto ela tem no bolso –Atrevi-me a revidar- Qual é o seu problema? Acha que só porque tenho dinheiro não posso querer sair daquele inferno? acha que só porque tenho dinheiro tudo pra mim é fácil? Acha mesmo? Acha que só porque tenho dinheiro eu sou feliz? Porra –Me levantei- Você é um babaca hipócrita mesmo, e eu aqui pensando que se eu fosse pouquinho eu de verdade com você nós pudéssemos até mesmo ser amigos. Mas na verdade não é isso que importa pra você não é? Pra um professor de literatura você é um grande imbecil.


P.O.V Justin

Ela saiu pisando tão firme que eu podia ouvir o barulho intenso de seus sapatos no chão. Desde que entrei no bar aquela parecia ser outra pessoa, o modo como ela falava, agia, conversava com o publico e cantava não parecia nada com a moça que me assediava na faculdade. Era algo impossível não se encantar com sua voz e aquela margarida em seu cabelo, que substituía suas penas que eu havia visto nos dias anteriores. Talvez eu estivesse errado enquanto a ela, talvez ela quisesse que eu percebesse que Margo era apenas uma grande fachada, e talvez eu tenha de primeira entendido errado. E depois daquela enxurrada de palavras que ela despejava sobre mim eu tive a certeza que aquela era uma moça diferente, Margo era tão fácil que nada a abalava, mas aquela moça com margarida no cabelo não era ela. Aquela moça sim parecia ter sentimentos além do que desejo, e secretamente eu admirei mesmo sabendo que era errado. Errado mais ainda fora meu tal desconforto ao vê-la aos beijos com um rapaz na segunda, não consegui me concentrar no que Alexandra dizia enquanto caminhávamos até a direção. De relace ela lançou-me uma olhadela, mas em um gesto não Margo ela ignorou-me voltando a falar próxima de mais a aquele rapaz. Talvez ela tivesse até desistido de mim, e por um lado eu estava mais aliviado, por outro eu não entendia aquela sensação que eu sentia com a possibilidade de haver uma outra pessoa por trás dessa moça desinteressada.
- Seu Justin será que você podia me dar uma carona quando saísse? –Perguntou-me Alexandra, fazendo-me perceber que já estávamos na sala de professores.
- Claro Alexandra.
- Obrigado de novo, nem sei como agradecer isso.
- Não se preocupe. –Sussurrei disperso

* * *

P.O.V Margo

- Você de novo seu maluco? –Resmunguei a Sthan, Jesus ele estava realmente me perseguindo.
- Oque aquele francesinho tem que eu não tenho? Porque você morou com ele por meses e não pode nem aceitar um jantar comigo? –Sua mão agarrava firmemente meu cotovelo tentei puxar para não deixa-lo avermelhado porem ele segurou com mais força, tentei não perder a paciência.
- Primeiro, se você continuar apertando meu braço eu te ponho na cadeia pra você ser feito de mocinha, segundo ele é Frances já é uma vantagem enorme, segundo você é louco, terceiro você é louco, quarto eu já disse que você é louco? –Sorri sínica e seu ato no entanto fora imprensar-me contra a parede, além de louco é burro.
- Você me deixa assim.
- Já disse pra você me soltar, Sthan. Que merda –Grunhi em uma falha tentativa de empurra-lo. Porem era um ato muito burro pois o cara era músculo puro e eu feita de carne e osso como uma pessoa normal que não frequenta academia, suas mãos impediram-me que eu me movesse, e eu me arrependi de ter lhe dado o gostinho de me ter por uma noite, sei que sou uma espécie estranha de moça viciante mas ele parece até que é um usuário de crack, ele parece me querer tanto a ponto de perder completamente a noção do que é e oque não é aceitável.
- Um jantar, Margo. Só um –Ele sussurrou chegando perto de meu rosto, eu olhei-o nos olhos sentindo pena.
- Me solta –Rosnei
- Sai comigo, Margo. Por favor –Ele insistiu deploravelmente mas eu não daria o braço a torcer, ele precisava de tratamento. Tentei me soltar de seus braços outra vez e ele apertou-me com mais força
- Me solta, Sthan, merda cara. Eu sou uma vadia entendeu? E vadias não querem compromisso.
- Mas eu sei que posso te fazer mudar de ideia. –Sussurrou
- Se você não me soltar eu vou gritar. –Em fim minhas mãos conseguiram sair de seus alcance mas logo ele tornou a agarra-las contra o seu peito prendendo-me mais contra a parede, não me deixando alternativas a não ser gritar; - SOCORRO, UM LOUCO, PSICOPTA ESTA TENTANDO ME ESTUPRAR –gritei me debatendo logo ouvi a resposta, mas essa resposta viera de alguém que nunca pensei que viria.
- A algum problema aqui? –Virei-me para sua voz que soava como jazz em meus ouvidos.
- Não, nem um, ela só esta brincando. –Sthan me soltou, por dentro eu estava rindo com o tolo pensamento dele de que eu o ajudaria a se safar dessa, quero-o na cadeia e se possível bem longe de mim.
- E-e-le me machucou, veja –Caminhei até Justin mostrando-lhe meus braços avermelhados- Eu disse que não queria, disse que era pra ele parar mas ele não parou, ele não parou. –Novamente ele não esboçou reação, eu também não estava a me importar, a noite passada foi a gota d’água, por mais que ele cause sensações estranhas em mim eu não vou ficar praticamente implorando para que ele perceba que eu não sou um poço de defeitos, tenho muitos mas não sou tão ruim.
- Oque aconteceu, Sthanley? –Ele se virou para Sthanley tirando os olhos dos meus pulsos. Eu o olhei perplexa, era só oque faltava ele não acreditar em mim, qual era o problema daquele imbecil?
- Quer saber? Eu não me importo com oque você pensa, não me importo se você acredita, não me importo se você acha que sou vadia de mais pra isso acontecer, não me importo –Me virei para Sthan- E você? Aguarde uma intimação em breve, quero você a mais de um milhão de quilômetros de mim seu doente.

* * *

Dia seguinte – Mansão Campbell 00:00 A.M

Agarrei a mão de Henry e pulei na piscina um tanto bêbada, ao subir a superfície ele ria enquanto agarrava-me a cintura. Eu não costumava me interessar por caras mais novos, mas essa noite eu estava tão deprimida, estava tão distante sentindo que os meus ambos os lados estavam tristes com oque vem acontecendo, a insistência de Justin em nunca acreditar em mim, e agora ele sempre esta acompanhado por uma moça que esta sempre na recepção, ela tem traços estrangeiros, fala diferente e tem longos cabelos negros, não é bonita mas mesmo assim me sinto enciumada quando a vejo chegar com ele. Desde ontem ele tem chegado com ela, eu podia pedir para alguém perguntar quem é ela mas me recuso a saber qualquer coisa sobre ele. Eu não quero que ele sinta que é tão importante.
- Sua irmã nunca me disse que você era esse sonho. –Sussurou Henry tirando os cabelos molhados da face, eu me abaixei um pouco na água até o meu queixo e sorri.
- Ela não gosta de falar sobre mim. –Sussurrei, por cima de Henry eu pude ver Jessie e Bonnie na beira da piscina. Bonnie olhou-me assustada
- Vocês estão nus? Droga, Margo. Ele só tem dezessete anos. –Ela resmungou.
- Ninguém se importa. –Mergulhei, nadar bêbada e nua nunca fora tão bom. Subi a superfície já na beirada da piscina e me escorei na borda olhando para cima pude ver Bonnie olhar-me enraivecida.
- Podemos entrar amor? –Jessie a olhou tirando os olhos toscos e embasbacados de mim, eu ri.
- Não, Jessie, é claro que não. Você nunca vai entrar em uma piscina com a minha irmã nua dentro, agora vem –Ela bufou e pisando firme o puxou para dentro, fazendo-o olhar-me por cima do ombro enquanto entrava
- Tchau, Jessie. –Acenei com as pontas dos dedos.
- Eu nunca transei em uma piscina antes. –Ouvi a voz de Henry atrás de mim, tirando-me uma leve risada. Com dezessete anos eu já havia feito muito mais do que transar em uma piscina, entrelacei minhas pernas em sua cintura e senti minhas costas contra a borda gelada.  
- Pode deixar que eu vou fazer essa sua primeira vez ser inesquecível.
- Você é real?
- Shii –Toquei por fim seus lábios o calando, ficar com os colegiais era ótimo porque eles realmente me colocavam em um pedestal, era como se eu fosse uma Deusa. Henry só não sabia disso porque havia chegado a uma semana da Rússia.

