Born To Be Bad - Versão 2.0 Segunda parte


- Você não esta gaguejando. –Sussurrei em um riso, ele que ainda agarrava minha mão apertou-a levemente enquanto acaricia-me as costas da mesma com o polegar.
- Treinei muito. –Respondeu 

Dia seguinte
“Ela usa seu véu à noite
Sombras projetadas desconvidamAfeição desencorajadora
Olhos tristes
Olhos tristes
Você não pode disfarçar seus olhos tristes “

Deixei minha caneta de lado na aula de sociologia, onde eu pela primeira vez não prestava atenção na aula, e suspirei após escrever a ultima estrofe da minha primeira musica, esperava canta-la amanhã, mas depois de perceber que eu fico mais vulnerável com Wine dando as caras, resolvi que realmente eu não precisava dela, eu precisa voltar a ser como uma Beladona, cheia de veneno, e precisava esconder aquilo que tanto me matava aos poucos, eu me fodi pra chegar ao meu topo, e não posso estragar tudo agora, não posso estragar. Eu criei essa imagem para não ser vulnerável e agora é o que eu estou fazendo, sendo uma inútil vulnerável, e agora, completamente sozinha, nessa solidão eminente e constante.
Na saída da aula de sociologia eu caminhei até o onde ocorria a troca de cursos, e eu resolvi finalmente sair do curso de literatura, e cursar engenharia. Eu poderia até fracassar a carreira daquele novo professor, cheio de desejos escondidos, cheio de histórias pra contar, sobre sua mulher que não lhe da o devido prazer em casa, e eu poderia esquecer do fato de que eu não sou tão importante para um pobretão do Brooklyn.
— Margo. —Ouvi alguém gritar-me, rolei os olhos seguindo a voz, percebi que era Ravena, ela corria em minha direção quase eufórica. Ravena tinha de me dar a notícia de que teria uma festa, pois assim eu poderia beber e me esquecer de que não sou definitivamente nada além de uma vadia sem personalidade, ou um tanto hipócrita bipolar.
— Por favor, me dê uma boa notícia.
— É mais que boa Margo. —Ela sorriu instigada.
— Diga logo então.
— É hoje. —Ela quase gritou, logo vi que Gina também vinha correndo em nossa direção tão animada quanto Ravena.
— É hoje. — Gritou Gina
— É hoje o que gente?
— É HOJE, hoje é o começo da temporada de festas nas melhores mansões e iates da cidade, hoje terá a primeira festa a temática é fantasia, sabe o que significa? —As duas disseram quase em uníssono, meu lado margo não pode deixar de sorrir maliciosamente.
— Que temos que comprar as fantasias mais sexy de todas? —Sorri, elas assentiram juntas outra vez, quase me deixando assustada.
E lá estava a cura de todos os meus problemas de personalidade, bebidas, sexo, e festa. Era tudo que eu precisava para esquecer meu lado Wine.

P.o.v Justin

— Aquela era a sua aluna? —Alexandra perguntou franzindo a testa, eu não podia dizer a verdade, eu não podia contar o que estava acontecendo, eu poderia até ser demitido por sair com uma aluna. Talvez eu até pensasse que eu não queria me tornar um dos homens dos quais eu sempre me senti enojado por não levar a profissão a sério e simplesmente se deixar levar pelo charme de uma garotinha mimada. Talvez ela realmente estivesse certa, era tudo uma questão de não querer ser visto como um hipócrita na assembleia de professores.
— Sim, era... Estávamos falando um pouco sobre o poema discutido em sala que ela não entendeu. —Menti, cocei a garganta.
— Sabe... Sem querer me intrometer na sua vida ou te acusar de nada, mas eu ouvi muito sobre essa aluna pelos professores, e ouvi dizer que... Ela costuma dormir com muitos professores.
— Eu preservo meu trabalho dona Alexandra. —Grunhi tentando manter-me firme aquela mentira. — Nunca dormiria com uma aluna
— Não estou te acusando de nada seu Justin. —Ela abaixou os olhos brevemente em um suspiro.
— Eu preciso ir dona Alexandra.

