Born To Be Bad - 1º Versão

"I fucked my way up to the top. This is my show" -Lana Del Rey


O vestido caia-me melhor do que eu havia esperado. Minhas curvas refletidas ao espelho me trazia o ar de satisfação, eu estava tão bonita quanto Bonnie ao meu lado. Eu estava nervosa, era o jantar mais importante do ano para o meu pai e minha mãe, mas oque eu mais esperava era a festa que rolaria meia hora depois que os mais velhos jogassem conversa fora e esfregassem na cara um do outro o quanto eram ricos, no entanto eu não deveria esperar tanto já que Ramona não estaria lá para se juntar a mim na zombaria. Revirei os olhos com tais pensamentos e respirei fundo.

- Oque houve, Margo? -perguntou-me Bonnie 
- Nada, só estou entediada prevendo como será esse maldito jantar tão importante. 
- Se mamãe te ouvir falando desta maneira corta-lhe a língua. -Avisou. 
- Eu sei, eu sei. Mas eu espero que isso não demore. 
- Não vai - ela disse firme moldando seus lábios com o batom vermelho, que caía-lhe totalmente bem levando em conta o tom cinzento de seus cabelos, na verdade eu sempre achei que Bonnie fosse uma versão mais nova de mim, porem mais responsável e paciente.
- Vamos? Eu não vejo a hora de sair daquele lugar – resmunguei.
- vamos 

Descendo as escadas mamãe e papai já estavam tão arrumados como de costume. Sorri para eles e recebi um beijo na testa como resposta de meu sorriso, todo ano ocorria àquela maldita festa, e todo ano papai parecia estar nervoso como se fosse a primeira vez. Eu não conseguia entender tal coisa já que são as mesmas pessoas mesquinhas e egocêntricas de sempre.
- Margo, mas oque houve com o pano das costas do seu vestido? -Papai grunhiu, e eu revirei os olhos. 
- Eu não irei trocar - rebati sabendo que essa seria sua segunda fala e ele respirou fundo-
- Você não poderia usar um vestido mais descente? Não vamos a uma festa como a de seus amigos. 
- Esse vestido é descente - questionei. 
- Não, não é. 
- Eu já disse que não irei trocar.
- Querido estamos atrasados - A voz doce de mamãe encerrou o começo de uma breve discussão que se não fosse por ela duraria a noite inteira- 
-Margo não pode ir a festa com um vestido com tão pouco pano assim. 
- Não exagere. O vestido só não cobre as costas, querido.
- E esse decote? Ela vai chamar atenção de todos os marmanjos e velhos babões daquele maldito jantar, ela não vai com esse vestido.
- Não podemos ficar nem mais um minuto esperando Margo por outro vestido , não se esqueça que você tem que chegar mais cedo para receber os convidados ao lado de Jhosepe . -murmurou mamãe tentando acalma-lo e eu revirei os olhos , era inacreditável como ele insistia em sempre querer mudar algo em mim . 
- Tudo bem , vamos -ele finalmente então se deu por vencido , eu soltei o ar que prendia e os segui porta a fora . 

* * *

Após o termino do maldito jantar, onde eu tive que fingir estar gostando de olhar para as faces caídas daqueles idosos esnobes, e as faces moldadas ao extremo em maquiagens daquelas mulheres e homens irritantes que falavam a mesma ladainha do quanto eram ricos e saiam para desfrutar a riqueza. Eu finalmente pude por os pés naquele salão que era fechado somente aos jovens filhos dos sócios, aquela era a única festa pela qual eu não precisava fugir de casa para poder ir, papai deixava de bom grado ficar naquele salão enquanto ele ia para casa com mamãe.
 Bonnie olhou-me e abriu os lábios vermelhos em um pequeno sorriso, bebi um gole do uísque em meu copo após sentar-me no banco do bar ao lado de Bonnie e fiz uma careta. 
- Eu preciso dançar, e essa festa só toca esse tipo de musica -murmurei- Que diabos, você viu o Shep por ai? -perguntei. 
- Oque você quer com aquele garoto? Sabe que não pode simplesmente transar com ele como costuma fazer com os outros rapazes, você sabe que ele gosta de você. -repreendeu-me e eu não contive uma risada. 
- Ora, acalme-se maninha, quem disse que eu também não gosto dele? 
- Você não deveria fazer isso. -falou emburrando-se, ela sempre o fazia quando o assunto era “Magoar Shepley”
- Ele é homem -sorri- Ou ele me esquece depois da transa e ter saciado-se, ou ele vai gostar o bastante pra pedir de novo.
- Eu realmente as vezes não te conheço -ela disse com sua testa franzida, e percebi Shep aproximar-se, só que estava acompanhado, eu virei o ultimo gole do uísque o pus no balcão, aquilo desceu-me rasgando garganta a baixo, mal consegui prestar atenção em Shep quando vi o homem ao seu lado, ele era alto e tinha grandes braços, que eu mal pude ver estando grudados a uma camisa branca de botões e calça jeans pendida exatamente ao seu quadril, seu corpo parecia ser esculpido por Deuses, ele parecia ser obra de Apolo, ele era incrivelmente gostoso, os cabelos cor de cobre moldados em um topete coberto de gel, os lábios rosados e extremamente convidativos, o olhar incrivelmente sexy, caramba acho que não consegui respirar por alguns segundos fitando aquele homem incrivelmente lindo . Ele parecia ser o cara mais simples daquela festa, mas a simplicidade era apenas nas vestimentas, pois o mesmo era tão bonito e com braços tão fortes que me fez sentir um formigamento entre as pernas. Mordi os lábios e desviei quando percebi que o mesmo me olhava de cima a baixo, como se fosse um predador analisando sua presa.
 - Olá, Morgan - as mãos de Shepley pousaram em minhas costas desnudas, e então virei-me para ele, o homem de olhos caramelados e braços fortes ao seu lado ainda olhava como um predador, aquele olhar que me fazia quase ter um orgasmo. 
- Oi Shepley -murmurei , e senti seus lábios molhados de vinho em meu rosto . Aquilo estava se tornando um tanto desconfortável, sua mão ainda repousava em minhas costas . 
- Oi Bonnie -ele acenou para ela e ela um tanto avermelhada retribuiu em um "oi" tão baixo com uma voz de ratinha, voz  que ela sempre fazia ao lado de um cara como Shep. 
- Bonnie, Morgan, esse é meu amigo da faculdade Justin -ele disse sorrindo e eu afastei-me um pouco . 
- Prazer, Justin... Justin Bieber -ele pegou-me a mão e beijou a mesma, e seu olhar de predador havia desaparecido agora era um olhar indecifrável que ele carregava, eu sorri, porem não deixei transparecer que havia ficado embasbacada, eu conhecia aquele tipo, seu olhar de predador sobre mim havia denunciado-o, ele era um cretino, e eu queria saber o quanto ele era cretino e predador na cama. 
 Ele soltou minha mão e agarrou a mão de Bonnie e vi a mesma corar pela segunda vez naquela noite ao falar com um cara. 
- Então meninas, vocês estão se divertindo? -Perguntou Shep 
- Não muito -eu disse após alguns segundos de silencio, pois eu esperava que Bonnie dissesse algo .- Sabe Shep , eu estava pensando em ir pra outro lugar, bem, você sabe, uma festa de verdade , essa festa não é a mesma quando não se tem Ramona Clark para animar . -eu disse e ele soltou uma risadinha nervosa ,dei uma olhadela para Justin , que mal se importou em afundar os olhos em meu decote, pervertido, era bom saber que aquele decote servia de algo aquela noite
- Eu estava pensando em ir a uma luta . -ele disse e eu quase dei pulinhos de surpresa e animação . 
- Uma luta ? 
- Her -ele coçou a nuca- 
- Eu vou lutar . -Justin disse olhando-me agora nos olhos . 
- Não me diga , oque é que você luta ? 
- Luta de rua boneca , luta livre de verdade . -ele disse e eu podia sentir o tom confiante e modesto dele . 
- É mesmo ? -não consegui não demonstrar interesse . 
- Se você quiser , pode ir me ver lutar hoje -ele disse e Shep pigarreou
- Seu pai, Margo . Você acha mesmo que ele irá deixar você ir a um lugar como esse ?
- E desde quando meu pai precisa saber que vou a esse lugar ? -Respondi e virei-me para Bonnie que estava com um olhar de aviso e talvez ela viria com um sermão . 
- Você vai, e não adianta reclamar -eu disse . 
- Eu não posso. 
- Mas é claro que pode docinho. -Justin disse lançando uma piscadela para ela que coitada eu não sabia que poderia ficar tão avermelhada. 
- Vamos, Bonnie. Eu me responsabilizo por ti -Disse Shep e ela relutante cedeu . 
- Tudo bem vamos . 
- Agora sim eu vou ter uma noite de verdade -Eu disse . 

 O lugar iluminado a meia luz , era um lugar incrível e eu estava rodeada por aquela fumaça grossa de cigarros baratos , era uma gritaria fora do comum , o som fazia tremer as paredes de tijolos velhos , aquele não era um lugar que um dia eu havia frequentado , era um lugar de gente cretina como Justin , era um lugar que o som era tão alto que eu podia ver a cara de Bonnie de desprezo e insatisfeita com tudo aquilo , eu não conseguia entender como ela não gostava daquilo , como ela não gostava do tumulto de pessoas se divertindo e apostando toda grana do bolso em caras para fazerem um show que distribuí sangue pra todo canto , como ela conseguia não gostar do aroma das drogas , do cigarro barato e do Jack Daniels que se espalhava pela multidão empresada naquele porão abandonado . Aquilo era incrível , aquilo era oque eu precisava para fugir daquelas pessoas mesquinhas que me rodeavam a todo instante . O vestido que eu usava fazia com que eu me sentisse desconfortável , se não fosse por Shep agarrando-me pela cintura eu iria ser carregada por um bêbado que tentava me relar a mão a cada segundo , eu tentava considerar , levando em conta que  lugar estava tão cheio que mal conseguia me mover , o circulo então se abriu e um homem começou a berrar em um alto falante , um discurso , discurso esse que havia me dado mais vontade de ver a luta , ele terminou o discurso aos berros , e o circulo se abriu quando ele gritou o nome de um garoto , que parecia ser mais alto que Justin , ele tinha a cabeça raspada e olhos verdes , sexy até , com um Shorts verde a acompanhar o brilho dos olhos fulminantes, ele dava pulinhos na ponta dos pés de um lado para o outro . E então finalmente ele citou Justin 


- E agora ele que não perde uma luta desde sua entrada no circulo, o destruidor, o louco, o melhor, ele mesmo Justin "Cachorro Loco" Bieber -o cara no alto falante gritou e Justin entrava no circulo calmamente e pisando firme, com um ar confiante, com a cabeça levantada e seu topete desarrumada , agora ele estava sem camisa , um shorts vermelho pendia ao quadril , ele era coberto por tatuagens , eram tatuagens incontáveis em seu braço, até seu pescoço , tudo aquilo me deixou em êxtase, completamente embasbacada com tamanha beleza e confiança, minhas pernas bambearam só de ver aquilo. 