P.O.V Justin

Fechei o livro sem entender o porque da minha dificuldade em me concentrar, as cenas de ontem realmente me afetaram. E oque tem me irritado é que eu realmente estou me deixando levar por essa moça, estou me deixando levar por seu charme e seu modo tão inconsequente e indecifrável, uma hora ela esta andando pelo Brooklyn com flores em seus cabelos e em outra ela esta agindo como uma burguesa mimada. Ontem quando ela havia gritado comigo eu sabia que ela não se referia apenas a aquela situação ela se referia a tudo, a todas as situações que viemos passando. Ela se referia a minha atitude impulsiva, ela se referia ao dia anterior. Hoje não era o dia de sua aula então eu apenas pude vê-la pelos corredores, ela estava entre os jogadores do time, era impossível não reparar o modo como todos ali a olhavam. Oque me deixou de certa forma incomodado com tudo aquilo, oque ela queria provar? Se ela queria que eu acreditasse que ela não era daquela forma porque ela se comportava daquela forma. Tais perguntas invadiram minha mente durante o dia inteiro, e agora me perturbam a ponto de não conseguir me concentrar no livro. Levantei-me da poltrona e caminhei até minha pasta pegando os trabalhos para corrigir, talvez eu consiga me concentrar no trabalho e não nessas duvidas que me confundem, nos olhos, na voz, nos cabelos, nas atitudes incoerentes, nos atos levianos. Minutos depois, ouço leves batidas em minha porta, desconfiado caminho preguiçosamente até a porta abrindo-a logo em seguida, Alexandra segurava uma garrafa de vinho e tinha um pequeno sorriso em jeito a moldar-lhe os lábios chilenos
- Desculpe vir a essa hora, é que eu comprei um vinho pra comemorar e novamente agradecer.
- Ah, dona Alexandra não...
- Alexandra –Ela me cortou ainda sorrindo- Me chame de Alexandra
- Então Alexandra, eu realmente já estou satisfeito com seus exagerados agradecimentos do dia anterior, não precisava... –Molhei os lábios tentando não ser de todo grosseiro.
- Por favor, só uma taça. Não quero beber sozinha
- Sabe oque é Alexandra? Eu estava corrigindo uns trabalhos agora entende.
- Bebemos uma taça e não lhe aborreço mais –Insistiu arrancando-me um suspiro, como fazemos para deixar claro que não queremos companhia sem deixar a pessoa constrangida? Um dia quero que alguém me responda tal pergunta.
- Tudo bem, entre –Abri mais a porta dando-lhe espaço, ela alargou o sorriso caminhando até o sofá, onde afastou um pouco os livros que estavam ali para se sentar.
- Uau, quantos livros. –Ele sussurrou olhando em volta, caminhei até a cozinha pegando duas taças e entreguei uma a ela enquanto voltava e me sentar na minha velha poltrona.- Gosta mesmo de ler né?
- Gosto –Respondi, vendo-a abrir o vinho e enchendo sua taça. Ela se inclinou em minha direção deixando seu pouco decote a mostra os seios pequenos. Desviei o olhar para a taça, ela sorriu simples voltando a se sentar, e então pusera a garrafa na mesinha de centro.
- Não tenho visto a dona Lisa.
- Terminamos. –Dei um gole no vinho.
- T-e-e-ermiram? E foi por minha causa? Há, Justin se foi me desculpe eu posso falar com ela.
- Não, esta tudo em, não foi por sua causa dona Alexandra... Digo Alexandra.
- Ah, que alivio. –Ela pois a mão livro contra o peito quase soltando um suspiro, eu a olhei desinteressado. Só queria terminar meus trabalhos, só queria ficar sozinho sem nem uma mulher a me dizer coisas. Sem Margo, Sem Lisa, Sem Alexandra sem ninguém, só eu e meus deveres.- Tem sido tempos difíceis, os nossos amores resolveram nos deixar.
- É.
- Mas vocês faziam um casal tão bonito, Dona Lisa toda bonita com aquelas roupas, combinava com você.

07:30 A.M Mansão Campbell
P.O.V Margo

- Foi a melhor noite que eu já tive. –Dizia Henry quando lhe dei espaço para passar na porta.- Pode me dar seu número?
- Desculpe Henry você é um amor, mas sem segundas vezes por aqui –Sorri fechando a porta sem ao menos esperar por sua resposta, suspirei caminhando até a cozinha. Em fim eu estava voltando com a minha vida, estava voltando a dormir com caras diferentes para me acolherem durante a noite, e assim eu continuaria sem me importar com aquele idiota, se ele pensa que sou tão ruim, eu serei, e serei mais vadia do que nunca fui antes. A mesa da cozinha Tereza já havia feito seu trabalho servindo, Bonnie mudara completamente sua expressão quando viu que eu entrava.
- Porque você tem sempre que roubar as pessoas de mim? –Ela disparou quando me sentei.
- Não me lembro de ter roubado ninguém. –Resmunguei
- Primeiro foi o Lee, depois o Joe, e agora o Henry. Eles são meus amigos Margo, e eles são mais novos que você, você pode ter todo cara que quiser e resolve brincar com os meus amigos? Que sempre se apaixonam por você.
- Joe era virgem –Ri ao me lembrar- Meu primeiro virgem.
- Por que você é tão vadia?
- Não sei pergunta pra mamãe, ela que fez –Resmunguei.
- Ela não tem culpa de ter criado uma víbora.
- Agradeço ao elogio. –Revirei os olhos.
- Depois Jessie me pergunta porque não o trago aqui.
- Querida se eu quisesse transar com seu namoradinho eu já teria transado a muito tempo, e você sabe que se continuar com essa palhaçada sem motivo basta um telefonema pra ele aparecer aqui e estar na palma da minha mão. –Sorri sínica enquanto enchia meu copo de suco de laranja, ela não estragaria meu humor hoje, não mesmo.- Você viu como ele olhou para mim na água, foi tão descarado o modo como ele pediu pra entrar, só pra ficar mais pertinho, você não acha que ele seja virgem como você acha? Acha que ele suportaria esperar essa sua bobeira por muito tempo? Eu acho que não.
- Você é uma megera, Margo e das piores. –O som de seu bater dramático na mesa ecoou, revirei os olhos venda-o se levar e eu estava bem humorada de mais para revidar, sabia de tudo aquilo, e me pergunto se era só essas palavras sujas que ela teria pra tentar me ofender, bem, ela não é nem um pouco criativa com ofensas. Na mesa fiquei por um longo tempo, não gostava de brigar com ela, de certa forma ela era minha única amiga, mas as vezes é difícil suportar seus dramas e seus sermões. Quando terminei tudo que tinha que fazer em casa peguei as chaves do meu porche e saí de casa. Sobre o Sthan eu ainda não falei com meu pai pois certamente ele voaria o mais rápido possível de volta pra casa, e eu não estou nem um pouco animada para sua volta, posso esperar, e sei muito bem que Sthan não irá mais se aproximar de mim, aquele maldito psicótico. Na escola eu estacionei em minha vaga preferencial de cadeirante pois eu tinha colado o adesivo a alguns dias, e caminhei entre as pessoas que se esforçavam para falar comigo ou até mesmo chamar minha atenção, não falei com todos pois nem todos são bons para que eu fale com eles, como sempre no corredor do segundo andar os jogadores do time estavam em uma fila encostados nos seus armários. Eu acenei para eles
- Margo –Todos disseram em coro.
- E aí meninos. –Não fiquei para ouvir qualquer resposta que fosse deles, apenas caminhei na direção da sala de Justin, de um lado eu me sentia nervosa e animada para olha-lo durante essas horinhas sem parecer uma louca, mas de outro lado eu estava mas era irritada, estava até pensando em enfim me resolver em que curso me inscrever só para não ter de vê-lo mais.
- Olha quem voltou de paris, a víbora mais gostosa de todos os tempos. –Aquela voz fez-me virar bruscamente, seu tom era gostoso de se ouvir, eu mal conseguia assimilar tal coisa. Em uma animação repentina a emanar de mim sorri largo quase pulando em seus braços. Ela em fim tinha voltado para alegrar meus dias deprimentes, ela em fim tinha voltado para que eu não deixasse a Wine aparecer tanto, com ela eu não tinha tempo pra nada, só festas.
- Ravena –A soltei- Quando voltou? Por que não me avisou que viria?
- Queria fazer uma surpresa. –Ela sorriu, seus cabelos ruivos pareciam maiores, sua face sem maquiagem deixava suas leves sardas aparentes.- E aí? Conseguiu fracassar a carreira de algum professor?
- Não.
- Hoje é seu dia de sorte pois fiquei sabendo que o professor de engenharia mecânica é um gato.
- Sério? Eu não sabia eu ainda não escolhi um curso.
- Faça engenharia mecânica –Ela riu, eu mordi o lábio em um suspiro, não iria contar sobre Justin.
- Mas, me conte, como foi com seus avós?
- Um saco –Ela revirou os olhos- Mas o nosso jardineiro era uma delicia, e nosso vizinho, e nosso outro vizinho e o pai do nosso vizinho.
- Resumindo você transou com todos da vizinhança de seus avós –Dei um risinho me escorando na parede.
- Que nada –Ela murmurou aparentemente frustrada- Eu só tive um caso com o meu vizinho, ele era casado e eu também transei com o filho dele.
- Você é uma vadia –Ri
- Obrigado, agora me conte quantos virgens? Quantos mauricinhos? Drogados?
- Eu venho ficado muito em casa –Suspirei- Mas foram um mauricinho psicopata que esta me seguindo, um virgem, e eu acho que só.
- Que deprimente –Ela disse pondo a mão no peito como se tivesse com dor- Por que? Oque aconteceu com você?
- Não sei –Suspirei- Não sei mesmo.
- E o seu francês?
- Acredita que ele esta aqui em Nova York? Veio aqui me procurar, depois de me xingar horrores, voltou dizendo que queria continuar mesmo sabendo como eu era.
- Bom, seus dias de vadia não vadia acabaram por que eu voltei e nós vamos voltar a sermos as megeras do topo de Nova York.

