Change Me


- Deus, tenho que parar de ser tão destrambelhada -Murmurei concertando meus óculos ao
esbarrar em um garoto em encapuzado. Ele calçava estranhas botas pretas, e vestia um jeans claro e surrado, elevei meus olhos para cima observando-o enquanto me levantava agarrando meus livros
- Deveria -Ele disse em um tom condescendente e hostil, só então percebi que era Bieber. 
- Desculpe 
- Pra que você tem óculos? 
- Pra.. pra enxergar ora -Falei como se fosse obvio 
- Não parece, cega do jeito que é. 
- Eu já me desculpei 
- Eu não estou te prendendo aqui, Arabella. Você quem esta parada em frente ao meu armário -Ele novamente falava em um tom hostil, eu comprimi os lábios 
- Idiota -Sussurrei dando-o as costas, de alguma forma Bieber despertava medo em qualquer pessoa que se aproximasse dele. Com aqueles olhos caramelados intimidadores, com aquela voz que dava de arrepiar os cabelinhos da nuca de qualquer pessoa, eu nunca troquei mais do que algumas palavras que fossem "Desculpe por esbarrar em você", era estranho, era como se o universo quisesse que eu esbarrasse com ele todas as manhãs, todas as horas. Aquilo me da nos nervos, minha timidez não me deixava responder as suas ofensas, ele sempre dizia algo desagradável e tudo que minha mente conseguia assimilar para dizer era "Desculpe". Enfiei meus livros em meu armário no final do corredor e suspirei
- Oque falava com o estranho ? -Emma perguntou recostando-se no armário ao lado de meu. 
- Como sempre meus pés tem dificuldade para se mover -Murmurei e tornei a concertar meus óculos 
- As vezes parece que vocês tem um ima. Mas ai eu me lembro que isso só acontece por que você é realmente uma destrambelhada, desajeitada -Ela sorriu, eu fechei meu armário. E senti meu celular vibrar em meu bolço, engoli em seco e olhei para Emma 
- Desculpe, eu preciso ir -Falei rápido e peguei meu celular indo para o mais longe possível dos corredores, dei sorte em não cair dessa vez, dei sorte em não esbarrar em algum cara do time e ser chamada de nerd quatro olhos, dei sorte em não ser barrada por ninguém até chegar no banheiro, olhei para ver se havia alguém a usar o banheiro e então fechei a porta 
- Oque você quer? -Sussurrei ao atender o celular, minhas mãos em um súbito tornaram-se molhadas de suor. 
- Você não pagou o combinado 
- Eu... Eu não posso.. Eu não consegui o dinheiro 
- Eu sei onde você mora garota, dê um jeito de arranjar esse dinheiro ou pode dar Adeus as seus irmãos 
- Eu não tenho como te pagar agora, eu mal tenho dinheiro pra respirar, eu não sei onde posso encontrar esse dinheiro 
- Dê um jeito garota, eu estou farto do seu pai, quero que alguém pague pelo que ele deve. 
- Por favor me dê só mais um tempo, eu juro que vou dar um jeito, eu vou pegar um empréstimo no banco, ou sei la eu dou um jeito 
- É mesmo? 
- Por favor 
- Vou te dar um mês e duas semanas, se não me pagar com dinheiro, sua família me paga com a vida -Ele rosnou e eu desliguei o celular enfiando-o em meu bolço. Escorei minhas mãos na pia do banheiro e senti minhas lagrimas nervosas e amedrontadas molharem minha face, eu não tinha como arranjar aquele dinheiro, eu precisava ajudar meus irmãos, eu precisava deixa-los a salvo. Mas como ? Oque eu faria para arranjar aquele dinheiro? E também arranjar dinheiro para sustentar Joe e Isaac? o dinheiro que mamãe ganhava na lanchonete não dava nem para pagar o tratamento de Joe, que a poucas semanas fora diagnosticado com leucemia. Papai nunca estava em casa, era um bêbado que saia pelo estado simplesmente a fazer dividas e empréstimos pra sustentar seus vícios em bebida e Poker. Eu precisava arranjar um jeito, eu precisava ser a adulta da família, precisava de qualquer forma pagar oque aquele homem viciado devia. 
- Meu Deus, tem alguém transando nesse banheiro -Ouvi seguido de inúmeras batidas na porta, eu levantei meus óculos com uma mão e com a outra enxuguei as lagrimas traiçoeiras que faziam questão de cair. Tornei a por meus óculos e abri a porta, abaixei a cabeça passando por Elizabeth
- Ha, é você -Ela disse e eu não fiz questão de levantar meus olhos para ela ou para outro ser que passasse em minha frente, eu apenas queria pegar minhas coisas e ir embora sem passar por mais um momento constrangedor na aula de educação física e ser atingida por uma bola de beisebol. Senti novamente meu corpo voltar alguns paços para trás, droga, minha vida não podia piorar era a segunda vez naquele dia 
- Tenho sangue doce para parasitar desastradas como você -Ele disse me olhando, eu elevei meus olhos para ele.- Se vai andar olhando pro chão, não precisa usar óculos 
- Você também poderia olhar por onde anda as vezes não é? Ou sera que você é quem precisa de óculos? -Falei tomando coragem e tornei a caminhar em direção a minha turma, quase corri de tão nervosa que estava.  

