Summer Love



Justin escorou-se na pia em frente ao espelho e ficou parado olhando sua face cansada, não fisicamente mas  sim psicologicamente. Sua cabeça girava, seus cabelos molhados de gel estavam pela primeira vez estavam um tanto desarrumados. Suava como um porco, não conseguia pensar em nada. Apenas no talvez que estava sua vida, oque ele deveria fazer? Oque ele queria fazer? Havia descoberto algo sobre Elena em véspera de férias de verão, estava tão animado com os planos que havia feito com Elena, que mal conseguiu acreditar no que havia ouvido algumas horas atrás. Estava meio perturbado, frustrado e irritado. Talvez não fosse apenas por saber que sua namorada transava com seu amigo a dois meses, não que ele não soubesse do caráter de ambos. Mas sim porque sua vida estava piorando a cada minuto naquele mês, as provas finais, a véspera de feriado o fazendo correr para procurar um lugar pra ficar na cidade que vai passar o verão, a separação de seus pais, a bomba no teste de matemática. As discussões frequentes com seu pai, e o trabalho cansativo na loja de disco. Tudo estava dando errado, e não o impressionava muito o fato da traição, só o deixava irritado porque um dia chamou Noah de amigo, amigos não traem amigos certo? Então Noah nunca fora amigo. Justin respirou fundo, despiu-se e entrou na banheira de água morna. Podia ouvir o barulho da chuva forte batendo contra o telhado, para completar ainda chovia em plena véspera de férias. Pensou, pensou, pensou e repensou. Queria mudar, estava cansado de ser tão facilmente esquecido, estava cansado do que era, do cara bonzinho que dava flores e recebia espinhos,  do cara bonzinho que levava um A- para casa e recebia um xingamento.  De sempre fazer tudo dar errado, mas se ele não fosse esse cara quem ele seria? O clichê bad boy? De certa forma ser esse tipo de cara para ele era apenas uma forma de esconder oque ele realmente era, e ele não achava de ser um babaca seria lá uma das melhores saídas. Eram problemas que podiam ser resolvidos e ele não queria por uma mascara de "olá sou um Bad Boy que não liga pra naga e transa com todas as garotas do colégio" apenas para fugir dos problemas se ele podia ser resolvido. Também se ele resolvesse deixar de ser o cara que era, as pessoas pensariam que seria apenas porque "ele descobriu que foi traído e resolveu comer todas as meninas do colégio, isso é apenas dor de cotovelo". Deus do céu, ele nunca mudaria por conta daquilo, gostava de Elena porem não tanto pois sabia quem ela realmente era, até que fora um pouco estranho a garota mais bonita da banda da escola querer um cara como ele, que não era nerd, mas também não se destacava por nada. Não era da banda, não era do time, não era da turma do teatro, não era da turma de dança, não era da turma dos fanáticos por livros. Ele era o cara da turma de um cara só, um zé ninguém perdido em meio a multidão nos corredores cheios e das salas cheias de pessoas que se encaixam em uma turma.  Saiu do banheiro de seu quarto e foi para o mesmo, vestiu-se e desceu, passando pela sala a caminho da cozinha encontrando sua mãe, a cortar alguns legumes na mesa. Ele sentou-se na mesa de frente para ela que sorriu com o canto direito dos lábios, os olhos meio avermelhados, os lábios secos e as bochechas meia rosadas indicavam ou uma pequena crise de choro por causa da cebola ou por conta de seu pai.
- Esta tudo bem, mãe? -Ele perguntou, ela assentiu balançando a cabeça afirmando.
- É só a cebola. -falou- E você? Não me parece bem, estava tão animado quando saiu de casa mais cedo, pensei que Elena passaria essa noite aqui, por conta da viagem amanhã
- Ela não vai mais -ele murmurou.
- Por que querido? Oque houve?