 Ele não deu pulinhos de um lado para o outro, nem muito menos pareceu estar com medo do cara que era maior que ele , pelo contrario , ele parou no meio do circulo e cerrou os punhos , esperando eu presumo pelo sinal de que ele pudesse atacar . E não demorou a acontecer aquilo, a luta então havia começado, o homem parecia nervoso e afobado, lançava socos na direção de Justin que desviava, e o acertava vez ou outra, ele era rápido e parecia estar se divertindo, mas depois de dois minutos aquilo parecia estar deixando-o entediado, Justin sem hesitar acertou com um golpe no nariz fazendo o cara cair no chão, ele abaixou e distribuía socos e ponta pés em toda parte do corpo do cara, sangue brotava do nariz e boca do homem estirado ao chão, o circulo estava se fechando e eu quase não conseguia ver a luta , Bonnie parecia assustada com tudo aquilo , mas eu estava tão animada e ansiosa para ver quem ganharia que mal tive tempo de me importar, fiquei na ponta dos pés tentando de algum modo ver o termino da luta , mas era algo difícil quando o circulo estava quase se fechando e todos foram pra frente , e quando eu tentei dar um passo a frente as mãos forte de Shep seguram-me .
- Pra que diabos você quer ir? -perguntou ranzinza, e eu revirei os olhos, ele combinara perfeitamente com minha irmã, tão ranzinza quanto a mesma. 
- Eu quero ver de mais perto, não estou conseguindo ver nada. -resmunguei. 
- Se der mais um passo vai ser carregada.
- Shep - choraminguei 
- Não, Margo. Você não vai. 
- Que droga, você não manda em mim . 
- Eu só estou te protegendo. 
- Eu sei me proteger. 
- Não sabe não. 
- Droga, Shep, que saco -resmunguei e contentei-me já que ele realmente não me deixaria sair dali , lancei uma rápida olhadela para Bonnie que revirava olhos com seus braços cruzados , para uma garota de dezesseis anos ela era uma ranzinza que parecia ter uns oitenta e tanto. Ouvi então o berro do alto falante e percebi o circulo se abrindo novamente, e assim eu podia ver Bieber com os braços levantados e com sua cara ensanguentada, meu deus ela estava sexy. O dinheiro apostado, então rolava de mão em mão, e o som estava tão alto quanto no começo da luta, os gritos de euforia e histeria era aborrecedor, porem eu não queria estar em outro lugar.
- Ja vimos a luta, Margo. São duas da manhã podemos ir embora? -Bonnie gritou 
- Mas já Bonnie? 
- O papai vai ficar uma fera, o nosso horário é até as três. 
- O seu horário é as três, eu tenho dezenove anos, Bonnie. 
- Isso -ela sorriu e revirou os olhos- Você tem dezenove anos não vinte e um . 
- A Bonnie tem razão, Margo. Eu não quero que seu pai brigue com você -Disse Shep o meu segundo pai , e eu revirei os olhos , eu ainda não sei porque Bonnie e Shep não namoram . 
- O.k , mas eu queria dar os parabéns ao seu amigo , Shep . -eu disse e sorri para ele . 
- Ele esta vindo - Disse Bonnie , olhando-me por cima do ombro e virei-me, ele estava suado, seus cabelo estava desgrenhado e seu rosto ainda coberto por sangue , que eu tinha certeza que não pertencia a ele . 
- Luta de verdade -eu disse e ele sorriu-
- Eu disse - ele murmurou . 
- Nós já estamos indo, foi um grande prazer velo nocautear o cara dessa maneira - murmurei . 
- Vocês não vão a festa? 
- Que festa? -Perguntei, mas antes que alguém pudesse me responder vi uma loira de seios fartos e olhos negros beija-lo, foi algo inusitado para mim, talvez não só para mim mas para Bonnie. Mas acho que foi mais estranho para mim, pois ele tinha um olhar tão quente de predador, e eu tive a leve impressão que seus olhos flertaram comigo quando o conheci a algumas horas. Não, aquela não podia ser sua namorada.
- Ótima luta Bieber -ele disse e eu olhei para Bonnie que se estava encolhida encostando-se no ombro de Shep . 
- Ta , eu estava conversando , sai depois a gente conversa -ele disse quase expulsando-a da li . 
- Mas ... 
- Cacete, Angel, vai logo. 
- O.k -ela abaixou os olhos e saiu . Como eu disse ele era um tremendo cretino, eu conhecia cretinos de longe , mas ele , ele era um cretino pelo qual eu não me arriscaria me envolver , era um cretino que eu sabia que não seria fácil soltar-me de suas garras . 
- Como eu estava dizendo, a festa vai ser no meu apartamento . 
- Elas não podem, eu tenho que leva-las pra casa . -Disse Shep com seu tom protetor e eu podia ver Bonnie olhar medrosamente para o rosto sangrento de Justin
- Como assim elas não podem? 
- O .. o .. Nosso pai vai virar uma fera se chegarmos depois das três. -gaguejou Bonnie. 
- Você quer ir, Margo ? -perguntou olhando-me e aquele olhar predador havia voltado, era impossível não sentir o formigamento entre as pernas com aquele olhar. Mas eu não devia, ou devia? 
- Eu vou levar as duas em casa - disse Shep em um tom sério agarrando-me a cintura com força, eu revirei os olhos. 
- Shep eu.. -ele não me deixou terminar. 
- Não, Margo. Você não vai. 
- Cacete Shep. Já disse que você não é meu pai. 
- E eu já disse que estou cuidando de você e acabou vamos embora -ele disse me puxando entre a multidão que saia do local abandonado . Bonnie nos acompanhava, Senti meu cotovelo sendo puxado e então voltei, a mão que segurava era forte. 
- Você quer ir, Flor? -novamente ele perguntou e quase dei um risinho com oque ele havia me chamado.
- Eu não posso. -murmurei. 
- Mas você quer ? 
- Eu tenho que ir - Shep puxou minha cintura com mais força.- Para Shep -grunhi voltando a olha-lo .
- Até segunda, Justin - Shep disse se despedindo de Justin e eu revirei os olhos indo na frente e me soltando dos braços de Shep, eu odiava o fato de que ele pensava que tinha o maldito direito de ficar me controlando e dizendo oque posso ou não fazer, nem meu pai tem esse maldito direito e ele acha que pode, eu nem ao menos um dia o beijei ou demonstrei que sentia algo por ele, e ele acha que pode fazer isso como se fosse meu namorado, soltei o ar que prendia na garganta ao sair do porão e encontrando a rua eu olhei para Bonnie e para Shep que vinham logo atrás de mim. 
- Vocês estragam a noite de qualquer um, puta merda - Resmunguei e voltei a andar. Bonnie sentou-se no banco de trás e eu quase a matei, eu não queria ir ao lado de Shep, eu ainda estava chateada com ele. Shep deu a partida e fomos em silencio o percurso inteiro até em casa . Bonnie mal me esperou e entrou em casa, ela havia ficado chateada com algo, mas que diabos, essa garota deveria sair mais, aposto que nunca tomou um porre daqueles e nunca foi a uma festa da fraternidade.
- Espera, Margo -Ouvi a voz de Shep quando estava prestes a abrir a porta então parei e olhei-o
- Oque ? 
- Esta brava comigo? 
- Você sabe que não pode me proibir de fazer as coisas, sabe que eu odeio quando faz isso. 
- Desculpe, é que eu não queria que fosse a festa de Bieber . Lá não é lugar pra você, Margo -ele suspirou- Eu vi o modo como o olhava, e eu não quero que se machuque, ele é meu amigo eu sei, mas eu não posso deixar de te aconselhar a dar o fora nele, por que ele é um completo idiota com as garotas, ele não é aquele canalha que pega e depois dispensa, ele é pior, ele iludi, Margo. Eu não quero que você se iluda com ele -Novamente ele suspirou , e eu me perguntava o quanto ele achava que eu era tola o suficiente para cair em um papo furado de um canalha , eu estou acostumada com eles, sei como eles agem . Mas não posso negar que nunca encontrei um canalha como Justin, eu deveria fazer oque Shep esta pedindo, eu não quero que aconteça oque aconteceu  a um ano , eu não quero voltar a choradeira . Mas que diabos, Shep esta paranoico e esta me deixando paranoica também , uma transa não vai fazer com que eu me iluda , ele não vai me jurar amor eterno quando transar comigo em um banheiro de um restaurante . Era isso, se eu fizesse parecer que não era como as outras que ela fica e ilude , mostrar que assim como ele também sei jogar , eu vou conseguir oque eu quero , eu vou conseguir o sexo com aquele predador e sem correr o risco de ser enganada , e ouvir um "eu te amo" mentiroso . 
- Obrigado por se preocupar, Shep -o abracei- Você é um bom amigo. 
- Não a de que . -ele abriu os lábios em um sorriso e inclinou-se para perto dando-me um beijo no canto dos lábios , lancei uma olhadela nervosa para o mesmo , Bonnie estava certa , eu não podia fazer aquilo com Shep , ele realmente gostava de mim e eu não podia brincar com sentimentos dele . 
-Eu sei que você só quer cuidar de mim e não faz por mal, desculpe se as vezes eu ajo como uma tola e mimada . 
- Você não é uma tola mimada -rebateu e eu sorri pondo uma mecha de meu cabelo para trás da orelha. 
- Eu estou feliz que você tenha voltado pra cidade, desde que se foi, aqui não tem sido a mesma coisa. 
- Agora voltará a ser, e você vai me ajudar a viver, e você precisa me levar a outra luta como aquela. 
- Eu não gosto daquele tipo de lugar, e não acho que seja lugar pra você 
- Se não gosta porque foi? 
- Porque ele disse que era uma luta importante. – murmurou.
- Hmm. Bem, Shep, eu vou entrar, te vejo amanhã na faculdade.
- Você vai voltar a morar aqui mesmo?
- Vou, Shep. Você sabia que eu não ficaria mais de um ano lá. -ele pressionou os lábios, e olhou-me atentamente, eu sabia que aquilo era o inicio de uma conversa séria e ele talvez tentaria me beijar, mas eu não podia fazer aquilo com ele, não podia usa-lo de tal forma. Era impossível eu me ver um dia com Shep , não que ele não fosse bonito , ele era até que charmoso com seus grandes olhos verdes e seus cabelos negros moldando alguns cachos desgrenhados , mas seu jeito insuportavelmente protetor e certinho , me irritava , eu não precisava de um segundo pai , eu precisava de um homem com quem pudesse dividir histórias e momentos .
- Eu senti sua falta -ele sussurrou pegando em minha mão .
- Eu também senti a sua , Shep . -respondi, e não era mentira, ele era um bom amigo-
- Se eu te beijar agora  você vai sair correndo ? -ele perguntou.
- Shep .. -ele me interrompeu .
- Desculpe, eu sei que você não vê desse jeito .-ele soltou minha mão, e olhou para frente , respirei fundo , e estava prestes a pedir desculpas quando seu celular tocou, e ele o atendeu- Fala , Bieber ... Ela não vai, nem a irmã dela... Porque elas não frequentam festas como a sua.. Eu estou me despedindo dela.. Ela não quer ir.. Não .. Droga Justin, ela não vai.. Tchau.-ele suspirou e olhou para mim com um olhar que eu não conseguia explicar .
- Ele gostou de você.-falou
- Que bom né -eu dei uma risadinha.
- Isso não tem nada de bom, Margo.
- Eu não vou ficar com ele, já que você tem tanto medo.
- Eu já disse, não quero que se machuque.
- Tudo bem.
- Mesmo assim, quero que tome muito, muito cuidado com ele.
- Eu vou. -sorri e dei um beijo em seu rosto -Não se preocupe, Shep. Vou ficar longe dele.-abri a porta- Até amanhã -murmurei
- Até amanhã

* * *

Preciso que me leve a escola hoje, papai saiu bem sedo com o motorista e mamãe também -murmurou Bonnie levantando seu óculos no nariz e concertando a mochila no ombro na porta do meu quarto .
- Cacete, Bonnie. Sua escola não a caminho da minha faculdade. 
- Eu sei, Margo. Mas se você me levar lá agora tenho certeza que não vai se atrasar. 
- Ta bom, ta bom -balbuciei- Eu te levo -disse pegando minha bolsa e saímos do quarto , eu estava ansiosa para encontrar alguns amigos , mas isso não queria dizer que eu precisava sair de casa meia hora antes do que eu saia normalmente quando morava aqui . Dei a partida no carro e lancei uma olhadela para Bonnie. 
- Oque tanto conversou com, Shep ontem? -Perguntou-me antes que eu pudesse perguntar o motivo pelo qual ela estava tão quieta- Não me diga que transou com ele no banco de trás .-Não contive uma risada . 
- Shep é legal de mais pra eu fazer isso, ele estava se desculpando por ser o idiota que ama me controlar como sempre. 
- Hmm. 
- Ele também estava me contando sobre o "Cachorro loco" - fiz aspas com os dedos da mão que não estava a segurar o volante e ela parecia ter ficado curiosa- 
- "Cachorro loco", hmm, aquele amigo dele que nos levou a luta ontem não é ? 
- Eu quase tive um orgasmo com aquele olhar de predador dele -respirei fundo não acreditando que diria aquilo- Mas prometi a Shep que não dormiria com ele. 
- Porque você prometeu isso? 
- Porque Shep disse que Justin não é um canalha comum, ele não um cafajeste que se importa em te ligar no dia seguinte, pelo que Shep me disse, eu presumo que ele seja daquele que faz de tudo para conquistar, e gosta de ter pelo menos umas 500 namoradas. 
- E Shep esta com medo que você se torne uma delas? 
- Ele esta com medo que eu me machuque. 
- Eu acho que o Shep tem razão. 
- Eu só quero transar com o Bieber, não quero casar ter um casal de filhos e um gato. -Eu disse e ela riu. 
- Mas ele quando transar com você provavelmente irá dizer isso. 
- Você acha? 
- Acho. -ela disse e eu revirei os olhos- 
- Tudo bem, vou ficar longe dele. 
- Se ele é do tipo canalha romântico, fique sabendo que ele irá te levar pra sair. 
- Eu sei. E também sei que talvez ele transe no terceiro encontro. Mas eu posso mudar as regras desse jogo e não sair pra lugar algum, apenas posso transar com ele. 
- Mas você prometeu ao Shep. 
- Eu sei que prometi, mas aquele olhar de predador chama por mim. 
- Não chama não. Pelo menos tente não parecer interessada. 
- Ei, eu sei me fazer de difícil, ok. Sei bancar a garota diferente e machucada e que não quer nada. 
- Você é adotada, Margo? -Ela perguntou e eu ri parando o carro em frente sua escola. 
- Tem essa possibilidade 
- Me lembre de perguntar isso a mamãe e papai essa noite. - ela murmurou saindo do carro . 

 Enfim chegando aqueles corredores, eu percebi os mesmos alunos de sempre, havia alguns que eu não conhecia, e nem era da cidade, passar a droga do ultimo ano fora da cidade não me ajudou em nada , meus amigos estavam ali, não naquela maldita cidade onde só se encontra pessoas que tem o maldito costume de serem esnobes e se sentirem superiores . 