Dias depois 

Recostei-me na parede ao lado do mercadinho que eu incrivelmente estava decidida a assaltar com uma arminha de brinquedo que dava a leve impressão de que era realmente de verdade. Eu precisava fazer algo pra salvar meus irmãos, precisava nem que isso fosse contra os meus princípios. Abaixei a toca e assim que entrei na loja apontando a arma para o caixa, eu pude perceber Bieber atrás do balcão, por que diabos ele estava naquele mercadinho? Desde quando ele trabalhava ali? Não fazia nem um sentido 
- Com licença -Eu murmurei para ele, que levantou seus olhos que observavam seu celular.- Quero toda grana que você tiver dentro do caixa 
- Que ladra educada -Ele disse sem demonstrar medo. 
- AGORA -gritei, ele levantou as mãos- Também quero seu celular -Falei me aproveitando, seu olhar agora era aquele intimidador que ele sempre me oferecia todos os malditos dias da minha vida no colegial - OQUE ESTA OLHANDO? EU DISSE QUE QUERO AGORA -gritei e joguei uma bolça encima do balcão onde ele rapidamente pois seu celular e toda grana que havia no caixa. Eu agarrei a bolça e corri, corri o mais rápido que pude até o beco mais próximo onde eu havia escondido minha mochila, senti meu coração pulsar mais forte, aquela não era eu, mas era oque eu deveria fazer. Tremendo com a adrenalina do ocorrido no mercadinho, eu peguei minha mochila que estava atrás de uma caixa no beco, tirei a toca, joguei-a dentro da mochila junto com a bolça com o dinheiro e respirei fundo ainda sentindo meu corpo vibrar. Olhei para ambos os lados, voltei a caminhar nas ruas lentamente, sentindo a contínua ardência em meus olhos por conta da falta dos óculos. Ao atravessar a rua eu pude ver o meu ônibus vindo lentamente, parando para uma idosa entrar a um pouco a frente. Respirei fundo, meu coração ainda estava acelerado, minha cabeça estava longe, decepcionada com minha atitude, mas onde é que eu conseguiria 74 mil dólares em três semanas apenas trabalhando meio-expediente em uma loja de conveniências? A vida me fez mudar, papai me fez mudar, mas... Ninguém precisava saber disso. Peguei o ônibus e senti meu coração bater mais forte ao ouvir o barulho alto de uma sirene no fim do quarterão, passei a mão na testa e minhas pernas faziam movimentos nervosos involuntariamente, eu queria chorar, eu queria ir pra casa, mas eu não podia chorar, eu não podia parecer fraca, nem desesperada, não... Não agora. 
 Já na rua de minha casa eu respirei fundo, abri o portão e olhei para os lados antes de entrar, a muito tempo eu venho tendo a impressão de estar sendo seguida por um daqueles homens a quem papai deve dinheiro. Abri a porta de casa, e pude ouvir o som alto da Tv, e uma discussão entre Joe e Isaac. Entrei na sala podendo ver, os dois brigando pelo controle, por que gêmeos tinham de descordar em tudo? Isaac e Joe, pareciam melhores amigos, tinham apenas 7 anos, mas quando o assunto a concordar em algo, os dois nunca se davam bem.
- Hey, Hey meninos oque eu disse sobre a Tv ? -Falei os separando, ambos bufaram sentando um em cada lado do sofá.- Vocês sabem que horas são? Já escovaram os dentes pra dormir? 
- Mas são só nove horas -Isaac contestou
- Não quero saber, vão escovar os dentes e cama agora 
- Mas a mamãe disse que poderíamos assistir um pouco de Tv -Choramingou Joe 
- Mas ela estava errada, por que agora os senhores vão pra cama 
- Mas ... 
- Agora -Falei firme, eu estava cansada de ser a dona da casa. Ele deram-se por vencidos e se levantaram 
- Tudo bem, Bella -Eles disseram em coro, mas não subiram antes de abraçarem-me e beijarem a minha face. Eu suspirei, cocei os olhos cansada e deixei minha mochila indo até a cozinha, onde mamãe lia um livro gasto de receitas enquanto tomava seu café levemente amargo como nossa estranha, e difícil vida levemente amarga 
- Oi mãe -Sussurrei sentando-me ao seu lado na mesa
- Você demorou -Ela tirou a atenção do livro gasto para olhar-me nos olhos, eu engoli em seco a procura de alguma desculpa
- Fiquei empacotando umas coisas, a Carmen faltou hoje -Respondi-a, mentir nunca fora meu forte, nunca fiz isso de uma forma certa - E a senhora sabe, o trabalho fica todo pra mim 
- Você deve estar cansada -Ele deixou a xícara e o livro a mesa- Quer que eu prepare algo pra você? 
- Não mamãe -Ofereci-lhe um sorriso e toquei sua mão fazendo-a ficar sentada - Vá pra cama, descanse um pouco, sei que não foi fácil pra ti hoje também 
- Querida eu ainda sou sua mãe, você não precisa fazer isso
- Vai mamãe, eu me viro aqui 
- Tem certeza ? 
- Tenho -Balancei a cabeça em um meio sorriso
- Eu te amo -Ela se levantou e logo em seguida depositou-me um beijo na testa. 
- Eu também te amo, mamãe -Sussurrei, ela sorriu terminou de tomar seu chá em um gole, deixou sua xícara na pia e saiu da cozinha carregando seu livro gasto de receitas, que era escrito a mão, como um diário antigo, ela dizia que eram receitas da família, e que cada mulher da família fazia algo com um sabor espacial, e que o ingrediente secreto esta ali, era anotado ali por elas.
Respirei fundo e me levantei, eu estava sem fome, oque eu havia feito deixou-me de estômago embrulhado por uns quatro dias, passei na sala peguei minha mochila, a joguei por cima do ombro e subi, passei no quarto dos meninos, as luzes já estava apagadas e ambos dormiam como anjos, coisas que acordados não eram nem um pouquinho. Encostei a porta do quarto dos meninos e caminhei até meu quarto, onde tranquei a porta, sentei-me em minha estreita cama de ferro, e tirei o saco preto de dentro da minha mochila, virei o saco despejando tudo que havia ali dentro, logo que o Iphone de Bieber caiu em minha cama começou a tocar, olhei para o celular assustada, na tela havia uma foto engraçada de Lee, o único amigo de Bieber, que ao contrário dele, não era nada hostil, estranho, grosseiro, idiota e calado. Lee era um Asiático baixinho, bem humorado que tocava na banda da escola, vez ou outra nós conversamos, pelo fato de termos uma aula juntos. Cancelei a ligação e com um bocadinho de medo e receio eu peguei o celular, eu conseguiria no máximo uns quatrocentos dólares com aquele celular. A curiosidade me consumia, eu queria dar uma olhadinha nas mensagens, na lista de contatos, e foi oque eu fiz logo após colocar meus óculos, mas tudo que havia nas mensagens, eram mensagens de Lee, e de sua mãe do tipo: "Querido, que horas que você vem pra casa ? " "Vai demorar na escola hoje?" "Vou fazer compras, não demoro" e as de Lee eram : "Cara, eu preciso de cigarro" "Vamos no Brelvis hoje?" "Você viu a gata da Cherrie hoje? Caramba eu acho que não consigo pensar em alguém mais gata do que ela" "Você precisa para de fumar tanta maconha jajaja". Enchi-me de ler as mensagens daquele idiota ante-social, e desliguei o celular deixando-o de lado, agora era só o pouco do dinheiro da caixa registradora, peguei-os e os contei, sentindo repulsa de mim mesma, ao todo com o dinheiro da caixa registradora eu havia conseguido 433 dólares apenas, respirei fundo sentindo meu coração apertar, quantos mercadinhos eu teria que roubar pra conseguir 74 mil dólares? Só aquilo não bastava eu teria de fazer algo maior, porem oque seria maior do que roubo? 