- Terminamos ainda pouco. -falou, eles ainda estavam juntos -na cabeça de Elena- Porque ele não foi até a casa dela para terminarem, ele não era de gritar, fazer escândalo. Mesmo quando estava irritado, ele poderia ligar para ela e dizer umas coisas para ela que ela nunca mais se atreveria a olhar nos olhos dela. Mas não o fez, só estava a esperar que ela chegasse a poucos minutos a sua casa, ele nem tinha certeza se ela iria mesmo a casa dele. Só estava a espera dela para ter tudo em prato limpo.
- Ha, sinto muito. Não quer conversar?
- Não -ele suspirou- Esta tudo bem.
- Mesmo?
- Mesmo -ele então ouviu o som da campainha, suas perguntas haviam sido respondidas, Elena estava do lado de fora com as malas prontas, tranquila e sem peso na consciência.
- Eu atendo. Deve ser a Elena, ela disse que viria
- Ok -Ela o respondeu, não convencida de que estava "tudo bem", sabia quando ele mentia, talvez isso é um super-poder que toda mãe tem.
 Ele caminhou em passos largos, e longos até a porta, quando a abriu Elena sorriu e deu-lhe um selinho tentando entrar, ele a impediu, indo para fora
- Oque foi?
- Quero lhe perguntar algo -ele disse fechando a porta atrás de si
- Não pode perguntar la dentro? esta frio aqui fora -ela disse deixando a mala no chão-
- Como se sente? Você não sente remorso quando me beija sabendo que chupou meu melhor amigo horas antes? Porque eu, sinto nojo. Você não sente nem um pingo de culpa quando se deita com ele? -ele murmurou contendo a raiva, porem em seu tom baixo ele murmurava. Não calmo, havia raiva controlada em sua voz. Elena encolheu-se com os olhos azuis arregalados de surpresa
- Oque? Mas.... Do que você esta falando?
- Eu já sei de tudo Elena, não finja, esta ficando feio para você, dois meses Elena. Você fez faculdade para ser puta? Você é uma megera, não sabe como estou enojado com tudo isso, sei la cara você podia me passar herpes, ou outra doença, se não sabia o Noah tem chatos -ele falou, cruzando os braços-
- Eu posso explicar, por favor...
- Quem saiu perdendo foi você porque transa com um cara que tem chatos a dois meses, você é porca, não se explique ok? Eu não quero suas explicações, não estou pagando para se quer passar uma hora com você, não tenho dinheiro pra isso, va lá, o noah tem mais dinheiro que eu, pode te pagar pra você contrair chatos. Sugiro que vá a um médico, porque eu já fui essa manhã. Vadia suja -Elena chorava como criança pequena quando ele deu as costas e fechou a porta na cara da menina. Que ao entrar no carro a primeira coisa que fez foi ligar para Noah, e dizer "SEU FILHO DE UMA PUTA AIDÉTICA VOCÊ NÃO ME DISSE QUE TINHA CHATOS".
 Em casa Justin até podia imaginar a cena, só ele sabia daquilo, e realmente fora ao médico quando soube que Elena transava com ele. Não deixou de sentir-se aliviado, não passou dos limites -ele pensou- apenas falou oque ela realmente era, e pelo que ela havia o trocado, que não fora lá uma escolha muito sensata quando o cara tem chatos.

* * *

- Você tem certeza que vai se comportar ? -Perguntou sua mãe no aeroporto ao chamarem seu voo, não havia muito com oque se preocupar, ele não iria para lugares de festa como Bélgica, Cancún, Nova York, Las Vegas. Ele ia para Smithville, uma ciadezinha do Texas, onde não era lá essas coisas, era pra onde ele sempre ia encontrar a família de seu pai, na verdade os únicos familiares que moravam em Smithville eram seus tios, eles tinham um filho chamado Charles. Tinha 17 anos, Justin pelo menos lá teria a companhia do primo para jogar vídeo-game, e ir a lugares que ele sempre costuma ir quando visita os tios. Texas nunca há nada interessante a fazer, não a nada convidativo e interessante, ou até mesmo gostável, ele até gostava pois a cidade se parecia com ele, só oque não conseguia suportar muito era o sotaque texano que seus tios emanavam.