- Margo -o time de futebol cumprimentaram-me em coro , e eu sorri parando no grupo deles , Brad , lançou-me uma piscadela e eu revirei os olhos - 
- Oi meninos. 
- Quando chegou, Margo? -Perguntou Stan que agarrava a bola embaixo do braço, oh lembro-me bem o quão agiu esse quarterback é. Pus uma mecha de meus longos cabelos para trás da orelha e sorri
- Faz três dias. 
- Acho que não me conhece, mas eu vi você ontem na luta. -Um garoto alto e com fortes braços disse-me saindo de trás de Brad eu não o conhecia mesmo. - Não sabia que você fazia parte do circulo 
- Que circulo? -perguntei levantando uma sombra-celha 
- O circulo de pessoas que sabem que tem luta, quem não faz parte do circulo não pode ir a luta. 
- Eu a convidei -Aquela voz soou tão quente em meu ouvido que quase senti minhas pernas tremerem , Virei meu rosto  para olha-lo, e o mesmo estava ao meu lado , seu rosto se levantava em um sorriso cafajeste arranca calcinha. E todos do time que estavam encostados em seus armários com risadinhas baixas calaram-se com a chegada de Bieber, eu não entendia o porquê, eles olharam para Justin como se estivessem com medo ou que respeitassem o mesmo.
- Preciso ir meninos, vejo vocês outra hora –Falei sem entender porque eu estava fugindo de Justin, acenei com as pontas dos para eles enquanto caminhava em paços rápidos para o mais longe de, Justin. Eu estava confusa se deveria entrar naquele jogo, não queria magoar Shep, nem quebrar minha promessa, mas caramba como aquilo era difícil levando em consideração que eu sou uma quebradora de promessas nata, e realmente não me importo com Shep. Mas oque me impedia de me virar para Bieber e propor matar meu primeiro dia de aula para ir a um motel, era a minha curiosidade nas táticas de sedução dele, eu queria vê-lo em ação, e se ele realmente fosse um paquerador romântico que descobre facilmente o ponto fraco de cada mulher eu me afastaria não que eu pudesse ser fraca nesse quesito e me apaixonar rapidamente por ele, mas eu sei que de alguma forma iria cair nem que fosse um bocadinho no conto do vigário. Apressei os paços e logo cheguei a minha sala, que era aula de literatura, eu ainda estava nos cursinhos normais, não consegui me decidir oque realmente queria cursar. Essa sou eu, confusa e extremamente perdida na vida, não sei se devo largar a faculdade e pegar todo dinheiro que conseguir e passar um ano viajando sem rumo pelo mundo, ou se faço advocacia e me torno uma advogada exemplar como papai quer. Eu realmente não sei oque pretendo fazer da minha vida, são tantas escolhas quando se completa 18 anos, eu não me importo com nem uma delas, mas eu tenho que fazê-las.
- Psiu –Ouvi alguém me chamar quando me sentei deixando minha bolsa em cima da mesa, me virei sem rodeios para trás, enquanto o professor extremamente gostoso falava algo lá na frente.
- E ai, Gina –Falei levantando meus lábios em um largo sorriso.
- Fiquei sabendo que esteve no circulo –Ela disse
- Por que dão tanta bola a esse circulo, é proibido? –Sussurrei interessada
- Muito –Ela mordeu o lábio rosado.
- Bem, não pra mim.
- Ta rolando um boato também que tu mal chegou e já dormiu com o gostoso do Bieber.
- Bem que eu queria –Suspirei
- Ele se faz de difícil, não fica com todas. Eu queria ter a sua sorte
- Bom saber disso.  –Molhei os lábios, aos poucos eu sabia mais sobre esse paquerador que estava mais para o próprio Don Juan.
- Perdão minhas queridas, mas eu espero realmente que a conversa seja tão relevante ao ponto das senhoritas ignorarem oque eu estou a explicar lá na frente - Me virei imediatamente sentindo a voz próxima do professor, caramba ele estava bem a minha frente, e os olhares atentos em mim e Gina, ele era tão gostoso que quase tive uma hemorragia nasal, segurei-me para não morder os lábios enquanto o olhava.
- Você não é minha aluna. –Vi sua sombra celhas se juntarem, sua barba avermelhada por fazer escondendo o tom incrivelmente lindo de suas sardas. Seus olhos cinzentos fitavam-me firme
- Eu sou oque você quiser professor - Escorei meu cotovelo na carteira e mordi a tampa da caneta ouvindo alguns risinhos contidos nas cadeiras da frente.
- Se não é minha aluna eu presumo que não possa assistir à aula, ou melhor, atrapalhar aula.  –Ele disse firme, eu continuei embasbacada.
- É meu primeiro dia, pois. Pode checar lá, sou Margo Campbell.
- Há sim –Ele abriu a boca como quem se lembrava de algo- Se é assim, eu peço que fique alguns minutos após a minha aula, me avisaram a poucos dias que a senhorita chegaria, tomei a liberdade de imprimir sua apostila.
- Se você quiser eu posso ficar até horas depois da aula –Continuei mordendo a tampa da caneta novamente ouvindo os risinhos, vi seus lábios se comprimirem demonstrando seu desconforto com o meu tom.
- Apenas não atrapalhe a aula senhorita. –Ele voltou ao seu posto e eu suspirei, até seu andar era bonito. Relaxei na cadeira deixando minha caneta de volta a mesa, e mordi o lábio dessa vez fazendo questão de prestar atenção na aula. Esse era o lado bom da universidade, era onde você podia desejar um aluno incrivelmente sexy como Bieber, e ter fantasias logo em seu primeiro dia com um professor de literatura.

* * *
10 A.M. Nova York

Quando finalmente vi todos se levantando, eu peguei meu gloss dentro do estojo e passei-o nos lábios enquanto olhava-me no meu pequeno espelhinho que eu também levava no estojo –Nunca se sabe quando iremos ficar alguns minutos depois da aula com um professor tão lindo e inteligente-
- Quer que eu te espere, Margo? –Gina parou ao meu lado, só então eu percebi que com aquele vestidinho rodado e curto ela também tentava discretamente chamar a atenção do professor.
- Quero, preciso ir ao shopping - Limpei o canto dos meus lábios olhando-me no reflexo do pequeno espelho.
- Ok, te espero na saída do campus.
- Ok, agora eu vou conhecer me querido professor direito. –Sorri enquanto enfiava as coisas no estojo e também dentro da minha Channel. Levantei-me, concertei meu decote e agora eu estava pronta para parar de pensar nas táticas de sedução de Bieber, e começa a pensar nas minhas próprias táticas. Lá em baixo, na sua mesa ele estava disperso arrumando sua mesa, distraído com tanto trabalho que mal percebeu quando eu me escorei em sua mesa, sorri docemente quando ele levantou os olhos para mim.
- Margo Campbell –Ele forçou um sorriso
- Quanto repúdio - Fiz-me amuada.
- Aqui esta sua apostila - Ele empurrou às folhas guardadas em uma pasta rosa bebê a mesa, ele evitava olhar em meus olhos.  
- Desculpe atrapalhar sua aula.
- Você não foi a primeira - Ele dessa vez levantou o rosto para sorrir.
- Obrigado por fazer isso por mim. –Peguei a pasta.
- Não fiz só porque foi pra você, eu só não gosto de atrasar meus alunos.
- Acho que te conheci em um dia ruim, é o segundo fora –Forcei um sorriso e apontei pra porta- To saindo.
- Até quarta. –Ele abaixou os olhos, caramba esse foi o maior fora que eu já tomei em toda minha vida, e olha que eu mal comecei com meu charme, bem, acho que minhas táticas não estão lá muito boas ultimamente. Concertei minha Channel no ombro e bufei saindo da sala, frustrada, era isso que eu estava, bastante frustrada. E eu não iria para as aulas seguintes porque droga, aquilo me deixou mais do que irritada, ele mal olhou em meus olhos, oque lhe custava um olhar? Creio que não seria muito, porque ele sorria bastante durante o período da aula dele, fazia piadas com o conteúdo e conversava com os outros alunos. Respirei fundo, eu precisava beijar alguém para acabar com aquela sensação de desprezo, eu me senti rejeitada, ninguém nunca me rejeitou antes, ninguém nunca evitou olhar para mim.
 Meus cabelos louros e brilhosos faziam inveja a qualquer universitária, minhas pernas naturais e torneadas, meus lábios, meus olhos, meus seios, tudo em mim era convidativo. Por que diabos ele rejeitaria uma pessoa como eu? Meu corpo colidiu com outro duas vezes maior que o meu, fazendo-me voltar alguns paços, fiquei um pouco desnorteada com a pancada
- Hey, vai com calma minha flor –As mãos dele impediram-me de me estabacar no chão como uma bigorna.- Me desculpe, esta tudo bem?
- Si-i-im –Gaguejei me afastando.
- Esta perdida? Quer ajuda com a sua próxima aula?
- Você é gentil assim ou esta fazendo o tipo?
- Oque? –Sua testa se franziu
- Quer que eu desenhe?
- Desculpe, mas eu não entendo do que fala.
- Vou direto ao ponto –Pus uma mecha de meu cabelo para trás da orelha- Eu conheço o seu tipo, você quer me conhecer pra depois transar não é? Há, não precisa disso, podemos ser mais práticos e acabarmos logo com isso no banco traseiro no meu carro. –Vi suas bochechas ficarem levemente rubras.
- Não fale assim, és uma moça tão bonita, deveria valorizar-se mais flor –Ele me deu as costas fazendo minha boca cair e meu rosto esquentar intensamente, era a segunda vez em menos de cinco horas. Ou eu acordei com o pé esquerdo e mal deveria ter arredado o pé da cama, ou eu vim parar em um universo alternativo onde os homens estavam a ficar loucos, não perdi tempo, eu precisava de alguém para me esquentar o corpo, e me fazer ter a certeza de que eu não estava sendo rejeitada assim por esses idiotas por não ser mais tão bonita. Empurrei Joe contra a parede quando o encontrei percebendo os corredores ficarem vazios e me espremi contra o seu corpo fazendo-o morder o lábio e murmurar intensamente em meu ouvido que estava sentindo minha falta, entre beijos e caricias guiou-me para o banheiro feminino, entrando em uma cabine e trancando-a, Joe tinha 1,90 de pura testosterona e músculos, seus toques eram fortes e excitantes.

02:43 PM Nova York

Deixei minhas bolsas das compras encima da cama e suspirei. Meu dia até agora estava repleto de frustrações. Eu precisava de uma festa, precisava de uma bebida forte, e precisava de sexo. Pus minha banheira para encher e disquei o numero de Shep, eu precisava dele para me por pra cima, ele nunca me decepcionava, nós podíamos deitar e assistir um filme enquanto ele falava de suas férias e me afagava os cabelos. Pelo menos ele não me negaria sexo, e nem evitaria olhar-me nos olhos, bem talvez Bieber tenha razão, eu sou uma garota muito fácil. Bem, no entanto eu não sou de lá tão fácil, caramba eu só gosto de me divertir, transar, e ser direta. Meu ex-namorado frustrou todas as minhas chances no amor, então que se dane os sentimentos e essas baboseiras toda que as pessoas pregam sobre o amor, e a paixão. Sexo é o foco, sexo é oque eu gosto, drogas é oque eu preciso. E eu não preciso de um professorzinho e de Bieber para isso, ou preciso?
- Hey, Shep. Da uma passadinha aqui em casa, meus pais não estão em casa então... –Falei ao telefone quando ele finalmente atendera
- Claro, M.
- Vai demorar? –Minha voz saiu em quase tom de choramingo.
- Uns vinte minutos
- Ok não demora.
- Ok.
Joguei o celular em cima da cama e me despi correndo para o banheiro onde desliguei a água da banheira e me sentei na mesma refletindo sobre essas horas passadas. Talvez eu realmente deveria mudar, e ficar com Shep só por um tempo, só pra lembrar como é ser de alguém, como é chamar alguém de apelidos carinhosos. N-ã-o, eu não vou voltar a agir dessa forma, isso foi só um dia ruim que mal terminou e a noite pode me compensar, fiquei repetindo a mim mesma enquanto estive no banho. Ao sair eu estava decidida, o professor e Bieber iriam conhecer um lado novo meu, eles eram minhas presas, e caramba como eu não percebi que essa é a graça do jogo? Eu posso fazer isso, eu posso ser a aluna competente e ao mesmo tempo não descarada do professor a ponto dele sentir-se a vontade para conversar comigo, e posso obviamente ser essa flor que Justin me chamas, bom, pensando dessa forma, até que isso seria bastante divertido. Vesti uma camiseta branca e um shorts jeans e calcei meus chinelos indo até o quarto de Bonnie, onde ela devorava mais um livro deitada a sua cama
- Não vi você quando cheguei –Me sentei ao pé de sua cama.
- Sei que não irá me deixar terminar de ler, então –Ela fechou o livro tirando os óculos – Vomite
- Levei dois grandes foras hoje.
- Margo Campbel foi rejeitada? –Ela gargalhou-
- Bem, eu ainda não desisti, eu vou conseguir transar com aqueles dois.
- Dois? –Sua testa se franziu
- O meu professor de literatura.
- De novo Margo? –Ela revirou os olhos- Você não cansa de acabar com a carreira dos seus professores?
- Ele é diferente.
- Diferente?
- Ele me evitou, me evitou muito –Mordi meu lábio superior amuada.
- Dou razão a ele.
- Mas eu vou conseguir transar com ele.
- Você não toma jeito – Ela balançou a cabeça negativamente.
- E o Bieber, eu propus sexo sem rodeios e ele simplesmente me deu as costas dizendo que eu deveria me valorizar mais.
- Você esta acostumada com garotos, Bieber e seu professor são homens, pense nisso.
- Já pensei, e se eles querem uma Margo Campbel intelectual, eles terão, claro até eu conseguir oque eu realmente quero.
- E eles valem tudo isso? Por que não esquece isso?
- Por que eu esqueceria? Eles acabaram de tornar minha vida mais emocionante.
- Então por que não escolhe um só?
- Eu gosto de apreciar o professor falar, gosto de como ele explica e fala sobre a leitura, gosto de modo como ele me evita, e do modo como ele fala meu sobrenome com um certo repúdio. Além do mais, caras mais velhos são mais experientes. E claro nem devo falar sobre, Bieber não é?
- Acha mesmo que o professor irá cair nessa?
- Pode até demorar um pouco, mas cá entre nós maninha, ninguém resiste a esse rostinho lindo mostrando que pode ser mais do que apenas aparência.
- Você não é minha irmã –Ela deixou-se cair para trás eu ri.
- O detalhe que mais me chamou atenção no professor, foi ele ser diferente até na cor do cabelo.
- Seu fetiche por ruivos ainda não terminou? –Ela gargalhou, eu não tive como não acompanha-la
- Ruivos são apaixonantes, maninha.
- Ruivos? –A voz sólida de Shep fez-me desmanchar o sorriso que brincava nos lábios e pude ver minha irmã sentar-se corretamente e sua face tornar-se rubra ao vê-lo parado na porta. –
- É –falei coçando a garganta- Quem resiste a um rostinho pintado por sardas?
- Não te vi no campus hoje –Ele sentou-se ao meu lado, eu pus minhas pernas encima das suas, sei que é errado mas é impossível controlar.- Não foi?
- Eu sai pra fazer compras com a Gina.
- Há –Ele abrira a boca e acariciou-me as pernas, recostei-me em seu ombro. – Por que me chamou aqui?
- Quer ir pra piscina?
- Quero –Ele sorriu, seus olhos esverdeados reluziam com a luz do sol que adentrava o quarto de Bonnie- Vamos, Bonnie?
- N-ã-ao –Ela gaguejou ainda avermelhada, me levantei junto a Shep. – Vou terminar de ler meu livro.
- Pode ler na espreguiçadeira. –Propus
- Não, eu estou melhor aqui. –Ela forçou um sorriso.
- Mesmo? –Insistiu Shep, ela balançou a cabeça como resposta. Eu agarrei o braço de Shep e fomos até meu quarto. Ele se deitou em minha cama em um ato costumeiro e eu me enfiei dentro do closet a procura de algum biquine, implorando mentalmente para que Bieber não tivesse dito nada sobre mais cedo.