* * *

- Arabella? Arabella você esta me ouvindo? -Ouvi Emma me chamar, empurrando-me levemente, eu mal havia percebido que ele estava sentada ao meu lado no refeitório, a dois minutos eu estava sentada sozinha e agora ela estava aqui, falando coisas que não me importava em ouvir, não que eu não gostasse dela, mas sim por que minha cabeça não processava mais nada do que ela dizia, ela se importava com coisas futes, eu também queria me importar, mas desde que meu mundo resumiu-se em ajudar meus irmãos, nada do que ela dizia me importava mais. 
- Sim... Eu estava -Murmurei a olhando
- Sério mesmo? Você nem se mexia, esta tudo bem ? -Ela perguntou-me.
- Só estou pensando em como vou fazer pra ajudar a pagar o tratamento do Joe 
- Ha -Ela desmanchou largo sorriso que brincava-lhe nos lábios- Desculpe, eu deveria parar de te chatear com essas coisas
- Esta tudo bem -Murmurei empurrando levemente minha bandeja para longe- Oque você dizia mesmo? 
- O Aidan me chamou pra sair -Ela tornou a sorrir largo.
- O Ainda Brown? O que faz aula de química com a gente ? - A olhei tentando mostrar interesse 
- É, foi tão engraçado 
- Como ele pediu ? 
- Eu estava trabalhando na loja de discos do meu pai, quando ele chegou lá, ele olhou a loja, rodou, rodou, rodou como um cego sem bengala, e depois ele veio até o caixa e perguntou se tinha o disco do Joy Division Unknown Pleasures, e pediu que eu o mostrasse onde ficava, ai eu disse "Ah, Tudo bem", e o levei até lá, ai eu peguei e ele disse que iria levar, na hora de passar, eu olhei bem a capa do disco e tinha algo colocado meio que como adesivo, estava escrito "Hey, você quer sair comigo?" 
- Sério ? -Sorri para ela- Foi fofo, e oque você disse? 
- Eu ri, eu fiquei rindo como uma idiota, ele achou que eu achei ridículo 
- E ele foi embora?
- Não, ele ficou com o rosto tão fofo avermelhado, e com as mãos no bolço, mas por fim eu consegui dizer alguma coisa 
- Que foi? 
"É claro que eu quero sair com você Aidan"
- Pelo menos você tem sorte com essas coisas -Suspirei escorando meu rosto na minha mão olhando o sorriso abobado de Emma.- Já eu tenho a má sorte de sempre ter o caminho cruzado por um grosso ante-social 
- Essa coisa é macumba -Ela riu- Por que vocês sempre, sempre se esbarram, se encontram sem ter a menor pretensão de faze-lo 
- Talvez seja -Suspirei novamente 
- Esse carma deveria acontecer com o Quetin
- Seria muita sorte -Sorri cansada,e imaginando como seria esbarrar do Quetin todos os dias da minha vida no colegial, como seria encontra-lo em lugares sem querer encontra-lo, como seria rouba-lo em um mercadinho.- Eu fiquei sabendo que ele entrou na banda do Oscar 
- Sério? Isso é um completo saco, agora ele vai passar de um cara legal a um cara imbecil que se acha o máximo por tocar em uma banda que ensaia em uma borracharia abandonada -Revirei os olhos, e pude ouvir o som agudo do sinal, me levantei junto a Emma 
- Isso aconteceu com o Kian não é? -Ela olhou-me amuada, enquanto caminhávamos para fora do refeitório. 
- Eu me lembro de ter conversado com o Kian algumas vezes, ele era gentil, mas ai entrou pra banda, e agora se veste como um cantor indie dos anos 80, e trata as pessoas com arrogância
- Isso aconteceu com o Davi também -Ela disse, e eu forcei um sorriso, era a primeira vez naquela semana que eu estava mais tranquila a ponto de conversar sobre essas coisas, de alguma forma aquilo era bom, era bom descontrair um pouco. Quando estava prestes a passar pela grande porta inevitavelmente eu esbarrei naquela parede humana que brotara não sei de que inferno fazendo-me voltar alguns paços. 
- A droga Arabella, tem noção de como isso é chato? -Ele disse em um tom hostil concertando sua jaqueta jeans.
- É eu tenho, e olha não me agrada nada ter que esbarrar em você todo santo dia 
- Como eu disse, eu tenho sangue doce pra parasitas nerdes -Ele ofereceu-me um sorriso cínico e passou por mim. 
- Babaca -Sussurrei, Emma riu ao meu lado quando voltamos a andar 
- Cara isso é hilário, veja parece até coisa sobrenatural sabe? Todos os dias vocês tem que se esbarrar, se algum dia isso não acontecer, fica esperta por que tem algo errado  