10:20 A.M
Universidade de Nova York

- E assim –Justin estava dizendo-, hoje estamos analisando o poema “Terra desolada”, de Eliot, que envolveu o século XX em toda sua alienação e vacuidade, um dos maiores poemas de todos os tempos –Eu escorei meu queixo na mão direita e olhei-o enquanto gesticulava elegantemente e caminhava no seu púlpito, eu estava olhando-o a quase duas horas no entanto pareciam minutos, eu mal prestei atenção no que ele dizia pois consequentemente eu me perdia no infinito de seus olhos caramelados e no doce de sua voz rugente e elegante ao mesmo tempo, ele tinha a voz exata para um professor, aquela voz que te hipnotiza a prestar atenção em qualquer coisa que ele diga.
- Vamos dar uma olhada na alusão feita por Eliot e... –Antes mesmo que ele pudesse terminar ele era interrompido pelo som do sinal, ele olhou em seu relógio de pulso. Correu seus olhos logo após por toda sala e sorriu- Bom acho que teremos de continuar na próxima aula, não se esqueçam de que é importante a leitura desse poema. –Antes mesmo que ele terminasse todos já saiam apressadamente em direção a porta, sem me importar enfiei meu material e o livro de que ele falava dentro da bolsa, estava animada a encontrar Ravena ao meio dia pois ela era tão imprevisível que essa tarde poderíamos parar até em Coney Island, aproveitando esse sol naquela tranquilidade de praia.
- Margo –Em um súbito susto eu ouvi-o me chamar quando passava dispersa por sua mesa em direção a porta.
- Oque? Comportei-me mal novamente? Estou devendo trabalho? –Perguntei-o, eu literalmente fiz-me esquecida das ultimas semanas.
- Eu –Ele esperou um momento esperando os três últimos saírem da sala- Queria me desculpar.
- Oque?
- Por Sthanley, por sábado. –Ele murmurou tirando seus óculos, eu caminhei até sua mesa.
- Não quero que pensem que me chamou aqui pra transar com você, afinal é pra isso que os professores chamam-me depois da aula não é mesmo? Bom, sabe onde me encontrar fora da escola pra se desculpar, fora isso eu gostaria que não conversássemos na escola, eu posso parecer ruim pra você mas eu não sou, sei que precisa desse emprego.
- Marg eu...
- Tchau, professor –O interrompi, que diabos, por que ele me chamou de Marg? Qual era o problema dele? Respirei fundo saindo de sua sala, tendo o desprazer de logo em seguida esbarrar naquela mulher a quem ele sempre esta acompanhado esses últimos dias.
- Olha por onde anda –Grunhi- Qual é o seu problema?
- Você não pode falar assim comigo. –Revidou denunciando seu sotaque chileno.
- É mesmo, e você sabe quem eu sou? Cuidado imigrante, posso te deportar em um piscar de olhos.
- Eu não estou ilegal nesse país. –Ela revidou novamente.
- Oque? Eu não te ouvi, parece que estão te chamando pra servir os cafezinhos imigrante. –Revirei os olhos dando a volta pela mesma

P.o.v Justin

- Deus a tantas moças mal educadas nessa universidade –Dizia Alexandra entrando em minha sala me tirando do abismo de questões que fiquei com a atitude estranha de Margo, mas estranha era a minha em pensar na hipótese de encontra-la em outro lugar para me desculpar.
- Oque aconteceu? –Perguntei sem interesse.
- Uma moça loira, disse que me deportaria de volta porque eu esbarrei com ela. –Questionou- Que coisa. Acho que era sua aluna
- Minha? –Margo, era obvio que era ela.
- Sim ela estava saindo daqui quando esbarrei nela.
- Deve ser a Campbell –Comentei
- Ela é da família Campbell? –Seus olhos negros instantaneamente se arregalaram- Meu Deus, e-e-eu não devia ter revidado.
- Ela é uma moça mimada, com problemas psicológicos. Não ligue para oque ela diz, você não será deportada.
- Mas nem é bom arriscar, Justin. O pai dela consegue tudo.
- Não se desculpe com ela, só esqueça isso. Como disse ela tem problemas.
- Ela da muitos problemas na aula?
- Não –Murmurei pondo minha bolsa em cima do ombro, afinal eu tinha vinte minutos de descanso antes da minha próxima aula.-
- Justin eu queria dizer que estou gostando de ter alguém como você –Ela dizia enquanto saíamos- Digo, um amigo. Desde que cheguei nunca tive amigos
- Q-u-u-e bom que se sinta assim dona Alexandra –Gaguejei sem jeito, ela se sentia bem e eu sempre incomodado com sua presença, eu nunca gostei de companhia, sempre achei que a solidão era a melhor companhia que eu poderia ter e com Alexandra sempre ali desde que lhe ofereci ajuda era exaustivo e irritante. Agora mais irritante era o fato de que Margo ou Marg não saía de minha cabeça, parecia até alucinação, não conseguia nem conter mais a vontade de olha-la durante a aula, essa manhã fora impossível não olha-la, não citar partes do poema sem olha-la por alguns segundos a mais do que costumo olhar para o resto da turma, aquilo estava me deixando irritado. Isso era algo que não podia acontecer, ela mesmo se afastando me fazia querer ficar perto, por alguns segundos de loucura quando estou sentado no final de minha aula eu tenho aquela imensa vontade de vê-la debruçada sob a minha mesa a me perguntar coisas estranhas. Mas eu não posso fazer isso, não posso pensar essas coisas, não é certo, eu preciso do meu emprego.
Nos corredores em direção a sala de professores eu pude vê-la encostada a parede junto a uma moça de cabelos vermelhos, elas riam enquanto pareciam comentar sobre os rapazes que passavam por elas, eu quase parei quando vi um rapaz com violetas a entregar um buquê repleto de flores para ela, com isso algumas pessoas pararam a minha frente impedindo-me de passar e fazendo-me presenciar e ouvir toda aquela baboseira que parecia me deixar furioso.
- É aquela ali. –Disse Alexandra apontando.
- É a Margo.
- Eu sei que você disse que era só uma noite, e que eu não devia te procurar mas por favor, vá ao baile de primavera comigo. –Aquilo me fazia crer que aquele rapaz ainda estava no colegial.
- Oque estão olhando? Perderam algo aqui? Isso não é um filme de comédia romântica, ela não vai beijar ele, circulando, circulando –Gritara a ruiva fazendo a pequena multidão de pessoas que se aglomeravam a minha frente se desfazer, porem ao invés do do meu corpo se mover como o resto das pessoas eu parecia preso ao chão olhando aquela cena que me deixava puto sem um motivo coerente, já sem ninguém em meu caminho Margo sorriu para o rapaz a sua frente e pegou as flores, ela tinha um sorriso pequeno nos lábios como se estivesse zombando do rapaz. Seu olhar logo descansou em mim, mas ela pareceu não se importar com a minha presença pois voltou a olhar para o rapaz como se eu não existisse, em menos de dois dias eu parecia ser o centro da cidade pra ela e agora parece que sou tão insignificante como Brooklyn.
- Vamos, Justin? –Alexandra tocou meu braço por fim.
- Há, er... Vamos –Cocei a garganta tendo o controle de minhas pernas regressando ao meu caminho até a sala dos professores.