* * *
Duas semanas depois

A noite havia caído, não passava das oito, minhas duas ultimas semanas tem se resumido em, tentar ter uma conversa decente com o professor –Que sempre foge de mim- E venho tendo conversas paralelas com Bieber, nada lá muito concreto pois ele sempre torna as coisas bastante difíceis, mas cá entre nós, essas duas situações tem alegrado meus dias melancólicos. Caminhei até o quarto de Bonnie e entrei sem bater em sua porta, ela estava de frente para seu espelho olhando-se amuada, parecia até que estava tristonha por não ter achado uma roupa.
- Vai sair? –Perguntei me jogando em sua cama.
- Tenho um encontro com José –Ela respondeu ainda olhando para o espelho.
- Quem é esse José?
- Um aluno novo, eu não sei se me visto como de costume ou se ponho um vestido.
- Quer minha ajuda?
- Não –Ela resmungou, eu revirei os olhos- Você vai me fazer parecer vulgar.
- Eu não sou vulgar –Contestei fingindo indignação, ela olhou-me entediada
- Você anda semi-nua, Margo.
- Isso não quer dizer que eu vou te fazer andar semi-nua.
- Tudo bem. –Ela suspirou, eu me levantei batendo leves palminhas, ela não tinha closet papai e mamãe até quiseram fazer uma para ela, mas ela se recusou a ter um closet, dizia que aquilo era coisa que pessoas como eu tinham. E para Bonnie, pessoas como eu eram fúteis e sem nem uma noção, nunca liguei muito para oque ela dizia, se eu ligasse para as baboseiras que ela diz a todo instante eu nunca mais olharia para ela. As vezes até acho que ela me odeia, mas no entanto esse ódio não é mutuo porque eu realmente amo minha irmãzinha por mais irritante e certinha que ela possa ser. Após muitas trocas de roupas nós finalmente encontramos algo, um vestido azul marinho com alças finas, de ceda que batiam na altura de seus joelhos. Na hora da maquiagem ela deixou por minha conta, não tive como não deixar de moldar seus lábios carnudos em um batom extremamente chamativo que lhe valorizava os lábios. No entanto nada mais ali foi chamativo, apenas o batom, pois o resto foi tudo claro e quase não visível, oque lhe deixou com aparência de uma mulher extraordinariamente linda de 21 anos. Já pronta e com suas madeixas rebeldes penteadas, ela olhou-se no espelho completamente assustada.
- Veja só, Bonnie. –Falei satisfeita com o resultado- Você parece uma mulher.
- Você não acha esse batom um pouco exagerado?
- Não, você esta linda.
- Bom... Mas –Ela suspirou- Eu não sou assim.
- Linda? –Ergui minhas sombra celhas- Como assim você não é linda? Você é uma Campbell, maninha.
- Eu pareço uma versão oxigenada de você.
- Não seja boba, ele vai gostar do que irá ver.
- Tem certeza? –Ela parecia aflita
- Se você se parece comigo, quer dizer que és realmente linda.
- Convencida –Ela revirou os olhos indo até a cama e colocando os óculos- Agora sim eu me sinto original.
- Você estragou a minha obra de arte.
- O José gosta dos meus óculos –Ela grunhiu.
- Vá lá então. –Sorri- Fico feliz por ter encontrado alguém. 
- Eu também –Sua face levantou-se em um sorriso, e por fim ela saiu. Minha irmãzinha estava crescendo, e aquilo me dava tanto orgulho. Eu fui atrás dela só pra ver a reação de mamãe e papai na sala. Em um corridinha eu logo a alcancei descendo as escadas, quando ela passou por eles eu logo pude ouvir papai perguntar.
- Vai a algum lugar, querida?
- Tenho um encontro –Ela respondeu.
- Oque sua mãe disse sobre isso?
- Ela deixou papai.
- E você não esta com frio? Vai com esses braços de fora pra onde? –Eu revirei os olhos sem paciência, era capaz de ela deixar de ir com aquele vestido só para não questionar papai... Parece que herdei o temperamento forte sozinha na família.
- O senhor não vai estragar essa noite, papai. Não mesmo. –Tomei a frente a dizer e agarrei a mão de Bonnie puxando-a até a porta antes que ela quisesse voltar para o quarto, ela abriu a boca para dizer algo mais a impedi tirando-a de dentro de casa.
- Por que você fez isso? –Ela grunhiu.
- Vai ser uma adolescente normal, agora. –Ordenei apontando para a rua, ela sorriu.
- Obrigado.
- Disponha.

* * *

10:30 P.M – Bar “Cannes”- Brooklyn

Agarrei o microfone e comecei a cantar mais uma canção, tinha noites que eu subia naquele palco antes de ir para París e mesmo sem precisar de grana eu cantava por alguns trocados, eu não costumava cobrar mas o dono do bar sempre dizia que se eu cantava e deixava as pessoas do bar melancólicas eu devia receber por isso. Eu cantava Lead, deixando de lado toda aquela burguesia que eu vivia. Algumas noites eu queria me sentir real, eu queria sair da mesquinharia da minha vida e me tornava uma verdadeira garota do Brooklyn, era resplandecedor cantar naquele pequeno palco para meados trinta pessoas... Minha alma queimava completamente quando eu subia no palco. Eu cantava em uma parte da cidade em que ninguém me conhecia ou sabia que eu era extraordinariamente rica. Eu sempre preferi viver dessa forma durante a noite, cantando em bares para que as pessoas pudessem saber oque é realmente música boa. Eu até tinha um nome artístico ali, não era nada sofisticado, mas eu tinha e gostava de ser chamada daquela forma era Marg Wine. Não sei porque as pessoas gostavam de me chamar daquela forma, talvez seja por conta da minha personalidade, sou doce, ardente e saborosa como um bom e velho vinho talvez. Pode se dizer que fora por isso que chamavam-me dessa forma nos bares que costumo cantar. Não me envergonho nada de cantar em bares e ter um nome artístico não sofisticado, não me envergonho por cantar por menos de 200 dólares... Só não conto a ninguém pois não é preciso que as pessoas conheçam esse meu lado. Acabaria por completo com a minha fama de patricinha egocêntrica e mesquinha da alta sociedade

I hear the birds on the summer breeze, I drive fast
I am alone in midnight
Ouço os pássaros na brisa de verão, dirijo rápido
Estou sozinha à meia noite

Cantei, fechei os olhos e deixei-me levar por aquela canção que me acalmava... Eu tinha uma tristeza dentro de mim que só era resolvida quando eu cantava, só era resolvida quando eu botava pra fora tudo que eu sentia daquela mediocridade que eu vivia. Um dia eu quero sair de casa, viver no perigo e fugir dessa vida fatídica, eu posso até ter esse semblante de garota de cidade grande, mas sinto que meu lugar é no refúgio da noite, com as pessoas sem destino ou sem dinheiro. Talvez eu possa até ter esse lado degradante de garota fácil e rica, mas sei que o lado que me domina é esse lado tristonho, uma parte de mim é tão fadonha quanto domingo chuvoso, outra parte é quente quanto um sábado de verão. E essas partes juntas não combinam, e nunca irão combinar.

Drink all day, and we talk ‘till dark
That’s the way the road dogs do it, light ‘till dark
Bebemos o dia inteiro, e conversamos até escurecer
É assim que os Road Dogs fazem, dirigem até escurecer

Cantar musicas da Lana Del Rey de certa forma me acalmavam, eu me identificava com as musicas dela. As vezes me faziam sentir-me triste, as vezes eu sentia nostalgia do que ainda não tinha vivido... De certa forma ela era pra mim um verdadeiro ícone da música. Eu a admirava também em segredo, eu tentava mostrar ao mundo o possível meu lado fútil, onde eu demonstrava que meus únicos interesses eram músicas eletrônicas e POP. De qualquer forma, fazer essa imagem de garota fútil me fez ser mais cobiçada e popular tanto entre homens quanto entre mulheres... De certo construir essa imagem fútil me levou até o topo

I’m tired of feeling like I’m fucking crazy
I’m tired of driving ‘till I see stars in my eyes
It's all I've got to keep myself sane, baby
Estou cansada de me sentir como se eu fosse louca
Estou cansada de dirigir até ver estrelas em meus olhos
É tudo que eu tenho para me manter sã, querido

Fechei meus olhos e continuei, meu corpo balançando com leveza enquanto eu me deixava levar pelo ritmo da música. Minha mente flutuando para além daquele bar ou cidade. Cheguei a pensar na possibilidade de deixar transparecer esse lado para Bieber ou para o professor –Que me dei conta de que mal sei o nome- No entanto não acho que possa valer a pena, sei que Justin esta apenas fazendo o tipo. Sei que ele gosta de se fazer de cavalheiro, tarde dessas enquanto eu conversava com Shep ele continuou me contando sobre Bieber e suas estratégias para seduzir as garotas. Ele sempre fazia questão de conhecer os pontos fracos delas, ligava para conversar por horas, comprava flores para cada uma e chegava até a dizer que estava perdidamente apaixonado. De certo que aquele charme só durava até que ele se cansasse de brincar de garoto apaixonado, bem, Shep me dizia que ele não fazia por ser um cara ruim, e sim porque ele gostava um bocadinho de cada garota mas não amava a ponto de ficar só com uma. Talvez eu possa me divertir com esse Bieber e suas paixõesinhas.
Quando finalmente terminei minha terceira canção aquela noite eu recebi algumas palmas das pessoas que estavam ali, a maioria eram velhos desempregados, escritores sem sucesso, bêbados falidos, universitários de faculdadesinhas publicas e pessoas sem fé alguma na vida que terminavam o dia reclamando do quanto eram infelizes.
- Obrigado, eu fico feliz por estar de volta. –Murmurei pondo uma mecha de meu cabelo para trás da orelha. Deixei o microfone no lugar e desci do palco pra uma pausa, ainda ouvindo alguns aplausos. Puxei uma cadeira no bar e me sentei acendendo um cigarro, minhas roupas estavam o oposto do que eu costumava usar no meu dia a dia, eu estava o mais simples possível, com um vestido preto com mangas, ele era um pouco justo acima do joelho. Meus cabelos estavam soltos e um pouco secos, nada em mim demonstrava que eu vinha da alta sociedade.
- Eu sabia que você era mais do que ouvi dizer –Uma voz fez-me despertar de minha melancolia, um ranger agudo em seguida de um banco sendo puxado. Virei meu rosto para a voz grosseiramente forte que deliciava meus tímpanos
- Oque faz aqui? –Perguntei um pouco assustada, Bieber era a ultima pessoa a quem eu queria que me visse dessa forma tão simples.
- Estava passando aqui em frente quando eu ouvi essa doce voz, chamou-me bastante a atenção... Era como se estivesse me chamando “Entre, você precisa conhecer a dona dessa voz”
- Se você contar a alguém que me viu aqui eu acabo com você. –Ameacei-o arrancando como resposta uma risada abafada.
- Por que esconder esse lado? Não é vergonhoso.
- Eu não gosto de ser vista em lugares como esse, aqui é nojento. –Menti tentando parecer fútil.
- Não acho, você não faz isso por necessidade, você não precisa... Você faz porque gosta.
- Eu faço porque minha vida é uma merda. –Soltei a fumaça do meu cigarro.- Mas ninguém precisa saber.
- Você tem tudo.
- Bieber, você já deixou claro que sou fácil de mais pra você, então por que você não vai embora e me deixa em paz?
- Bem, eu confesso que tinha uma imagem muito ruim sobre você, quando ouvi os jogadores de futebol falarem de você eu até desisti de tentar qualquer coisa que fosse, mas ao ouvir você cantar, foi tão inebriante, como se eu tivesse me embriagado com sua voz, com sua doçura e melancolia ao cantar.
- Você é bom –Sorri de canto- Mas não pense que sou diferente, eu continuo sendo fácil... Não há nada diferente em mim.
- Talvez você seja diferente, se não fosse, Shep não seria tão apaixonado.
- Shep é só um amigo
- Que é louco por você.
- Olha, Bieber –Me levantei- Eu agradeço por me ouvir cantar, poucas pessoas me dão atenção nessa espelunca, mas eu não sou diferente do que ouviu sobre mim, eu transo com qualquer cara, manipulo as pessoas, e depois as descarto, então me da um tempo e não ouse em dizer a alguém me viu aqui. -Subi para o palco novamente e voltei a cantar dessa vez não cantei Lana, cantei qualquer indie que me veio a cabeça naquele momento. Eu queria ficar com Justin, mas não queria que ele descobrisse meu lado sentimental e atacasse como nunca em cima dele. Agora eu mal posso me passar por garota doce para seduzi-lo, de uma vez eu desisto, prefiro o professor, ele não conhece meu lado melancólico.