- Vou mãe -ele murmurou
- Sem bebidas? Sem drogas? Sem brigas ok?
- Ok mãe
- Bom, acho que é isso -ela disse chorosa o puxando para um abraço, e ela a abraçou de volta, mais apertado- Eu te amo filho, vê se se cuida
- Também te amo mãe -ele beijou o rosto da mesma a soltando , então pois a mochila nas costas e agarrou a mala- Se cuida também
- Vai, vai logo se não eu te coloco dentro do carro de novo. -ela sorriu deixando as lagrimas bobas caírem-
- Tchau mãe -ele acenou e deu as costas para a ela


* * *


- Charles? -Disse ele ao primo, que crescera estranhamente rápido, era um ano mais novo que Justin porem parecia duas vezes maior, costas largas, braços fortes de quem deve passar o dia inteiro na academia. Os grandes olhos castanhos acompanhando os de Justin, quase toda família de seu pai tinham os olhos castanhos, e Charles não fora diferente, tinham alguns traços de Justin, que por ser um tanto mais magricela, parecia ser o irmão caçula de Charles
- E aí, primo? Cresceu, sô. -Falou ajudando Justin com sua mala, seus tios eram velhos de mais para ir busca-lo. Então ele nunca fez questão de que fossem, poupava-os sempre da recepção calorosa que eles tinham vontade de fazer todo ano
- Cara, oque você andou tomando? -Justin perguntou, Charles não conteve uma gargalhada.
- Isso -ele bateu nos braço esquerdo com a mão esquerda vazia, e depois no peito estufado- É resultado de um ano inteiro de malhação e montação de touro, vicê. 
- Virou boiadeiro foi? Não me constate isso nos e-mails.
- Não entrei não sô. É clandestino, sou melhor do círculo de fogo, e talvez até das redondezas.
- Que diabos é isso? Uma seita? -perguntou enquanto colocava a mala no porta-malas de seu carro. Era frustrante Charles ser um ano mais novo que ele e ter um carro esportivo, e ele ainda ir pra escola de carona com sua mãe.
- Círculo de fogo é um grupo de meados cinquenta pessoas, em cada escola da cidade tem um numero certo de pessoas que podem saber dos rodeios, que são cinquenta pessoas. -ele jogou a mochila de Justin no porta-malas e o fechou. Entraram então no carro. cheirava a novo, pudera era novo. E não fora os pais deles que comprara, Charles era vaidoso, seu dinheiro ganho ia para coisas fúteis como carros esportivos, festas em lugares fechados, aparelhos caros e etc..- Quando há rodeios, os cowboys como eu, não tem que procurar o lugar, ou algo do tipo. Quem faz isso são os Ratos, os ratos se encarregam de mandar mensagens pra confirmar o local, e se encarregam de arranjar um lugar. Eu sou um dos fundadores do círculo, então eu ganho repartido com mais três caras, o dinheiro da entrada do pessoal, e alem do dinheiro da entrada se eu ganhar a luta, tudo que eles apostarem vem pra mim.
- E você sempre ganha?
- Sempre -disse convencido.- Vou levar ocê em uma de meus rodeios essa semana, vou contra o Jhonny Horse, eu não sei porque o chamam assim, ele num passa medo com um nome desse não.
- E você tem um nome?
- Não, num gosto que me chamem de animal, não. -ele riu- Tudo que eles conseguem inventar para um lutador é nome de animal, como Stave The Bull, Jhonny Horse, Ship Mad Dog... -ele fez uma pausa e olhou para Justin tirando atenção da estrada por alguns segundos- E ocê? Oque tem feito?