P.O.V Margo

- Henry, meu bem, oque eu disse? Era só uma noite, não vou a bailes, não sou apita pra isso. –Sorri acompanhando Justin com o olhar enquanto ele passava por novamente com aquela mulher.
- Por favor, eu só quero ir ao Baile com você.
- Porque não convida alguém da sua escola, Henry? Você é bonito, vai encontrar alguém.
- Mas Margo, eu...
- Sem “mas” Henry, eu não vou a bailes, não vou a jantares e não transo duas vezes com o mesmo cara, e sem contar que você não é virgem –Entreguei-o as flores- Colegiais, pra mim, só virgens –Caminhei junto a Ravena deixando-o lá, Bati em sua mão ouvindo sua divertida risada.
- Você é uma vadia má, Margo.
- Nós somos.
- Oque você acha de irmos ao clube hoje? Tem uma festa lá depois do almoço. Você pode tirar esse atraso, parece até uma moça decente
- Margo? Moça decente? Eu ouvi bem? –Gina aparecia ao meu lado rindo.
- Ela só transou com dois caras desde que chegou, isso pra mim é ser descente.
- Hu, no caso da Margo eu devo concordar.
- Hey, eu só estava com saudades da Ravena ta? –Desconversei
- Agora eu voltei pra animar as coisas.