* * *

Corri agarrando minha mochila e concertando meus óculos para não caírem, eram dez da noite quando eu saía da loja e passava por uma rua quando um grupo de três pessoas com tocas como a que eu coloquei no dia anterior correram atrás de mim, eu não sabia oque fazer, só pensava que seria um dos homens a quem papai deve quando entrei sem pensar em um beco sem saída, ouvi uma pessoa do grupo gargalhar e com rapidez me alcançarem 
- SOCORRO, SOCORRO -gritei quando um deles agarrou-me fortemente por trás - POR FAVOR, ALGUÉM ME AJUDE, SOCORRO -gritei mais alto, porem um deles parou em minha frente, enfiou um pano em minha boca e logo após jogou um saco preto em minha cabeça, tentei me soltar, eu estava desesperada, por um momento pensei que meu óculos havia quebrado. Senti agarrarem-me pela perna e fui carregada como se fosse um saco de batatas 
- Cara, precisa disso mesmo? -Ouvi uma voz feminina perguntar 
- É claro que precisa -Respondeu uma voz quase familiar, mas eu estava tão nervosa que ninguém me veio a mente 

* * * 

- Por favor, eu já disse que vou pagar, você disse que ia me dar um... -Parei de choramingar quando tiraram o saco de minha cabeça. Justin seu pai, sua mãe e mais um garoto e uma garota desconhecidos por mim estavam parados a minha frente, eu estava na sala de estar de uma casa que aparentemente era de Justin, com os pés e as mãos amarrados a uma corda, aquilo podia ser mais assustador? Todos olhavam com os braços cruzados. - Oque... oque vocês estão fazendo? Por que eu estou aqui? -Perguntei assustada 
- Nos desculpe pelo modo como chegou aqui, Justin não sabe recepcionar bem as pessoas -Falou sua mãe vindo até mim 
- Pelo que parece, seu pai  deixou uma grande divida pra você e sua mãe não é? -Jeremy perguntou coçando sua barba por fazer 
- Como... como sabe? -Gaguejei 
- Isso não importa muito, nós só iremos oferecer uma ajuda -Ele falou, eu olhei para Justin que estava sério 
- Ajuda? -Perguntei sem acreditar- Que família maluca é essa que praticamente sequestra uma pessoa pra depois oferecer ajuda? 
- Justin nos disse que você se destacou em matemática avançada esse semestre -Ele murmurou para mim. 
- Oque? 
- Pode desamarrar ela -Jeremy fez um sinal para Pattie que sentava ao meu lado, ela desamarrou a corda que estava em volta de minha pernas e também desamarrou as que prendiam meus pulsos, assim que ela tirou-os senti ardência nos mesmos, os olhei por um instante mas finalmente saciei minha vontade de concertar meus malditos óculos. 
- Estamos oferecendo a você um lugar na família "B" -Ele continuou a dizer 
- Oque é isso? 
- Ha, eu vou subir, estou morrendo de sono -A Loira disse levantando as mãos desinteressada 
- Também -O garota que estava ao lado de Bieber, que aparentava ter seus 16 anos passou por mim e levemente piscou - Bem vinda gatinha -E então ele subiu indo atrás da loirinha 
- Sabemos que você precisa pagar a divida do seu pai, sabemos que você é ótima em matemática e com isso você ganhou uma vaga na nossa família 
- Tem como me explicar no meu idioma ? Por que eu não vejo como isso pode me ajudar 
- A família "B", somos nós e nós ganhamos muito dinheiro nos cassinos de vegas. 
- Oque? 
- Tudo que você precisa é dizer sim, que nós te ensinaremos como jogar BlackJack 
- 21? -Quase gaguejei- Eu sei jogar 21, umas das poucas coisas que papai me ensinou foram jogar 21, e como blefar em Pocker 
- Esperávamos por isso -Murmurou Pattie ao meu lado, e então entregou-me minha mochila  
- Desculpem mas eu não quero terminar como meu pai, tudo que eu quero é distância desses jogos.
- Nós estamos precisando de alguém, e você precisa de dinheiro, veja: você só precisa jogar conosco até conseguir sua cota, quando isso acabar você pode sair da Família "B" 
- Posso pensar na proposta com calma? -Sussurrei 
- É claro, mas seja breve, precisamos treinar você, você tem que estar preparada pra quando formos novamente, 21 um não é apenas um jogo, nunca se trapaceia no 21, tudo que você tem que fazer é contar
- Tudo bem, eu-eu -Suspirei- Posso ir pra casa agora? Minha mãe deve estar preocupada, meus irmãos também 
- Tudo bem querida -Pattie agarrou-me pela mão se levantando e me ajudando a levantar, eu forcei um sorriso e me levantei jogando minha mochila sob as costas. Que droga estava acontecendo? Eu ainda estava assustada, a família de Justin era uma família que se reunia para quebrar bancas em las vegas ? Por que diabos eles não esbanjavam tal dinheiro então? 
 Eles me levaram até a porta e Jeremy a abriu, Justin estava quieto olhando-me seriamente com aquele olhar intimidador. Sua mãe se virou para ele 
- Leve-a em casa meu bem -Ela murmurou 
- Ta legal -Ele resmungou 
- Pense bem em nossa proposta, e não conte a ninguém -Jeremy alertou-me quando sai de sua casa, eu balancei a cabeça e concertei meus óculos. 
- Tudo bem senhor, Bieber -Respondi-o, e eu e Bieber caminhamos até seu carro, entramos e ele deu a partida. Eu respirei fundo ainda tentando assimilar tal coisa estranha, assustadora e completamente louca 