- Trabalhado, e estudado para os exames finais.
- E a gostosa da Elena? Pensei que ela viria. -falou ele risonho, Justin nunca se importara com aquilo, afinal era verdade, ele sentia-se mal a cada segundo, o primo tinha tudo, era tudo, e ele não era nada, a única novidade que tinha era "minha namorada me traiu durante dois meses com meu amigo que tem chatos e eu corri a grande possibilidade de contrair" E cá entre nós, aquela não era uma novidade a ser dita assim. Mesmo que eles fossem bem amigos.
- Terminamos
- Que? -ele arregalou os olhos- Por que CE fez isso? A Elena é a moça mais gostosa que um dia cê vai conseguir pegar
- Ela me traiu com o Noah -murmurou, não queria mas pra que esconder? Ele iria saber mais cedo ou mais tarde que ele não era bom em nada, inclusive em ter namoradas.
- Quem é Noah?
- Um amigo, não ele não era um amigo.
- Pode deixar que quando eu for visitar ocê eu vou conhecer esse Noah, e vou dar uma surra na frente da mãe dele -Murmurou apertando o volante e Justin deixou um riso escapar
- Seria uma boa. -comentou
- Esqueça a Elena meu amigo, aqui é pequeno, não tem tanta mulher quanto em Manhathan mas as pouca compensam.
- Acho que agora a próxima vez que consigo levar alguém pra cama é pagando.
- Que nada, J. -falou o primo divertido estacionando o carro em frente a pequena casa. Garoava um pouco. oque dificultava um pouco a saída que Charles planejava - Cê só precisa de umas aulinhas comigo ou só precisa ir a um rodeio, as garotas daqui se amarram em caras que fazem parte do círculo de fogo
- Mas eu não faço. -falou saindo do carro, também não fazia muita questão de ser, de certa forma lhe deprimia só em pensar nas moças com esse sotaque irritante, se irritaria só em conversar com uma. Não que ele odiasse tanto assim, mas o sotaque Texano deixava qualquer nova-iorquino irritado- Eu nem moro aqui.
- Isso mesmo, carne nova. Elas adoram porque sabem que é só de passagem e sem compromisso porque cê não vai ta aqui no mês que vem.
- E você acha que eu consigo? -J. Perguntou e Charles sorriu enquanto com rapidez ia para trás do carro, pegou a mochila e entregou a Justin que jogou-a por cima do ombro, a chuva fina os cobria. Charles pegou a mala e fechou o porta-malas indo junto a Justin até a porta.
- Claro que consegue. Se não conseguir de primeira, use a segunda tentativa que é dizer que é meu primo. -Ele disse novamente convencido e risonho.
- Vou me lembrar disso -Murmurou ele, Charles riu e entrou junto a Justin dentro da pequena casa, os tios dele estavam sentados no sofá, assistindo o noticiário já que eram sete da noite. Quando viu Justin a tia Clare sorriu de orelha a orelha, levantou-se com dificuldade mas caminhou até eles, Charles passou direto indo levar as coisas de Justin para o quarto. 
- Meu filho como cê cresceu. -disse ela o abraçando, ele tinha um leve e cansado sorriso nos lábios a abraçando de volta 
- Tia Clare -ele murmurou, ela o soltou e olhou-o bem, gostava de Justin, ele era um bom rapaz, assim como seus pais sempre o descrevia, e como ele comportava-se quando estava lá. 
- Esta bonito, pois. -ela sorriu o olhando- Deve estar com fome, quer que eu prepare algo? 
- Não -falou Charles voltando do quarto- Nós vamos sair, ele come na rua. 
- Mas ele deve de ta cansado filho. 