 11:43 P.M - Bar House of Jazz.
Brooklyn
Ao palco, em meados onze da noite eu me arriscava a cantar Ethel Waters, que pra mim era um grande ícone do Jazz, concertei minha margarida na orelha que Simon havia me dado e que desde que Lewis havia me dado uma, todos os donos dos outros bares passaram a também me presentear com uma toda vez antes do show, eu guardava todas, mesmo sabendo que murchariam. Em fim eu pude tirar umas horas pra mim para poder aceitar ao pedido de Simon, para cantar essa noite em seu bar, e assim eu cantei no meu ultimo e terceiro bar que costumava cantar antes de minha partida para Paris. Durante o dia eu quase não tive tempo para pensar, Margo tomou conta literalmente de meus pensamentos eu estava tão animada que meu lado tristonho pareceu se perder ou até mesmo se animar com a volta de Ravena. Depois da festa no clube, fomos convidadas pelos próprios Lencasters para uma de suas festinhas na mansão afastada da cidade, não posso deixar de me lembrar que os cinco disputavam estritamente por minha atenção e eu por um motivo tolo não me rendi a nem um deles. Aquilo me deixou fula da vida comigo mesma pois eu parecia não ter controle dos meus atos, era como se eu estivesse levando muito a sério essa coisa de ser uma boa pessoa. E o motivo da minha mudança repentina de comportamento adentrava o bar, um casaco cinza não suéter lhe cobria, estava simples como das outras vezes, murmurava algo para um rapaz que eu jurava já ter visto por esses bares pobretões. Minha voz nervosa e estranhamente acanhada parecia ter sumido, minhas pernas que se moviam juntamente a canção que eu cantava parecia ter parado, um roído agudo e aborrecedor ecoou do microfone. Seus olhos ao se sentar repousaram sobre os meus, ele tinha uma estranha expressão que eu nunca havia visto antes, não havia repulsa, não havia medo, não havia nada que eu já estivesse visto em sua face antes, meu silencio repentino fez com que as 23 pessoas que ali estavam cessassem o falatório entre si.
- Desculpem –Cocei a garganta- Desculpem, a noite ainda não acabou –Tornei a sorrir conseguindo desvencilhar de suas garras que me calavam e me deixavam de certa forma inerme. Tornei a cantar a canção, e tentei não buscar tanto por seu olhar já que toda vez que eu lhe lançava uma olhadela ele estava lá sentada olhando-me com aquela expressão imprescindível, minhas pernas nunca ficaram tão bambas, eu nunca havia ficado tão nervosa ao cantar antes, era como se ele fosse o jurado e estivesse julgando toda aquela minha atuação sem dó e claro eu não podia dar um paço em falso. De certa forma ele era assim comigo a todo instante, um paço em falso e lá estava ele me apedrejando como se fosse completamente perfeito e não errático. As vezes me pergunto se ele realmente a de ser um ser humano. Continuei a cantar as melhores músicas de Ethel, dispensando totalmente o olhar de Justin sobre mim. Então logo após cantar mais cinco músicas eu agradeci recebendo palmas, de relance enquanto acenava para as poucas pessoas que aplaudiam eu pude vê-lo aplaudir fracamente, mas com tudo ele estava aplaudindo. Desci os poucos degraus e caminhei até Simon que estava atrás do balcão, seus olhos animados olharam-me por longos minutos antes de dizer algo
- Você estava perfeita, Wine.
- Obrigado.
- Ainda acho que deve aceitar o pagamento, sei que desde que voltou de Paris melhorou de vida mas aceite, por favor.
- Que tal você não me cobrar as bebidas? É uma ótima forma de pagamento e você não saí no prejuízo.
- Marg...
- Você precisa economizar lembra? –O interrompi em um meio sorriso.
- Lembro, mas aceite.
- Só me sirva um uísque duplo toda vez que eu estiver aqui, oque acha?
- Tudo bem –Suspirou- Esta feito –Ele saiu voltando em segundos com um copo com gelo e uma garrafa de Jack Deniels. Sorri enquanto ele enchia o copo
- Eu é que deveria lhe pagar pra cantar em seu bar. –Arrastei o copo recolhendo-o em minha direção.
- Sua voz chama freguesia, é um ótimo investimento. –Ele fechou a garrafa em um largo sorriso me convencendo daquilo. Suspirei vendo-o ir para o lado esquerdo do balcão, lá para outra ponta mais visível. Tomei um longo gole no uísque cansada, e nervosa só em pensar no motivo pelo qual Justin estaria aqui.
- Você que escolhe as músicas que canta? –Ouvi sua voz inundar meus tímpanos como o melhor Jazz de todos respondendo minhas perguntas internas. Vir-me-ei um pouco para ele, que arrastava um banco para sentar-se ao meu lado.
- Não que isso possa ser da sua conta, mas sim, sou eu. –Dei outro gole no uísque.
- São ótimas escolhas.
- Eu sei.
- Eu não devia ter lhe julgado tão mal, se puder me desculpar podemos recomeçar nossa amizade.
- Amizade? –Ri sem humor.- Eu não quero nada que venha de um modelo de perfeição, eu acho que não sou o suficiente boa pra você. Eu ficaria surpresa se alguém fosse. –Pensei que ouviria-o dizer algo mas tudo que pude ouvir ali fora o silencio, o silencio inundava todo aquele pequeno espaço escuro do bar em que estávamos. Ao tirar os olhos do copo o olhei em busca de uma resposta, ele olhava para mim novamente com toda aquela expressão.
- Gosto quando deixa seu lado superficial de lado. –Ele disse quase em um sussurro inaudível-, Faz com que eu perceba que a sempre algo a mais para esperar de você.
- Muitas pessoas já lhe disseram que é um grande estúpido? –Dei um gole no uísque ouvindo o trincar das pedras de gelo nele.
- Algumas das minhas ex namoradas.
- Nunca se perguntou porque elas são ex? Tipo nada pra você é o suficiente, você não quer uma namorada você quer algo perfeito, que nunca faça nada de errado. Eu queria transar com você, meu lado superficial implora loucamente por isso, por sua aparência intelectual, sua inteligência e elegância nas aulas mas agora, eu não tenho um mínimo de interesse em alguém como você.
- Então não foi só porque eu sou seu professor? –Murmurou parecendo não se incomodar com oque eu havia dito, me pergunto quantas pessoas já lhe disseram isso.
- Também.
- Então eu sempre estive certo enquanto a você, só não sabia que tinha esse lado.
- Que lado?
- Esse lado, mas conhecido como Wine. Eu gosto dele, talvez não mudaria nada. –Ele se inclinou um pouco para frente deixando-me completamente inerme, como se não tivesse controle de mim. Ele se inclinou tão perto que cheguei a pensar que seus lábios tocariam os meus, eu podia sentir sua respiração se confundir com a minha que pareceu ter sumido. Sua mão se ergueu em minha direção em menção de que ele pretendia tocar-me a face, toda via eu estava totalmente errada pois tudo que ele fez foi concertar a margarida em minha orelha
- Estava caindo. –Murmurou
- Pensei que iria me beijar. –Disparei corajosamente.
- Eu não posso.
- Somos grandinhos.
- Você não.
- Tenho 19 anos, sou bem gradinha. –Me afastei virando-me totalmente para o balcão, olhei para o copo agarrando-o rapidamente e tomando um gole do uísque que estava prestes a acabar.
- Continua sendo minha aluna. Sabe o quanto me preparei pra você? Desde que soube que seria transferida, bom ouvi falar a dois anos da senhorita e estive aliviado por todo esse tempo em que estava no ensino médio, e não tive como não ficar atordoado quando fosse seu professor. E todo meu esforço pra me afastar parece estar sendo inútil, eu não quero ir contra meus conceitos, não quero que pensem que sou hipócrita por criticar os professores que foram pra cama contigo e fazer o mesmo, eu não posso fazer isso.
- E se não dormir comigo? –Vir-me-ei para ele recebendo seu erguer de sombra celhas.
- Oque?
- E se não dormir comigo? Digo eu só transei com os outros professores, e depois contei porque tinha certo prazer em fracassar suas carreiras... Mas eu não quero que isso aconteça contigo, então?
- Oque a senhorita realmente quer? Esse não foi seu plano desde que tornou-se minha aluna? Transar comigo, fracassar minha carreira?
- Oque você quer de mim? –Suspirei- Eu sei que sou horrível, sei que não presto e sou tudo que vai contra oque você aceita mas eu já disse que não quero lhe causar problemas.
- Então oque quer? –Sua voz soou tão baixa e calma que quase não parecia ele, fitei seus lábios carnudos e desenhados por longos segundos antes de lhe responder qualquer coisa... Oque eu queria? Por que eu queria? Não fazia ideia do que queria, outrora tinha certeza que queria provar daqueles lábios, tinha certeza que queria que ele não me olhasse com aquele semblante repulsivo.
- Eu não sei, eu só não quero que pense que quero lhe causar problemas.
- Só isso? –Indagou fazendo-me olhar dessa vez em seus olhos.
- Oque quer que eu diga?
- A verdade.
- Estou a dizer ora. Não quero lhe causar problemas, se quiser pode até me ignorar no campus, finja que não existo nas aulas mas fora dela deixe-me te mostrar que posso ser mais do que demonstro ser.
- Assim como faz sendo Wine aqui no Brooklyn?
- Um pouco.
- Você sabe como convencer alguém de algo. –Dessa vez um doce sorriso moldava-lhe os lábios- Todas as minhas escolhas para me afastar falharam.
- Então nosso trato esta feito?
- Vou me arrepender do nosso final?
- Porque teria um final?
- Não finja que não irá se cansar de brincar de ter um relacionamento.
- Não pense tanto no futuro. –Inclinei-me um pouco em sua direção, assustando-o completamente. Fitei seus olhos caramelados e extasiantes por longos segundos, toquei levemente minha mão em seus pescoço passando as unhas com certa cautela fazendo-o olhar para o movimento delas, e um ato digno de Marg Wine tracei meu destino até tocar sua bochecha gélida, ali depositando um beijo um tanto tardio.- Temos tanto tempo –Sussurrei em seu ouvido e me levantei sentindo-o agarrar-me o braço
- Pra onde vai?
- Pra casa.
- Assim? Mas, nós dois... E... –Ele gaguejou também se levantando
- Quer me levar em casa? Eu deixo. Só não irá poder entrar, não sei se iria conseguir não cumprir o trato de não ter sexo.
- É muito longe?
- Oque acha? –Perguntei-o como se tal pergunta fosse tola, nunca moraria perto ao Brooklyn.
- Vamos até meu apartamento, é bem aqui em frente pego as chaves do meu carro e a levo em casa. Você não deveria andar assim por aí sem um carro, qualquer dia pode ser assaltada ou até pior –Ele dizia enquanto caminhávamos em meio as cadeiras e mesas amadeiradas.
- E isso importa pra você? –Sorri concertando minha margarida na orelha.
- Só acho que seja perigoso pra você.
- Então você se importa.
- Não disse isso só disse que... –Ele cessou as explicações quando ouvi-me rir, olhou-me em uma expressão fixa enquanto abria a porta do bar para que eu pudesse passar, acompanhando-me em seguida.
- Então, quem é aquela moça que sempre esta ao seu lado? A chilena servidora de café. –Perguntei abraçando um pouco os braços descobertos sentindo o vento daquela noite se chocar contra meu corpo aquecido.
- É uma forma ofensiva de se referir as pessoas. –Ele revidou
- Desculpe, mas é que não vou lá muito com a pessoa dela.
- Por que? –Indagou enfiando as mãos no bolso de sua calça jeans escura- Porque ela é de outro país?
- Eu te fiz uma pergunta primeiro. –Revidei
- Eu so dou carona a ela, é minha vizinha.
- E ela tem namorado? –Disparei arrependendo-me de estar deixando tão visível que estava enciumada com toda aquela aproximação, não havia motivo para tal coisa minha, não tínhamos exatamente nada para que justificasse meus ciúmes.
- Tinha um marido, mas ele a deixou, logo em seguida minha namorada. A poucas semanas
- Não sabia que tinha namorada.
- Tu só me deu um banho de margarida porque ela me induziu a ir a aquele jantar. –E agora sim estava explicado porque ele estava naquele jantar, ele sempre deixou bem claro suas origens, sempre tinha tal orgulho de dizer que não era da alta sociedade. Agora entendo o porque de sua ida.
- Posso saber o porque do termino? –Novamente o vento vinha contra minha direção, trazendo-me um certo desconforto para um momento tão único. Atravessamos a rua de somente um poste a iluminar, eu podia ter certa certeza de nosso destino, um prédio um pouco a frente e nada que um dia eu pudesse morar se estendia até o décimo quinto ou sexto andar.
- Eu. –Respondeu simples
- Você? –Indaguei erguendo uma sombra celha
- Eu não me lembro o dia em que o termino de meus poucos namoros não tenha sido eu, eu deixo-as enjoadas, não sou um homem que as moças digam, “Quero estar contigo até o ultimo minuto”, elas costumam se cansar do meu jeito, dizem que sou desligado de mais, dizem que nunca dou o suficiente para ter algo duradouro. E a minha ultima namorada disse que eu preferia o trabalho.
- Esta dizendo isso para que eu desista? –Sorri enquanto ele dava-me a certeza de que aquele era seu prédio, ao entrar no mesmo. Não havia nada muito convidativo, era bem simples, como ele próprio... Em uma cabine de vidro um homem nos olhou acordando de sua soneca, seu olhar parecia bastante surpreso oque me levava a crer que ele não era de entrar com mulheres em seu apartamento.
- Senhor Bieber. –Acenou ele com a cabeça.
- Boa noite Acásio. –Respondera no mesmo gesto. Parei em frente a porta do elevador, e o mesmo olhou-me em uma expressão divertida
- Oque foi? –Perguntei-o
- Esta interditado, a dois anos.
- Não me diga que terei de subir escadas? Quantos lances?
- Dois.
- Há, bom. Assim eu acho que posso subir. –Suspirei em um cansaço repentino a me dominar completamente, tornei a andar ao seu lado subindo as escadas... Por alguns segundos ouvi um silencio extremo, fazendo-me suspirar algumas vezes. Me pergunto oque estou fazendo, porque estou fazendo isso deixando-me levar por todo esse seu charme mais do que deveria. Me pergunto quando é que me senti tão atraído por ele, quando é que tudo passou a mudar em relação a ele, quando fui deixando meu orgulho e Margo Campbell de lado só para ter uma chance com ele, tudo tornou-se de ponto a cabeça dentro de mim por ele e esse modo que muitas julgariam entediantes, na verdade as vezes acho-o tão interessante e seu intelecto me fascina. E o silencio continuou presente até o segundo lance de escada, quando em fim chegamos ao seu corredor. Ele tirou as chaves de seu bolso traseiro e abriu a porta olhando-me em seguida
- Espera aqui?
- Oque acha que farei Justin? Acha que vou abusar de você?
- É que...
- Não mordo –Sorri simples-
- Tudo bem senhorita, Wine. Entre –Deu-me então espaço para que eu passasse em seguida entrou encostando a porta atrás do mesmo. Livros e mais livros se aglomeravam em seu apartamento pequeno, era tanto em estantes quanto em cômodas, sofás, mesas era tanto livro que recompensaria uma biblioteca publica. Os livros pareciam antigos, dando um aroma delicioso como se eu estivesse em uma biblioteca em paris, dos melhores livros antigos. Parada fiquei por longos minutos abismada enquanto esperava-o a procura de suas chaves, em um tolo momento de tamanha ilusão amorosa tive vontade de passar o resto dos meus dias naquele pequeno apartamento coberto até o talo de livros antigos. Era algo diferente de tudo que eu já tinha vivido. Comprimi os lábios e caminhei até o sofá, recolhendo um livro para mim para que pudesse me sentar. O livro era o mesmo livro que ele estivera analisando na sala de aula essa manhã, um poema de incontáveis estrofes. Qualquer um que pensasse que seria moleza analisar tal poema estaria bastante encrencado, passei algumas madrugadas lendo-o e relendo-o para compreendê-lo e ainda acho que nada sei sobre ele.
- Achei –Ouvi-o dizer fazendo-me levantar a cabeça-, Vamos?
- Ainda esta com medo de ficar sozinho comigo? –Ri sem humor
- Não é medo, eu já disse.
- Então sente aqui, vamos tomar uma taça de vinho. Você me leva quando quiser pra casa
- Seus pais não vão se chatear por demorar tanto?
- Meus pais estão bem na Eslováquia. Não irão se importar com a hora que estarei em casa –Respondi-o em um meio sorriso, vendo-o como resposta se sentar ao meu lado.
- Não tem vinho.
- Não tem problema.
- Ok, então vamos? –Ele disse depressa arrancando-me dessa vez uma risada.
- Você esta com medo de mim ou de você mesmo?
- Talvez de ambos.
- Mas eu estou bem quieta, não disse nada com segundas intenções. Você é quem parece não estar conseguindo se controlar –Toquei sua perna após deixar o livro de lado. Seus olhos buscaram por meu movimento, não tinha como aquilo ser mais divertido, ele estava completamente ao meu dispor, um movimento e estaríamos na cama. Mas me contentei em não dar nem um paço em falso
- Senhorita, não faça isso.
- Desculpe não queria deixa-lo desconfortável. –Recolhi minha mão, ouvindo-o coçar a garganta, percebi ao olhar para frente que ele não tinha TV. Pergunto-me qual pessoa do mundo não tem uma TV, a resposta seria essa imensidão de livros espelhados em todo canto da casa.
- Você não tem TV? –Indaguei
- Quem precisa de TV quando tem livros? –Sorriu- A nossa mente compensa qualquer efeito cenográfico.
- Já leu todos esses livros?
- Já, venho colecionando desde o colegial, nunca tive dinheiro pra comprar mas sempre que via qualquer venda de garagem que fosse eu comprava, quando tive meu primeiro trabalho aos dezessete anos tirava sempre um pouco para os livros, eles me ajudaram a não entrar na vida fácil que o subúrbio oferecia. –Murmurou sem deixar de olhar-me nos olhos por nem um segundo, novamente ele se inclinou assustando-me com sua atitude repentina. Outrora nada ele fazia, apenas concertou novamente a flor em meus cabelos.
- Estava quase caindo. –Justificou
- Quando fizer isso de novo, que seja para me beijar. É a segunda vez que espero que o faça –Sussurrei
- Ainda não sei se posso fazê-lo.
- Ninguém esta vendo –Era quase uma suplica. Agora era minha vez de inclinar-me em sua direção, fora tão rápido que ele desvencilhou encostando-se ao braço do sofá, suspirei tocando sua face eu quase deitava sob seu corpo suas mãos defensivas e medrosas seguravam levemente meus cotovelos. - Pensei que nosso trato incluía beijos.
- Ainda não decidimos muito nosso trato. –Coçou a garganta
- Se não pode beijo seria um trato horrível –Sorri pausando minhas mãos em seu peito- Já é horrível por não haver sexo.
- Sente-se corretamente, se ficar dessa forma quando beija-la não sei se conseguiria parar. –Gaguejou
- E se eu não quiser que pare?
- Não é uma questão de querer –Ele sentou-se corretamente fazendo-me assim me sentar também ainda a agarrar meus cotovelos com cautela. – É o nosso trato
- Tudo bem. –Suspirei
- Bom,assim podemos começar muito bem. –Suas mãos subiram até o encontro de minha face, tocou-a levemente enquanto puxava-me com certa cautela contra seus lábios. Era tão inebriante como meu primeiro beijo, o céu parecia estar em festa, ou no meu caso o inferno. Seus dedos afundaram em meus finos cabelos puxando-me mais contra ele, e um beijo simples tornou-se quente inesperadamente,era tão bom que eu pensei que nada estava em nossa volta, e que seu beijo era tão bom como o primeiro dia de inverno. De certa forma queria que durasse pra sempre
- Acho que pra um primeiro beijo esta bom –Ofeguei afastando-me relutante
- Desculpe.
- Você que esta tornando isso prolongado.
- Não iremos tão longe ok? Não enquanto eu não souber oque realmente pretende com isso.
- Oque tenho que fazer pra que confie em mim?
- Não seja tão apressada senhorita. Teremos tempo