- Já vendeu meu celular? -Ouvi-o perguntar-me , eu arregalei os olhos com medo
- Ha... her.. oque? -Gaguejei, ele olhou-me de relance 
- Você roubou o mercadinho do meu vizinho ontem, eu estava fazendo um favor a ele, por que a esposa dele estava em trabalho de parto e ele não podia deixar o mercado sem ninguém
- Oh -Senti meu corpo cair em um remorso horrível, eu me senti culpada e imunda por ter feito aquilo - 
- E então? Já vendeu ou não meu celular? 
- Não consegui -O olhei e abri minha mochila- Fui sequestrada antes que pudesse 
- Me devolva então, Ladra educada -Ele sorriu torto, eu enfiei minha mão na mochila a procura do celular. 
- Me desculpe -Sussurrei e por fim encontrei o celular 
- Eu sabia que era você -Ele falou tirando a atenção da rua para olhar-me pegar o celular de minha mão.
- Como? 
- Muito tempo esbarrando com você, da pra reconhecer seus olhos, sua voz e o modo como é destrambelhada, que pessoa assalta um mercadinho e diz "Com licença, eu quero todo dinheiro que tiver no caixa" ?-Ele riu mas parecia não ter humor em sua gargalhada, definitivamente Bieber era estranho, sua família era estranha e agora sei de onde ele puxou isso 
- Desde quando fazem isso? -Sussurrei para ele criando a coragem que faltava-me para faze-lo, eu nunca troquei mais de três ofensas com Bieber antes 
- Fazemos oque? 
- Contam cartas, quebram bancas 
- Só quebramos a banca duas vezes, sabe, se você não é cuidadoso os caras do cassino marcam seu rosto e você pode ser pego por contar cartas ou trapacear 
- E isso é crime? 
- Não -Ele sorriu de canto e olhou-me de relance- Mas eles tem o direito de te darem uma boa surra 
- Até... em Mulheres ? 
- Até em mulheres, eles estão perdendo dinheiro, que se dane se é uma mulher ou um homem que esta levando o lucro deles embora, por que pra eles, BlackJack é um jogo de sorte, se você fatura muito... Ou você é um sortudo iniciante ou você esta contando as cartas 
- Ha -Murmurei olhando para a janela, eu tinha tanta a coisa a perguntar, aquela proposta caiu certeira em minha mão, mas eu tinha medo de não me controlar, tinha medo de ao invés de ganhar pra quitar eu poderia perder oque já não tenho. Eu não queria correr aquele risco.
- Seu pai e sua mãe, oque eles fazem? -Perguntei-o voltando a olha-lo 
- Eles entram primeiro, as vezes como um casal turista idiotas, ou as vezes fingem que se conhecem na mesa, e lá eles percebem se a mesa esta quente ou fria, é quando eu, Jaxon e Jasmin entramos 
- Quem são eles? 
- Meus irmãos, eles estudam em outra escola -Ela murmurou e senti o carro parar, a rua escura iluminada apenas por um poste de luz coberto de cartazes indicava que eu havia chegado em casa. Respirei fundo e abri a porta 
- Hey -Ele chamou-me antes de sair, eu o olhei - Não pense que isso faz com que sejamos amigos na frente das pessoas ok? 
- Não pensei nisso -Falei permitindo-me revirar os olhos, ele assentiu satisfeito e eu sai jogando minha mochila por cima do ombro, que reputação ele tinha a zelar que não podia ser visto comigo na escola? Nem uma, por que ele não era nada, nada, nada, definitivamente Bieber era mais insignificante do que nós nerdes, e os cantores da Banda da escola. Ele era estranho, e eu é que não queria ser vista com ele, não ele por ser visto comigo. Entrei em casa, e pude ouvir o som da Tv, olhei no meu relógio de pulso e marcavam 01:30AM, respirei fundo, era a segunda vez que eu tinha de mentir para mamãe, papai realmente fez com que eu me tornasse uma pessoa horrível. 
- Acordada ainda mamãe ? -Murmurei para ela concertando meus óculos, ela tirou os olhos da Tv para olhar-me 
- Onde estava? Eu fiquei preocupada 
- É que... que... Eu encontrei um garoto da escola, ele... ele me chamou pra beber algo e depois disse que poderia me trazer em casa -Falei tentando não gaguejar 
- É mesmo? e quem era o garoto ? -Ela sorriu parecendo ter acreditado, eu soltei o ar que prendia em meus pulmões aliviada 
- Quem era? Ha.. Era... Era o Quetin -Falei rápido
- E eu conheço?
- Não. mamãe eu vou subir, estou um pouco cansada 
- Ha, tudo bem. Boa noite -Ela sorriu, eu subi mas não sem antes depositar um leve beijo em sua testa. Joguei minha mochila encima da cama e tirei minhas roupas indo ao banheiro, eu precisava de um banho e pensar qual decisão tomar, eu queria distancia de jogos de azar, eu queria distancia de apostas, aquilo me dava medo, eu tinha um irmão com câncer pra ajudar a pagar o tratamento, tinha uma casa pra ajudar nas despesas, tinha 74 mil dólares pra arranjar, minha vida estava completamente fodida, eu não sabia como melhorar aquilo. Deixei meus óculos na pia do banheiro e liguei o chuveiro, entrei de baixo do mesmo e deixei que aquela aguá gelada me acalmasse. Sim gelada, tivemos que cortar alguns gastos, e aquilo incluía não ter aguá quente no banho. Mas não me importei, eu só queria pensar, pensar no que fazer, pensar no que responder aos Bieber's, eu precisava daquele dinheiro, que no momento só os jogos poderiam arranjar para mim, aquilo queria dizer que eu teria de lembrar de tudo que papai me ensinou 