- Deixe as crianças, Claire -Gritou seu tio Toby do sofá, Justin caminhou até ele e educadamente o cumprimentou 
- Tio Toby -falou 
- Justin -ele murmurou, não era muito de falar nem de demonstrar, mas estava feliz com a visita do sobrinho 
- Vamos Justin? -perguntou Charlles impaciente 
- Vamos? -ele o olhou juntando as sobrancelhas
- Ok,podem ir. Deixe que eu levo sua mochila pro quarto -Falou sua tia Claire.
- Não tudo bem, eu levo.
- Deixa que ela leva Justin -Charles murmurou pegando a mochila e entregando a mãe- Tchau, mãe -ele beijou a face áspera da mãe 
- Tchau crianças 
- Tchau tia -Respondeu-a antes de sair, ainda garoava. O tempo estava mais frio do que quando entrara na casa. Não sabia para onde exatamente estava indo, só sabia que estava aliviado pois não passaria o tempo pensando no que deixou em Manhattan. 
Eles entraram no carro e Charles pusera o mesmo para funcionar 
- Pra onde vamos? 
- Distrito 34 
- Oque é isso? 
- Um bar.
- Hun -ele balançou a cabeça. 
- Vou apresentar ocê a uns amigos -Charles o olhou brevemente
- Eles montam também? 
- Não, só eu. 
- E como você consegue comprar bebida nesse bar? 
- Identidade falsa -falou fazendo a pergunta de Justin parecer boba e inocente- 
- Quando tinha 16 eu só comprava em uma tabacaria no fim da rua porque lá a mulher era chilena e não se importava pra quem vendia -Comentou ele, e de alguma forma sentira-se bem por pelo menos uma vez ter quebrado uma regra. 
- Aqui isso num tem problema não, vice. Posso comprar cigarros o quanto quiser
- Agora eu também posso. -Sorriu ele. 

* * *

Distrito 34 era um típico bar texano, no entanto não tinha música Country a tocar, e também não tinha um homem de voz grave a cantar com seu violão no pequeno palco que havia ali. Era mais no estilo de Nova York, tocava algo mais atual, oque lhe dava a impressão de não estar no Texas e sim em um bar comum de Nova York. Outrora havia tabuleiros pendidos a parede de dados, havia mesas de sinucas, o ar era abafado, e tudo parecia um pouco escuro e mal iluminado, pessoas com roupas simples e certamente sulistas, de todos os lados se ouvia aquele irritante sotaque texano. Charles levou-o até uma mesa afastada perto a parede, onde havia três pessoas: um rapaz com um chapéu de Cowboy e camisa xadrez vermelha e preta. Uma moça a intoxicar-se com um cigarro no canto encostada a parede, e outra moça com duas tranças em seus cabelos longos de quem não cortava a muito tempo. Sem intenção alguma olhou a moça que fumava um cigarro no canto por longos segundos que mais pareciam anos. Ela não parecia de muitos sorrisos, não parecia lá muito simpática para uma texana. 
- Esse aqui é meu primo da cidade, gente. -Dissera Charles aos amigos enquanto empurrava seu amigo para que fosse para a cadeira perto a parede de frente para a moça pelo qual Justin por algum motivo não conseguira desviar o olhar. 
- Vai ficar aí a noite toda? Porque num sentam com a gente? -Perguntara a moça de tranças longas, tirando Justin de sua hipnose repentina. 
- D-esculpe -Gaguejara ele enquanto se sentava ao lado de Charles. 
- Eu sou Hollis. -A moça de trança dissera 
- Eu sou Henry. -Apresentou-se o rapaz de chapéu. 