Mansão Campbell – 02;45 A.M

- Boa noite senhorita. –Sussurrou pela terceira vez em um meio sorriso, meu lado Wine estava tão abobada aquela noite, era como se não houvesse nem um rastro de tristeza ou melancolia, era como cultivar uma flor em meio a segunda guerra.
- Nunca pensei que ouvir alguém ler pudesse ser tão bom. –Respondi-o
- Seus antigos professores não liam pra você?
- Esqueça que tive antigos professores, saiba que agora só sua leitura me importa –Sussurrei inclinando-me para lhe dar um beijo rápido. Sorri e por fim saí do carro, e entrei ouvindo o ranger de seu motor. Caminhei quase dando pulinhos ao entrar em casa, era tanta felicidade que eu podia doar para outras pessoas, nada nunca me chamou tanto a atenção como ele, nada nunca me pareceu tão inebriante e interessante como ele, mesmo que certas vezes ele me entristecesse e me deixasse para baixo, eu sentia que algo em mim implorava por seus sentimentos.
- Hey Jessie. –Acenei para ele que se esparramava ao sofá.- Onde esta Bonnie?
- Lá em cima procurando o celular, por que a felicidade? –Indagou
- Tive um bom dia.
- Ouvi dizer que sua amiga voltou.
- Descobriu o motivo da minha felicidade então.