* * *

- Margo? –A voz de Bonnie fez-me voltar alguns paços quando passei na porta de seu quarto, fechei os olhos praguejando-me, ela não podia me ver assim.
- Oque é, Bonnie? –Parei em sua porta, ela estava deitada devorando seu livro gigantesco.
- Onde estava vestida assim?
- Assim como?
- Tão simples? Você parece uma pobretona do subúrbio.
- Há, isso? –Falei referindo ao meu estado- Perdi uma aposta.
- Hum. –Ela abriu a boca em menção de entender oque eu havia dito.
- Como foi com o José?
- Ele me elogiou a cada cinco segundos. –Ela sorriu- Obrigado.
- Com a roupa certa qualquer um se torna esplendido.
- O Bieber também estava no mesmo restaurante, estava jantando com uma moça. Muito bonita por sinal.
- Bem –Engoli em seco- Não me importo, desisti de brincar de garota certinha.
- Por que? Você mal começou.
- Porque meu grande foco agora é o professor.
- Oque te fez mudar de ideia?
- Por que Shep ficaria no meu pé –Falei em um suspiro- Bem, agora tenho que tirar esse trapo, preciso por fogo nesse vestido –Resmunguei, no entanto aquele era meu vestido preferido.
- Boa noite –Ela resmungou eu acenei e caminhei em paços vagarosos para o quarto.

07:30 A.M Mansão Campbell

Eu e sua mãe tivemos de fazer uma viagem as pressas para Eslováquia, iremos passar uma semana lá. Cuide da sua irmã e não faça nada que possa me envergonhar.” – Papai

Era oque dizia no bilhete colado na geladeira, eu gritei dando pulinhos entusiasmados assustando Tereza, nossa empregada.

- Meu deus, Margo –Ela pois a mão direita no peito- Quase me matou do coração.
- Tereza contrate mais cinco de suas empregadas, sabe oque vamos ter hoje?
- Oque senhorita?
- FESTA –gritei pude ver a mesma juntar as sombra celhas, ignorei sua reação e corri animada até o quarto de Bonnie. Onde ela terminava de se arrumar pondo seus óculos
- O papai e a mamãe viajaram - Falei.
- Como vou pra escola agora?
- Quem se importa com isso? –Perguntei entediada-
- Eu –Ela disse como se fosse óbvio.
- Isso não é oque importa agora.
- Não, porque você vai me levar.
- Ok, eu levo. Mas deixe-me dizer oque é importante agora?
- Oque?
- Festa maninha, eu vou dar a melhor festa de todos os tempos.
- O papai vai te matar, Margo.
- Ele esta na Eslováquia maninha, ele nunca irá descobrir.
- Eu não vou compactuar com isso. –Ela balançou a cabeça em negação.
- É claro que vai.
- Não, eu me recuso a compactuar com isso, me recuso.
- Bem, você esta completamente livre pra convidar seus amigos e o José.

 12:00 P.M – Universidade de Nova York

- Festa do uísque na mansão Campbell, todo uísque que puder beber. - Ravena dizia ao meu lado entregando os panfletos rosa que havíamos mandado fazer a algumas horas, as pessoas pegavam o panfleto já com um sorriso radiante, a minha chegada nessa faculdade animaria tudo.
- Festa do uísque na minha casa não deixe de ir - Falei entregando os panfletos para o grupo dos jogadores de futebol.
- Mal chegou e já dando uma de suas festas? –Brad riu.
- Alguém precisa animar isso aqui né? –Dei-os as costas e voltei a caminhar com Ravena ao meu lado.
- Festa na casa da Campbell, não deixem de ir –Ela continuava dizendo enquanto lhe entregava os panfletos. No final do corredor avistei Bieber, estupendamente lindo, despertando minha libido só em olha-lo de longe, com aqueles fortes braços tatuados, e seu corpo se definia em uma camiseta branca. Ele falava algo com Shep enquanto vinha em nossa direção, ele gesticulava bastante enquanto falava, ele socava o ar e tinha um sorriso quase não visível a moldar seus lábios convidativos. Tudo que eu queria era que ele não dissesse nada a ninguém sobre ontem, eu mal queria que ele estivesse em minha festa. Mas obviamente não aconteceria, pois logo que nos encontramos Ravena empurrou-lhes panfletos e sorriu largo.
- Vocês não podem perder a festa da Campbell essa noite.
- Seus pais deixaram Margo? –Shep perguntou-me
- Eles estão longe o suficiente. –Ofereci-lhe um sorriso.
- Você vai não vai, Bieber? –Ravena parecia embasbaca, eu não esbocei nem uma reação para ele que tinha seu olhar sobre mim.
- Claro.
- Temos que ir agora, nos vemos depois, Shep. –Grunhi agarrando o braço de Ravena e puxando-a dali dando a volta em ambos. Logo após em nosso caminho eu vi o professor, ele não era de todo um cara velho, ele parecia ter pra meados 26 anos. Usava um suéter bastante peculiar e estava sempre a carregar uma pasta preta, eu olhei para Ravena pensando em como chegar até ele.
- Por que você não vai pela esquerda e eu continuo por aqui? –Perguntei-a
- Por quê?
- Preciso falar uma coisa com o professor de literatura.
- Ela não vai com a sua cara, Margo. – Ela riu.
- Ele só não me conhece o suficiente - Revirei os olhos, e dei uma leve corridinha deixando-a para trás, concertei minha saia e toquei o ombro dele quando finalmente o alcancei. Ele virou-se um pouco assustado, seus olhos intensamente cinzentos encontraram os meus tirando-me o fôlego por alguns segundos.
- Há, senhorita Campbell, é você. - Ele resmungou voltando a andar, eu comprimi os lábios acompanhando-o.
- Por que tenho a impressão que toda vez que pronuncia meu nome tem essa pitada de repúdio?
- Eu preservo bastante minha imagem nessa universidade, e seu histórico com professores não é nada convidativo, senhorita Campbell - Ele respondeu-me sem olhar-me.
- Que imagem ruim o senhor tens de mim professor. –Fiz-me de ofendida- Só estava tentando ser gentil.
- Você não precisa ser gentil comigo, eu sou seu professor, tudo que tens de fazer é me ouvir falar na sala de aula.
- Sou tão ruim a ponto de nem ter o direito de saber teu nome?
- Charlle. –Ele grunhiu.
- Seria bastante inapropriada sua ida a minha casa essa noite –Lhe entreguei o panfleto- mas não custa tentar.
- Não vou a festa de alunos, senhorita - Ele devolveu-me o panfleto enquanto saíamos do campus. Indo ao estacionamento.
- Por favor. –Parei a sua frente, tendo a noção de quão alto ele era, não era de todo forte, não tinha braços torneados nem corpo de quem passa horas em academia. No entanto não era magricela, tinha um corpo normal e bastante desejável por trás de seu suéter. Eu levantei os olhos olhando-o aflita- Eu não quero acabar com sua carreira, longe de mim professor, eu não sei oque costumam dizer de mim, mas eu não sou esse monstro.
- A senhorita é encrenca. –Ele disse.- É capaz de nos verem aqui e pensarem o insano, comunicarem a direção, e logo seu pai saberá e ele acabará com minha carreira nessa cidade.
- Quantos anos pensa que tenho, Charlle?
- Não importa Campbell. Eu continuo sendo seu professor.
- E se não fosse? Ainda seria tão cruel comigo?
- Cruel –Ele riu sem humor- Não sou cruel contigo senhorita. Eu sou inglês, talvez  pode parecer que sou arrogante contigo, mas é apenas meu jeito de ser.
- Podemos fazer um acordo, Charlle?
- Você não vai desistir? –Pude ver sua face relaxar e um pequeno sorriso brincar-lhe no canto dos lábios-
- Não é do meu feitio.
- Tudo bem –Ele suspirou dando-se por vencido- qual seria esse acordo?
- Que irá me deixar mostrar que sou o oposto do que ouviu dizer sobre mim por aí, se não mudar sua opinião sobre mim até o fim do mês eu desisto e continuamos nossa relação de professor e aluna.
- Como posso lhe explicar de forma clara... –Ele molhou os lábios- Não importa oque penso sobre a senhorita, não iremos ter outra relação alem de professor e aluna, senhorita Campbell.
- Eu não vou desistir professor, pode escrever nas suas anotações. Você irá perceber a pessoa encantadora que posso ser.
- A senhorita é extremamente encantadora com esse jeito impertinente –Ele permitiu-se sorrir dessa vez, eu sentia que seria mais fácil do que pensei me aproximar dele – Mas realmente não podemos ter outra relação além da que temos, tente se relacionar com garotos de sua idade, que não possa causar problemas em suas carreiras..
- Me de sua mão. –Agarrei-a e peguei uma caneca em minha bolsa, ele olhou-me juntando a sombra celhas. Anotei o nome de um bar que eu tocaria no sábado no Brooklyn. “Soul Blues”, estava disposta a ser completamente verdadeira com ele. Ele era o homem a quem eu queria ter uma verdadeira aventura, ele era um desafio que não podia ser perdido, eu ganharia nem que precisasse mostrar-lhe meu lado melancólico e maduro para isso.
- Oque é isso? –Ele murmurou quando terminei de escrever
- Vá ver a Marg Wine cantar no sábado.
- Quem é Marg Wine?
- Ela costuma cantar em bares no Brooklyn.
- Oque isso tem a ver com que estávamos conversando, senhorita?
- Ela não é sua aluna. –Forcei-lhe um sorriso e finalmente pude sair de seu caminho, deixando-o completamente inerme, sem nem uma palavra. Saí do estacionamento voltando ao campus a procura de Ravena e Gina, no entanto quando estava a passar em frente a uma sala uma barreira humana que saía de lá e meu corpo se colidiram, fazendo-me voltar alguns paços, senti-me desnorteada com a pancada mas consegui ver quem era, Bieber segurou-me impedindo-me novamente de cair.
- Olá, flor. –Ele sorriu.
- Olá.
- Ainda esta chateada comigo?
- Você é irrelevante para mim. –Resmunguei saindo de seu alcance.- A não ser que transe comigo.
- Você é incrível - Ele riu abafado. - Quem é que tem lhe falado tão mal de mim?
- Por que a surpresa? As pessoas falam mal de mim e de você, assim conhecemo-nos rapidamente.
- Esse é o nosso problema. Deixamos-nos levar pelo que nos dizem. E eu poderia deixar essa questão de lado, mas devo confessar que não consigo deixar de pensar na sua voz desde a noite passada.
- Esqueça isso, Justin. –Suspirei- Você não contou a ninguém que me viu horrível como uma pobretona, contou?
- Você estava linda, se estava como pobretona estava a pobretona mais encantadora do Brooklyn.
- Oque me leva a perguntar por que estava no Brooklyn?
- Moro lá –Ele disse sem se envergonhar daquilo, eu sorri por ele dizer com tanto orgulho-
- É mesmo?
- Esta vendo, Margo? Nós podemos nos conhecer sem esperar que as pessoas nos contem.
- Não estou interessada - Dei de ombros-
- Agora esta se fazendo de difícil?
- Não, só estou dizendo que se não vamos transar, nós não precisamos ser amigos.
- Então você esta querendo me usar, apenas? –Ele sorriu com o canto dos lábios.
- Sei que você não é diferente.
- Então é assim, eu sou um cara que não tem relações sem antes tiver um relacionamento sério. Me diz onde foi parar o seu romantismo, Margo?
- Esta brincando comigo? –Olhei-o entediada enquanto ele ria.
- Estou falando muito sério. Se não me deixar te cortejar, te levar a jantares e as minhas lutas não vou permitir que me use como um objeto. Porque eu quero lhe dar flores, quero conhecer seu lado Blues, quero te ouvir cantar como uma pobretona no Brooklyn.
- Então desiste dessa ideia ok? Não quero corações e flores, eu não faço o tipo de muitos amores. Além de tudo você não vale o esforço
- Que flor não gosta de flor? –Ele sorriu largo- Não adianta fazer o tipo durona, eu vou lhe conquistar, Margo. E acredite, aquela garota que vi cantar vale muito o meu esforço.
- Esqueça oque viu ontem, Bieber.
- É impossível.
- Então fique na ilusão de que eu e você possamos existir algum dia. –Dei-o as costas e em um suspiro voltei a procurar Gina e Ravena.