- Essa aqui é minha irmã Lindsey -Apontou Henry- 
- Oi. -A moça dissera tão baixo e suave que quase o deixou mais embasbacado, tinha pra lá sua beleza que não era comum nas texanas, ainda mais de Smithville, cidade de caipiras mascadores de fumo. No entanto ela de cara não ficara embasbacada com o moço que vinha da cidade grande, estava mais preocupada com outras coisas do que se importar com a beleza dele. Pra ele ela tinha um bocado de estranheza, onde estavam essas pessoas nos anos anteriores? De onde elas surgiram? Eram novas na pequena cidade? Ou der repente elas se tornaram interessantes para que seu primo queira estar na companhia delas. E no decorrer da conversa que era conversada entre todos menos entre a moça que acendia um cigarro a cada cinco minutos ele tinha a certeza que elas eram realmente interessantes de mais pra estarem escondidos pela cidade por tanto tempo. Vez ou outra os olhares avoados e distantes deles se cruzavam, ele não conseguia controlar, tinha vontade de olha-la e mal sabia porque. De outro lado Hollis secretamente admirava a forma como ele falava e se expressava, tinha uma boa conversa por mais que ele tivesse dito que não tinha nada a dizer, mas tudo que ele tinha parecia magnífico. Charles percebendo o olhar e a vontade imensa de Hollis de participar da conversa de Justin ficara satisfeito pelo primo ter encontrado tão rapidamente uma admiradora. A ida aquela pacata cidade parecia ter sido o seu melhor refúgio, não tinha nada que pudesse deixa-lo irritado ou frustrado, não tinha os “porquês”, não havia toda aquela pressão de seu pai com suas notas, não havia testes, não havia Elena, não havia Noha, não havia suspeitas de chatos, não havia as perguntas que tolas que ele se perguntava toda vez quando acordava, não havia exatamente nada... Mal ele sabia que toda aquela tranquilidade não duraria por muito tempo.
- Aqui num tem muita coisa pra se fazê não, mas a gente da um jeitinho sabe? –Dizia Hollis enfiando as mãos no bolso de seu casaco, já saindo do bar por meados onze da noite. Charles com suas segundas intenções puxara os irmãos para irem a frente, queria tirar o primo daquela tristeza que emanava e entristecia até quem chegava perto do primo.
- Na verdade eu não vim a procura de muita coisa pra fazer, é mais um descanso. –Respondeu. E tudo que se pode ouvir por longos minutos incansáveis e extremamente desconfortáveis fora apenas os sussurros que eram proferidos de Charles e Henry.
- Então... –Continuou a moça, não conseguia esconder o encantamento naquele moço da cidade- Oque cê faz em Manhattan?
- Em que quesito? –Ele virou-se para ela.
- Num sei, bom pra se divertir, essas coisas.
- Nada.
- Nada? Mas cê mora em Manhattan, como nada?
- Pra falar a verdade eu preferia não morar lá.
- Por que?
- Não combino com aquele lugar. –E com tal resposta Hollis parou um pouco de falar, mas era só pra formular mais perguntas. A cada paço que davam para mais perto do carro mais ele tentava buscar pelo olhar daquela moça que ainda continuava a queimar seu cigarro. Em meio a escuridão da rua pouco iluminada pelos postes de luz ele podia ver o fogo de seu cigarro entre os dedos a queimar lentamente. Lindsey por outro lado só conseguia se sentir incomodada com a troca de olhares que tivera com o mesmo, talvez não estivesse de certo incomodada, de alguma forma o modo como ele a olhava era diferente como o modo como todos da cidade costumavam olhar.

* * *

Pela manhã, em meados cinco e meia da manhã Justin acordava com o cacarejar intenso das galinhas, dando-o a impressão que só tivesse tirado um rápido cochilo. Sentou-se na cama e coçara os olhos, pensando oque havia acontecido na noite passada, o estranho flerte entre olhares com a moça de olhos distantes, o flerte mais da parte da moça de tranças do que dele, a sensação de tranquilidade, o bom pressentimento sobre o que se esperar do verão, as boas doses de cerveja. Levantou-se sentindo um calor que já era de se esperar, mas não tão cedo. Caminhou pelo pequeno quarto até a janela com dificuldade com a fechadura em fim pudera abrir e ao escancara-la um ranger grosseiro indicava a quanto tempo eles não abriam aquela janela. No horizonte podia se ver o sol pedindo permissão a lua para aparecer, para fazer seu trabalho de sempre.