Uma semana depois – 10:20 A.M

- Margo, psiu –Ouvi um sussurrou e um cutucar de lápis a me tirar toda atenção de Justin a começar uma nova observação sobre o livro em que ele havia passado ontem. E que ele durante a noite leu algumas páginas para mim, quase peguei no sono enquanto ele lia, sua voz era tão doce que de tanto ouvi-la ficaria diabética.
- Oque você quer, Kale? –Grunhi ao me virar.
- Quer sair comigo? Tem um jantar dos fundadores do clube do seu pai essa semana, e eu pensei que poderíamos ir juntos. –Sussurrou, eu revirei os olhos.- Sei que já saímos uma vez mas...
- Oque te faz pensar que eu estou interessada nesse jantar? –O interrompi
- Você sempre vai.
- Se eu for já tenho acompanhante. –Revidei
- A é? Quem?
- Com certeza não é da sua conta Kale.
- Kale e Margo, vocês discordam do que estou dizendo? –Fechei os olhos virando-me para frente, forcei-lhe um sorriso enquanto percebia receber os olhares.- Querem dividir conosco a opinião de vocês sobre o trecho refletido?
- Como se o assunto deles fosse sobre o livro –Riu Brigeth ao meu lado, olhei-a sem nem um rastro de interesse.
- Por que você não vai se ferrar, Brigeth? –Grunhi- Se bem que se ferrar no seu caso é só sozinha mesmo, mis dedinho. –Pude ouvir um longo “hu” do resto da sala, incentivando a resposta de Brigeth que como o esperado não dissera nada, apenas encolheu-se em sua cadeira ao meu lado.
- Tudo bem, tudo bem. Sem brigas, vamos voltar ao ponto. Margo e Kale se esse curso não vos interessa sugiro que se resolvam em suas matérias e não atrapalhem minha aula –Murmurou como sempre com aquele semblante sério, elegante e frio. Fazendo-me ficar aliviada por ele estar levando a sério aquilo de me ignorar nas aulas, realmente era de longe algo que nunca tive, sempre que estive com um professor ele agia de modo que deixava a desconfiar, eu sempre era vista como sua “favorita”. E assim terminou dez minutos depois sua aula, não fiquei nem um minuto a mais em sua sala. Após recolher meus livros direcionei-me até a aula seguinte, podendo ver Ravena a me esperar em frente a sala, com as chaves de seu porche nos dedos a girar indicando que dessa vez mataríamos aula.
- Quer ir a long Bitch? –Indagou.
- E você ainda pergunta?
- Vamos lá garota –Ela sorriu largo jogando seus cabelos para trás dos ombros, ultimamente tudo que tem me importado é assistir a aula de Justin. Ainda não decide oque cursar e não precisava assistir as outras aulas se não quisesse, e com tanto que eu não chegasse antes do tempo em casa meus pais que chegaram a três dias nunca se importavam em perguntar onde eu poderia estar. Ao voltar a passar em frente a sala de Justin pude vê-lo saindo novamente acompanhado daquela moça, sua vizinha, ela sorria enquanto dizia algo e ele apenas assentia aparentemente sem interesse. Quando passei pelo mesmo pude senti-lo me acompanhar com o olhar, suportei não olha-lo tanto na presença de Ravena, não contaria nem a ela sobre ele, era um tanto arriscado levando em conta que da ultima vez que confiei nela em algo importante, ela fez tudo errado. Não que ela fosse ruim, só não é de todo de guardar segredos.
- Aquele professor olhou muito pra você. –Pude ouvi-la dizer- Ele é seu professor de literatura inglesa não?
- É, mas acho que ele seja gay. Acredita que passei duas semanas tentando algo com ele, e ele fingia que eu não existia?
- Com certeza é gay –Ela riu, quase fazendo-me suspirar aliviada.-  Tão bonito, é uma pena.
- Também acho.
- Algum idiota já lhe convidou pro jantar de fundadores?
- O Kale. –Revirei os olhos.
- Vocês já saíram. –Observou
- Sei disso.
- E oque disse?
- Que não, claro.
- O Enzo me convidou, ele estava te procurando –Ela sorriu enquanto saíamos do campos- Disse que os irmãos dele querem você.
- Eles deixaram isso claro durante toda a semana. –Acompanhei-a no sorriso
- Mas ele disse que querem ao mesmo tempo.

- Os cinco? –Era uma proposta que Margo nunca recusaria, outrora já não me chamava tanto atenção. Wine tem tomado todo meu modo de agir e pensar, mas eu estou no  topo tenho que continuar deixando-a oculta, não posso ser tão fraca e me deixar cair assim- É uma proposta tentadora –Comentei


ATUALIZADA

- Quando foi a ultima vez que fez isso? –Ela riu
- Bom eu só fiz uma vez no primeiro ano. –Comentei tentando me lembrar- Mas acho que irei dispensar.
- Qual é Margo? Você tem que saber com pelo menos um, empresa de sapatos baby. Desfiles em paris, as melhores festas em Veneza. Você não pode recusar isso –Ela insistiu e eu precisava fazer algo, não podia contar a ela sobre Justin como não podia simplesmente recusar um dos Lancaster, sempre quisemos estar nós duas com um dos Lancaster, assim poderíamos dividir tudo aquilo juntas mas agora nada daquilo era importante, não podia sair com um dos Lancaster. Eu estava levando a sério ser uma pessoa melhor, não podia simplesmente voltar a ser o que era antes.
- Eu sei mas...
- Você anda estranha Margo. –Ela olhou-me na tentativa de arrancar-me algo com aquela expressão.- Não sai mais, não da bola pra mais ninguém, oque esta acontecendo?
- Não é nada, eu só ando um pouco confusa. Sabe? Eu não sei se é isso que quero.
- Eu saio por alguns meses e você se esquece o que é diversão? –Ela riu enquanto saíamos do campus-
- Quer saber? Eu tenho é que aproveitar enquanto meu pai não se irrita com a minha demora aqui nessa universidade e me manda pra Harvard.  
- Então qual Lencaster você quer? O Enzo mal terminou com a Gina e já esta no meu pé. –Ela deu uma risadinha
- Augustus chegou de Princeton? –A olhei enquanto ela destrava o carro em um meio sorriso.
- Qual é? O Augustus? Sério? Você sabe que aquele idiota ainda não superou você ter tirado a virgindade dele e depois não ter ligado pra aceitar sair com ele. –Ela riu entrando no carro, eu a acompanhei na risada, com Augustus eu não corria o risco de ser assediada, era o mais respeitoso dos irmãos, e eu rezava que ele tivesse se esquecido daquilo, nós tínhamos apenas 15 anos, e eu estava começando a perceber que os sentimentos não levavam a nada, e então eu não podia sair com ele, eu não podia me deixar levar por sua doçura. Afinal dois meses antes um idiota havia feito o mesmo comigo.
- Eu queria me redimir ué. –Gargalhei vendo-a ligar o carro.
- Ele deve te odiar ou te amar em segredo.
- Ele chegou? –Perguntei outra vez
- Chegou esse fim de semana, Enzo disse que ele só veio passar uns dias e que volta ainda esse mês.