FlashBack On

- Tudo que você tem que fazer quando esta com uma mão ruim é apostar alto, apostar o mais alto da mesa, se acreditarem, é claro que você vai ganhar aquela rodada querida -Disse papai foleando as cartas de seu baralho, inocentemente eu me sentei no chão e cruzei as pernas como um índio o olhando no sofá 
- Mas isso não faz sentido papai -Falei para ele arqueando o cenho- 
- Por isso mesmo querida, veja: na mesa do poker você precisa ter uma imagem 
- Uma imagem papai? -perguntei  
- É, ou você é o maníaco o conservador ou é maluco, quando você for jogar querida, lembre-se de escolher uma mesa conservadora, essas são as melhores mesas 
- Quando o senhor vai me levar de novo pra assistir uma partida papai? -Sorri otimista para ele 
- Em breve querida 
- Ta, eu quero saber mais papai 
- Ta vamos lá, lembre-se dessas estratégia: Tight agressive, Loose passive, Tight Passive e loose Agressive 
Uma estratégia de poker “tight” significa que muito poucas mãos são jogadas. Os jogadores ”tight” são conhecidos por aumentar as apostas com mãos que têm uma boa chance de ganhar, lembre-se bem disso em querida. -Ele olhou-me como um professor legal e divertido, eu balancei a cabeça em um sorriso largo e interessado nas coisas que ele dizia- Uma estratégia “loose” envolve jogar uma grande variedade de mãos. Os jogadores “loose” pagam as apostas quer a sua mão inicial seja forte ou fraca.Quando os jogadores utilizam uma estratégia “aggressive”, as suas apostas são frequentes, aumentam ou aumentam as apostas novamente, muitas vezes com um grande número de fichas.Um jogador “passive” espera frequentemente para ver mas raramente aumenta a aposta de outro jogador a não ser que a sua mão seja particularmente forte.
- Eu não sei se vou conseguir lembrar disso papai, é muita coisa 
- Não se preocupe, nós teremos bastante tempos pra fazer isso querida 
- Mesmo? -Alarguei o sorriso 
- É claro
- Ed -Mamãe disse parando ao lado de papai - Oque eu disse sobre encher a cabeça da Arabella com essas coisas ?
- Nós só estávamos brincando querida -Papai disse e ela tomou o baralho de suas mãos 
- Largue esse baralho e vá pedir seu emprego de volta, céus é a segunda vez esse mês 
- Ha, quem liga pro trabalho, mulher? Eu vou ficar rico com as idas a vegas 
- Como vai a vegas sem dinheiro ? Vai gastar tudo que temos ? -Mamãe alterou o tom, eu não sabia se aquela era a hora de sair, ou se ela também brigaria comigo. Mas minha pergunta fora respondida quando mamãe abaixou os olhos para mim- Suba pro quarto querida, vá se arrumar para irmos a igreja 
- Tudo bem mamãe -E então eu subi enquanto repetia alegremente Tight agressive, Loose passive, Tight Passive e loose Agressive