11:00 P.M Mansão Campbell

Fazia meia hora que a festa havia começado, havia mais pessoas do que eu pensei que poderiam vir, o som estava alto, tremendo os vidros da casa. Havia uma mancha de uísque no carpete que eu sabia que daria bastante trabalho a Tereza para limpar. Ao meu lado Bonnie olhava as pessoas extremamente assustada, empurrei um copo de uísque a ela
- Beba. –Falei
- Não tenho idade pra beber, Margo –Ela grunhiu quase tão baixo a ponto que saísse como um sopro.
- Quem se importa, maninha?
- Mas...
- Sem mais, Bonnie. –Falei impaciente, ela deu-se por vencida e pegou o copo bebendo um gole engasgando-se com liquido, tossiu inúmeras vezes.
- Isso é horrível. –Grunhiu
- Com o tempo melhora –Sorri- Vou dar uma volta, preciso de um corpo no meu.
- Não me deixe aqui sozinha –Ela agarrou-me pelo braço- Por favor.
- Onde esta o José? Fique com José, ora.
- Não sei se ele irá vir.
- Que belo namorado você tem.
- Ele não é meu namorado.
- Ok, se enturme, conheça pessoas... Eu não vou ficar aqui parada com você. –Resmunguei puxando meu braço e logo entrei no meio das pessoas. Caminhei até a cozinha e peguei uma garrafa de uísque dispensando totalmente os copos. Derramei-o garganta a baixo podendo ouvir um pigarrear atrás de mim, me virei quase me engasgando.
- Bastian –Tossi, a pergunta era oque ele estava fazendo em Nova York, Bastian tinha as mãos enfiadas no bolso e o semblante um tanto imprevisível.
- Pensei que você havia voltado para Nova York por que seu pai estava doente. –Ele murmurou.
- Eu não disse isso. –Tossi mais uma vez- Disse?
- Por que é que os americanos tende a serem tão cruéis e mentirosos?
- Eu não diria de todo os americanos. – Comprimi os lábios - Só eu.
- Então é isso? Você brincou de casinha comigo e depois quando se cansou se mandou como se nada tivesse acontecido?
- Como eu posso dizer isso, Bastian... –Dei outro gole para inventar algo a ele, afinal ele viera de Paris a minha procura, e realmente eu não valho a pena ser procurada de tão longe- Eu tinha um prazo pra voltar pra Nova York, eu queria ficar com você, ter uma vida com você lá, mas não é assim que funciona.
- Vai realmente vai continuar mentindo pra mim, Margo?
- Mas a única verdade é essa, foi ótimo nosso amor de verão, foi lindo, foi mágico mas é de verão Bastian, não dura pra sempre.
- Você é cruel, Margo –Ele balançou a cabeça em negação, comprimindo os lábios.- Como pode? Você disse que voltaria.
- Veio aqui a minha procura? –Minhas sombra celhas se ergueram.
- Gastei todos os meus trocados pra ouvir tu me dizer que nosso amor não era recíproco.
- Eu sinto muito.
- Americanos imbecis –Ele resmungou- Fazem de tudo uma grande piada.
- Bastian eu... –Suspirei realmente me sentindo mal por ele, não achei que ele fosse tolo o bastante para vir me procurar. Isso é loucura- Não me odeie, eu não pensei que iria tão longe, eu estava de férias, e queria me divertir fora da burguesia e viver um pouco na parte divertida da cidade, e você foi um ótimo acompanhante nessa aventura.
- Apenas um acompanhante? –Seu semblante era tristonho, nunca o vi daquela forma. Agradeci por não haver ninguém na cozinha
- Não me entenda mal, Bastian. Mas nós não teríamos futuro algum juntos.
- Você é uma vadia egoísta, Margo. –Ele rosnou, nada que eu não tivesse ouvido antes, na verdade já ouvi coisas bem piores, pensando bem, esses franceses são tão sentimentais. Que diabos, por que ele não podia ser um cara normal e me esquecer ao invés de gastar seu pouco dinheiro pra vir até aqui? Isso é completamente insano e sem propósito algum. Mas, no entanto ter ele mais uma vez não seria completamente ruim.
- Ótimo, você me acha uma vadia –Cheguei mais perto do mesmo- Mas você veio até aqui, por que não aproveita a festa? Por que não aproveita que esta aqui?
- Vai continuar me fazendo de seu acompanhante? –Ele perguntou indignado-
- Não, Bastian.
- Quer saber? Vai se ferrar Margo, eu não sou um brinquedo. –Ele deu-me as costas, lá se vai minha chance de transar com alguém hoje, dei um gole do uísque só então percebendo que Bieber e Shep estavam na porta da cozinha escutando tudo sem nem uma cerimônia. Shep encarou Bastian impedindo-o de passar
- Oque você disse, amigo? Acho bom você rever o modo como fala com ela.
- Se eu fosse você não defenderia alguém como ela –Ele grunhiu em um tom condescendente e saiu esbarrando no mesmo, eu bufei pondo a mão nos olhos. Pronto agora Shep me bombardearia de perguntas, suspirei tirando as mãos dos olhos e olhei para ambos os idiotas a olharem-me seriamente.
- Quem era esse cara? –Ambos perguntaram e com o susto os dois se entreolharam, eu dei um gole no uísque.
- Alguém que não é da conta de vocês.
- Ele te chamou de vadia egoísta, é claro que isso é da nossa conta. –Shep contestou
- Ele era Frances? –Justin perguntou-me antes mesmo que eu pudesse responder Shep.
- Oque eu posso dizer? –Ri dando um gole no uísque- Os Franceses são bastante dramáticos e sentimentais.
- Oque ele estava fazendo aqui? –Perguntou Shep.
- Ele veio até aqui por você? –Bieber também perguntou, aquilo era bastante estressante, não queria responder nem uma pergunta.
- Nós tivemos um “romance” –fiz aspas com os dedos- De verão, até chegamos a passar uns dias no apartamento dele, foi bom, foi legal mas caramba acho que ele pensou que eu iria largar tudo pra ficar com ele, morar em um apartamento minúsculo e cursar uma faculdade medíocre no subúrbio de Paris com ele. Então eu tive que voltar e disse que meu pai estava doente. –Falei sem interesse
- Você não gostava dele? –Shep quase gaguejou, eu revirei os olhos.
- Há mas é claro, mas vocês devem saber porque se chama amor de verão, dura apenas alguns meses. Não tenho do que reclamar, foi o melhor verão de todos, mas eu não esperava que ele viesse aqui –Tornei a dar um gole no uísque. – Os franceses levam as coisas muito a sério.
- É você que não leva porra nem uma a sério, Margo. –Shep grunhiu parecendo irritado e saiu da cozinha, eu revirei os olhos.
- Por que o Shep é tão ranzinza? –Perguntei em um risinho, Justin cruzou os braços- Você não vai ficar bravo comigo também vai? Qual é? Oque acontece com vocês homens? Eu apenas gosto de aproveitar sem me envolver tanto, assim quem saí machucada não sou eu –Pisquei para ele
- Você é realmente incrível –Ele grunhiu sério- Acha mesmo que todos os homens são tão cruéis assim? Você consegue ser bem pior do que eu. Veja, conseguiu estragar a noite de Shep e desse cara aí que veio de tão longe.
- Eu não tenho culpa se eles se iludem comigo –Ri tentando passar por ele, no entanto o mesmo impediu-me.
- Você não é assim.
- Sou sim, quer que eu seja assim com você? Quer que eu brinque com você? Vamos lá, me deixe brincar com esse seu coraçãozinho, me deixe fazer você se encantar com um lado meu que não existe. –Sorri docemente para ele- Me deixe ser doce, me deixe amar você de mentirinha, isso é tão bom que chega até ser doloroso.
- Eu quero seu lado verdadeiro, Marg Wine –Ele pegou a garrafa de minha mão, um sorriso sacana brincava em seus lábios- A única pessoa que me encanta, é a Marg Wine, não a Margo Campbell.
- Co-o-mo soube?
- Eu perguntei em cada bar, em cada canto do Brooklyn sobre essa tal Marg Wine... E sabe oque ouvi dizer? Que Marg Wine é uma garota que canta por menos de duzentos dólares em bares do Brooklyn, que é generosa com as pessoas, que compõe canções incríveis que contagiam os ouvintes, Marg Wine tem a personalidade densa, como o melhor cigarro, Marg Wine é adorada por todos, Marg Wine é uma garota melancólica do Brooklyn. –Engoli em seco
- Qual é o seu problema? Por que tem essa obsessão por procurar coisas sobre minhas noites no Brooklyn?
- Eu sou fã da Marg Wine –Ele sorriu largo.-
- Que pena, mas você conheceu a Margo Campbell primeiro, e não se pode conhecer as duas.
- Você finge ser oque não é, Marg. –Ele agarrou-me pela cintura, eu engoli em seco novamente, tonteando um pouco.
- Pra você é Margo. –Sussurrei fitando seus lábios.
- Onde esta aquela garota de vestido simples e cabelos rebeldes? Onde esta aquela moça que vi encima do palco?
- Você não entende –Suspirei- Montar essa imagem foi a única forma de entrar no mundo da popularidade, você acha que se eu fosse a Marg Wine a todo tempo essa casa estaria cheia de pessoas? Acha mesmo? As pessoas dos bares mal prestam atenção quando canto, muitas vezes ouço dizer que da sono.
- Que bobagem –Ele sorriu acariciando-me a face- Já que não pode mostrar a todos a Marg Wine por que não me deixa conhecê-la melhor?
- Quem brinca aqui sou eu, Bieber. E eu não quero ser a Marg Wine pra você e me deixar levar e virar a sua marionete, já passei por isso, e não quero outra vez.
- Eu te juro minha flor, ninguém nunca me fez sentir como você me fez quando cantou.
- Pare de falar e me beije. –Sussurrei, ele sorriu inclinando-se para beijar-me nos lábios. Nunca demorei tanto para beijar alguém como demorei em beijar Bieber, ele era um tanto peculiar, tinha jeito de moleque mas agia como homem. Exibia-se nos ringues mas tinha o coração mole, talvez fosse burrice mas eu não estava ligando, apenas beijei-o de volta. Ato que com meus sentidos afetados pelo álcool fez-me instintivamente empurra-lo contra a parede, ele sorriu maroto contra meus lábios e empurrou-me levemente se afastando um pouco.
- Primeiro o encontro, depois a segunda parte e depois finalmente o contato corporal.
- Você é patético. –Resmunguei.
- Me responda como Wine, me diga ... Sei que esse lado é o mais fascinante, e enigmático –Ele molhou os lábios em prosa sem sentido- Acha que eu teria chances?
- Com meu lado Wine? –Sorri avoado levemente embriagada.- Nem um pouquinho, porque Marg é frágil demais pra se arriscar com um Don Juan barato como você.
- Isso quer dizer que você tem medo de mim?
- Eu não, a Wine sim. –Dei de ombros e sai finalmente da cozinha sem sua interferência desta vez. Bieber tinha um jeito agridoce que me desarmava completamente, e agora com essa obsessão pela cantorazinha de bares pobretões do Brooklyn ele me desnorteava por se interessar por ela e não pela Margo, a que todos desejam –Menos obviamente ele-. Oque me deixa instantaneamente confusa e atordoada. Não é comum alguém como seu porte se interessar por uma pessoa tão desinteressante como meu lado Wine, afinal ninguém tem interesse em uma pessoa melancólica que aparentemente ganha a vida cantando durante a noite em bares do subúrbio –Sinto que é oque pensam quando me veem no palco- Meu lado Wine é confuso e tristonho, constantemente sozinho, é estranho eu me sentir inferior as pessoas quando sou verdadeira. Na verdade eu sou um completo caos, me divido em duas personalidades completamente diferentes para poder saciar o desejo da sociedade e me tornar oque o mundo queria que eu fosse. Talvez eu possa ser até bipolar, talvez eu possa até precisar de tratamento para superar isso... Ou talvez eu apenas tenha que tomar jeito e deixar de me importar com oque Bieber tem feito com a minha cabeça nesses dias, ele não vai me desarmar, ele não vai brincar com meus sentimentos. Se é pra amar que ele me ame de verdade, que ele me ame pra caralho, não que ele faça como faz com outras, que apenas goste, não quero receber pouco, porque se um dia tivermos algo eu darei muito, e se eu dou muito mereço claramente receber por igual esse amor. E sinto que Bieber não é o homem que se rende facilmente a um amor de uma mulher só.
Quando incrivelmente dei por mim, eu estava dançando em cima da mesa de centro da sala. As pessoas ao redor da mesa a tentar relar-me a mão pelas coxas, uma garrafa de uísque estava em minhas mãos e eu mal sabia como ela havia parado ali se Bieber havia tomado-a de mim mais cedo, eu mal tinha noção do som que estava tocando a estrondar meus ouvidos, mas, no entanto simplesmente deixava-me levar sem saber oque dançava, meu corpo fazia movimentos sexys e ao mesmo tempo –eu imagino- deploráveis de quem mal se aguenta em pé, eu só senti minhas pernas fraquejarem e uma gritaria estrema ao meu redor. Meu nome era gritado com clamor, tudo estava meio turvo. As pessoas pareceram se tornar apenas um borrão a baixo de mim, e segundos depois uma mão agarrava-me fortemente para baixo, meu corpo enfraquecido caiu junto com a puxada que me deram para baixo, dei-me conta que meu corpo não se colidiu com o chão quando braços magricelas me acolhiam e me agarravam em um ato protetor, eu ri sem motivo para fazê-lo e levei a garrafa de uísque até os lábios, antes que eu pudesse sentir o líquido descer-me a garganta ela foi arrancada com rispidez de minhas mãos. Com aquele odor doce de um perfume extremamente sofisticado eu tive a certeza de quem era que estava a me carregar com uma bêbada impossibilitada. Por motivos inexistentes tudo que saía de minha boca eram gargalhadas em intervalos de soluços exagerados. Fazia tempos que eu não tomava um porre desses, quase me dera ânsia de vômito. Meus pés se firmaram ao chão e eu finalmente tive a certeza de que estava de pé, cocei os olhos e pude ver um magricela e um lutador de braços tatuados a minha frente, minha visão estava turva, minhas pernas não conseguiam se firmar e meu corpo cambaleava por si próprio.
- No que você estava pensando? –A voz de Shep era áspera e irritada.
- Vocês são patéticos –Resmunguei tentando sair de onde eu mal sabia onde era, mas que provavelmente era meu quarto mas ambos impediram que eu o fizesse.
- A festa acabou pra você. –Shep continuou, minha boca ficou seca, sua voz contribuiu para que eu continuasse com as ânsias de vomito nervosas, pus a mão na barriga sentindo-a contrair em uma cólica absurda e tudo que eu havia feito em seguida foi vomitar intensamente nos sapatos de Shep a minha frente, sem forças eu cambaleei limpando os lábios e senti-me cair para trás, tendo o conforto agradável do colchão. Depois daquilo, não consegui mais abrir os olhos, mas o falatório de Shep e Bieber continuou, até que uma voz familiar adentrava o quarto
- Oque esta acontecendo aqui?
- A sua irmã vomitou em mim,vigie ela, eu já volto –Parecia Shep a resmungar, e logo o estrondo da porta em seguida.
- Você é a Bonnie não é? –Parecia Justin a perguntar, tentei me mexer ou até mesmo falar algo, mas meus esforços foram em vão pois tudo que saiu de minha boca foi um resmungo que eu mesma não consegui ouvir.
- Sou.
- Vocês são bem parecidas.
- Já ouvi isso.
- Quantos anos tem?
- 16.
- Parece ser mais madura do que Margo, nunca vi moça mais impulsiva e maluca.
- É só o jeito dela.
- Sei disso.
- Oque esta fazendo aqui? Você pode descer, eu fico aqui com ela –Seu tom era tímido e ela gaguejado como de costume, sem forças em tentei me virar para o lado, eu parecia presa a cama.
- Até deixaria Margo aqui, ela não me é de tanto o esforço mas não me perdoaria em deixar Wine, se eu deixa-la aqui é capaz de meus esforços serem todos em vão.
- Quem é Wine? Do que esta falando?
- Gosto de chama-la assim.
- Por que?
- Porque eu gosto de chama-la assim.
- Faz isso com todas as moças por quem se interessa?
- Não, a sua irmã tem essa vantagem sobre mim. É estranho eu querer e não querer ela por perto, ela faz e não faz o tipo de mulher por quem eu me interesse, ela encanta e ao mesmo tempo não encanta, sabe? É confuso, ela é confusa.
- Pra ela você é só um petisco.
- Eu sei. –foi a ultima coisa que ouvi pois eu literalmente apaguei depois daquilo.