Dia seguinte - 06:34 p.m – Cafeteria Spring- Brooklyn

- Essa semana tem um jantar. –Em fim tive coragem de tocar no assunto, estávamos em um silencio agradável enquanto tomávamos um café uma cafeteria próxima ao seu apartamento, oque me deixou um bocadinho assustada, nessa ultima semana ele demonstrou não gostar de sair, oque lhe deixava bem era o seu apartamento, era o silencio que ele fazia, era a calmaria que ele transmitia, e só de vê-lo tão sereno e calmo me satisfazia, então eu não o chamava para sair, sabia que a solidão de seu apartamento parecia lhe agradar, mas essa noite ele decidiu caminhar, decidiu conversar em meio a esse frio constante das ruas do Brooklyn.
- Jantar? –Ele indagou erguendo uma sombra-celha.
- É, um jantar dos fundadores de um clube idiota que meu avô criou a anos –Rolei os olhos sem interesse em meu tom- Você pode ir comigo, eu queria que fosse.
- Eu sei, mas não seria agradável. –Ele disse
- Você se importaria se eu fosse com um amigo?
- Por que tem que ir acompanhada? –Seu tom agora era de desconfiança, eu suspirei
- A minha amiga tem desconfiado da minha mudança de comportamento, sabe eu tenho passado a semana toda com você, e tenho deixado de lado tudo que antes eu fazia questão de estar incluída. –Murmurei tirando uma mecha que caía sob minha face.
- Vai acompanhada por ela então Margo.
- Eu vou com um amigo. –Disparei baixo já esperando por seu olhar reprovador como se eu fosse uma menina de dez anos e ele o pai desapontado. Ele olhou-me quieto por um longo tempo, comprimiu os lábios e balançou a cabeça.- Mas você poderia parar de tentar deixar o que temos no escuro, eu posso convencer meu pai de que dessa vez não é assédio.
- É a terceira vez que conversamos sobre isso essa semana Margo. –Ele diz por fim, seguro sua mão que repousava em cima da mesa e mordo o lábio inferior.
- Eu sei mas eu não vou conseguir esconder isso por tanto tempo Justin, Ravena e Gina vão suspeitar por eu não estar sendo mais como antes.
- Não podemos arriscar Margo. –Ele grunhiu eu soltei sua mão em um suspiro.
- Tudo bem eu vou com o Augustus.
- Você que sabe. –Ele regressou a grunhir, e eu a suspirar. Ele parecia um adolescente idiota.
- Quer saber? Eu preciso ir. –Me levantei, aquilo estava me cansando, estava me cansando ter essa vida dupla, estava me cansando ter que fugir de tudo, estava me cansando, estava me cansando ter que fingir que um lado meu não existia, eu era além de tudo uma grande vadia ambiciosa, e ele não poderia mudar isso, aquela vadia me deixava no topo, e ele simplesmente queria esconder de todos para não sentir-se hipócrita, mas na verdade mesmo que todos não saibam ele é um grande hipócrita.
- Margo espera. –Ele levantou-se também eu o olhei sem interesse- Você quem propôs segredo e agora simplesmente não quer levar nosso acordo a sério? Pelo menos provisoriamente?
- Isso não tem nada a ver com seu emprego mais Justin, isso tem a ver com você e com a assembleia não é? Não quer que pensem que você é só mais um professor que se rendeu a mim não é? Não quer que pensem que você é como todos os outros, não quer que pensem que você é só mais um. –Despejei aquilo sem me importar, demorei para perceber que aquilo estava indo longe de mais.
- Não é isso Margo... é só que...
- É claro que é Justin, isso tem a ver com você, só você e essa sua imagem de perfeito que quer manter, ta aí o motivo pelo qual todas deixam você, porque você só quer que tenha você mesmo na relação, você só pensa em si próprio Justin, eu fiquei por quase dois meses tentando te convencer de que tinha mudado de que queria só estar com você e você não consegue ver isso porque continua preso ao que vão dizer quando tudo isso cair a tona. –Eu não aumentei o tom, na verdade parecia que eu estava a sussurrar um segredo para ele, mas que na verdade as palavras brotavam tão grosseiramente de minha boca que eu sentia que estava berrando como nunca antes.
- Justin? –Aquele sotaque novamente inundava meus tímpanos, trinquei o maxilar e vir-me-ei para ela molhando os lábios.
- Há, oi Alexandra. –Ele murmurou a ela em um quase gaguejar, ele soltou meu braço levemente. Era óbvio que aquilo não tratava-se apenas de seu trabalho.
- Senhorita Campbell. –Ela olhou para mim seu olhar transbordava duvida e desconfiança.
- E aí imigrante? Como vai? –Forcei um sorriso
- Margo, por favor. –Ele murmurou em um quase sussurrar
- Tudo bem eu não tenho mais nada a dizer, então pode ficar aí com a imigrante. –Grunhi e respirei fundo esbarrando na mesma. Eu não esperava que ele viesse atrás de mim afinal ele não queria que ninguém soubesse que nós tínhamos algo, eu podia ver sua expressão ao ver a imigrante. Estava claro que ele tentaria explicar a ela porque de estar comigo fora da aula, e não estava se importando em vir atrás de mim e tentar me convencer de que na verdade não era aquilo que eu estava pensando mas eu já sabia que ele não viria, e foi oque aconteceu, ele simplesmente preferiu ficar e justificar a ela o porque de estarmos ali e não para vir aqui. Abracei meu casaco e respirei fundo tentando não deixar que meu lado Wine me fizesse chorar bem ali.

10:45 p.m – Mansão Campbell

- Augustus? –Indaguei ao vê-lo sentado no sofá ao lado de Bonnie e Jessie. Engoli em seco, o que ele poderia estar fazendo aqui?
- Margo. –Ele levantou-se rapidamente, eu fechei a porta atrás de mim vendo-o caminhar em minha direção.
- Como vai Margo? –Ele sorriu
- Há... Hér... Oi Augustus. –Murmurei um tanto confusa com aquela situação.
- Eu achei que nós precisávamos conversar. –Ele disse
- Há, claro Augustus. Podemos subir pro meu quarto e conversamos lá.
- Hu-hun sei, conversar. –Ouvi Jessie zombar, rolei os olhos mostrando-lhe o dedo
- Vai se ferrar Barbie.
- Ok, vamos Bonnie? –Ele riu para ela lhe deixando avermelhada, e ela ainda estava evitando minha presença, pouco me importava ela irritava-me completamente, e minha cabeça já estava cheia de mais para ela ainda vir com seus dramas.
- Ignore ele Augustus. –Sorri para Augustus, ele retribui-me o sorriso demonstrando ter esquecido o que aconteceu a alguns anos. Eu não esperava sua visita, pois aquela noite meus lados resolveram entrar totalmente em guerra, minha mente estava em guerra, os dois lados queriam vir a tona, explosões incoerentes de emoções brotaram como nunca antes, eu estava com raiva, dor, ódio, magoa estava sentindo exatamente tudo naquela noite, pois na verdade eu me importava mais que ele, eu estava dando de mais e não estava recebendo nada. Eu só queria não ter me aprofundado nisso, eu só queria ter simplesmente escolhido engenharia mecânica e ter ficado por algumas semanas com o professor que a poucos dias descobri que era um alemão chamado Neuer. E que era um típico professor que ama deixar nas entrelinhas que prefere moças mais jovens. E é isso que vou fazer, realmente hoje me fez perceber que o lado Wine só faz com que eu regrida com que eu perca meu trono, e com que eu me machuque, e novamente eu fiz a escolha errada, Wine nunca mais irá aparecer.
- Você esta linda. –Ouvi-o dizer quando entrou no quarto, eu forcei um sorriso, repetindo a mim mesma que eu mudaria, e que Campbell seria mais forte que o lado Wine, e que minhas atitudes cruéis e fúteis, continuariam as mesmas sempre. Ele não poderia mais mudar isso.
- Você não veio aqui só pra dizer o obvio. –Disse um tom divertido, guiando-o até minha cama. Augustus sem dúvidas era o melhor e mais bonitos dos irmãos, por mais que se escondesse por baixo de seus óculos, e suas montanhas de livros durante todo colegial. Ele voltou mais bonito, com mais brilho, parecia um novo rapaz com mais vida do que aquele a quem deixei aos prantos a quatro anos e meio atrás. – Veio?
- Eu sei que meus irmãos estão disputando para ver quem consegue dormir com você primeiro, e que você já deve estar ciente disso, mas eu não sou um deles, eu voltei a cidade esse fim de semana, e voltarei daqui a alguns dias, então queria te convidar para o jantar de fundadores antes deles com suas apostas desprezíveis.
- Você continua doce Augustus. –Sussurrei tocando sua face, ele levemente repousou sua mão em cima da minha por nonos segundos antes de inesperadamente tira-la de sua face. Era a minha hora de voltar a ser como antes e novamente brincar com as paixões desses dóceis cavalheiros. – Me desculpe pelo que aconteceu, eu estava um pouco confusa.
- Eu ainda gosto de você Margo. –Ele sussurrou, eu sorri.
- Obrigado por vir me convidar primeiro.
- Então isso é um sim?
- Que horas você passa aqui?
- As sete, pode ser?
- Claro. –Assenti, ele inclinou-se levemente beijando-me a testa.
- Você continua linda.
- Você não esta gaguejando. –Sussurrei em um riso, ele que ainda agarrava minha mão apertou-a levemente enquanto acaricia-me as costas da mesma com o polegar.

- Treinei muito. –Respondeu

EM ANDAMENTO

5 comentários:

  1. Essa versão tá muito mais interessante que a outra .. <3
    Não preciso nem dizer que eu to amandoney <3
    Sempre que der continue :3

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    1. Hey hey hey
      To comentando aqui pra falar que eu nao to conseguindo entrar no seu outro blog o "Fanfics bizzle". Ta dizendo que o blog ta so aberto pra convidados e que eu nao fui convidada...quando voltar e ver o meu cmnt me da um help
      Xoxo •-•

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    2. É que eu estava editando algumas coisas lá, mas ja coloquei publico, já pode entrar á aninha <3 kkk, posso te chamar assim né?

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    3. Kkkkkk ata rsrs
      Claro que pode haha é meu apelido kkkks tbm pode me chamar de Liiv, tbm é meu apelido ^^

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