- Há meu filho, que bom que acordou. –Dizia sua tia fazendo-o tirar a atenção do sol- Desça pro café, terá um longo dia pela frente.
- Bom dia tia.
- Como foi a noite passada? Se divertiu?
- Bastante.
- Que bom querido –Ela ofereceu-lhe um doce sorriso e retirou-se do quarto, ele suspirou também saiu do quarto, indo até o banheiro escovou os dentes e com um tanto de preguiça voltou ao quarto para se vestir, em fim ao chegar na cozinha puxou uma cadeira para se sentar.
- Charles não vai descer? –Perguntou ele
- Esse garoto é um preguiçoso, deve de demorar a descer. –E aquele foi o a ultima conversa que tivera com seu calado tio. Tomou seu café em silencio, sua tia que levantara mais cedo que ele lhe servia um bolo de milho típico, enquanto falava sobre como ele havia crescido e ficado bonito, dizia que a cidade o fazia bem, deixou-o inteligente e educado, tinha boas maneiras invejáveis, e com os problemas que ela passou a ter com Charles ela só pedia que seu filho fosse só um pouquinho como ele. Quando em fim Charles descera, e tomara seu café da manhã eles puderam sair de casa, indo a caminho do estábulo.
- A Hollis gostou de ocê hem. –Dizia Charles olhando-o de lado.
- Gostou?
- Leva ela pra sair, ela é virgem. Virgens são boas por demais
- Não sei se estou pronto pra isso, Charles.
- Sua namorada te traiu, cê ta pronto pra qualquer coisa que faça com que se esqueça dela.
- Eu não acho que Hollis possa ter gostado de mim, ela só estava sendo gentil.
- Pare de ser ingênuo, Justin –Rira ele empurrando-o de leve, ao entrar dera de cara com uma nova surpresa. Lindsey escovava a crina de um cavalo ao meio do estábulo, ela parecia conversar com o cavalo. Sorria e parecia fazer aquilo com tal gosto que Charles não faria, ela ao ouvir os paços levantou os olhos claros para ambos que caminhavam em sua direção.
- Sabia que o dia começa as cinco? Estão atrasados. –Dizia ela desmanchando o sorriso.
- Porque ela esta aqui? –Sussurrou a Charles, quase em um gaguejar nervoso.
- Cê num acha que eu fico aqui fazendo esses trabalhos todos né? Eu pago ela pra fazer, papai nem sabe porque quase nunca aparece por aqui.
- Eu também faço só porque gosto dos meus cavalos. –Respondeu ela falando diretamente com ele pela primeira vez.
- E agora eu vou sair, preciso ver como esta o touro dessa noite. –Charles deu meia volta
- E-e-e eu? –Gaguejou
- Você fica ué, você tem trabalhos a fazer. Tem sete cavalos pra você dar banho, escovar, tem o estábulo pra limpar, tem o gado, tem muita coisa J.
- E todo dia você deixa que a Lindsey faça isso?
- Não, as vezes ajudo um pouco mas hoje ela tem você –Com os dedos grudados e a palma da mão aberta ele acenou como um soldado com um olhar divertido para ambos enquanto continuava com os paços para trás- Até logo amigos. –E então ele saiu, Justin virou-se em um suspiro para Lindsey. Ela não era de falar, mas com aquele cavalo ela falava bastante. Justin comprimiu os lábios perdido, não sabia se dizia algo ou se continuava calado.
- Vai ficar parado ai? –Perguntou-o levantando os olhos cinzentos para o mesmo.
- Por onde eu começo?
- Comece pela Marie –Ela apontou para uma andaluz preta e branca, por trás das divisórias amadeiradas logo ao seu lado.- Vá com calma, Marie se assusta com tudo.

EM ANDAMENTO 

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