* * *

Recostei minha cabeça na mesa e suspirei, plena sexta feira e eu estava destruída de mais para ir a faculdade. Quem diabos da uma festa em dia de semana? Obvio, eu. E aqui estou a perder mais um dia letivo, minha cabeça estava dolorida, meus olhos inchados, tirando por completo minha beleza. Marcavam duas e meia da tarde no relógio e por eficiência das empregadas a casa já estava incrivelmente limpa,imagens da noite passada me vinha a mente. Shep puto, O beijo de Justin, Bastian estragando a noite, a conversa de Bieber com Bonnie. Não consigo dizer se eu havia gostado de todos aqueles acontecimentos ou se eu havia ficado atordoada. Afinal, finalmente tive um contato com Justin, mas também me lembro de que ele é um verdadeiro idiota. Por pouco ele não contou a Bonnie sobre Wine, dei um gole no café e suspirei, estava puta por Bonnie abrir aquela grande boca, ele sabe que tudo que quero com ele é apenas uma noite, e ela não precisa deixar claro isso. Meus pensamentos foram interrompidos quando a vi entrar na cozinha, ela direcionou-se até a geladeira olhando a mesma a procura de algo provavelmente saudável
- Sabe quem me deu uma carona pra voltar da escola hoje? –Ouvi-a murmurar, eu não respondi- O Justin, ele estava lá conversando com uma garota, e disse que viria pra esse lado da cidade.
- De que isso me importa? –Ergui uma sombra-celha contentando meus ciúmes inapropriados, que vadio esse Bieber. Era oque me faltava ele cair matando em cima de minha pobre irmã.
- Nada eu só estou comentando –Ela sentou-se a minha frente com uma maçã nas mãos, olhei-a sem interesse.
- Gostaria que não comentasse sobre esse idiota, hoje –Resmunguei
- Oque você tem?
- Nada, Bonnie, nada.
- Porque você liga se eu vim com ele ou não?
- Eu não ligo, eu já disse que meu foco é o Charlle. –Grunhi
- Quem é Charlle?
- O meu professor.
- O Justin parece estar mesmo afim de você, ontem ele te chamou de Wine, foi um tanto estranho... Desde quando ele te chama assim? –Ela disse após dar uma mordida em sua maçã, eu engoli em seco
- Ele me chama assim? Porque alguém chamaria outra pessoa dessa forma? Isso é estranho.
- Também achei –Ela dera de ombros, suspirei por ela ter acreditado. Me lembrei então que amanhã Charlle me veria cantar, talvez eu esteja sendo muito otimista em esperar que ele apareça lá de fininho com aqueles olhos cinzentos a olhar-me atentamente, como se quisesse me desvendar. Mas oque me restava era esperar que ele fosse, oque me restava era esperar, esperar e esperar até amanhã.

* * *

- Você não pode entrar –barrou-me um idiota em frente a um antigo reformatório abandonado onde seria a luta de hoje, eu não sabia se Justin lutaria, não sabia se ele se quer estaria ali, só queria ir a um lugar que não fosse os bares que canto, e clubes que frequento com Ravena e Gina. Eu estava sozinha, com uma calça jeans de cintura baixa e um suéter rosa, não costumava andar daquela forma, mas eu peguei qualquer roupa que havia dentro do guarda-roupas, também não tinha programado ir a aquele lugar. Recebi uma mensagem de um numero desconhecido dizendo onde haveria a próxima luta enquanto caminhava pelas ruas sem saber pra onde eu queria ir aquela noite, e já que eu estava por perto, não me custou nada dar uma passadinha naquele lugar que me encantava.
- Eu recebi uma mensagem então obviamente eu posso entrar –Contestei.
- Qual é o nome da senhorita? Não me lembro de ter a visto antes em nem uma luta.
- Margo Campbell –Grunhi
- Ah –Ele ele assentiu em um sorriso- Veio assistir, Bieber não é? Chegou cedo de mais, a luta dele não começou ainda.
- Há –minha face caiu, e meu semblante mudou, não queria encontra-lo, não hoje. Não agora, preciso evita-lo- Acho que não vai ser uma boa ideia, não sabia que ele lutaria hoje.
- Você é namorada dele não?
- Eu? –ri sem humor- Qual delas, a 5 ou 6? Não eu não sou uma das namoradas dele.
- Assim você me deixa mal, minha flor –Sua voz grosseiramente forte, invadia meus tímpanos fazendo-me quase pular de susto. Meu coração por algum motivo inexistente acelerou, um ódio não compreendido por mim florescia sem motivo algum, tudo que eu queria era dar-lhe um murro bem dado por estar me fazendo sentir aquelas malditas coisas estranhas.
- Você que mandou a mensagem não foi? –Grunhi entre dentes.
- Eu? –um risinho rasgava-lhe a garganta- Que culpa tenho eu de ter você como uma fã das minhas lutas?
- Se eu soubesse que estaria aqui, não gastaria meu tempo.
- Você é tão áspera pra uma flor. –Ele murmurou ainda sorrindo, com doçura talvez.
- Você é patético, mal se esforça pra esconder esse lado paquerador barato. Eu nem sei por que ainda age dessa forma, me desculpe eu sou uma menina, não tenho maturidade pra estar em sua companhia, me desculpe sou imatura de mais pra você.
- Você ouviu? –Ele não parecia afetado, sua expressão tranquila e serena era sempre a mesma.
- Se estava tentando dar encima da minha irmã não precisava falar de mim.
- Você esta com ciúmes? –Novamente ele ria.
- Ciúmes não seria oque estou sentindo de você.
- Parece que seus dois lados estão se rendendo a mim facilmente –Ele sorriu-
- Oque você realmente quer de mim, Justin?
- Vem aqui. –Ele puxou-me agarrando-me pela mão, até seu carro que estava um pouco a frente naquela rua. Que era pior do que o Brooklyn, aquilo era realmente assustador, e não sei como tive coragem de vir até aqui sozinha. Ele recostou-se no capô do carro e ainda segurando minha mão olhou-me com um olhar talvez indecifrável
- Oh, minha flor... De você eu quero tudo, digo tudo mesmo, posso não ser o cara perfeito, também posso não lhe jurar amor eterno, mas de você eu não quero só sexo. –Ele murmurou em tom quase cantante de uma bossa nova, seus lábios molhados, seu semblante incrivelmente sedutor. Ouvi-lo dizer aquilo me deixou em um êxtase eloquente, dele eu também queria tudo, mas caramba tudo era tão obscuro e confuso. De um lado eu me derretia aos poucos como uma menininha apaixonada, de outra eu me protegia intensamente daquele tom sedutor. Eu queria fugir, mas também queria ficar. Resolvi não deixar meu lado Wine aparecer tanto, afinal caramba, eu poderia sair com ele, ir a esse jantar que ele tanto fala, e me relacionar como fiz com Bastian. Mas sei que ele não irá me dar prioridade, mas meu lado Margo sabe jogar muito bem esse jogo. Então vamos lá Bieber, me dê todo seu charme e amor moderado.
- E você? –Sussurrei- Pode me dar tudo? Não gosto de nada pela metade.
- Então minha flor, vamos fazer um trato?
- Que trato?
- Eu cuido de você e você cuida de mim. Assim, vamos tentando devagarzim
- Trato feito, meu bem –Sorri para ele, que devolveu-me o sorriso e puxou-me para um beijo. Embriagando-me de ilusão, mas eu também podia revidar. Eu só tinha de me fechar um pouco, era tão simples, mas com ele nada era simples, ele sempre fazia o mais simples se tornar impossível.
- Oque esta acontecendo aqui? –A voz de Shep fez-me me afastar de Justin, comprimi os lábios olhando-o sem saber oque lhe dizer, ele estava puto desde a noite passada, e aquilo o faria sair por aí dizendo o quanto eu não presto para o mundo, assim como o Frances sentimental da noite passada.
- Shep –Sussurrei
- Quer saber? Esquece, Margo. Realmente você não vale a pena –E assim ele se virou, eu realmente me superei, sei que não presto mas dois em uma semana. Isso é muito até pra mim, do jeito que venho perdendo admiradores aos poucos só vai me restar a solidão, não que ela fosse de todo ruim já que nossa relação é ao pé da letra, de amor e ódio a todo tempo.
- Você sabia que ele estava vindo? –O olhei em um suspiro, ele dera de ombros.
- Não, hei, oque acha de entrar? Ou prefere que eu te leve pra jantar?
- Não, vamos entrar, ainda prefiro lugares como esse –Murmurei.
- Ok, Wine –Ele beijou-me a bochecha.

* * *

- Eu estou suado Marg –Ele sussurrou contra meus lábios, não contentei aquela vontade de tê-lo e beijei-o como nunca saciando todo desejo em mim guardado. Seu carro estava estacionado em frente ao portão de minha casa
- Entre, meus pais não estão em casa, divida a banheira comigo. –Minhas unhas fincaram em seu pescoço em quanto eu me inclinava para cima do mesmo. Ele riu, de um modo despreocupado e doce, como sempre fazia.
- Calma, minha flor.
- Estou calma, mas me deixe te beijar me deixe te ter.
- Quero que seja especial pra você. –Ele murmurou agarrando levemente meus cotovelos, e me fazendo sentar corretamente no banco, seu olhar cálido sobre mim me intimidava.
- Não é a minha primeira vez, Justin. Por que você tem que ser assim? Rendi-me a você, sou sua, podes fazer oque quiser de mim.
- Canta pra mim essa noite? –Ele sussurrou, suas mãos que agarravam-me o cotovelo faziam leves caricias no mesmo. Suspirei
- Canto, oque quiser que eu cante. –ele sorrira como resposta, logo em um movimento rápido saímos do carro. Ele jogou seu braço por cima do meu ombro e beijou-me a testa enquanto passamos pelo portão, minha vida tudo acontecia tão rápido. Saí em busca de um alivio daquela loucura que estava minha vida, e volto com o meu paquerador barato a me acolher em seus braços mentirosos e de amor moderado. Mas no entanto por alguns breves momentos pelo caminho até minha casa eu me senti bem em ser acolhida por ele, meu lado Wine, obscuro e meloso não conseguia não se render a aquela emoção que emergia-se de meu peito fraquejado, sem duvidas meu lado Wine havia se perdido, se perdido na ilusão de Justin, se perdido no abrigo de seus braços, se perdido na imensidão do seu afago. Meu lado Wine fora completamente destruído, tão facilmente engana, tão facilmente iludida. Pobre de mim, de um lado era frigida do outro não podia receber um bocadinho de afeto que derretia-me toda.
Tentei esquecer esse lado Wine que me destruía aos poucos enquanto entrávamos em casa, no relógio marcavam duas da manhã. Oque me deu a certeza que Bonnie estaria dormindo, algo nada certo pois ao abrir a porta, a caminho da sala eu pude vê-la de frente para TV agarrada a um balde de pipoca. Meu lado Margo, egoísta e ciumento teve uma vontadezinha imensa de fazer um comentário maldoso, e só pra deixar claro que ela não deveria ter ficado tão contente com Justin ter lhe oferecido carona. De outro lado, oque eu preferi deixar escondido eu só queria lhe desejar boa noite e dizer qualquer coisa antes de subir com Justin.
- Bonnie. –Justin acenou com a cabeça para ela
- Onde estava, Margo? –Ela quase gaguejou acanhada.
- Por aí. –Resmunguei
- O Bastian esteve aqui, disse que ainda queria conversar com você. –Ela murmurou.
- Depois falamos sobre isso. –Lancei uma olhadela rigorosa para ela, que se encolheu atrás de seus óculos. Ótimo, agora ela fala na frente de caras, e ainda fala coisas estúpidas como essa. Respirei fundo e puxei Justin na direção das escadas indo até o andar de cima. Entramos em meu quarto então em fim o soltei, caminhei até o som, pus a musica Broken de Jake Bugg pra tocar e o olhei por cima do ombro.
- Vou ser Marg Wine pra você, Bieber. Marg Wine é totalmente sua –Mordi o lábio, ele sorriu gentilmente se direcionando até a mim, abraçando-me a cintura e olhando-me com ternura.  
- Minha flor, é tão bom desvendar você. –Ele sussurrou
- Queria lhe dizer o mesmo.
- Não tenho muito a ser desvendado. –Seus dedos tortos de sua mão direita subiram até minha face embriagada de sua doçura. - Já você senhorita, tem muito.
- Você é bom, tão bom que me convence de que realmente esta tão atraído por mim. Se não foi verdadeiro não me importo, só continue com esse seu charme bossa nova e me faça ter vontade de cantar meus sonhos mas profanos pra você.
- Com todo prazer senhorita, Wine. –Seus dedos passavam entre minhas bochechas e meus lábios, enquanto seus olhos me enamoravam com extrema doçura e paixão fingida.