FlashBack Off 

* * *

- Eu preciso falar com você -Empurrei Bieber contra o armário, ele olhou-me sério 
- Oque eu disse sobre conversas na escola? -Ele disse tirando minhas mãos que pausavam em seu peito. 
- Que se dane, você não tem nem uma reputação zelar 
- Errado -Ele forçou um sorriso- É preciso esforços pra ser o cara estranho que come as vadias da escola, e que mesmo assim não se interessa em popularidade. 
- Só quero que me responda umas perguntas 
- Vai pagar um boquete depois? 
- É sério 
- Não -Ele forçou um sorriso, desde quando ele fazia o tipinho sínico? 
- Por favor, Bieber é sério -Disse em quase tom de choramingo
- A Nerd e o babaca estranho, parece que estou presenciando um filme -Disse Quetin parando ao nosso lado, eu senti meu coração apertar um bocadinho, era incrível como os caras que entravam pra aquela bandinha de merda viravam idiotas, Quetin sempre foi um cara legal, que vez ou outra me pedia um lápis na aula de ciências humanas, e agradecia com um sorriso encantador, agora ele anda por ai com essas roupas estranhas e me chama de Nerd como se fosse superior a alguém.  
- Acho melhor você rever o modo como se refere a mim seu merda, quem você acha que é? Só por que coloca uma calça apertadinha e usa uma jaqueta jeans gasta de merda se acha o rockstar da escola, se manca imbecil, por que você nem vocalista dessa bandinha de merda é. -Justin rosnou encarando Quetin, eu me encolhi sem saber oque fazer, na verdade eu não deveria fazer nada, nunca gostei de Bieber e do modo como ele falava comigo, e também Quetin já foi um cara legal, hoje ele nem isso é.
- E se eu não rever o modo como falo com você? 
- Seu espelho não irá gostar nada do que irá refletir hoje a noite princesa -Ele debochou
- B-a-b-a-c-a -Ele disse em um tom sínico e provocativo, sem exitar justin acertou um murro no nariz de Quetin fazendo-o cair parar trás de bunda no chão, eu pus as mãos na boca arregalando os olhos 
- Eu disse -Justin sorriu para ele e saiu pisando firme, e Quetin pois a mão no nariz talvez com medo e desacreditado, eu quis me abaixar pra ajuda-lo, mas só então percebi que o corredor inteiro nos olhava. 
- Oque esta olhando em, Arabella? Vai com seu namoradinho -Ele disse tentando se levantar, eu engoli em seco porem por algum motivo estúpido o ajudei a se levantar. Ele me olhou com desdém 
- Sempre te achei um cara legal, até você se tornar isso -Falei baixo, só para que ele pudesse escutar e encolhi-me passando entre as pessoas que se aglomeravam para olhar Quetin que apanhou sem dizer nada. Eu corri até alcançar Bieber que estava prestes a entrar em sua aula de Geometria. 
- Hey -Falei fazendo-o se virar para mim- Quando podemos conversar? 
- Quando não estivermos na escola -Ele forçou um sorriso 
- Quando? 
- Não tenho tempo hoje, marquei de comer uma vadia da escola do meu irmão a noite e a menos que você me faça querer ir com você e não com ela, não eu não tenho tempo pra conversar hoje 
- E agora? Nós não podemos conversar fora da escola ? -Perguntei, ele recostou-se na porta e riu sínico 
- Ora, ora, ora ... Ela quer matar aula 
- Quanto mais rápido eu souber oque é, mais rápido eu me livro de você e da sua família estranha 
- Ha, não fale assim. Eles gostaram muito de você 
- Você vai ou não,Justin? 
- Vá pegar sua mochila, me encontra na frente da escola -Ele disse, eu assenti e fui até minha sala, quando estava prestes a sair da sala bati de frente com Emma 
- O Justin deu um murro no Quetin por sua causa? Meu Deus isso é bárbaro -Ela disse- Oque o Quetin disse? Espera, pra onde você vai?
- Primeiro, não foi por minha causa, segundo o Quetin chamou Justin de babaca e o Justin não gostou e deu um murro nele, terceiro ... Eu vou pra casa, minha mãe não esta muito bem e precisa de mim hoje pra cuidar dos meus irmãos 
- A Denise disse que foi porque o Quetin mexeu com você, ai eles ficaram se encarando e o Justin deu um murro nele -Ela disse entusiasmada, eu respirei fundo
- Acredite, Bieber nunca bateria em alguém por mim -Murmurei- Eu tenho que ir -Ela assentiu e deu-me um beijo em ambas as faces e entrou murmurando um "Até amanhã", eu concertei meu óculos no nariz e caminhei passos rápidos e longos até fora da escola, onde Justin me esperava em seu Opalla a metálica vermelho. Ele olhou em seu retrovisor e bagunçou seu cabelo desgrenhado, acho que aquele cabelo nunca viu um gel na vida, sempre estava desarrumado. Sentei no banco ao seu lado e ele deu a partida, não passava das onze da manhã e o sol mal estava quente, porem Bieber era estranho o suficiente para estar de casaco e óculos escuros. 
- Pra onde vamos? 
- O som da sua voz não me agrada, Arabella -Ele disse pondo o carro pra funcionar 
- O som da sua também não me agrada mas eu deveria saber para onde esta me levando, não? 
- Não -Ele não desviou atenção da estrada para olhar-me 

 * * *

Justin devorava um cachorro quente gorduroso de uma lanchonete em um bairro nada agradável da cidade enquanto eu esperava sua boa vontade pra me falar sobre ele e sua família em Vegas. Eu bati as unhas não pintadas na mesa e o olhei. 
- Quer ? -Ele perguntou de boca cheia 
- Não obrigado 
- Fresca -Ele revirou os olhos 
- São onze da manhã e você esta devorando um cachorro quente como se fosse a Megan Fox no filme garota infernal, desculpe mas eu não tenho de ter um apetite como esse 
- Vamos logo ao assunto. -Ele disse engolindo oque estava na boca 
- Graças a Deus -Suspirei aliviada 
- Oque você quer saber? 
- Primeiro eu queria saber por que vocês ainda moram aqui, você disse que já quebrou a banca duas vezes, e isso são milhões 
- Nós somos jogadores, e jogadores são como gente fora da lei, nós temos que fingir não ter dinheiro na cidade, mas você precisa ver nossa casa de praia nas Bahamas -Ele disse dando outra mordida no cachorro quente 
- Então vocês são tipo a máfia dos cassinos ? -Perguntei 
- Quase isso -Ele tornou a responder de boca cheia 
- E se eu não conseguir gravar as cartas ? 
- Não é gravar -Ele disse- É contar, você é boa nisso 
- Mas eu nunca cheguei a contar, papai só me fez decorar a tabela 
- Com a tabela decorada você consegue no minimo 46% de chances de ganhar, mas contando cartas você tem 100% de chances, qual você prefere ? 
- Contar 
- Então 
- Mas eu não sei se é uma boa ideia entrar nisso -Olhei para minhas mãos encima da mesa- 
- Consiga seu dinheiro e dê o fora, é fácil 
- Meu pai sempre dizia que era isso, mas ele acabou ficando um viciado perdedor 
- Seu pai é burro -Ele deu um gole em sua cerveja- E você é a inteligente da família, vai conseguir se dar bem nessa e sair como se nunca tivesse entrado.
- Tudo bem -Respirei fundo- Eu aceito entrar 
- Bem vinda -Ele disse levantando sua latinha de cerveja- O ruim é que o encarregado de passar as coisas pra você sou eu -Ele revirou os olhos 
- Eu também não me agrado nada com esse tipo de coisa 
- E então -Ele olhou em seu relógio- Oque mais quer saber? Você precisa trabalhar né? 
- Eu queria saber mais sobre as estratégias que vocês usam lá dentro 
- Toda vez que tem uma mesa quente, e nós entramos minha mãe ou meu pai que estão as vezes em mesas separadas ou cada um em uma mesa eles bocejam.
- Bocejam? mas ai seria mais adequado eles bocejarem quando a mesa esta morta não? 
- Por isso mesmo, se eles fizerem algo que é claro e justificativo os caras lá de cima vão sacar -Ele bebeu sua cerveja 
- Ha, e por exemplo quando a mesa não esta boa, qual sinal vocês fazem ? 
- Eles mechem no cabelo 
- Mas é qualquer forma de mexer no cabelo? 
- É, Ara. Qualquer forma,pro meu pai. Ele faz assim -Ele olhou-me e passou a mão entre os cabelos - Agora pra minha mãe e pra Jazzi, elas só colocam o cabelo pra trás da orelha -E por aí foi uma verdadeira aula de estratégias usadas por eles no 21, mas claro eu conseguiria conseguir contar, porem eu sempre fui boa mesmo no Pocker. 