Respirei fundo ao me lembrar daquela noite, e de como eu havia caído no meu próprio conceito, agora eu era o farsante, eu estava agindo errado. E queria que ela soubesse disso, mas talvez o melhor seja o afastamento, talvez meu destino seja a solidão, que é e sempre será acolhida por meus livros, pelas folhas gastas rabiscadas por pessoas que realmente sabiam amar sem importar-se em agir errado. Eu realmente sou um tremendo covarde, Lisa estava certa quando disse que só eu não estava pronto para o segundo passo, que só eu não estava pronto para o casamento, pois eu tinha medo, medo de seguir um novo caminho que não fosse qual eu estava acostumado, porque eu odeio mudanças, talvez seja até uma fobia, fobia de mudar algo em meus conceitos e o que eu figuro certo.
Em minha aula não vi Margo sentada na terceira fileira como sempre, olhando-me atentamente, não a vi por dois dias, e temia que ela saísse de meu curso, mas também, por um lado me sentia um bocado aliviado com aquela hipótese.
Na saída das aulas eu pude vê-la, estava no gramado da escola, com a cabeça posta no colo de um rapaz, que estava sentado lhe acariciando a face, ele sorria para ela enquanto ela lhe contava algo, aquela cena fez-me lembrar quando ela colocava a cabeça em meu colo para me ouvir ler, parecia tão serena quando eu lia, parecia que ela conseguia a partir da minha leitura ver tudo que eu lhe dizia. Minha expressão mudou quando o rapaz lhe tomou um beijo, respirei fundo desviei o olhar rumando rapidamente até meu carro.
Margo conseguia toda vez que brigássemos arranjar um novo alguém, ela conseguia que eu a olhasse de forma totalmente diferente quando a via cantar, quando ela estava na faculdade era como se ela criasse um novo “eu”, como se ela se fantasiasse de outra pessoa e saísse por aí tentando ser alguém. Não tinha a simplicidade e a melancolia contida de Wine, ela voltava a ser totalmente cheia de truques e mesquinha.

— Justin. —Ouvi aquele estranho sotaque me gritar quando cheguei em meu carro, Alexandra corria em minha direção. — Esqueceu de me chamar hoje? —Ela sorriu quando chegou a meu alcanço.
— Desculpe Alexandra eu ando um bocado distraído. —Disse entrando no carro, ela me acompanhou. — Acabei me esquecendo
— Tudo bem. —Ela sorriu. Eu dei a partida, esperando que ela não fizesse nem uma pergunta, eu só queria o silencio, só queria ir para casa e me esquecer que um dia conheci o lado bom de Margo, e me concentrar naquilo que ela realmente queria que os outros pensassem que ela era.
— Então... Como foi as aulas hoje?
— Calmas. —Respondi
— Hum... Esta tudo bem?
— Sim esta, mesmo as aulas sendo calmas esses alunos me cansam.—Concluí
— Eu entendo, sabe eu agradeço que tenha me arranjado esse emprego, mas realmente o modo como eles tratam os funcionários, é horrível.
— São só jovens mesquinhos, não se importe tanto com eles, ainda não cresceram. — Disse um bocado distante sem olha-la
— Digo principalmente pela Margo, ela me destrata como se eu fosse menos do que ela. —Questionou, eu suspirei.
— Ela é apenas uma moça que não conhece a vida, por isso se prende a essa imagem de que é rainha do mundo. —Resmunguei— Mas, no fundo ela é uma boa pessoa.
— Fala como se a conhecesse bem. —Ela murmurou, eu engoli em seco quase me praguejando por deixar escapar aquilo, cocei a garganta olhando de relance.
— Eu conheço todos os meus alunos Alexandra, é meu trabalho
- Me desculpe, Justin, eu não quis insinuar nada.

Margo P.O.V

Após dar uma chance a Travor, que insistia por uma boa foda desde o colegial, eu finalmente terminei bem meu dia, após deixa-lo no gramado eu pude perceber o professor de engenharia vir ao meu encontro quando eu procurava por Gina e Ravena, um leve sorriso delicado surgiu em seus lábios. Em uma forma de tentar ser desastrada propositalmente, eu me esbarrei nele então deixando sua papelada cair pelo corredor. Aquela tática clichê era incrível, e sempre funcionava
— Que desastrada eu sou. Desculpe senhor O’connor. —Abaixei-me para ajudar.
— Esta tudo bem Margo. —Ele sorriu abaixando-se também
— Eu não queria ter te atrapalhado, deve ter desorganizado tudo. —Murmurei, ele levantou os olhos em minha direção.— Espere, como  sabe meu nome? Eu ainda não sou sua aluna.
Indaguei fingindo-me de desentendida, ele não disse nada até que tivesse posto tudo de volta na pasta. Levantou-se ainda em silêncio eminente, seu olhar era frio, mas havia um mesclar intenção de puro desejo reprimido naquele olhar, naqueles olhos esverdeados.

— Não sou seu professor, como também sabe meu nome? A pergunta, minha doce Margo, é porque sabemos nossos nomes. —Fora o que ele sussurrou antes passar por mim, com aquela colônia de cretino, com aquele ar de fodedor. Porra, por que eu não encontrei esse maldito professor a dois meses? 

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