* * *

Seus dedos tortos e longos passeavam por toda extensão de meus braços espumados na banheira, ele sussurrava em meu ouvido sobre sua vida antes de entrar para o meio dos burgueses de Nova York. Sua vida parecia ter sido bastante corrida e talvez um tanto sofrida, um pai bêbado, sua mãe lhe abandou por um caso que tivera com um homem de sua igreja. Com isso ele se fechou para mundo e sendo um verdadeiro garoto do Brooklyn fez de tudo para que sua vida desse certo, tendo como refúgio as lutas de rua. Assim ele pode ganhar dinheiro pra fazer a faculdade, comprar um carro e um apartamento no Brooklyn. Disse que não se mudaria dali, era o seu lar, e ele viveria ali pelo resto de sua vida.
- Quando vai cantar de novo? –Seu tom mudara, eu suspirei.
- Ainda não sei - Resmunguei
- Eu vou a um bar que eu poderia falar com o dono pra você cantar lá.
- Quando? –Fingi-me interessada, pude senti-lo sorrir em meu ouvido e seus dedos continuavam a traçar seu percurso por meus braços. De conquistador Justin tinha tudo, de barato, bem, disso ele não tinha nada. Não conseguia compreender se ele realmente estava sendo sincero ou se era tudo apenas a forma dele fingir sentimento. Mas me contive naquilo e não me rendi a aquele charme.
- No domingo talvez.
- Alguém da faculdade frequenta lá? –Perguntei receosa- Sabe, eu não quero que as pessoas me vejam.
- Não Marg, não há ninguém do campus que frequente lá.
- Então esta tudo bem.
Ficamos mais alguns minutos na banheira, conversando sobre coisas que pretendíamos fazer durante a semana. Mas toda aquela conversa compensava a noite que tivemos. Bieber era enigmavel, e talvez essa possa ser a razão dele ser tão bom no que faz, e eu estou sentindo que aos poucos caio nesse charme. Mas realmente não devo e não posso fazer isso.

10:30 A.M Nova York 

Ainda com os olhos preguiçosos fechados tateei minha mão direita ao meu lado à procura de Bieber e nada. Não me importei o suficiente para abrir os olhos, não sei porque cheguei a pensar que ele ainda estaria a minha cama. Puxei o cobertor até acima de minha cabeça e me encolhi o máximo possível, voltando a dormir. Digo a cochilar, pois quando regressei a acordar totalmente sem sono algum marcavam 11:15 no rádio-relógio, me sentei sentindo dor nas costas e me espreguicei. Fiquei sentada por um tempo, tendo vagas lembranças da noite passada, Bieber tinha essa coisa de sempre me fazer querer mais... No entanto, eu me recuso a querer mais, eu preciso me concentrar no professor. Ele provavelmente não sairia de fininho como o imbecil do Justin.
Após vagar em meus pensamentos inúteis matutinos, suspirei e segui meu percurso até o banheiro. Tomei um longo, e demorado banho, no banho eu havia notado que algo em mim estava mais vazio do que o comum, senti que algo em mim estava errado. Estava me sentindo estranhamente mal aquela manhã, como se eu tivesse perdido algo, como se a minha parte Margo estivesse meio que se deprimindo no caminho da Wine. Isso não podia acontecer, não mesmo.
Saí do banho, escovei os dentes, coloquei um vestido e me maquiei. Não ficaria triste hoje, hoje não era dia de me sentir só, hoje não era dia da Wine querer dar as caras, eu não preciso dela, talvez eu precise dela, mas eu preciso mais da fútil Cambpell do que da cantorazinha depressiva Wine. Calcei meus saltos e me perfumei, olhei-me no espelho me agradando com o meu trabalho. Soltei meus cabelos, deixando-o com leves ondas e desci as escadas. Bonnie ao sofá assistia algo na TV, ao me ver passar ela olhou-me com o canto dos olhos tirando um pouco a atenção da TV.
- Vai pra onde?
- Não sei –Murmurei- Quer ir?
- Não vai ficar em casa pra esperar o Bastian chegar?
- Porque eu faria isso?
- Ele esta te dando uma chance, Margo. –Ela parecia indignada, dei de ombros sem demonstrar interesse.
- Eu não me lembro de ter pedido-o chance alguma. –Resmunguei pegando as chaves do meu carro em cima da mesinha.
- Justin deixou isso –Ela se levantou para me entregar um pequeno papel que tirara do bolso-
- Hm –Grunhi abrindo o papel, em uma linha avoada no pequeno papel estava escrito “Obrigado pela noite, Wine. E que venham mais um milhão como essas”. Pergunto-me onde ele pretende chegar com isso, revirei os olhos jogando o papel em cima do sofá. Bonnie levantou os óculos no nariz olhando-me
- Você não quer mais saber dele não é?
- Ele pensa que pode brincar com meus sentimentos, eu devo admitir ele é muito bom, mas eu –Apontei ambos meus polegares para meu peito- Não vou cair nessa, ninguém brinca comigo e saí vivo, e eu não quero assassinar um cara tão bonito quanto ele
- Ele não parece estar brincando. –Quase não ouvi oque saía de sua boca.
- E você acha mesmo que vou pagar pra ver? –Gargalhei- Meu professor de literatura esta a minha espera.
- Oque pretende fazer para conquista-lo?
- Você verá quando ele estiver aqui lindamente ao meu lado. –Mandei um beijo no ar para ela seguido de uma piscadela divertida. Ri sentindo meu bom humor voltar, eu não deixaria Bieber confundir minha cabeça, tive facilmente oque queria, e não se passara disso.

16:30 P.M Nova York

Estava caminhando ao sair de uma loja de discos pela qual tive o dever de comprar inúmeros discos dos melhores da década de 80, que meu lado Wine mais amava com tamanha intensidade. Quando pude perceber o professor em uma cafeteria pouco movimentada, respirei fundo, era a minha chance. Ele não estava na escola, talvez ele não seria de todo tão grosseiro. Molhei os lábios e respirei fundo mais uma vez, olhando para dentro da cafeteria onde ele parecia aprofundado em um livro, seu café quente a sair uma leve fumaça demonstrando que ele provavelmente havia chegado a pouco tempo. Seu cabelo estava arrumado como de costume, seus olhos vidrados e sem expressão para o livro, ele estava novamente com um de seus suéteres que ao meu ver eram realmente encantadores. Dessa vez o suéter era cinza, sua barba por fazer parecia estar maior, e tudo nele me fazia ficar inerme na frente da cafeteria, era como se eu estivesse de alguma forma nervosa por ter uma chance como essa. Decidida, ergui minha cabeça e em passos sorrateiros me dirigi até a sua mesa, onde logo pude reconhecer a capa de seu livro, era Hamlet, papai tinha sua coleção de primeiras coleções de Shakespeare, e eu obviamente sempre dava uma olhada nos livros dele, e Hamlet sem dúvida era um dos melhores, li e reli tal livro três vezes. Respirei fundo contendo por alguns segundos a respiração e mordi os lábios ao citar um pequeno trecho de que me lembrava
- O pensamento assim nos acovarda, e assim é que se cobre a tez normal da decisão com o tom pálido e enfermo da melancolia; E desde que nos prendam tais cogitações, empresas de alto escopo e que bem alto planam desviam-se de rumo e cessam até mesmo
De se chamar ação. –Seus olhos de um oceano sem fim, que eu me afogaria de bom grado levantaram-se para mim, sérios, em um ato de tal costume ele não esboçou nem uma reação- Bom livro –Sussurrei coçando a garganta.
- Esta me perseguindo senhorita Cambpell? –Sua testa se franziu junto com seu ato de fechar seu livro gasto e de folhas amareladas. Eu sorri-
- Só passei pra dizer um “oi”, e que espero sua visita.
- Minha visita?
- Não se esqueceu do nosso trato esqueceu?
- Perdoe-me, mas não me lembro de ter aceitado. –Desconversou ele dando um gole em seu café.
- Não estamos no campus Charlle –Murmurei- E você não é nem um pouco cavalheiro.
- Sente-se, Margo. –Ele gesticulou para a cadeira a sua frente dando-se por vencido, com um meio sorriso me sentei pondo minhas bolsas ao meu lado. Seus longos dedos se entrelaçaram em cima da mesa e seus olhos enigmáticos fitavam intensamente.- Não sei oque esta tentando comigo, senhorita. Mas eu não sou um homem que pensa apenas no desejo carnal, levo muito a sério minha vida profissional, e como eu já havia vos dito antes seu histórico com professores não é nada convidativo.
- Fala como se eu fosse uma vadia –Minha maldita voz demonstrou mais decepção do que eu queria.
- Deus do céu, longe disso, senhorita. –Ele murmurou- É só que..
- Tudo bem, você leva sua vida profissional a sério. –Suspirei- Mas eu sei que posso ser mais do que isso.
- E você é –Ele murmurou- Vejo quando fala na sala, não sei se é só pra me impressionar mas você é realmente melhor do que se faz ser, Margo.
- Então porque é tão mal comigo? –Meu tom novamente demonstrou mais do que deveria, e em seguida um suspiro rasgou-me intensamente a garganta seca.
- Eu já disse, sou inglês não “mal” –Um pequeno e quase não visível sorriso brotava finalmente no canto de seus lábios- Se você parar de tentar essas coisas até podemos conversar tudo bem? Podemos nos conhecer, mas só se você não me ver mais como um professor a quem quer levar pra cama.
- Não te vejo assim, Charlle –Olhei para meus dedos, ele me deprimia tanto. Fez-me sentir mais cruel do que eu realmente queria que pensassem que eu fosse.
- Não minta pra mim.
- No começo. –Voltei a olha-lo, podendo vê-lo molhar os lábios e olhar-me atentamente- Eu realmente queria isso, mas você é tão diferente sinto que posso ser eu mesma sem ter que fingir nada, sinto que não preciso criar uma imagem.
- Quando percebeu isso?
- A alguns dias.
- Você é um grande problema senhorita, e juro que preciso ficar longe de problemas como a senhorita.
- Me deixa te levar a um lugar essa noite? –Sussurrei em um tom quase doce.- Juro que não tentarei nada.
- Não posso –Ele desviou seu olhar. Eu mordi o lábio inferior sem saber oque fazer
- Não me faça implorar.
- Vai me levar a um lugar cheio de alunos não vai?
- Não –Sorri simples- Juro que irá gostar
- Sem segundas intenções?
- Só eu de verdade.
- E a senhorita de verdade seria a minha aluna extremamente intelectual das aulas?
- Sem duvidas.
- Tudo bem, esta feito.
- Sabe onde fica o “Soul Blues”, esteja lá as onze.
- Oque você faria em um bar como aquele? –Em seus lábios tinha um sorriso bem pequeno, tão gostoso de se ver que eu poderia ficar ali olhando-o por dias ou até anos.
- Parte de mim não se importa com o dinheiro que tenho.
- É mesmo?
- Esta zombando de mim senhor, Charlles? –Ri pondo meus cotovelos a mesa, ele acompanhou-me em um riso baixo.
- Só estou um pouco surpreso.
- Bom, acostume-se. –Aquela era a minha deixa, ou eu ficaria ali falando abobrinha e estragaria completamente aquela sorte incrível. Peguei minhas bolsas e me levantei ainda sorrindo por ter conseguido tal coisa
- Pra onde vai senhorita? –Sua testa se franzira instantaneamente com meu movimento.
- Preciso ir agora, boa leitura –Acenei ainda sorrindo e dei-o as costas com meu pobre coração nas mãos quase pulando de alegria. 

5 comentários:

  1. Eu to de volta haha <3
    Amei essa fic, e pelo visto ela nao acabou certo? Entao atualize ela por favor *---*

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  2. Olá Anna, vi que você comentou nessa fic e resolvi rele-la, eu não tinha intenção de continua-la porque antes achava que a segunda versão havia ficado melhor, mas me enganei, a primeira versão não ficou de todo ruim, ficou até muito melosa cheia de frases feitas como se eu tivesse colocado tudo que já li no tumblr aí haha, mas em fim eu resolvi continuar escrevendo a primeira versão, então não, ela não acabou aqui, ainda esse mês atualizo ela. Beijos flor, se você ler a segunda versão depois comenta qual achou melhor

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    1. Oie !!
      Bom, não sei se vc viu o cmnt na 2° versao, entao resolvi responder aqui ja que vc respondeu aqui (confuse '-'? Yeah me tooo o/ )
      Entao sobre a 2° versao, ela tá incrivelmente perfeita..nao desmerecendo esse versao é claro... :3
      Essa 2° versao de um jeito muito estranho me deixou nostalgica de algo que eu nao sei oq é, e conseguentemente , não sei se existi '-' ( louco? Nao, so sinistro). ela me fez sentir como se eu fosse a personagem de dupla personalidade (nao sei como chamar ela por conta disso msm)
      Enato eu espero que você continue a 2° versao primeiro ,pq msm esses sentimentos parecendo estranhos pra mim, eu acabei gostando, msm fazendo-me sentir vazia eu gostei...rs
      Bom é isso ai
      To completamente apaixonada pr todas as sua fics... <3

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    2. Olá minha querida Anna <3. Eu pude ver agora os seus dois comentários, é que eu não costumo vir muito aqui nesse blog. Eu escrevi essa fanfic inspirada em três musicas da Lana del Rey, e essas três musicas me deixaram assim, então acho que por isso ao escreve-la saiu desta forma meio nostálgica e um bocadinho deprimente. Enquanto eu a escrevia eu sentia como se tivesse ouvindo uma musica dela, e as musicas dela me causam isso, me causam nostalgia do que eu não sei oque é, talvez do que eu não vivi ou sei la, mas eu fico feliz de ter passado essa sensação pra alguém. kkk, e com certeza irei continua-la, estou tentando escreve-la a alguns dias mas inspiração infelizmente empacou essa semana. Mas eu vou atualiza-la sim em breve. Obrigado por amar minhas fics, hahah me faz sempre sorrir com esses comentários moça.
      xoxo :*

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    3. Haha denada :D
      Bom, eu tento sempre expressa oq eu sinto (o que so acontece nas suas fics) , porque só assim eu posso retribuir as sensaçoes que elas me passam... Entao, eu tenho que te agradecer :3
      Entao, sinta-se recebendo um agradecimento hahaha Bjo :*

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