* * *



- Oque você ta fazendo aqui Kyle ? Eu já disse que não é pra você vir na droga do meu trabalho, cara -Carmen disse empurrando seu namorado bêbado, eu olhei de relance para eles enquanto colocava umas coisas na pratilheira. 
- Que se dane sua vadia, você não pode ir embora, e a porra do aluguel? Quem vai pagar? -Ele disse agarrando seu braço, ela contentou o choro, porem Carmen era como relâmpago, Carmen sabia fingir força, fingir estar bem. Carmen era problema, todos amavam Carmen, todos queriam um pouco de Carmen, mas ela, ela não queria nada de si mesma, eu podia ver que ela se sentia mal mas nunca me atrevi a me meter em seus problemas 
- Eu não vou pagar nada, já disse, vá embora eu não posso receber outra advertência por sua causa -Ela murmurou tentando soltar-se de das mãos do bêbado. 
- Quero você em casa hoje vadia, e não questione comigo -Ele empurrou-a fazendo-a cair no chão, e saiu pela porta de Trás, eu engoli em seco. Deixei meus afazeres de lado e caminhei até Carmen sentando-me ao seu lado, onde ela chorava com os cabelos sob a face 
- Carmen ? -Murmurei tocando seus cabelos- Carmen? Esta tudo bem? 
- Eu-e-eu não sei mais oque fazer da minha vida, Arabella -Ela soluçou pondo a cabeça em minha perna, eu estava assustada, nós não éramos amigas, mal nos falávamos. - Eu estou farta desse babaca, fui expulsa da casa dos meus pais e não quero mais morar com o Kyle -Ela chorou 
- E-e-eu sinto muito 
- Eu preciso de um lugar pra ficar -Ela disse levantando a cabeça pra me olhar, ela era Carmen, aquela que sabia convencer a todos, e eu não era diferente, ela estava ali jogada ao chão implorando por ajuda, acabada, oque eu poderia fazer alem de ajuda-la? 
- Se.. se ... Você quiser tem lugar lá em casa, bem, não exatamente lugar, mas acho que podemos improvisar uma cama até você ir 
- Mesmo? -Ela secou as lagrimas que iluminavam seus invejantes olhos frios cinzentos 
- Claro 
- E sua mãe ela... Ela vai deixar ? 
- Eu converso com ela, por quanto tempo você vai precisar ficar? 
- Não sei, talvez pouco menos de um mês -Ela sussurrou em a um meio sorriso 
- Esta tudo bem então. 




Três dias depois




Não passava das dez da noite quando pude ver pela janela Carmen despedir-se de Bieber com um selinho ao sair de seu carro, ótimo eu trouxe a garota que Bieber transa pra minha casa. Era a segunda vez que eu o via deixa-la aqui em frente. Eu suspirei e voltei a me sentar na cama, onde se encontrava meu baralho. Eu estava tentando memorizar as cartas, faz três dias que eu venho fazendo isso, troquei o tempo na biblioteca pra ler, pra sentar lá e ficar memorizando as cartas e as palavras, que eram números, e números eram palavras. 
- De novo, Arabella? -Ouvi a voz de Carmen, e a cama afundar ao meu lado da cama. Eu não a olhei para não perder a concentração 
- Estou treinando -Murmurei 
- Treinando? 
- É 
- Pra que? 
- Nada, só gosto de praticar a matemática de um jeito mais divertido -Murmurei continuando a contar as cartas- 
- E isso é divertido? 
- As vezes -Respondi e por fim terminei todas as cartas, catei-as organizando-as e caminhei até meu armário, coloquei-as bem lá no fundo do mesmo para que mamãe não encontrasse, já que ela sempre odiara os jogos e principalmente os baralhos. 
- Vai ter uma festa amanhã a noite -Ela disse quando voltei a me sentar na cama, eu a olhei sem interesse. Nunca gostei de festas, não era lá algo do meu mundo 
- Mesmo? E você vai?
- Vou -Ela sorriu- Mas quero que vá comigo 

EM ANDAMENTO

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